<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741</id><updated>2012-01-18T09:20:54.908-08:00</updated><category term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Blog do Rodrigo Azenha</title><subtitle type='html'>Poesias, pesquisas, artigos sobre a farsa do Aquecimento Global Antropogênico e outros assuntos relacionados à Geopolítica.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>161</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-41893168482051797</id><published>2011-08-10T10:54:00.002-07:00</published><updated>2011-08-10T11:12:32.931-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Essa é para os aquecimentistas de plantão</title><content type='html'>Para os aquecimentistas de plantão que estão agora se recuando... Veja só o que o velho Milton dizia já em 1992, na época da ECO-92. Ele simplesmente dissecou o quadro de absurdos que está acontecendo hoje, com a fraude do aquecimento global e essas porcarias de ONGs verdes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Natureza da mídia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mediação interessada, tantas vezes interesseira, da mídia, conduz, não raro, à doutorização da linguagem, necessária para ampliar o seu crédito, e à falsidade do discurso, destinado a ensombrecer o entendimento.&lt;br /&gt;O discurso do meio ambiente é carregado dessas tintas, exagerando certos aspectos em detrimento de outros, mas, sobretudo, mutilando o conjunto.&lt;br /&gt;O terrorismo da linguagem (H. Lefebvre, 1971, p. 56) leva a contraverdades mediáticas, conforme nos ensina B. Kayser (1992). Este autor nos dá alguns exemplos, convidando-nos a duvidar do próprio fundamento de certos discursos das mídias. Por exemplo, " Sobre o aquecimento da terra e o efeito-estufa. Pode-se estar certo de que, apesar do contínuo crescimento do teor em CO2 da atmosfera desde os começos da era industrial, o clima não conheceu aquecimento no século 20. As normais medidas entre 1951 e 1980, em relação às do período 1921-1950, mostram, ao contrário, uma baixa (não significativa) de -0,3°. De qualquer modo, a evolução é muito lenta, e dezenas de anos são necessários para que se registre uma mudança climática. O apocalipse anunciado —&lt;br /&gt;fusão de glaciares, elevação do nível do mar, etc. — não é seguramente para amanhã. Se é necessário lutar contra a poluição, a degradação do meio ambiente, devemos fazê-lo com os olhos abertos, com base em análises científicas e não nos limitando a gritar: ' está pegando fogo!' ".&lt;br /&gt;Se antes a Natureza podia criar o medo, hoje é o medo que cria uma Natureza mediática e falsa, uma parte da Natureza sendo apresentada como se fosse o todo.&lt;br /&gt;O que, em nosso tempo, seja talvez o traço mais dramático, é o papel que passaram a obter, na vida quotidiana, o medo e a fantasia.&lt;br /&gt;Sempre houve épocas de medo. Mas esta é uma época de medo permanente e generalizado. A fantasia sempre povoou o espírito dos homens.&lt;br /&gt;Mas agora, industrializada, ela invade todos os momentos e todos os recantos da existência a serviço do mercado e do poder e constitui, juntamente com o medo, um dado essencial de nosso modelo de vida.&lt;br /&gt;O império universal do medo e o império universal da fantasia são criações obrepostas. Já Freud (1920) escrevia que "A criação do domínio&lt;br /&gt;mental da fantasia tem reprodução na criação de ' reservas' e ' parques naturais' em lugares onde as incursões da agricultura, do trânsito ou da indústria ameaçam transformar... rapidamente a terra em alguma coisa irreconhecível. A ' reserva' se destina a manter o velho estado de coisas que foram lamentavelmente sacrificadas à necessidade em todos os outros lugares; ali, tudo pode crescer e expandir-se à vontade, inclusive o que é inútil e até o que é prejudicial. O domínio mental da fantasia é também uma reserva assim recuperada das invasões do princípio da realidade"&lt;br /&gt;(Leo Marx, 1976, p. 12).&lt;br /&gt;Quanto ao medo, lembra-nos Ramsey Clark que ele "já nos induz a pensar mais na incolumidade do que na justiça" e Furio Colombo (1973, p. 56) utiliza esse testemunho para explicar as violações da lei cada vez mais freqüentes, no mundo, pelos próprios órgãos legais.&lt;br /&gt;E a mídia o grande veículo desse processo ameaçador da integridade dos homens. Virtualmente possível, pelo uso adequado de tantos e tão sofisticados recursos técnicos, a percepção é mutilada, quando a mídia julga necessário, através do sensacional e do medo, captar a atenção.&lt;br /&gt;Muitos movimentos ecológicos, cevados pela mídia, destroem, mutilam ou reprimem a Natureza... Quando o meio ambiente, como Natureza-espetáculo, substitui a Natureza histórica, lugar de trabalho de todos os homens, e quando a Natureza cibernética ou sintética substitui a Natureza analítica do passado, o processo de ocultação do significado da história atinge o seu auge. É, também, desse modo, que se estabelece uma dolorosa confusão entre sistemas técnicos, Natureza, sociedade, cultura e moral.&lt;br /&gt;Bradamos contra certos efeitos da exploração selvagem da Natureza.&lt;br /&gt;Mas não falamos bastante da relação entre sua dominação tecnicamente fundada, as forças mundiais que insistem em manter o mesmo modelo de vida e o fato já apontado, desde os anos 50, por G. Friedmann, de que a tecnicização está levando ao  condicionamento anárquico do homem moderno. A racionalização da existência, tão dependente das relações atuais entre técnica e sociedade, é um dos seus pilares.&lt;br /&gt;Ontem, a técnica era submetida. Hoje, conduzida pelos grandes atores da economia e da política, é ela que submete. Onde está a Natureza servil? Na verdade, é o homem que se torna escravizado, num mundo em que os dominadores não querem se dar conta de que suas ações podem ter objetivos, mas não têm sentido. O imperativo da competitividade,&lt;br /&gt;uma carreira desatinada sem destino, é o apanágio dessa dissociacão entre moralidade e ação que caracteriza a implantação em marcha da chamada nova ordem mundial, onde os objetivos humanos e sociais cedem a frente da cena, definitivamente, a preocupações secamente econômicas, com papel hoje onímodo da mercadoria, incluindo a mercadoria&lt;br /&gt;política. Não só a Natureza é apresentada em frangalhos, mas também a moral, e, na ausência de um sentido comum, já dizia o Marx da Miséria da filosofia, " é fácil inventar causas místicas".&lt;br /&gt;Não basta, porém, o criticismo, para exorcizar esses perigos que nos rondam. Já em 1949, Georges Friedmann nos aconselhava a considerar que esse meio técnico " é a realidade com a qual nos defrontamos" e que, por isso, "é preciso estudá-la com todos os recursos do conhecimento e tentar dominá-la e humanizá-la".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1992: A redescoberta&lt;br /&gt;da Natureza&lt;br /&gt;MILTON SANTOS&lt;br /&gt;Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40141992000100007&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-41893168482051797?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/41893168482051797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=41893168482051797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/41893168482051797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/41893168482051797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2011/08/essa-e-para-os-aquecimentistas-de_1102.html' title='Essa é para os aquecimentistas de plantão'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-2659767720073380439</id><published>2011-08-10T10:54:00.001-07:00</published><updated>2011-08-10T11:04:55.254-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Essa é para os aquecimentistas de plantão</title><content type='html'>Para os aquecimentistas de plantão que estão agora se recuando... Veja só o que o velho Milton dizia já em 1992, na época da ECO-92. Ele simplesmente dissecou o quadro de absurdos que está acontecendo hoje, com a fraude do aquecimento global e essas porcarias de ONGs verdes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Natureza da mídia&lt;br /&gt;A mediação interessada, tantas vezes interesseira, da mídia, conduz,&lt;br /&gt;não raro, à doutorização da linguagem, necessária para ampliar o&lt;br /&gt;seu crédito, e à falsidade do discurso, destinado a ensombrecer o entendimento.&lt;br /&gt;O discurso do meio ambiente é carregado dessas tintas, exagerando&lt;br /&gt;certos aspectos em detrimento de outros, mas, sobretudo, mutilando&lt;br /&gt;o conjunto.&lt;br /&gt;O terrorismo da linguagem (H. Lefebvre, 1971, p. 56) leva a contraverdades&lt;br /&gt;mediáticas, conforme nos ensina B. Kayser (1992). Este&lt;br /&gt;autor nos dá alguns exemplos, convidando-nos a duvidar do próprio&lt;br /&gt;fundamento de certos discursos das mídias. Por exemplo, " Sobre o aquecimento&lt;br /&gt;da terra e o efeito-estufa. Pode-se estar certo de que, apesar do&lt;br /&gt;contínuo crescimento do teor em CO2 da atmosfera desde os começos da&lt;br /&gt;era industrial, o clima não conheceu aquecimento no século 20. As normais&lt;br /&gt;medidas entre 1951 e 1980, em relação às do período 1921-1950,&lt;br /&gt;mostram, ao contrário, uma baixa (não significativa) de -0,3°. De qualquer&lt;br /&gt;modo, a evolução é muito lenta, e dezenas de anos são necessários&lt;br /&gt;para que se registre uma mudança climática. O apocalipse anunciado —&lt;br /&gt;fusão de glaciares, elevação do nível do mar, etc. — não é seguramente&lt;br /&gt;para amanhã. Se é necessário lutar contra a poluição, a degradação do&lt;br /&gt;meio ambiente, devemos fazê-lo com os olhos abertos, com base em&lt;br /&gt;análises científicas e não nos limitando a gritar: ' está pegando fogo!' ".&lt;br /&gt;Se antes a Natureza podia criar o medo, hoje é o medo que cria&lt;br /&gt;uma Natureza mediática e falsa, uma parte da Natureza sendo apresentada&lt;br /&gt;como se fosse o todo.&lt;br /&gt;O que, em nosso tempo, seja talvez o traço mais dramático, é o&lt;br /&gt;papel que passaram a obter, na vida quotidiana, o medo e a fantasia.&lt;br /&gt;Sempre houve épocas de medo. Mas esta é uma época de medo permanente&lt;br /&gt;e generalizado. A fantasia sempre povoou o espírito dos homens.&lt;br /&gt;Mas agora, industrializada, ela invade todos os momentos e todos os&lt;br /&gt;recantos da existência a serviço do mercado e do poder e constitui, juntamente&lt;br /&gt;com o medo, um dado essencial de nosso modelo de vida.&lt;br /&gt;O império universal do medo e o império universal da fantasia são&lt;br /&gt;criações sobrepostas. Já Freud (1920) escrevia que "A criação do domínio&lt;br /&gt;mental da fantasia tem reprodução na criação de ' reservas' e ' parques&lt;br /&gt;naturais' em lugares onde as incursões da agricultura, do trânsito&lt;br /&gt;ou da indústria ameaçam transformar... rapidamente a terra em alguma&lt;br /&gt;coisa irreconhecível. A ' reserva' se destina a manter o velho estado de&lt;br /&gt;coisas que foram lamentavelmente sacrificadas à necessidade em todos os&lt;br /&gt;outros lugares; ali, tudo pode crescer e expandir-se à vontade, inclusive&lt;br /&gt;o que é inútil e até o que é prejudicial. O domínio mental da fantasia é&lt;br /&gt;também uma reserva assim recuperada das invasões do princípio da realidade"&lt;br /&gt;(Leo Marx, 1976, p. 12).&lt;br /&gt;Quanto ao medo, lembra-nos Ramsey Clark que ele "já nos induz&lt;br /&gt;a pensar mais na incolumidade do que na justiça" e Furio Colombo&lt;br /&gt;(1973, p. 56) utiliza esse testemunho para explicar as violações da lei&lt;br /&gt;cada vez mais freqüentes, no mundo, pelos próprios órgãos legais.&lt;br /&gt;E a mídia o grande veículo desse processo ameaçador da integridade&lt;br /&gt;dos homens. Virtualmente possível, pelo uso adequado de tantos e&lt;br /&gt;tão sofisticados recursos técnicos, a percepção é mutilada, quando a mídia&lt;br /&gt;julga necessário, através do sensacional e do medo, captar a atenção.&lt;br /&gt;Muitos movimentos ecológicos, cevados pela mídia, destroem, mutilam&lt;br /&gt;ou reprimem a Natureza...&lt;br /&gt;Quando o meio ambiente, como Natureza-espetáculo, substitui a&lt;br /&gt;Natureza histórica, lugar de trabalho de todos os homens, e quando a&lt;br /&gt;Natureza cibernética ou sintética substitui a Natureza analítica do passado,&lt;br /&gt;o processo de ocultação do significado da história atinge o seu&lt;br /&gt;auge. É, também, desse modo, que se estabelece uma dolorosa confusão&lt;br /&gt;entre sistemas técnicos, Natureza, sociedade, cultura e moral.&lt;br /&gt;Bradamos contra certos efeitos da exploração selvagem da Natureza.&lt;br /&gt;Mas não falamos bastante da relação entre sua dominação tecnicamente&lt;br /&gt;fundada, as forças mundiais que insistem em manter o mesmo&lt;br /&gt;modelo de vida e o fato já apontado, desde os anos 50, por G. Friedmann,&lt;br /&gt;de que a tecnicização está levando ao condicionamento anárquico&lt;br /&gt;do homem moderno. A racionalização da existência, tão dependente das&lt;br /&gt;relações atuais entre técnica e sociedade, é um dos seus pilares.&lt;br /&gt;Ontem, a técnica era submetida. Hoje, conduzida pelos grandes&lt;br /&gt;atores da economia e da política, é ela que submete. Onde está a Natureza&lt;br /&gt;servil? Na verdade, é o homem que se torna escravizado, num mundo&lt;br /&gt;em que os dominadores não querem se dar conta de que suas ações&lt;br /&gt;podem ter objetivos, mas não têm sentido. O imperativo da competitividade,&lt;br /&gt;uma carreira desatinada sem destino, é o apanágio dessa dissociacão&lt;br /&gt;entre moralidade e ação que caracteriza a implantação em marcha da&lt;br /&gt;chamada nova ordem mundial, onde os objetivos humanos e sociais cedem&lt;br /&gt;a frente da cena, definitivamente, a preocupações secamente econômicas,&lt;br /&gt;com papel hoje onímodo da mercadoria, incluindo a mercadoria&lt;br /&gt;política. Não só a Natureza é apresentada em frangalhos, mas também&lt;br /&gt;a moral, e, na ausência de um sentido comum, já dizia o Marx da&lt;br /&gt;Miséria da filosofia, " é fácil inventar causas místicas".&lt;br /&gt;Não basta, porém, o criticismo, para exorcizar esses perigos que&lt;br /&gt;nos rondam. Já em 1949, Georges Friedmann nos aconselhava a considerar&lt;br /&gt;que esse meio técnico " é a realidade com a qual nos defrontamos"&lt;br /&gt;e que, por isso, "é preciso estudá-la com todos os recursos do conhecimento&lt;br /&gt;e tentar dominá-la e humanizá-la".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1992: A redescoberta&lt;br /&gt;da Natureza&lt;br /&gt;MILTON SANTOS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-2659767720073380439?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/2659767720073380439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=2659767720073380439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2659767720073380439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2659767720073380439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2011/08/essa-e-para-os-aquecimentistas-de_10.html' title='Essa é para os aquecimentistas de plantão'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-6415737863858002021</id><published>2011-08-10T10:54:00.000-07:00</published><updated>2011-08-10T11:02:59.685-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Essa é para os aquecimentistas de plantão</title><content type='html'>Para os aquecimentistas de plantão que estão agora se recuando... Veja só o que o velho Milton dizia já em 1992, na época da ECO-92. Ele simplesmente profetizou o que está acontecendo hoje, com a fraude do aquecimento global e essas porcarias de ONGs verdes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Natureza da mídia&lt;br /&gt;A mediação interessada, tantas vezes interesseira, da mídia, conduz,&lt;br /&gt;não raro, à doutorização da linguagem, necessária para ampliar o&lt;br /&gt;seu crédito, e à falsidade do discurso, destinado a ensombrecer o entendimento.&lt;br /&gt;O discurso do meio ambiente é carregado dessas tintas, exagerando&lt;br /&gt;certos aspectos em detrimento de outros, mas, sobretudo, mutilando&lt;br /&gt;o conjunto.&lt;br /&gt;O terrorismo da linguagem (H. Lefebvre, 1971, p. 56) leva a contraverdades&lt;br /&gt;mediáticas, conforme nos ensina B. Kayser (1992). Este&lt;br /&gt;autor nos dá alguns exemplos, convidando-nos a duvidar do próprio&lt;br /&gt;fundamento de certos discursos das mídias. Por exemplo, " Sobre o aquecimento&lt;br /&gt;da terra e o efeito-estufa. Pode-se estar certo de que, apesar do&lt;br /&gt;contínuo crescimento do teor em CO2 da atmosfera desde os começos da&lt;br /&gt;era industrial, o clima não conheceu aquecimento no século 20. As normais&lt;br /&gt;medidas entre 1951 e 1980, em relação às do período 1921-1950,&lt;br /&gt;mostram, ao contrário, uma baixa (não significativa) de -0,3°. De qualquer&lt;br /&gt;modo, a evolução é muito lenta, e dezenas de anos são necessários&lt;br /&gt;para que se registre uma mudança climática. O apocalipse anunciado —&lt;br /&gt;fusão de glaciares, elevação do nível do mar, etc. — não é seguramente&lt;br /&gt;para amanhã. Se é necessário lutar contra a poluição, a degradação do&lt;br /&gt;meio ambiente, devemos fazê-lo com os olhos abertos, com base em&lt;br /&gt;análises científicas e não nos limitando a gritar: ' está pegando fogo!' ".&lt;br /&gt;Se antes a Natureza podia criar o medo, hoje é o medo que cria&lt;br /&gt;uma Natureza mediática e falsa, uma parte da Natureza sendo apresentada&lt;br /&gt;como se fosse o todo.&lt;br /&gt;O que, em nosso tempo, seja talvez o traço mais dramático, é o&lt;br /&gt;papel que passaram a obter, na vida quotidiana, o medo e a fantasia.&lt;br /&gt;Sempre houve épocas de medo. Mas esta é uma época de medo permanente&lt;br /&gt;e generalizado. A fantasia sempre povoou o espírito dos homens.&lt;br /&gt;Mas agora, industrializada, ela invade todos os momentos e todos os&lt;br /&gt;recantos da existência a serviço do mercado e do poder e constitui, juntamente&lt;br /&gt;com o medo, um dado essencial de nosso modelo de vida.&lt;br /&gt;O império universal do medo e o império universal da fantasia são&lt;br /&gt;criações sobrepostas. Já Freud (1920) escrevia que "A criação do domínio&lt;br /&gt;mental da fantasia tem reprodução na criação de ' reservas' e ' parques&lt;br /&gt;naturais' em lugares onde as incursões da agricultura, do trânsito&lt;br /&gt;ou da indústria ameaçam transformar... rapidamente a terra em alguma&lt;br /&gt;coisa irreconhecível. A ' reserva' se destina a manter o velho estado de&lt;br /&gt;coisas que foram lamentavelmente sacrificadas à necessidade em todos os&lt;br /&gt;outros lugares; ali, tudo pode crescer e expandir-se à vontade, inclusive&lt;br /&gt;o que é inútil e até o que é prejudicial. O domínio mental da fantasia é&lt;br /&gt;também uma reserva assim recuperada das invasões do princípio da realidade"&lt;br /&gt;(Leo Marx, 1976, p. 12).&lt;br /&gt;Quanto ao medo, lembra-nos Ramsey Clark que ele "já nos induz&lt;br /&gt;a pensar mais na incolumidade do que na justiça" e Furio Colombo&lt;br /&gt;(1973, p. 56) utiliza esse testemunho para explicar as violações da lei&lt;br /&gt;cada vez mais freqüentes, no mundo, pelos próprios órgãos legais.&lt;br /&gt;E a mídia o grande veículo desse processo ameaçador da integridade&lt;br /&gt;dos homens. Virtualmente possível, pelo uso adequado de tantos e&lt;br /&gt;tão sofisticados recursos técnicos, a percepção é mutilada, quando a mídia&lt;br /&gt;julga necessário, através do sensacional e do medo, captar a atenção.&lt;br /&gt;Muitos movimentos ecológicos, cevados pela mídia, destroem, mutilam&lt;br /&gt;ou reprimem a Natureza...&lt;br /&gt;Quando o meio ambiente, como Natureza-espetáculo, substitui a&lt;br /&gt;Natureza histórica, lugar de trabalho de todos os homens, e quando a&lt;br /&gt;Natureza cibernética ou sintética substitui a Natureza analítica do passado,&lt;br /&gt;o processo de ocultação do significado da história atinge o seu&lt;br /&gt;auge. É, também, desse modo, que se estabelece uma dolorosa confusão&lt;br /&gt;entre sistemas técnicos, Natureza, sociedade, cultura e moral.&lt;br /&gt;Bradamos contra certos efeitos da exploração selvagem da Natureza.&lt;br /&gt;Mas não falamos bastante da relação entre sua dominação tecnicamente&lt;br /&gt;fundada, as forças mundiais que insistem em manter o mesmo&lt;br /&gt;modelo de vida e o fato já apontado, desde os anos 50, por G. Friedmann,&lt;br /&gt;de que a tecnicização está levando ao condicionamento anárquico&lt;br /&gt;do homem moderno. A racionalização da existência, tão dependente das&lt;br /&gt;relações atuais entre técnica e sociedade, é um dos seus pilares.&lt;br /&gt;Ontem, a técnica era submetida. Hoje, conduzida pelos grandes&lt;br /&gt;atores da economia e da política, é ela que submete. Onde está a Natureza&lt;br /&gt;servil? Na verdade, é o homem que se torna escravizado, num mundo&lt;br /&gt;em que os dominadores não querem se dar conta de que suas ações&lt;br /&gt;podem ter objetivos, mas não têm sentido. O imperativo da competitividade,&lt;br /&gt;uma carreira desatinada sem destino, é o apanágio dessa dissociacão&lt;br /&gt;entre moralidade e ação que caracteriza a implantação em marcha da&lt;br /&gt;chamada nova ordem mundial, onde os objetivos humanos e sociais cedem&lt;br /&gt;a frente da cena, definitivamente, a preocupações secamente econômicas,&lt;br /&gt;com papel hoje onímodo da mercadoria, incluindo a mercadoria&lt;br /&gt;política. Não só a Natureza é apresentada em frangalhos, mas também&lt;br /&gt;a moral, e, na ausência de um sentido comum, já dizia o Marx da&lt;br /&gt;Miséria da filosofia, " é fácil inventar causas místicas".&lt;br /&gt;Não basta, porém, o criticismo, para exorcizar esses perigos que&lt;br /&gt;nos rondam. Já em 1949, Georges Friedmann nos aconselhava a considerar&lt;br /&gt;que esse meio técnico " é a realidade com a qual nos defrontamos"&lt;br /&gt;e que, por isso, "é preciso estudá-la com todos os recursos do conhecimento&lt;br /&gt;e tentar dominá-la e humanizá-la".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1992: A redescoberta&lt;br /&gt;da Natureza&lt;br /&gt;MILTON SANTOS&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-6415737863858002021?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/6415737863858002021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=6415737863858002021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6415737863858002021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6415737863858002021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2011/08/essa-e-para-os-aquecimentistas-de.html' title='Essa é para os aquecimentistas de plantão'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-720796186879542919</id><published>2011-02-24T12:46:00.000-08:00</published><updated>2011-02-28T05:46:05.237-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>REVOLTAS POPULARES NO MUNDO ÁRABE</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As revoltas populares nos países árabes são acontecimentos sem precedentes contra governos autoritários-ditatoriais que se prolongam no trono com pouco legitimidade; na maioria, subservientes às potências ocidentais e aos cartéis petrolíferos. Esse poderá ser o início de um longo e penoso processo político-social onde novos rumos surgirão no espaço geográfico, podendo transformar a ordem árabe estabelecida, quase sempre a base de exploração das camadas sociais segregadas. É difícil de prever os reais desdobramentos e as mudanças que ocorrerão nos territórios envolvidos. Mas fica evidente que os governantes corruptos ou famílias reais vivendo das pompas do petróleo já não conseguem conter os alísios de liberdade propagados pelas redes sociais interconectadas, superando as fronteiras dos Estados.&lt;br /&gt;O marco das manifestações surgiu através do episódio ocorrido em Túnis, capital da Tunísia, e que está sendo chamado de Revolução de Jasmim. Em 17 de dezembro do ano passado, Mohamed Bouazizi, um jovem vendedor de frutas, por não ter licença, foi impedido de comercializar num local pelas forças militares do governo. Sentindo-se humilhado por causa das privações pelas quais passava, praticou autoimolação em repúdio, falecendo dias depois no hospital. Tal desespero do rapaz gerou uma onda de intensos protestos populares que se espraiaram por diversos países do mundo árabe, como no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;efeito borboleta&lt;/span&gt; do matemático Edward Lorenz. Países islâmicos politicamente fechados, controlados por governantes autoritários, tiveram seus alicerces abalados pela fúria do levante popular em praça pública. Depois de dezenas de mortes em confrontos entre manifestantes e as forças de segurança nas ruas, o Al-Abidine Ben Ali, presidente militar da Tunísia, desde 1987 no cargo, renunciou, exilando-se na Árabia Saudita.&lt;br /&gt;Mas não foi simplesmente um ato de loucura de um vendedor sem licença para trabalhar. De modo geral, a situação na Tunísia e nos países onde houve os conflitos demonstra um quadro de altos preços dos alimentos, desemprego crítico, miséria da população, falta de liberdade de imprensa e insatisfação dos jovens com as elites governantes. O caos social foi instaurado ainda pela corrupção palaciana, suntuosidade dos marajás do petróleo, falta de educação e especialização da população local explorada pelas refinarias transnacionais, enfim, pelo descaso dos governantes diante dos anseios da massa popular insatisfeita com as condições precárias desses países árabes, os quais possuem uma gritante independência dos desígnios das potências ocidentais. Estas, por vez, buscam apoiar ditaduras locais a fim de combater o extremismo terrorista e fazer vista grossa às atrocidades e outras disparidades cometidas por alguns consortes mascarados em falsas democracias ou regimes teocráticos liberais, mas que às vezes revelam radicalismo, autoritarismo e repressão sobre a população empobrecida sem participação nos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;royalties&lt;/span&gt; do “ouro negro”, cuja uma quantia percentual deveria ser revestida no desenvolvimento socioeconômico da população interna do país. Dentro desse paradigma, ressalta-se o Iêmen, Bahrein, o sultanato de Omã, Argélia, Tunísia e outros países que sentem as reivindicações populares em menor escala. Em outros países, também existem inúmeros motivos diferentes a excitar levantes populares. No entanto, eles são da mesma política de aliança com ocidente mediante a qual minam a soberania sobre o território e quaisquer perspectivas de auto-sustentabilidade da economia, que é obrigada, então, seguir o mercado global tecno-financeiro do capital sem lastro, excluindo a vida e a culturas das comunidades locais.&lt;br /&gt;No Egito, mesmo não tendo uma base econômica no petróleo e sim no turismo, a devastadora onda de manifestações chegou com mais intensidade. Apesar da forte relutância em reconhecer a insustentável situação do governo, o regime autocrático de Hosni Mubarak, há 30 no poder, caiu diante da multidão sedenta por mudanças constitucionais e melhora na qualidade de vida dos egípcios. No último dia 11, após uma série de violentos conflitos entre opositores e simpatizantes financiados pelo governo e longas vigílias de milhares de manifestantes acampados na praça Tahrir, o vice presidente Omar Suleiman fez o anúncio do afastamento  de Mubarack. De fato na terra dos faraós, os protestos ganharam mais atenção por causa do receio de que grupos islâmicos fundamentalistas tomem o poder, fato que ameaçaria as fronteiras com Israel. A Irmandade Mulçumana, colocado na ilegalidade pelo regime deposto e agora surge como alternativa no poder, segundo essa concepção, representaria tal perigo. Além disso, Mubarak fazia um governo simpático a Israel e EUA: condescendia-se diante do massacre a população palestina na Faixa de Gaza por Israel e perseguia com barbárie os supostos radicais islâmicos, sem incômodo algum a Casa Branca. A repercussão no Egito se deve também ao número de manifestantes nas ruas, o brio e o espírito nacionalista do povo, adjetivos que reportaram a época do estadista Gamal Nasser. Vale ressaltar, contudo, a situação deplorável da população egípcia exigindo reformas consistentes pelas quais garantam mais emprego, melhores condições de vida e a imediata suspensão do estado de emergência imposto desde o assassinato do então presidente Anwar Al Sadat, 1981.&lt;br /&gt;Apesar da conquista oriunda da mobilização popular, do intercâmbio dos movimentos da juventude islâmica encabeçados por militares e políticos descontentes com cenário político-econômico e outros atores sociais, o suposto governo militar de transição ainda não garante de forma alguma reformas democráticas ou a exigência da população. Ao invés disso, emerge nas camadas sociais uma tensa desconfiança na perpetuação do autoritarismo; caso contrário, o governo de transição teria prontamente suspendido o estado de emergência há 30 anos imposto. Por outro lado, o palco da crise egípcia é acompanhado com apreensão pelos governos ocidentais, espectadores de mãos atadas sem nenhuma autoridade ou poder de intervir nas negociações para uma formação pacífica de governo definitivo. Não podendo, portanto, conter o avanço implacável dos levantes populares islâmicos os quais estão afetando as frágeis estruturas políticas dos governos árabes e as sofísticas estabilidades construídas em conluio com as potências ocidentais; seja preservando as famílias de califas no poder ou financiando ditaduras.&lt;br /&gt;Todo esse movimento islâmico nos países aparenta disperso, e a conexão entre os grupos dissidentes e revoltosos dar a impressão que existe apenas por influência indireta, sem contato e organização entre as lideranças dos manifestantes. Mas essa conjectura é enganosa. A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;internet&lt;/span&gt; é um meio de comunicação global e pode ser acessado em aparelhos portáteis, os quais começam a invadir os países árabes, mesmo politicamente e ortodoxamente fechados, como Arábia Saudita e Irã. Esse instrumento é utilizado na troca de informações entre esses grupos que formam uma espécie de organismo atuante de forma esquemática e arquitetada. Muitas vezes, apoiados por militares dissidentes e patrocinados por uma classe média de empreiteiros e pequenos empreendedores decepcionados com o luxo palaciano a base de altos lucros de transnacionais. E o pior. No caso mais grave, do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, o acúmulo de grande fortuna no exterior a base de enriquecimento ilícito. &lt;br /&gt;Estima-se que mais de 300 pessoas já morreram nos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança, na Líbia. Organizações internacionais, no entanto, ressaltam que mais de 400 pessoas foram assassinadas pelo regime, e o número de mortes e desaparecidos pode ultrapassar 1.000 pessoas. O país, aliás, vive desde 1961 sob o jugo de uma tirania cruenta, repleta de violações dos direitos humanos contra opositores. Mas tudo indica que Kadafi não irá resistir no trono por muito tempo. Ele está isolado, usa tropas leais e mercenários entrincheirados para relutar e impedir a invasão dos revoltosos na capital Trípoli. O presidente estadunidense Barack Obama, por exemplo, já ameaça sanções à Líbia _ como é de praxe nas atitudes dos EUA nesses casos. Vários militares da cúpula do governo desertaram a favor dos revoltosos, e a antipatia da população é cada vez maior e veemente. Não há dúvidas do caos instalado na Líbia e o redesenho de crise humanitária no norte da África é iminente na imigração de pessoas das fronteiras da Tunísia, Egito e Líbia ao mar, nas ilhas próximas, como Malta e Sicília. Muitos refugiados estão procurando caminho à Europa, e delegações diplomáticas, inclusive as brasileiras, esforçam-se para deixar o país.&lt;br /&gt;Nesta semana, o primeiro- ministro de Israel Shimon Peres ressaltou que ditaduras irão cair; inclusive a dos aitolás, no Irã, perpetuando desde a Revolução Islâmica, em1979. E ele pode ter razão. Em 2009, a jovem Neda Soltani foi morta numa manifestação pública por causa da denúncia de fraude nas eleições. Ela se tornou um símbolo na luta pela liberdade de expressão no mundo árabe, já que a imprensa e difusão popular de tecnologias de comunicação são severamente restringidas na maioria dos países nos quais a atual revolução em forma de protestos se expande. O Irã esta se isolando cada vez mais conforme o avanço da mobilização popular, o que já está ocorrendo de fato dentro de seu próprio território. O regime islâmico fundamentalista iraniano, controlado de forma tirânica pelos aitolás, já não representa há muito tempo o símbolo de resistência à colonização e identidade árabe. Quem está mais próximo de exercer tal papel é a democrática Turquia de maioria mulçumana. Aliás, o país ásio-europeu é responsável por várias ideologias partidárias sócio-democráticas e comunistas, além de abrigar assessores que se infiltram e coordenaram os atuais movimentos de resistência, cujo intuito é justamente desestabilizar e derrubar governos despóticos ligados ao fundamentalismo islâmico. Nessa lógica, estão também na mira os países que perseguem a liberdade de expressão e mantêm governos aliados a interesses ocidentais colonialistas, independente de sua importância econômica ou poderio militar _ o Egito, por exemplo, tem o maior contingente de soldados entre os países árabes.&lt;br /&gt;Observam-se nesse caminho, focos de revoltosos no Iêmem e Bahrein, aliados os EUA e autos sultanatos do petróleo; este último com saldo de 7 mortos e mais de 300 feridos nos confrontos com forças de segurança. Outros países, sem muita importância ao capitalismo liberal, não escaparam da fúria avassaladora do clamor revolucionário, como é o caso da Jordânia. Lá o rei Abdullah II redigiu várias medidas concessivas no intuito de amenizar os anseios populares por reformas político-administrativas e socioeconômicas. Não há dúvidas que antigas monarquias sobreviventes do neo-colonialismo do século XIX, consideradas robustas e sólidas, não resistirão a essa sangria de dissídio contra a ordem arcaica árabe que parece não reconhecera sua inclusão num mundo globalizado, no qual o mercado competitivo-especulativo exclui os países que não se adaptam as constantes mudanças socioculturais, técnico-científicas e financeiro-administrativas no âmbito do comércio e relações internacionais.&lt;br /&gt; Numa análise dos atuais e possíveis acontecimentos, evidencia-se a tendência de as mobilizações se multiplicarem nas entranhas do Oriente Médio, África do Norte e até em outros territórios no quais a democracia é suprimida, como por exemplo, a China que já se vê protestos nas ruas por simpatizantes influenciados pelos tais focos de revolta popular no mundo árabe. No entanto, não podemos chegar a conclusões precipitadas. O fim dos soberanos displicentes, o desmoronamento das antigas monarquias árabes, o enfrentamento aos regimes ditatoriais e a contestação ao fundamentalismo islâmico são uma realidade afora do que o ocidente costuma perceber. Ou seja: os atores sociais que promovem tais mudanças não são radicais islâmicos, homens-bomba ou terroristas; ao contrário, são as populações que desejam se integrarem de alguma forma na realidade do capitalismo global, sentindo insatisfeitas com os problemas socioeconômicos e infraestruturais dos quais surgem verdadeiros empecilhos para o desenvolvimento e a sobrevivências das comunidades pobres. Mas não existem garantias ou fatores concretos tendendo a formação de governos mais democráticos que possam discutir problemas primários como o aumento da oferta interna de alimentos, uma vez que, em média, os países envolvidos nos conflitos importam mais de 60% do consumo diário.&lt;br /&gt; Apesar de aspirar mais confiança com a amnistia de políticos, a formação do novo governo da Tunísia continua volátil, ainda existem muitos partidários-militares e insurgentes simpatizantes do ditador Al-Abidine Ben Ali, espalhando pânico na capital.  No Egito, os militares no governo parecem manter a política de repressão sem necessidade. A situação na Líbia é uma incógnita no que diz respeito aos grupos que provavelmente tomarão o poder. Ainda existe o temor da ascensão de radicais armados que possam causar desestabilidades nas vizinhanças e até iniciar guerras civis. É muito cedo, portanto, para alçar um panorama geral diante de tantas incertezas internas especificas em cada país. E ainda, no campo diplomático, existe maior ou menor poder de intervenção mediante o desempenho nas mesas de negociações das lideranças ocidentais. Afinal, há grande preocupação com o preço do petróleo, e em conseqüência o medo apavorante de ressurgir uma crise econômica global.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-720796186879542919?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/720796186879542919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=720796186879542919' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/720796186879542919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/720796186879542919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2011/02/revoltas-populares-no-mundo-arabe.html' title='REVOLTAS POPULARES NO MUNDO ÁRABE'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-2831618938569753456</id><published>2010-12-16T12:22:00.000-08:00</published><updated>2010-12-16T12:26:22.298-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Neil Young &amp; Crazy Horse</title><content type='html'>Faça o download grátis deste maravilhoso álbum ao vivo do Neil Young &amp; Crazy Horse. Excelente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.megaupload.com/?d=JGWEAANU&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-2831618938569753456?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/2831618938569753456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=2831618938569753456' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2831618938569753456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2831618938569753456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/12/neil-young-crazy-horse.html' title='Neil Young &amp; Crazy Horse'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-5603647745409575484</id><published>2010-12-16T11:22:00.000-08:00</published><updated>2010-12-16T11:24:38.713-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Laudo Geográfico-Cartográfico Regional</title><content type='html'>Segue o link abaixo para download&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.megaupload.com/?d=65QMFPSM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-5603647745409575484?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/5603647745409575484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=5603647745409575484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5603647745409575484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5603647745409575484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/12/laudo-geografico-cartografico-regional.html' title='Laudo Geográfico-Cartográfico Regional'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-2694052797275129404</id><published>2010-12-16T10:59:00.001-08:00</published><updated>2010-12-16T11:00:11.615-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Zoneamento do PDL de Ceilândia-DF</title><content type='html'>Segue o link abaixo:&lt;br /&gt;http://www.megaupload.com/?d=H7HJO5DT&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-2694052797275129404?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/2694052797275129404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=2694052797275129404' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2694052797275129404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2694052797275129404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/12/zoneamento-do-pdl-de-ceilandia-df.html' title='Zoneamento do PDL de Ceilândia-DF'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-370294712252998640</id><published>2010-12-14T17:20:00.000-08:00</published><updated>2010-12-14T17:31:25.350-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Surgimento das cidades e a consequente formação das feiras populares</title><content type='html'>Introdução da pesquisa sobre a Feira da Ceilândia-DF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesquisas recentes vêm demonstrando que as primeiras cidades se desenvolveram mediante a necessidade de acumular viandas e recursos naturais. Segundo registros arqueológicos1, os grupos estabeleceram vínculo físico e cultural com a paisagem e a suas características morfoclimáticas. Em sequência, ergueram centros de produção de trabalho e serviços quase sempre numa localidade estratégica, na qual facilitava as redes de comunicação e o escoamento de produtos importantes ao interesse da comunidade. Logo, o contato comercial pelas rotas marítimas e as grandes vias terrestres foram aos poucos se expandindo conforme a ascensão das grandes sedes do mundo antigo.&lt;br /&gt;No fim da Idade Média européia também não foi diferente. Com o domínio das técnicas agrícolas, houve um excedente na produção e a comunidade procurou centralizar as mercadorias e transformá-las em lucro num local onde atendesse com menos tempo e distância a demanda de um grupo cada vez maior de pessoas. Com isso, famílias rurais foram atraídas em torno de um centro de produção no qual o valor da mercadoria relaciona-se com a especificação de tarefas concentradas na acumulação primitiva de capital. &lt;br /&gt;Com o fim da invasão dos povos bárbaros, destituíram-se a proteção dos castelos fortificados e o poder de proteção do senhor feudal, ambos determinantes para manter a estrutura de trabalho serviçal. Nesse ínterim, os camponeses começaram a vender a parte da produção que lhes cabia nos entroncamentos das estradas. É nesse cenário, então, que surgem oficialmente as primeiras feiras como centralidade espacial e os burgos2. &lt;br /&gt;As feiras foram imprescindíveis na organização das redes urbanas em nódulos, que por sua vez exerciam funções específicas na distribuição varejista de especiarias de grande valor de uso para crescente população da época, como por exemplo, o açúcar árabe, tecidos, condimentos e produtos artesanais. &lt;br /&gt;O capitalismo financeiro tecnológico industrial, hoje concebeu uma imbricada rede de relações comerciais internacionalizada de bens e serviços, cuja dinâmica urbana é o reflexo dos agentes sociais da produção e do trabalho interligados por meios técnicos de informação ao capital especulativo. Nesse sentido, os &lt;span style="font-style:italic;"&gt;shoppings centers&lt;/span&gt;, favorecidos pela política neoliberal e patrocinados por grandes capitais imobiliários e corporações empresariais, promovem o mercado capitalista ultraglobalizado meio da concentração de diversidades de serviços, produtos e bens de consumo nas vitrines de lojas e franquias transnacionais e nacionais num único, confortável, sofisticado e pomposo ambiente. Objetivando, com isso, atrair um público com grande padrão de consumo&lt;br /&gt;Essas empresas visam o público de elevado poder de compra, cujo &lt;span style="font-style:italic;"&gt;status&lt;/span&gt; social está comumente estampado na &lt;span style="font-style:italic;"&gt;griffe&lt;/span&gt; ou marca de produtos famosos de alto valor agregado; acentuando, com isso, o espaço de exclusão social comum ao processo universalizador no qual as periferias descentralizadas3 são pressionadas a alçarem o próprio ritmo, criando os mercados populares das feiras direcionando espaços de distribuição locais que atendem a variados aspectos culturais, gastronômicos, regionais e econômicos locais.&lt;br /&gt;Outros fatores urbanos, entretanto, vão desencadear num paradigma do qual podemos explorar a historicidade geográfica de uma região: os ideários políticos, dramas sociais, conflitos de classes que configuram um local e a sua capacidade de gestão do espaço, bem como a centralidade funcional exercida pelo mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  1.O sítio de Caral no Peru, com mais de 6.000 anos, por exemplo, traz evidências de uma comunidade que mantinham uma intensa troca de mercadorias com grupos próximos a costa do Pacífico. Há também indícios de intercâmbio de comercial entre povos andinos e outros do território brasileiro.&lt;br /&gt; 2.Os burgos eram pólos comerciais estrategicamente localizados. Do crescimento deles, vieram as cidades ocidentais.  &lt;br /&gt; 3.“O nível universal nos é dado pelo que chamamos de universalização perversa, uma vez que não é utilizada igualmente por todos os agentes; e somente beneficia a uns poucos, em detrimento do maior número.” SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova. &lt;br /&gt;Em vista disso, podemos dizer que a periferia é descentralizada, neste caso, devida à supervalorização dos imóveis centrais. Isso força uma migração das famílias de baixa renda a periferia; afastando-as do capital internacional e dos processos globais promovidos em grande nos grandes centros urbanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-370294712252998640?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/370294712252998640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=370294712252998640' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/370294712252998640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/370294712252998640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/12/surgimento-das-cidades-e-consequente.html' title='Surgimento das cidades e a consequente formação das feiras populares'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-1067239606681608396</id><published>2010-11-27T03:52:00.000-08:00</published><updated>2010-11-27T04:58:18.071-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Cadê o Aquecimento Global?</title><content type='html'>A cada dia a teoria se torna patética, surreal, fanática, idiota. Apenas serve para implantar o terror pela mídia e lideranças que querem conter o crescimento demográfico e a economia, freando o desenvolvimento econômico dos países pobres. A onda de frio chegou na Europa mais cedo e especialistas prevêem temperaturas mais baixas do que o comum até o Natal. Ruim para aqueles que defendem o aquecimento global antrópico. Ruim para a produção de alimentos, mas bom para o turismo de temporada cuja paisagem e neve são aliadas nos fins de ano. Segue as notícias no site do UOL, no link abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2010/11/26/forte-frio-e-nevasca-continuam-atingindo-regioes-da-europa-e-podem-durar-ate-o-natal.jhtm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-1067239606681608396?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/1067239606681608396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=1067239606681608396' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/1067239606681608396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/1067239606681608396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/11/cade-o-aquecimento-global.html' title='Cadê o Aquecimento Global?'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-5123122254472457141</id><published>2010-09-04T12:40:00.000-07:00</published><updated>2010-12-05T04:33:55.112-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>A crise dos DCE</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A greve dos servidores da UnB _ Universidade de Brasília _ que já perdura por meses é o retrato do avanço de ideologias partidárias sobre o palco de reivindicações por melhorias na infra-estrutura e na qualidade de ensino nas universidades e no próprio aumento de salários da categoria. Por outro lado, os diretórios centrais estudantis (DCE) não já não se mobilizam em torno de temas importantes como: a ampliação da universidade, a reforma das salas de aula e dos laboratórios, a falta de professores, as reformas nas grades curriculares dos cursos entre outros, e acabam cedendo espaço a grupos maquiados no discurso ultra-socialista e “revolucionário marxista” a fim de bater de frente com muitos projetos de interesses comuns aos estudantes.&lt;br /&gt;Um caso onde nota-se a falta de comprometimento com a instituição é o protesto contra a intenção da reitoria de introduzir vigilância policial na universidade, devido aos constantes roubos em veículos nos estacionamentos, assaltos a estudantes e até caso de estupro a uma jovem ocorrido dentro da área do campus. É um absurdo se pensarmos que a segurança é uma condição básica para o bom funcionamento da universidade, bem como manter a integridade física e moral dos estudantes durante o trajeto às aulas e a permanência nos centros acadêmicos. Outro dia reformaram os pavilhões (são duas construções onde existem várias salas de aula), e em um deles um grupo pinchou uma enorme frase na parede recém pintada na qual defendia passagem gratuita a estudantes. Boa intenção! Tão boa que surtiu efeito na Câmara Distrital de Deputados, onde o governo¹ através de uma barganha política conseguiu aprovar a “lei do passe livre”, na qual beneficiou os estudantes e os donos de empresas de ônibus, cujo valor das passagens é repassado pelo o governo às empresas acima do preço de custo.&lt;br /&gt;Aliás, a concessão pública de transporte está nas mãos de poucos grupos que dominam a região do Distrito Federal onde o preço das passagens é um dos mais altos do Brasil, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Outra vítima dos vândalos e depreciadores do patrimônio público foi um muro da Faculdade de Educação sujado pela a frase que pedia o fim do vestibular e o livre ingresso nas universidades... Parece discurso do PCO (Partido da Causa Operária), não? Que coisa sem coerência! Quantas pessoas entrariam na universidade sem o menor escopo de disciplinas básicas para a formação acadêmica? Já não basta a diminuição da qualidade do ensino médio, entre outros fatores, devido aos critérios de avaliação dos alunos por alguns professores? Existem outros meios para aumentar o acesso à universidade pública, e com certeza não esse não é o caminho.&lt;br /&gt;Na época da invasão da reitoria pelos estudantes, em 2008², o grupo era constituído em maioria por alunos da classe média e alta do DF e por líderes estudantis prestes a ser jubilados por permanência excessiva na universidade. Portanto, não representava a maioria, independente de classe social, que estão ali no intuito de garantir a formação profissional e o diploma de nível superior; tampouco esses conhecem a periferia pobre do DF e seus estudantes mais necessitados, que dependem de ajuda de custo a fim de se manterem na universidade. Vale ressaltar, que aquele movimento estudantil, excetuando a renúncia de Timothy Mulholland, o reitor corrupto envolvido em desvios de verbas públicas da universidade, não teve o efeito esperado e nem os seus objetivos alcançados no que diz respeito às exigências propostas, e nem buscou soluções aos graves problemas da infra-estrutura universitária, como o descaso do Centro Olímpico, por exemplo. Muitos estão pouco preocupados com o próprio currículo de seu curso acadêmico e nem ao menos andam de ônibus ou se alimentam de comida barata no RU _ Restaurante Universitário. Não compreendem, portanto, a realidade sócio-econômica de exclusão na qual os estudantes de baixa renda sofrem. Vale ressaltar que há pouco tempo, funcionários se acidentaram na cozinha do restaurante, levando ao cancelamento das atividades e do fornecimento de refeições dos alunos.&lt;br /&gt;Devemos concordar que o corte da URP _A Unidade de Referência de Preços _³ já estava programada. Tal pagamento foi introduzido a fim de compensar as perdas salariais relacionadas aos planos econômicos do final da década de 80. Mas nos últimos anos, veio se constituindo como uma espécie de gratificação paga a todos os funcionários e professores no valor de 26% do salário. Mesmo aqueles que começaram a trabalhar no período mais recente, continuava a receber salários com URP. O governo, contudo, sucessivamente vinha intercedendo na justiça a favor da suspensão da URP, isso foi veio a cabo e deu origem a greve dos professores e funcionários, a princípio em conjunto. Os primeiros articularam politicamente com o governo, conseguindo um ajuste salarial para equiparar o valor com o da perda da URP; já os segundos sob a influência de manobras políticas não fizeram o mesmo e prolongaram a greve, prejudicando os estudantes; principalmente aqueles que estão se formando agora e necessitam do diploma. Eles continuam recebendo os contra-cheques sem trabalhar até o julgamento da legalidade da greve pela justiça. Enquanto isso a morosidade da lei não consegue julgar se a URP deve ser paga aos funcionários e nem se a greve é inconstitucional. &lt;br /&gt;Já que no Brasil os funcionários públicos possuem o privilégio de promover uma greve extremamente prejudicial ao funcionamento de serviços básicos essenciais como nas áreas de saúde e segurança, não seria diferente com o serviço público que garante o andamento institucional da UnB. Hoje a universidade permanece com muitos departamentos sem o mínimo de agentes públicos necessários para atender os estudantes. Durante o simestre inteiro a biblioteca ficou com as portas fechadas e o RU por vários dias não ofereceu refeições aos alunos. Enquanto o DCE realizava o seu pleito, as negociações entre os funcionários, o governo e a reitoria estavam paralizadas. Várias assembléias foram promovidas e não levaram a nenhum acordo. O DCE também não dava nenhuma notícia, muito menos respostas para os alunos dos quais ele se disse representante.&lt;br /&gt;Se o governo aumentou nos últimos anos consideravelmente o repasse de verbas para UNI (União nacional dos Estudantes), enfraquecendo a entidade e descaracterizando-a de seu ideário, os sindicatos de algumas categorias ligadas a CUT (Central Única dos Trabalhadores) também se beneficiaram. Outros não tiveram a mesma atenção dos interesses políticos do governo. Nesse contexto, os grupos menos prestigiados se apóiam em partidos oposicionistas menores e grupos ultra-socialistas radicais no intuito de promover as suas bandeiras entre as reivindicações e defesas dos trabalhadores, que até certo ponto são justas. Assim de carona nessas imbricações políticas partidárias, os DCE de muitas universidades não representam mais os anseios do corpo discente e nem promovem soluções e debates a fim de amenizar problemas relacionados à classe estudantil e a qualidade de ensino da universidade pública. Além disso, pouco faz para propor debates e soluções em torno do objetivo de formar intelectuais, profissionais, técnicos e professores que serão o suporte técnico-científico às futuras gerações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;¹ Governo sob a gerência de José Roberto Arruda do famoso escândalo do mensalão do DEM em 2009 onde foram gravados deputados recebendo propina e o próprio governador. Lê: http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_Mensal%C3%A3o_no_Distrito_Federal&lt;br /&gt;² Invasão da reitoria em 2008 devidos as denúncias de desvio e verbas do orçamento da universidade e da fundação promotora de eventos da mesma. Lê:  http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u390064.shtml&lt;br /&gt;³ A Unidade de Referência de Preços foi um mecanismo de correção salarial criado pelo Plano Bresser (1987) para repor perdas inflacionárias. Lê: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3026&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-5123122254472457141?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/5123122254472457141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=5123122254472457141' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5123122254472457141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5123122254472457141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/09/por-rodrigo-azenha-greve-dos-servidores.html' title='A crise dos DCE'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-5637126486674198276</id><published>2010-07-13T17:32:00.000-07:00</published><updated>2010-07-22T17:17:12.601-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Por dentro da notícia</title><content type='html'>Leem com atenção, abaixo. Esta é uma das últimas manchetes sobre o afamado, ou melhor, a "falida" teoria do aquecimento global antropogênico, que foram veinculadas no canal da BBC Brasil, em sua seção especial sobre mudanças climáticas. Logo abaixo estão meus comentários. Espero que vocês, leitores, também comentem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio Ambiente&lt;br /&gt;Polêmica sobre tese da savanização da Amazônia leva a ação de cientista contra jornal britânico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Área desmatada na Amazônia&lt;br /&gt;Relatório do IPCC alertava para suposto risco à vegetação amazônica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cientista britânico entrou nesta semana com uma ação contra o jornal The Sunday Times por causa de uma reportagem publicada em janeiro com contestações a dados do painel da ONU para o clima sobre as consequências das mudanças climáticas para a floresta amazônica. &lt;br /&gt;A ação é o último desdobramento de uma grande polêmica entre cientistas sobre os dados publicados no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). &lt;br /&gt;O IPCC tem sido criticado por supostamente ter publicado informações incorretas no relatório divulgado em 2007. Muitos cientistas, porém, afirmam que as incorreções não alteram as conclusões gerais sobre as consequências das mudanças climáticas e acusam os críticos de tentar minar o consenso de que as mudanças no clima são consequência da ação humana e sobre a necessidade de se conter o aquecimento global.&lt;br /&gt;A reportagem publicada em janeiro pelo Sunday Times afirmava que o relatório do IPCC havia cometido um erro ao afirmar que 40% da floresta amazônica poderia se transformar em vegetação de savana caso houvesse uma redução na quantidade de chuvas na região em consequência das mudanças climáticas. O jornal observava que o dado havia sido retirado de um relatório de autoria de dois ativistas da ONG ambientalista WWF, supostamente sem base científica. Duas semanas antes, o jornal já havia levado o IPCC a se desculpar por ter se baseado também em um relatório do WWF para afirmar que as geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cientista Simon Lewis, da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, diz que decidiu entrar com uma ação contra o Sunday Times na Comissão de Queixas contra a Imprensa após reclamar diretamente ao jornal, sem sucesso, por ter sido citado na reportagem com declarações que supostamente apoiavam a tese de que a informação do relatório do IPCC estava incorreta.&lt;br /&gt;“A verdade é que a informação do IPCC é correta, a Amazônia é vulnerável a reduções na quantidade de chuvas, mas o IPCC cometeu um erro ao fazer referência a um relatório de uma ONG ambiental em lugar do estudo científico original”, disse Lewis em entrevista por e-mail à BBC Brasil.&lt;br /&gt;Para ele, “alguns pequenos erros no relatório de 3.000 páginas do IPCC não mudam os fatos básicos sobre as mudanças climáticas, de que os humanos estão provocando um impacto sobre o sistema climático e que mais mudanças podem provocar graves problemas sociais, econômicos e ambientais para muitas pessoas no mundo”. Lewis diz acreditar que esses pequenos erros têm sido usados por pessoas que se opõem aos consensos científicos para atacar o IPCC.&lt;br /&gt;A BBC Brasil entrou em contato com o Sunday Times para perguntar a posição do jornal em relação às reclamações de Lewis, mas não obteve uma resposta até o fechamento deste texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Polêmica reforçada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polêmica em relação às informações do relatório do IPCC sobre as consequências das mudanças climáticas para a Amazônia foi reforçada no início de março com a publicação de um estudo da Universidade de Boston, encomendado pela Nasa, a agência espacial americana, sustentando que a floresta amazônica é mais resistente à seca do que indicavam estudos anteriores.&lt;br /&gt;A pesquisa, publicada na revista especializada Geophysical Research Letters, supostamente reforçava as ideias contrárias à tese da savanização da Amazônia, ao afirmar que imagens de satélites não haviam mostrado diferenças na intensidade do verde da floresta entre períodos de seca e de chuvas mais intensa.&lt;br /&gt;Em resposta, um grupo de 19 cientistas, especialistas em clima e floresta amazônica, publicou uma carta de contestação na qual afirmavam que as imagens de satélite não necessariamente tinham relação com o que estava realmente acontecendo com as árvores no solo. Os cientistas dizem que a pesquisa da Universidade de Boston é útil para ajudar no entendimento do comportamento da floresta, mas argumentam que ela foi utilizada de maneira incorreta para tentar contestar as conclusões do IPCC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualizado em 26 de março, 2010 - 10:19 (Brasília) 13:19 GMT&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Análise da notícia&lt;br /&gt;Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A teoria da savanização da floresta amazônica encontra base na dinâmica geoclimática nos quais o relevo de planície sofreu durante a sua formação, sobretudo no período glacial onde houve um intervalo de clima mais seco em relação ao atual e o domínio maior de vegetação de pequeno porte adaptada ao clima tropical. Grandes florestas equatoriais dependem de vários processos físicos e fatores químicos do solo. No caso da Amazônia, atuação das massas de ar, a existência de rios planálticos nas áreas circunvizinhas que deságuam nas terras baixa da planície, os planaltos e as cadeias de montanhas dos Andes, que são classificados como dobramentos modernos (últimas estruturas geológicas formadas na era Cenozóica, no período Terciário), são alguns fatores entre outros nos quais proporciona a existência da grande densidade arbórea. A ocorrência das massas de ar, por exemplo, é influenciada pelas barreiras orográficas do relevo. Nesse contexto, cordilheira dos Andes impede que a corrente seca de Nazca entre até a Amazônia, provocando a ressequida paisagem do deserto de Nazca¹ na costa do oceano Pacífico no Peru. Tais fatos muitas vezes não são levados em conta nos estudos de clima em relação à Amazônia.&lt;br /&gt;Observando a história geológica, os climas tropicais e subtropicais mais quentes do que o atual, permitiram uma maior evapotranspiração e formação de nuvens; consequentemente um alto índice de pluviosidade e o aparecimento das primeiras florestas tropicais e equatoriais. Exemplos destas últimas são a Amazônia e a floresta do Gongo na África Central. Portanto quando o clima se tornou mais quente e houve um acréscimo na quantidade de CO2 e H2O na atmosfera devido à atividade celular e à fotossíntese dos vegetais, permitiu um maior crescimento das árvores, e não o atrofiamento das mesmas e a característica dispersa das árvores típica do cerrado brasileiro e da savana africana. Todo este processo, entretanto, foi e é uma constante ao longo dos últimos milhões de anos, o que prova a falsa idéia de que o gás carbônico é prejudicial e maior responsável pelo aquecimento global. Ao contrário, ele é o resultado do aumento de temperatura e da maior atividade celular das plantas, favorecendo o crescimento delas. Isso contrapõe a falsa teoria de que o aquecimento da atmosfera é causado pelo o CO2. Um exemplo prático disso são os grandes empreendimentos atuais do agronegócio no Nordeste, no setor de produção de fruticultura irrigada. Os produtos colhidos ganham valor nutritivo e sabor adocicado devido uma maior isolação e calor na região. O aquecimento e o carbono na atmosfera, portanto, são mais benéficos do que prejudiciais.&lt;br /&gt;Todo este discurso de savanização da Amazônia e das mudanças climáticas são falácias e sofismas comuns nos quais pseudo-cientistas e grupos políticos se apóiam a fim de defender o aquecimento global como forma de diminuir o consumo e frear a industrialização nos países emergentes _ como nós_ e nos em desenvolvimento, já que estes países usam os ditos combustíveis fósseis como fontes primárias nas suas indústrias. O cientista Simon Lewis sabe muito bem disso ao processar o jornal. Uma constatação ridícula e o um erro grotesco e ingênuo como este explicito na reportagem do The Sunday Times, auxiliará ainda mais no escopo teórico dos ditos “céticos” contra o aquecimento global. Vale ressaltar, que os cientistas deste grupo estão em vantagem num forte “contra-ataque” aos defensores das mudanças climáticas causadas pelo o homem e as emissões de CO2, gás oriundo em maior parte das atividades biológicas terrestres. &lt;br /&gt;Os grandes latifúndios de cana-de-açúcar e soja e a expansão do gado de corte é sem dúvidas a maior ameaça à Amazônia e aos ectónes² circundantes. Milhares de quilômetros de florestas já se transformaram em pastagens e em monoculturas a serviço do grande capital. O desmatamento não apenas afeta a biodiversidade, bem como deixa o frágil solo amazônico exposto. Além de possuir pouca fertilidade, o solo é extremamente lavado pela percolação da água, fato que torna a região muito vulnerável aos processos erosivos e à formação de voçorocas. Por isso, no ritmo que o desmatamento vem ocorrendo, apesar de uma considerável redução, haverá quilômetros de áreas devastadas e erodidas bem antes da savanização. Além disso, poderá afetar a dinâmica climática regional porque irá diminuir a quantidade de evapotranspiração advinda da respiração das grandes árvores, e é isso que acentua o teor de umidade da Massa Equatorial Continental (MTC)³, uma dos sistemas responsáveis pelas as chuvas de verão no centro-sul e até extremo sul do Brasil, onde ela se expande. &lt;br /&gt;_________________________________________________________________________________&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1-Deserto de Nazca está localizado no altiplano peruano. Famoso pelas misteriosas linhas construídas por antigas civilizações é um dos lugares mais seco do mundo onde as massas de ar úmidas oriundas da Amazônia são barradas pela cordilheira do Andes e massas úmidas do oceano Pacífico são desviadas por correntes marinhas que atuam no local.&lt;br /&gt;2-Ecótono ou ecótone é o nome dado a uma região de transição entre dois biomas diferentes. No ecótono temos uma biodiversidade maior que a dos biomas em transição, pois nela se encontram espécies de ambos os biomas e, por conseguinte, grande número de nichos ecológicos. Exemplos de ecótonos são o agreste do nordeste brasileiro, zona de transição entre o sertão e a zona da mata; e as matas de cocais, zona de transição entre o Bioma Amazônico e a Caatinga.&lt;br /&gt;3- Uma das cinco massas de ar atuantes no Brasil, a Massa equatorial continental (mEc) é uma massa quente e úmida. Localiza-se na porção noroeste da Amazônia, fica praticamente todo o ano. É a única continental (que se localiza acima dos continentes) úmida no globo, pois, como regra geral, as massas de ar oceânicas são úmidas e as continentais secas. Sua umidade pode ser explicada principalmente por causa da presença da floresta Amazônica. Tem o centro de origem na parte ocidental da Amazônia. http://www.meuartigo.brasilescola.com/geografia/massas-ar.htm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-5637126486674198276?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/5637126486674198276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=5637126486674198276' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5637126486674198276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5637126486674198276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/07/por-dentro-da-noticia.html' title='Por dentro da notícia'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-7754293380644467158</id><published>2010-07-09T17:48:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T17:58:55.325-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Análise da notícia</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há vinte anos, o mundo assistiu a derrubada do maior símbolo da tensa rivalidade entre o socialismo real dos soviéticos e o capitalismo liberal de mercado estadunidense. Em perspectiva, os territórios estavam bipolarizados em blocos, sobre a influência de duas potências hegemônicas antagônicas. Em 13 de agosto de 1961, o Muro de Berlim fora erguido para separar a República Federal da Alemanha capitalista (Ocidental) e a República Democrática Alemã (Oriental) socialista, estas representavam a divisa de dois mundos numa disputa acirrada por conquistas de territórios e domínio político-econômico. O ano de 1990 selou o fim do período no qual o medo de uma guerra nuclear imperava na mentalidade daquela geração, já que a corrida armamentista levara a munir ambos os lados com milhares de ogivas nucleares; arsenal capaz de destruir facilmente toda a vida no planeta. Mas será que as desavenças entre EUA e Rússia (ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS) findaram-se?&lt;br /&gt;É comum ouvir alguém dizer que a História sempre se repete. Até o saudoso Raul Seixas cantava em uma de seus sucessos: “Amigo Nero tocou fogo em Roma/ com a mania de ser inventor/ mas é que a história sempre se repete/ de tanto feitiço ele se enfeitiçou...”. Mas sabemos que a história não é linear e tampouco possui ciclos onde os fatos são retomados, encarnados numa outra realidade presente. Longe disso. A história é uma constante construção de momentos e de novas configurações espaciais alçadas no modo de produção do capital. O passado deixa heranças no espaço geográfico; e estas servem como embasamento à organização de novas funções e conteúdos que consolidam as redes de fluxos do espaço e as interações sociais. A linearidade da história, portanto, é cronológica no que diz respeito à estratificação, ou seja, as divisões de períodos a fim de melhor estudá-la. Não podemos seguir uma linha onde os fatos, as revoluções, os conflitos, enfim, a historicidade pode caminhar para um único escopo. A história como um “retorno” de fatos no encaixe ordenado no qual fecha determinados ciclos não é concebível. O que pode haver é um resgate de ideologia, realimentada por mudanças no cenário geopolítico no qual define outras relações na divisão do trabalho e na produção do capital. Isso atinge o arranjo dos territórios diretamente concebendo novos papéis e significados; por vezes destruindo estruturas consolidadas no passado.&lt;br /&gt;A prisão do grupo de espiões russos nos EUA é um caso para nós fazermos está análise e tentar compreender se as velhas tensões da Guerra Fria1 estão se reacendendo; ou se podemos dizer que é um resgate de ideologias antagônicas, aquelas mesmas que colocaram socialistas e capitalistas numa disputa frenética pelo o poder. Ao contrário do passado, os espiões não tinham preocupação de sigilo e tampouco queriam se passar por agentes secretos. A bela jovem Anna Chapman, de 28 anos, muito conhecida na internet é uma representante do grupo espião detida pelo o FBI (polícia federal norte-americana). Segundo o governo estadunidense, o grupo estava com a missão de se infiltrar no meio político e nas agências de segurança do governo com intuito de enviar relatórios secretos ao Kremlin2. Outros envolvidos no caso foram presos e interrogados; um último foragido no Chipre. Eles foram trocados, em Viena, por outros supostos espiões norte-americanos presos na Rússia, conforme um acordo entre a Casa Branca e o governo russo. Um fato como esse, nunca tinha acontecido desde o fim da Guerra Fria. Casos de espionagens tanto conhecidos pelos filmes de Hollywood3, eram comuns numa época em que o sucesso de uma nova estratégia política militar ou empreendimento em descobertas técnicas dependiam de informações do governo inimigo. EUA e URSS lutavam por mais domínios de territórios e áreas de influência, e para isso cada um teria que saber as fragilidades do outro e as políticas de defesa empregadas nos seus objetivos. Nesse contexto, a infiltração de agentes secretos disfarçados na cúpula do escalão do governo era a maneira mais perigosa, porém mais eficiente de conseguir as devidas informações importantes ao sucesso do intento.&lt;br /&gt;Hoje ampliação da política econômica global, transformou radicalmente as posições dos dois países e o arranjo estratégico destes diante de seus interesses na produção do capital. Uma reorganização da divisão do trabalho colocou o capitalismo financeiro técnico-informacional como um único modelo a ser seguido, e ao mesmo tempo o mundo se tornou multipolarizado em blocos ou em grupos que exercem representatividade e importância através de sua produção industrial ou sua pauta de exportação da balança comercial. As “economias-mundo” estão interligadas entre si pelos interesses de empresas multinacionais e transnacionais, gigantes grupos coorporativos, conglomerados empresarias financeiros (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;holdings&lt;/span&gt;) e outros seguimentos ligados a setores privados sem sede em nenhum país. Os EUA deixaram de ser uma economia hegemônica incólume na qual todos os países apoiavam-se. A aparência de desenvolvimento econômico inabalável e próspero sob a égide do modelo neoliberal estadunidense se desfragmentou de vez na última crise financeira de 2008-2009. Por outro lado, a antiga URSS voltou a tomar posição de importância no cenário internacional, em grande parte produzida pela a sua produção de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;commodities&lt;/span&gt;4, o que coloca o país no grupo dos BRIC5, cujo papel principal é a exportação de produtos essenciais para o desenvolvimento industrial e tecnológico, bem como gêneros alimentícios não produzidos pela maioria dos países mais industrializados. Curiosamente, os países deste grupo foram os que menos sentiram a crise financeira.&lt;br /&gt;Os EUA passam não apenas por uma crise de modelo econômico. O problema é mais profundo.  É uma crise que podemos avaliar como sendo “política identitária”. Eles tinham um papel político hegemônico, e hoje com a expansão da rede integrada de mercados capitalistas globais, eles estão perdendo destaque pouco a pouco no cenário político internacional. Fatos importantes evidenciam este quadro, tais como: a invasão do Iraque em 2003; o acirramento das relações com países árabes; a chamada “herança maldita de Bush”; o fraco desempenho do governo Barack Obama, demonstrado, sobretudo nos seus baixos índices de popularidade e a falta de liderança deste mesmo governo, como por exemplo, no caso da BP do qual culminou no maior desastre ambiental da história6.&lt;br /&gt;A posição da Rússia é um pouco mais satisfatória no diz respeito às novas tendências da geopolítica global. Foram feitas recentemente prospecção de novas jazidas de petróleo no mar de Bering, o que dar mais destaque aos grandes produtos primários exportados aos países mais ricos. De fato, a Rússia é um grande produtor de matérias-prima como carvão e outros minerais importantes para a indústria.    O gasoduto que atende boa parte da Europa é de extrema importância às moradias, sobretudo no inverno rigoroso da região. No âmbito político, houve uma investida militar russa na Geórgia, em plena Olimpíadas da China, em 2008. Isso ocorreu, segundo o governo alega, foi em retaliação ao ataque às tropas russas na fronteira do país com a Geórgia. Também devemos destacar o projeto de implantação de bases de mísseis norte-americanos nos países fronteiriços à Rússia, fato que gerou uma intensa crise diplomática entre os dois países.&lt;br /&gt;Não podemos dizer com certeza que os ânimos entre os dois países se realimentaram com as ideologias da Guerra Fria. Os tempos são outros. Uma investida militar custa muito dinheiro; parte da crise estadunidense está relacionada a investimentos maciços na sofisticação de armamentos em detrimento de outras prioridades na gestão do mercado financeiro. De fato, eles nunca se entenderam na questão política ideológica e no modelo de atuação do Estado. As medidas neoliberais como a privatização e o enfraquecimento do Estado, nunca foi bem vista com bons olhos pelas elites partidárias russas, sob as quais ainda paira até hoje a sombra do socialismo real. Há certo resgate das velhas ideologias das décadas anteriores, nas quais as armas e a implantação ou financiamento de ditaduras militares serviram como propaganda e manobra política. A grande revolução ocorrida nas áreas das tecnologias, dos satélites, dos transportes, da medicina, dos veículos de informação durante o período da Guerra Fria, no qual as pesquisas científicas estavam ligadas em grande parte aos interesses de orgulho nacional, deixaram um grande legado às nossas gerações e às gestões do espaço pelas grandes metrópoles. No entanto, no âmbito político das democracias representativas, ainda há divergências entre os que apóiam o fortalecimento do Estado gestor _ próximo do socialismo _, e os que defendem o neoliberalismo capitalista, no qual o Estado é enfraquecido pela intensa entrada de capital privado estrangeiro. A política mundial se encontra dividida ideologicamente dentro uma integração global que enfraquece não apenas os agentes sociais, mas as suas identidades regionais resistentes à invasão de um capitalismo excludente que intensifica as desigualdades sociais.&lt;br /&gt;______________________________________________________________________________&lt;br /&gt;1-Guerra Fria é o nome que se dá ao período compreendido entre 1945, data dos primeiros testes nucleares pelos os EUA, até 1991, ano do fim da URSS (União das Republicas Socialistas Soviéticas) e da conseqüente fundação da República Federativa da Rússia. O nome “fria” é porque os países nunca se enfrentaram diretamente num conflito armado, apenas apoiando ditaduras em outros países e financiados conflitos armados. Foi o caso da separação da Península da Coréia na qual a do Sul apoiada pelos EUA guerreou com a do Norte aliada ao governo socialista soviético.&lt;br /&gt;2-Sede do governo russo.&lt;br /&gt;3-Cidade onde se concentra as maiores produtoras de filmes dos EUA e do mundo.&lt;br /&gt;4- Commodities (significa mercadoria em inglês) pode ser definido como mercadorias, principalmente minérios e gêneros agrícolas, que são produzidos em larga escala e comercializados em nível mundial. As commodities são negociadas em bolsas mercadorias, portanto seus preços são definidos em nível global, pelo mercado internacional. Fonte: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/commodities.htm&lt;br /&gt;5-O termo BRIC foi criado pelo economista Jim O’Nill, em 2001, para referir-se aos quatro países que apresentarão maiores taxas de crescimento econômico até 2050. BRIC são as inicias de Brasil, Rússia, Índia e China, países em desenvolvimento, que, conforme projeções, serão maiores economicamente que o G6 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália). O BRIC não é um bloco econômico, e sim uma associação comercial, onde os países integrantes apresentam situações econômicas e índices de desenvolvimento parecidos, cuja união visa à cooperação para alavancar suas economias em escala global. Brasil, Rússia, Índia e China apresentam vários fatores em comum, entre eles podem ser citados: grande extensão territorial; estabilidade econômica recente; Produto Interno Bruto (PIB) em ascensão; disponibilidade de mão de obra; mercado consumidor em alta; grande disponibilidade de recursos naturais; aumento nas taxas de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); valorização nos mercados de capitais; investimentos de empresas nos diversos setores da economia.&lt;br /&gt;6- A explosão da plataforma Deepwater Horizon da petroleira britânica BP, em 22 de abril, no Golfo do México é um desastre ambiental sem precedentes. O petróleo há meses vaza de um poço profundo, espalhando óleo por grandes regiões marítimas e praias da região, isso coloca em risco milhares de espécies marinhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-7754293380644467158?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/7754293380644467158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=7754293380644467158' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7754293380644467158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7754293380644467158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/07/analise-da-noticia.html' title='Análise da notícia'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-6650006932966566750</id><published>2010-06-27T10:58:00.000-07:00</published><updated>2010-06-28T17:11:45.357-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Análise da reunião de Cúpula do G8</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu adoro esta época de Copa do Mundo de Futebol. Se eu pudesse decretaria férias antecipadas para assistir a todos os jogos... Mas gostaria de comentar sobre um evento distante dos olhos e da realidade da África, continente sede do maior evento futebolístico: a reunião de cúpula do G8 (as 8 maiores economias do mundo) em Hunstsville, no Canadá. O encontro dos líderes novamente foi marcado por protestos contra a globalização e a nova Ordem Mundial, entretanto, sem muito destaque por causa da cobertura do grande evento esportivo pela empresa. Desta vez, como nas outras edições anteriores, sem grandes incidentes e repercussões políticas. É bom lembrar os graves acontecimentos de 2001 em Gênova, na Itália, quando um jovem italiano ativista foi morto por um militar das forças de repressão policial.&lt;br /&gt;Os países envolvidos (EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, França, Canadá, Japão mais a Rússia) discutiram a taxação dos bancos e o ajuste fiscal como forma de combater o déficit das contas públicas, o que em prática pode frear os investimentos do governo e do setor privado. Em contrapartida, segunda a nova política de reformulação da economia mundial, isso é necessário para retomar o crescimento e fortalecer o sistema financeiro contra o capital especulativo. Consequentemente isso diminui o fluxo de capital interno, desestimula investimentos privados e mina a função do Estado de promover o desenvolvimento econômico; o Estado precisa de um caixa objetivando financiar projetos de infra-estruturais e políticas públicas; até mesmo a fim de manter as metas de crescimento da economia. Os emergentes e os países europeus de economia menos robusta seriam, portanto, as nações mais prejudicadas e as que têm menor parcela de culpa pela crise internacional passada. &lt;br /&gt;Com esta intenção, se observa mais uma tentativa de limitar o papel dos governos ao impor políticas de cortes de gastos, fato que geralmente é compensado com a diminuição orçamentária dos serviços básicos como saúde e educação. Isso é muito ruim principalmente no que diz respeito aos países recém saído da recessão ou aqueles em situação de crise grave como a Grécia. Os países bálticos e dos leste europeu também passa dificuldades pela baixa recuperação financeira pós-crise que culminou nas manifestações em Atenas. Vale ressaltar que o recente clima de violência e tensão na capital grega no qual resultou em pessoas mortas, saque de comércio, incêndios, manifestantes presos e feridos, greve geral é a resposta dos cidadãos gregos descontentes com o pacote de ajuda de 110 bilhões de euros. Este empréstimo veio do acordo do governo grego com a União Européia e o FMI (Fundo Monetário Internacional) que impôs metas severas de corte orçamentário para conter o déficit do governo, bem como aumento substancial nos impostos. De novo a política neoliberal sempre aberrante do Consenso de Washington1 atuou no intuito de evitar uma possível ameaça de uma crise realimentada nas entranhas da Europa.&lt;br /&gt;A União Européia sofreu diretamente os impactos da “bolha especulativa” estadunidense na qual alçou uma das maiores crise do capitalismo em 2008/2009. Seus efeitos ainda são sentidos nas nações que compõem o G8. Ao contrário dos países mais industrializados líderes da reunião, a maioria dos emergentes integrantes do G20 não recebeu o mesmo impacto da crise econômica.  Não precisam, portanto, se submeterem a políticas de taxação proposto por um modelo financeiro baseado na alta produção de bens industrializados e subsidiados por grandes montas de capital. Na balança comercial dos emergentes, os produtos na pauta de exportação estão os gêneros alimentícios e os bens primários como minério de ferro, aço e entre outros itens básicos importantes à indústria de tecnologia de ponta dominada em maior parte pelos os países desenvolvidos. Nesse contexto, o G20 composto pelas economias em desenvolvimento não possui mais um papel secundário no qual está submetido às exigências de uma economia hegemônica global excludente, cujo capital está centralizado em um punhado de potências econômicas desenvolvidas. Por isso, dando seguimento as discussões, o grupo do G20 se reuniu no último sábado a fim de formular políticas econômicas compatíveis com o novo paradigma mundial pós-crise.&lt;br /&gt;O Brasil em pouco tempo despontará como o maior produtor de alimentos; isso provavelmente quando o agronegócio ultrapassar fronteiras agrícolas do território nacional. A Ucrânia, China, Rússia e Índia também terão grande avanço na produção agrícola, segundo um recente relatório conjunto da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE)2. Isso indica a relevância que os emergentes possuem no quadro das relações comerciais globais, e ainda vão ganhar mais força no cenário internacional nos próximos anos devido aumento do controle produtivo das indústrias de base e dos bens de primeira necessidade. De fato, o próprio governo brasileiro denunciou a quebra do poder de decisão do G8; e não por acaso que o país já é a 9ª economia do mundo. Mas nem tudo é “flores” para os emergentes: o Brasil continua com grandes entraves sociais a serem superados, como a oferta de mão-de-obra qualificada e profissionalizada, por exemplo. A China com a maior população do planeta sofre hoje o maior êxodo rural da História, exigindo a construção de cidades em prazo recorde. A Rússia ainda cambaleia na sua economia muito dependente da venda de matérias-primas e produtos pouco industrializados. Mas mesmo com estes e outros diversos problemas, cada um com suas características políticas, econômicas e sociais particulares, são hoje os países com perspectiva de forte crescimento e consumo. Este último ainda com enorme arsenal bélico e ogivas nucleares, fato que o coloca em grau de importância entre o grupo dos G8.&lt;br /&gt;Desconsiderando o acordo paralelo de enriquecimento de urânio iraniano proposto por Brasil, Turquia e o governo de Teerã, no qual visava um dialogo bilateral defendendo a suposta utilização de energia nuclear para fins pacíficos, os países do G8 aprovaram mais medidas em defesa da resolução da ONU a favor de sanções econômicas ao Irã por causa de seu programa nuclear. Além disso, os governos abominaram o ditador norte-coreano pelo o incidente com o navio da Coréia do Sul e _ como sempre sem efeito_ reprimiram o governo de Israel, aliado histórico dos EUA, devido à situação do bloqueio na Palestina e a situação degradante da população da Faixa de Gaza. Mas essas conclusões demonstraram a grande transformação na qual o organismo internacional passou nos últimos anos. Os interesses estratégicos político-econômicos das grandes potências e das transnacionais são a força motriz que move as decisões da ONU. Isso é evidente quando se analisa o caso do afundamento do navio e da morte de vários tripulantes ocorridos por um torpedo muito provavelmente oriundo da Coréia do Norte3. De fato, não houve destaque ao caso e nem a investigação profunda do ocorrido; nenhuma punição ao governo norte-coreano. Pois olhando em perspectiva, isso é um fato gravíssimo que em outros tempos poderia ocorrer uma declaração de guerra do governo de Seul contra a Coréia do Norte.&lt;br /&gt;Não apenas a reforma no capitalismo neoliberal está sendo contestada pela a mudança de posições na economia, mas os papéis dos promotores do modo de produção do capital e a divisão internacional do trabalho das “economias-mundo” se transformaram ao longo das últimas décadas. Não apenas isso: ao mesmo tempo se tornaram mais arraigadas as contradições sociais e econômicas dos países mais envolvidos na economia global. O Brasil ainda esta em processo de integração regional do território; até nos EUA está dinâmica ainda está em voga. A ONU4 por sua vez, olvidou os lemas fundamentais que proporcionaram a sua existência em 1945. Dois destes lemas são: promover a paz mundial e garantir os direitos humanos. A região palestina, que necessita tanto cuidado dos representantes da ONU, não recebe a atenção devida dos que se ostentam defender a paz e a democracia. Por outro lado, o Irã possui mais destaque por causa dos interesses das multinacionais petrolíferas e dos membros pertencentes ao Conselho Permanente de Segurança da ONU a saber: EUA,  Rússia, França, China e Grã-Bretanha. As três primeiras são potências nucleares inquestionáveis que formam o chamado Grupo de Viena. Então como exigir de algum país a fiscalização das unidades de pesquisa nuclear? É fato que Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã, já fez declarações claras de destruir Israel e outras polêmicas mais. Entretanto, a ONU tem o papel de interceder com diálogo, e as últimas conseqüências são as sanções econômicas. Este recurso não pode ser usado com objetivo principal de pressionar e provocar mais contendas. Já houve violação dos direitos humanos no Irã, Honduras, China, Israel e inclusive nos EUA, na base de Guatánamo em Cuba. Mas porque só falam do Irã? Inclusive a mídia mundial que é financiada em grande parte por capitais destas grandes potências?&lt;br /&gt;Estamos vivendo uma “guerra” de desinformações proporcionada pela avalanche de propagandas onde o Estado democrático do capitalista liberal e do consumismo desregrado é a melhor alternativa na qual oferece a todos o bem-estar social e o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;status quo&lt;/span&gt; construídos por um desenvolvimento econômico “infinito”. Há muitas políticas sócio-espaciais para ser feitas no intuito de combater a fome na África e nos bolsões de pobreza do mundo, onde a globalização não consegue atingir com os seus computadores e celulares sofisticados. Somente a integração econômica não consegue unir essas regiões (Haiti, países mais pobres da África, centro asiático etc.) com o resto do mundo capitalizado. Devemos promover a união dos povos através do potencial produtivo de cada região e da capacidade de arranjo do espaço de produção do capital existente em cada nação. Um passo importante para procurar uma mínima parte desta realidade mais ou menos utópica é a maior representatividade na ONU dos países representantes do G20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1Em 1989, no bojo do reaganismo e do tatcherismo máximas expressões do neoliberalismo em ação, reuniram-se em Washington, convocados pelo Institute for International Economics, entidade de caráter privado, diversos economistas latino-americanos de perfil liberal, funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do governo norte-americano. O tema do encontro Latin Americ Adjustment: Howe Much has Happened?, visava a avaliar as reformas econômicas em curso no âmbito da América Latina. &lt;br /&gt;John Willianson, economista inglês e diretor do instituto promotor do encontro, foi quem alinhavou os dez pontos tidos como consensuais entre os participantes. E quem cunhou a expressão "Consenso de Washington", através da qual ficaram conhecidas as conclusões daquele encontro, ao final resumidas nas seguintes regras universais:&lt;br /&gt;   1. Disciplina fiscal, através da qual o Estado deve limitar seus gastos à arrecadação, eliminando o déficit público;&lt;br /&gt;   2. Focalização dos gastos públicos em educação, saúde e infra-estrutura;&lt;br /&gt;   3. Reforma tributária que amplie a base sobre a qual incide a carga tributário, com maior peso nos impostos indiretos e menor progressividade nos impostos diretos;&lt;br /&gt;   4. Liberalização financeira, com o fim de restrições que impeçam instituições financeiras internacionais de atuar em igualdade com as nacionais e o afastamento do Estado do setor;&lt;br /&gt;   5. Taxa de câmbio competitiva;&lt;br /&gt;   6. Liberalização do comércio exterior, com redução de alíquotas de importação e estímulos á exportação, visando a impulsionar a globalização da economia;&lt;br /&gt;   7. Eliminação de restrições ao capital externo, permitindo investimento direto estrangeiro;&lt;br /&gt;   8. Privatização, com a venda de empresas estatais;&lt;br /&gt;   9. Desregulação, com redução da legislação de controle do processo econômico e das relações trabalhistas;&lt;br /&gt;  10. Propriedade intelectual.&lt;br /&gt;Fonte: Do livro: Para conhecer o Neoliberalismo, João José Negrão, pág. 41-43, Publisher Brasil, 1998              http://www.cefetsp.br/edu/eso/globalizacao/consenso.html&lt;br /&gt;2Apresentado  (15/6/2010) em Roma. "O Brasil é o produtor agrícola com um crescimento mais rápido, e um aumento previsto de 40% até 2019", sustenta o informe ilustrado à imprensa por Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, e pelo mexicano Angel Gurría, secretário-geral da OCDE. O documento aponta para um crescimento da produção agrícola mundial mais lento durante a próxima em comparação com os últimos dez anos e calcula que os preços médios dos alimentos subirão entre 2010 e 2019, pelo que "persiste a preocupação" com o aumento do número de pessoas com fome no mundo.&lt;br /&gt;3Uma investigação independente há duas semanas acusou a Coréia do Norte de ter torpedeado o navio Cheonan sul-coreano no dia 26 de março, provocando seu afundamento e a morte de 46 marinheiros.&lt;br /&gt;4Os principais objetivos da ONU são:&lt;br /&gt;• Manter a paz internacional.&lt;br /&gt;• Garantir os Direitos Humanos.&lt;br /&gt;• Promover o desenvolvimento socioeconômico das nações.&lt;br /&gt;• Incentivar a autonomia das etnias dependentes.&lt;br /&gt;• Tornar mais fortes os laços entre os países soberanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-6650006932966566750?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/6650006932966566750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=6650006932966566750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6650006932966566750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6650006932966566750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/06/analise-da-reuniao-de-cupula-do-g8.html' title='Análise da reunião de Cúpula do G8'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-7595462695885214095</id><published>2010-06-21T21:15:00.000-07:00</published><updated>2011-03-23T09:19:18.361-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Poesia</title><content type='html'>REFÚGIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia renunciarei os meus pesares&lt;br /&gt;Deserdando Osíris, Marduk ou Odin. &lt;br /&gt;Esquecer o valente espadachim;&lt;br /&gt;Este que lutou em revoltas seculares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Simbá conquistou os sete mares...&lt;br /&gt;Se eu não tiver Vênus para mim,&lt;br /&gt;Quero mil virgens num devasso festim&lt;br /&gt;E com prazer ir ao infinito dos quasares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero beijos, volúpias e luxúria também&lt;br /&gt;Ir instintivamente salivante muito além;&lt;br /&gt;Do concreto, do objetivo, do empírico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rejeito ser heróico pela glória de Tróia&lt;br /&gt;Numa viajem eterna_ degradante paranóia.&lt;br /&gt;Prefiro viver o meu mundinho lírico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-7595462695885214095?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/7595462695885214095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=7595462695885214095' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7595462695885214095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7595462695885214095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/06/poesia.html' title='Poesia'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-5444822169534218207</id><published>2010-06-21T13:39:00.000-07:00</published><updated>2010-07-10T06:39:41.472-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Será vestígios da Atlântida?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/TB_tlKJ9_4I/AAAAAAAAAdc/gtT34zzAC5w/s1600/3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 335px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/TB_tlKJ9_4I/AAAAAAAAAdc/gtT34zzAC5w/s400/3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485364093797662594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/TB_QaDsf39I/AAAAAAAAAdU/ivT6e9lKVuA/s1600/Atl%C3%A2ntida.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 288px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/TB_QaDsf39I/AAAAAAAAAdU/ivT6e9lKVuA/s400/Atl%C3%A2ntida.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485332017247674322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1ª Foto - www.acemprol.com/download/file.php?id=600&amp;t=1&lt;br /&gt;E na Ilha de Yanaguni, no Japão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Masaaki Kimura, um renomado professor de Geologia Marinha estuda uma suposta cidade perdida no fundo do mar datada em mais de 10.000 anos. Será que teremos que rever toda a trajetória histórica da Humanidade? Fica o mistério...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2ª Foto - Google Earth&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será restos de uma antiga cidade? A lendária Atlântida além dos Pilares de Hercúles? É muito estranho! Com um pouco de exercício de Fotointerpretação, concluímos que há algo ali que não foi produzido por processos naturais. Não adianta dizer que foi resultado de erros do satélite ou sondagens de rotas de embarcações, argumentos usados como explicações possíveis. Não pode ser nenhum deles. Só sabemos que é uma estrutura desenhada ou recortada na superfície do fundo do mar. Além de riscos incomuns, há um quadrado bem definido e outro menos nítido à direita do extrato fotográfico. Muito estranho mesmo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-5444822169534218207?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/5444822169534218207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=5444822169534218207' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5444822169534218207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5444822169534218207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/06/sera-vestigios-da-lendaria-atlantida.html' title='Será vestígios da Atlântida?'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/TB_tlKJ9_4I/AAAAAAAAAdc/gtT34zzAC5w/s72-c/3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-7422908504292282726</id><published>2010-06-18T04:30:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T04:31:43.979-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>A RELAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA NA COMPREENSÃO DOS FATOS</title><content type='html'>A RELAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA NA COMPREENSÃO DOS FATOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise da relação entre História-Memória pode culminar em intensos debates teóricos e metodológicos na historiografia. Várias gerações de historiadores discutiram os mecanismos dos quais se constrói a memória e a importância desta no que diz respeito aos fundamentos do trabalho histórico. A memória surge das experiências alçadas das descobertas técnicas e da estrutura cultural e sócio-educativa oriunda do aprendizado na socialização dos grupos sociais. É um elemento, portanto, constituinte da História, sobretudo no que tange os aspectos fundamentais na investigação espaço-temporal das constantes mudanças sócio-culturais e políticas ocorridas nas civilizações.&lt;br /&gt;Neste sentido, a memória não pode ser entendida como um processo limitado de tentar retomar ou preservar fatos passados em uma dada época histórica na qual o observador viveu. Ela é fruto da historiografia e das interações sociais e espaciais dos indivíduos com o meio natural em conjunto com os aspectos regionais na configuração territorial e o arranjo étnico-cultural dentro do processo civilizatório das sociedades. De fato, nas ciências humanas a memória não é mera coadjuvante e não deve ser observada de maneira isolada sob uma ótica parcial, bem como não é um mecanismo de relevância secundária no discurso histórico e no trabalho de representar uma realidade passada. Num contexto geral, a memória pode ser o processo de construção das referências do passado cuja força motriz é produzida pelos agentes sociais e a consolidação presente das diversas tradições e costumes dos povos. Estas características são apoiadas nas transformações culturais, políticas e sócio-econômicas durante o tempo histórico.&lt;br /&gt;Outro fator a destacar é o paradigma multidimensional da História. Este é proporcionado por diferentes intercalações de experiências sociais, arquiteta a memória e, ou seja, os autores sociais com suas heranças constituem a carga peculiar de cada aspecto da História, o que faz da identidade dos indivíduos um elemento não estático, sujeito às influências ideológicas, políticas e culturais. Por isso hoje temos que reconhecer História comumente é escrita sob a visão particular do protagonista, do autor ou do historiador. A partir de tal constatação, a investigação historiográfica não se prende à reprodução com fidelidade dos acontecimentos assim como eles sucederam, e nem estabelece uma síntese linear e de ordem cronológica cujos marcos e datas comemorativas são o nexo mais importante para unir a contemporaniedade ao tempo histórico do homem. Ao contrário disso, a História atualmente é uma rede imbricada de várias memórias persistentes no tempo e independente da própria “realidade dos fatos” do passado na qual e o testemunho vivo ou não dos indivíduos, apesar de muitas vezes não serem considerados como fontes oficiais, são instrumentos relevantes da historiografia.&lt;br /&gt;Nesse contexto, podemos contrapor a memória dos povos dominados e a memória dos dominadores. Exemplo disso é a História vista com o olhar dos povos ocidentais sobre as perspectivas do desenvolvimento do capitalismo e a História das várias etnias indígenas e a dos povos africanos colocadas de lado em detrimento de uma lógica econômica e política na qual o desenvolvimento econômico e o modo de produção formam o embasamento primordial na formação do “tempo vivido”. O choque de culturas imprimiu uma memória que continua preservada nos costumes e tradições dos povos dominados. Esta por muito tempo foi pouco relatada na História dos dominadores no início do capitalismo; no caso, os europeus. Atualmente a descrição e dimensionamento dos relatos e das experiências genuínas destes povos oprimidos pela a escravidão e o extermínio, são resgatados e retomam uma realidade bem diferente daquela que a História Tradicional, muitas vezes utilizada pelas elites, olvidou o testemunho da memória dos dominados, omitindo as tradições culturais destes povos. &lt;br /&gt;Há uma gama de objeções quando se procura considerar a memória como o alicerce da interpretação histórica. Assim como não há uma verdade que segue apenas uma lógica, não há um consenso no qual se baseia a compreensão problemática da evolução do estudo da História. O uso técnico na pesquisa de fontes, registros oficiais e não oficiais, relatos orais e lingüísticas formam o corpo teórico-metodológico da História diferentes visões de mundo que envolvem os fatos. Cada grupo social ou sociedade descreve a História e construí a sua identidade de sua própria maneira utilizando-se de sua memória na qual estão vários fatores cognitivos que confecciona a identidade e o caráter típico do povo.&lt;br /&gt;Em vista disto, nem mesmo o passado é estático; ele é dinâmico. A História pode tomar outros horizontes quando se pensa as memórias dos povos sendo dissecadas: analisando com esmero os mitos, lendas, culinária, trajes típicos, danças, folclore, festejos, religião, crenças, enfim, as experiências aguçadas pelos os sentidos dos indivíduos; quer aquelas que dizem respeito às tradições e aos costumes, quer as identidades integrativas que unem os grupos sociais ou formam o caráter social de um povo.&lt;br /&gt;O elemento da História, mais importante, entretanto, não é a memória a ser resgatada no intuito de servir a ideologias, assim como ocorreu com a figura de Tiradentes sobretudo no período do Nacionalismo Desenvolvimentista da Era Vargas. Devemos pensar a memória como instrumento do historiador em seu papel de tentar desvendar os enigmas e redesenhar o tempo vivido e as implicações que surgiram dos fatos, bem como a importância deste na estrutura política e social das gerações atuais. A memória, enfim, é um processo “catalizador” abstrato e subjetivo no qual ele absorve experiências e imagens das transformações dos agentes sociais. Apesar de possuir comumente o seu aparato ideológico próprio de cada autor da história, a memória deve ser interpretada como o registro de representações culturais para a formação dos grupos sociais e os tradicionalismos inerentes.&lt;br /&gt;Na história da Revolução dos Côcos ocorrida na Ilha Bougainville, nas Ilhas Salomão (1989/1998), pode servir de exemplo de como a memória pode ser usada na identidade de grupos. Neste fato, os nativos expulsaram uma grande multinacional do ramo de mineração pertencente a grupos internacionais britânicos e australianos da ilha; reivindicando as suas propriedades, a integração do território e a floresta da qual eles extraíam os seus víveres. Assim, eles conseguiram resgatar a memória dos seus antepassados no que diz respeito às tradições do uso dos produtos naturais e até mesmo o fabrico do óleo de côco como combustível para os veículos deixados pela a empresa mineradora, já que a empresa sofreu atentado provocado pelo o uso e explosivos roubados na própria mineradora pelos os nativos separatistas habitantes da ilha.&lt;br /&gt;No mesmo exemplo, a o a preservação do registro oficial da revolução sofreu pela a tentativa de esconder a memória deste povo por parte das grandes potências envolvidas. No caso, Austrália, a Grâ-Bretânia que auxiliaram a força militar da Papua Nova Guiné. Esta última foi a nação que enviou o maior número de exército para combater os ditos rebeldes sem aparatos bélicos compatíveis mas que lutavam para se defender do domínio político-econômico. Utilizando-se deste caso, podemos dizer dos movimentos sociais de afirmação que buscam contar a história pela experiência pessoal dos ancestrais e até daqueles que conviveram pessoalmente o fato histórico. Se não fosse os relatos dos próprios nativos bougainvillianos talvez jamais saberíamos como ocorreu essa revolução sangrenta onde mais de um terço dos habitantes ilhéus pereceram, por fim, não teríamos escassas fontes transmitidas. Daí a importância das instituições públicas, como o museus, no papel de preservar a memória e guardar a forma como ela se configurou durante a história. Assim acontece também com os movimentos de caráter de afirmação de identidade como os negros trazidos como escravos e que agora procuram reorganizar as suas memórias em suas ex-colônias.&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882003000200012&amp;script=sci_arttext&lt;br /&gt;http://www.comciencia.br/reportagens/memoria/04.shtml&lt;br /&gt;http://www.espacoacademico.com.br/056/56carvalhal.htm&lt;br /&gt;http://www.scribd.com/doc/8754345/HISTORIA-E-MEMORIA-Jacques-Le-Goff&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=OmX7rl4QVLU&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=6daO8Kw7AWw&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=sU-9A1lQeMc&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=pIEFL2rG0eY&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=s0TiUufKKY0&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=WMJ6fpp7gkc&lt;br /&gt;Revolução dos Cocos - Coconut Revolution - Bougainville Our Island Our Fight (1999) (Reino Unido, 1999, 50min. - Direção: Dom Rotheroe)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-7422908504292282726?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/7422908504292282726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=7422908504292282726' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7422908504292282726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7422908504292282726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/06/relacao-entre-memoria-e-historia-na.html' title='A RELAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA NA COMPREENSÃO DOS FATOS'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-223902991606676950</id><published>2010-05-25T16:02:00.000-07:00</published><updated>2010-05-25T16:09:05.049-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'></title><content type='html'>SONETO DO BEM VIVER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do ônibus lotado, numa sexta-feira&lt;br /&gt;Fico imaginando distraído o que seria&lt;br /&gt;Se não houvesse ao sábado uma boemia;&lt;br /&gt;Um ideal, um prazer e uma maneira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De encarar uma paixão por inteira&lt;br /&gt;E segurar o orbe como Atlas conseguia;&lt;br /&gt;O espaço de repente se encurtaria&lt;br /&gt;E cada palma formaria uma fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois basta a esperança numa infinitude&lt;br /&gt;Para impulsionar uma heróica atitude&lt;br /&gt;De viver cada dia como o único momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então assim liberto o coração recluso&lt;br /&gt;E passo a viver sem tempo, órbita ou fuso&lt;br /&gt;Lutando contra qualquer ressentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-223902991606676950?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/223902991606676950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=223902991606676950' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/223902991606676950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/223902991606676950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/05/soneto-do-bem-viver-dentro-do-onibus.html' title=''/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-3127831336074642279</id><published>2010-02-19T02:43:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T02:45:04.956-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Poesia</title><content type='html'>PRAZER DOS ESQUECIDOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordar um amor sem fronteiras&lt;br /&gt;É ver uma pessoa na renúncia e soledade.&lt;br /&gt;Recordar é viver; viver é ambigüidade...&lt;br /&gt;Não há o tempo e tampouco suas esteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um rio caudaloso de corredeiras.&lt;br /&gt;Em suas pedras, uma despida beldade.&lt;br /&gt;Morre-se o tempo; não tem razão a saudade.&lt;br /&gt;Também o espaço; findam-se as barreiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta ainda o beijo de amor ausente&lt;br /&gt;Onde a saliva da volúpia ardente&lt;br /&gt;Foi sugada por lábios ressequidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora não há mares, ondas e praias&lt;br /&gt;Apenas orgasmos e secreções várias&lt;br /&gt;Demonstrando o prazer dos esquecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-3127831336074642279?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/3127831336074642279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=3127831336074642279' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/3127831336074642279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/3127831336074642279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/02/poesia_19.html' title='Poesia'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-4382401765574255184</id><published>2010-02-18T14:06:00.000-08:00</published><updated>2010-02-19T02:48:45.465-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Poesias</title><content type='html'>TEMPOS DE GLÓRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a melancolia dúbia e gris da bruma&lt;br /&gt;Na quarta-feira sem paixão que fascina,&lt;br /&gt;Só há um laivo de vômito na latrina.&lt;br /&gt;Sorrisos vãos... Alegrias? Nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã há copos de cerveja sem espuma&lt;br /&gt;E beijos lascivos do olor do éden em ruína.&lt;br /&gt;Antes tão glorioso quanto à capital bizantina&lt;br /&gt;E esplêndido como as obras dos Montezuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora tudo vai à boca na terrível amarugem.&lt;br /&gt;Há lodo, húmus, poeira, dejetos, ferrugem,&lt;br /&gt;Enfim, todo o fim do decomposto concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há o sonho da glória de Sargão,&lt;br /&gt;Mesmo que as abstrações nunca encontrarão&lt;br /&gt;A divindade incorporada num objeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-4382401765574255184?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/4382401765574255184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=4382401765574255184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4382401765574255184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4382401765574255184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/02/poesias.html' title='Poesias'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-3573166776553858310</id><published>2010-02-15T10:56:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T10:58:53.633-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Relação Capital -Trabalho no sul da Bahia</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisar a relação capital-trabalho e os iminentes efeitos da configuração territorial inserida no paradigma da produção capitalista de bens e serviços raramente é uma tarefa fácil. Precisamos respeitar as escalas espaciais e escolher uma determinada região para ir a campo. Registrar imagens e entrevistas com a população local não é suficiente. Deve-se fazer uma profunda perscrutação do precedente histórico, da dinâmica social, dos aspectos político-econômicos; em outras palavras, dissecar a região sem perder o foco do movimento global cujo modo de produção toma na lógica do mercado capitalista financeiro industrial. &lt;br /&gt;As identidades regionais podem rechaçar a força quase irretorquível do capitalismo globalizado sem, contudo, perder seus interesses em tecnologias ou no modo de consumo liberal. As concepções culturais e os tradicionalismos coexistem com os monopólios e respondem espacialmente à exploração mercantil criando nova materialidade social. Surgem outras articulações e novos processos, estruturas, formas e funções encarnam na reflexão social do espaço. O capital, portanto, utiliza-se desses paradigmas na reorganização do trabalho objetivando o lucro em detrimento dos valores das comunidades locais, seja a exploração incondicional do turismo ou no recrutamento de mão-de-obra barata. O desenvolvimento econômico trazido por grandes investidores privados nem sempre corresponde com a melhora na qualidade de vida da população nativa, tampouco há garantias que virão benefícios públicos e subsídios à reorganização das redes sociais.&lt;br /&gt;Não só a cidade se modifica com a substituição do ciclo econômico por outro, mas a população, as relações de trabalho, o trânsito cidade-campo e os centros comerciais se reestruturam na realidade socioeconômica trazida pela circulação e evolução do capital. As interações e os atores sociais encontram outras concepções através da valorização do espaço. Mas quando este se torna mercadoria e o indivíduo só ganha importância como capital humano a servir aos interesses do lucro, nascem também os espaços de resistência nos quais a comunidade utiliza-se do simbolismo e do fortalecimento das raízes culturais.&lt;br /&gt; A mobilidade social, os costumes e o cotidiano citadino e campestre, contudo, possuem capacidades de se redefinirem e se transformarem afirmado novos padrões sociais afeitos às conjecturas do espaço. Os arranjos espaciais geralmente se fundamentam na lógica da organização da exploração do trabalho alienante e na forma de apropriação do capital, centralizando-o. Estes, com efeito, sempre arquitetam a dinâmica social das regiões, dos sub-empregos, das cidades e dos seus diversos problemas infra-estruturais que atingem populações excluídas do desenvolvimento desigual e iníquo do capitalismo. Os sucessivos ciclos econômicos e os modos de produção deixam quase sempre no espaço uma estrutura histórica arraigada cuja produção de valores culturais e sociais persiste nas atividades humanas e na essência das relações sociais. Ou seja: o espaço adquire valor e identidade social, relacionando-se com homem apontando novos rumos e objetividade a fim de compor o fluxo do mercado de bens e serviços; consequentemente a população nativa confecciona outra tecedura ao se inserir nas novas categorias de emprego.&lt;br /&gt;Em contrapressão,  as máscaras sociais são utilizadas pelo o sistema capitalista no intuito de ocultar a alienação do trabalho; este antes braçal, agora torna-se mais técnico e específico, exigindo do trabalhador o intelecto e uma maior qualificação profissional. Por outro lado, há uma desvalorização do trabalho e baixos salários são comuns nos lugares economicamente pretendidos pelo capital estrangeiro, porém empobrecidos com os insucessos no campo e a exploração das elites locais dominantes. Nesse contexto, instalaram-se na Bahia ostentosos empreendimentos empresariais e projetos inovadores engendrados por indústrias multinacionais apoiando-se nos incentivos fiscais dos governos. Fugindo da falta de logística que a cidade macrocefálica não pode oferecer, grupos transnacionais e multinacionais se deslocam dos grandes centros metropolitanos a fim de ocupar lugares tradicionais no interior ou aqueles afetados pela decadência de alguma atividade econômica, aproveitando-se geralmente da precariedade do emprego e do baixo valor das terras, o que no final possibilita a diminuição dos custos de produção ao grupo investidor. &lt;br /&gt;Mas aí fica a pergunta: até que ponto os benefícios podem auxiliar no desenvolvimento socioeconômico e ambiental da região? Isso pode ser uma forma de desenvolvimento sustentável? Primeiramente, a montagem de um empreendimento fabril de produção de celulose, caso típico do sul da Bahia, requer extensas áreas de plantio de eucalipto. São no mínimo 6 anos para o crescimento das árvores até o momento de colheita. Várias propriedades devem ser adquiridas pela empresa antes mesmo da construção do sistema mecânico no qual existe caldeira, tubulações, maquinário robotizado, sistema de arrefecimento, chaminé, cabine de processamento de dados e controle informacional etc.. Dessa maneira, agricultores locais tem as suas terras compradas no intuito de a empresa poder cultivar as primeiras áreas de colheita de matérias-prima para que a fábrica possa industrializá-las e começar a funcionar. Tal situação pode contribuir com o êxodo rural descontrolado e acentuar ainda mais as disparidades entre centro e periferia. Muitas vezes, ocorre a pauperização dos indivíduos não aproveitados pelas empresas, assim não conseguem oportunidades na reorganização do sistema econômico na cidade. Acabam sem renda fixa; alheios ao desenvolvimento econômico proporcionado pela empresa. Essa população campesina muitas vezes ergue suas habitações em lotes irregulares nas zonas de preservação ambiental, não asseguradas pela omissão do poder público. Daí provocando danos irreparáveis ao ambiente. Cada vez mais é necessária uma base técnica no ordenamento territorial da zona urbana na medida em que a demanda por moradias e empregos aumentam devida a saída de famílias do campo. O desenvolvimento sustentável, portanto, é um mito no qual se assenta uma ideologia estratégica de mercado, já que gera desigualdade social em contraposição ao lucro capitalista. &lt;br /&gt;A faixa costeira sul da Bahia até o Recôncavo baiano é um exemplo de reestruturação da produção econômica e dos efeitos que esta pode trazer à população local mediante o papel de grandes monopólios industriais e corporações multinacionais ao reger a oferta de mão-de-obra barata à população local, substituindo antigas profissões e transformando a relação capital-trabalho. Essa região, desde a chegada efetiva dos ibéricos, serviu de base à acumulação de capital pela metrópole, durante a fase do capitalismo primitivo, período no qual o Brasil era a mais importante colônia a oferecer especiarias e outras riquezas a Portugal. De fato, a extração do pau-brasil, espécie típica da Mata Atlântica, foi o 1º ciclo econômico do Brasil cujo estado baiano teve grande importância na época. O desmatamento da mata original cedeu lugar às grandes pastagens que se adentraram no interior do estado. Com efeito, também surgiram as culturas de grande relevância econômica ao modelo agroexportador: a cana-de-açúcar, a farinha de mandioca, o fumo e o cacau. Com destaque a estas últimas que serão mais detalhadas durante o texto.&lt;br /&gt; Muitas cidades tiveram origem e se desenvolveram embasadas no beneficiamento e no mercado desses produtos. As riquezas erigidas deles nem sempre beneficiou o camponês ou o cidadão urbano, ao longo do processo histórico de configuração espacial. Com a decadência de ciclos produtivos ficou evidenciado os paradoxos e os conflitos sociais que se apoderaram de muitos municípios da região. Portanto, o desenvolvimento excludente do espaço criou, sobretudo nas cidades medianas e grandes do sul baiano, periferias habitadas por excluídos da produção do capital, sob terríveis problemas de moradia e de salubridade. Mas permaneceram alguns conjuntos elitistas ao lado da organização dos complexos centros comerciais. No campo, com as terras invadidas pelas grandes corporações, o trabalhador rural persuadido a vender a sua propriedade, foi obrigado a se adaptar ao trabalho, às novas profissões provindas da agroindústria e aos postos onerosos de serviços; tornando dependente do capital estrangeiro&lt;br /&gt;Nos arredores do município de Eunapólis, a 62 Km de Porto Seguro, por exemplo, há imensidões verdes de eucalipto que substituíram culturas tradicionais e as últimas reservas de Mata Atlântica. Aliás, no trajeto vindo de Minas Gerais até o município observam-se milhares de hectares com a mesma característica. Em síntese, boa parte das terras férteis do sul da Bahia está ocupada com plantações de eucaliptos.  A fazenda de propriedade do grupo empresarial Veracel em conjunto com o plantio de mudas no viveiro de pesquisa e comercialização da empresa constitui um grande empreendimento nos quais antigos agricultores locais e técnicos agrícolas são contratados como funcionários sob regime de desempenho de produtividade. Essas mudas vão ser exportadas, vendidas ou destinadas à própria empresa no plantio de eucalipto visando principalmente o fabrico de folha de celulose. Não muito longe do local, a Veracel tem instalada uma fábrica de auto-tecnologia para extração da celulose, deixando-a no ponto de comercialização. Nela, além dos operários, trabalham técnicos e profissionais altamente capacitados. Dos restos da matéria orgânica do eucalipto, se obtêm diversas utilidades: serve tanto na compostagem de adubo orgânico quanto na retroalimentação das caldeiras necessárias no processo de fabricação da celulose.&lt;br /&gt;Quem faz uma visita na empresa notará que os funcionários cumprem o protocolo fazendo rasgados elogios para com a empresa; enfocando a responsabilidade ambiental desta no tratamento da água antes de ser devolvida ao rio Jequetinhonha e a mitigação dos dejetos da produção. Entretanto fica evidente o regime trabalhista alienante no qual os funcionários estão submetidos. No viveiro, com a crise econômica mundial de 2009, foram demitidos mais de cem empregados, fato que demonstra a evidente inserção do trabalho na especulação financeira mundial, ou seja, na crise do liberalismo econômico capitalista. O mesmo que oferece pomposas oportunidades de emprego, mas também põe o “terror” pela perca da renda por uma fraca produtividade do funcionário ou da própria empresa.&lt;br /&gt;A Veracel é importante no que diz respeito ao desenvolvimento e na oferta de emprego na região. Mas vale ressaltar o baixo salário pago em comparação com um mesmo profissional numa fábrica semelhante no sudeste, por exemplo. O capital se apropriou dessa perspectiva: muita mão-de-obra barata, um ponto estratégico perto do litoral, produção com diminuição de custos por causa da redução de impostos, movimento sindical desarticulado, entre outras vantagens. Se por um lado o trabalhador recebe treinamento, auxílio e qualificação técnica, por outro a empresa não investe na qualidade de vida do funcionário, submetendo-o a jornadas estafantes, minando cada vez mais o seu horário de lazer. Essa alienação ao trabalho é aplicável pelo empresariado porque o camponês acostumado com a labuta diária do campo, não irá se importar com uma ou mais horas que ele cumpre na empresa. A Veracel pode ganhar “selo verde” e ter um importante papel de gerador de empregos diretos e indiretos nos municípios e cercanias, entretanto, ela esta lá por força do capital estrangeiro e da dinâmica capitalista. O trabalho continua, portanto, se aliar ao grande capital na exploração da mão-de-obra em detrimento do indivíduo e de sua cultura. A mais-valia não só compromete a qualidade de vida do trabalhador, bem como impõe ao indivíduo uma total independência da desvalorização de seu eu social.  O jogo do capital exige essa ação da empresa na medida em que ela convoca as populações locais a se comprometer com uma lógica da qual o funcionário é alheio.&lt;br /&gt;Indo em sentido ao litoral, encontra-se Itabuna, um dos símbolos históricos da opulência e da pompa dos ricos fazendeiros do cacau. A cidade, assim como Ilhéus a poucos quilômetros de distância, foi uma das mais que sofreram com o caos social e o desastre econômico provocados pelo fracasso da agroindústria exportadora de cacau. A falência em massa, das décadas de 80 e 90 do século passado, do mais significante setor econômico na qual comprometeu toda estrutura cacaueira no sul da Bahia, foi uma das crises mais catastróficas ocorridas no país e a maior em termos de prejuízos sócio-estruturais. Ela aconteceu por motivos climáticos (uma seca prolongada), a brusca queda nos preços, a estupenda concorrência com o mercado africano, principalmente o da Costa do Marfim, e o fato mais agravante, a doença vassoura de bruxa, que se disseminou sobre milhares de hectares de plantações de cacau. Causada por um fungo amazônico _ ainda não se sabe ao certo como ele chegou à Bahia _, a doença apodrece os frutos, sendo responsável por uma violenta queda na produtividade e a inviabilidade da safra. A quebra contaminante dos grandes latifúndios comprometeu toda a estrutura sócio-econômica da cidade, bem como afetou toda a lógica da relação capital-trabalho no espaço de Itabuna.&lt;br /&gt;Com aumento demográfico, a falta de oportunidades de emprego e a exclusão sócio-espacial produzida por uma burguesia paternalista decadente mas com poderes políticos e econômicos, produziram-se “espaços de exceção” onde a antiga elite cacaueira e o empresariado consegue manter seus privilégios, o status quo e parte do bem-estar social desfrutados antes. São bairros localizados no centro da cidade no qual existem um shopping center e uma ampla rede de comércios. Em outra perspectiva contraditória, há um avançado processo de favelização e degradação infra-estrutural da periferia onde habitam levas de exércitos de reservas de mão-de-obra; uma população exaurida de renda sem acesso a um programa de moradia adequado que é obrigada a ocupar zonas impróprias e ilegais nas margens do rio Cachoeira. Este totalmente comprometido pelo alto índice de poluição de suas águas, chegando a exalar mau cheiro na cidade.&lt;br /&gt; É um absurdo como sucessivos governos permitiram tal nível de contaminação por resíduos químicos despejados por diversas fábricas da região, esgoto e lixo ao longo do rio. As estações de tratamentos de água e o sistema de esgotamento sanitário evidenciam enormes deficiências. De longe a gente enxerga colônias de algas na superfície. Isso são sinais de falta de oxigênio e de presença de substâncias nocivas provando a péssima qualidade da água do rio, sobretudo no trecho que corta a cidade. Residências precárias sobre áreas de risco de enchente e desmoronamento de encostas são vistas nas margens. Os impactos ambientais são incalculáveis e ameaçam seriamente a qualidade de vida da população.&lt;br /&gt;Mas Itabuna está aprendendo a se reorganizar em sua rede de comércios e circulação do capital. O trabalho antes ocupado em maior parte no setor secundário da produção industrial agro-exportador de cacau, agora se concentra na circulação comercial e nos pequenos pólos de instalações fabris. Bairros operários crescem em torno de fábricas de marcas famosas como a Penalty e a Trifil. A especulação imobiliária dita a concentração residencial em torno do capital e das zonas mais valorizadas pelo o aprimoramento da malha urbana e do poder de compra e renda. Além disso, a cidade não perdeu a sua tradição cacaueira: ainda restam cooperativas e beneficiadoras de cacau. A relação capital-trabalho da cidade flui intensamente numa rede complexa de lojas, escritórios e estabelecimentos comerciais onde inúmeras pessoas transitam nas ruas, contracenando com uma gama de ambulantes. Eles são trabalhadores excluídos do mercado formal de emprego, ou seja, vivem sem vínculo empregatício por não encontrarem oportunidades no arranjo espacial do capital e do trabalho, amplamente constituído pelo o comércio sob influência do desenvolvimento do consumo neoliberal.&lt;br /&gt;Outra importância de Itabuna, além das redes de agências de turismo, também consiste em ser um ponto de compra de mantimentos por turistas que se dirigem ao litoral desértico, na cidade próxima de Ilhéus. Esta também sofreu os catastróficos efeitos da crise do cacau, mas contêm uma dinâmica diferente do interior proporcionada por suas paisagens litorâneas paradisíacas, as quais são bastante atrativas aos turistas de outros estados brasileiros e de estrangeiros. Cercada por praias com coqueiros e vilas de pescadores, torna-se, portanto, um roteiro de férias muito cobiçado no verão e no fim de ano. Ilheús pode abraçar o turismo e redirecionar o seu comércio compondo uma boa rede hoteleira e lojas específicas para satisfazer os clientes de grande potencial de compra. A cultura histórica do cacau ainda é possível ser observada em fábricas artesanais de chocolate, produto final do fruto muito difundido pela gigante suíça Nèstle, grande compradora do cacau brasileiro em sua época áurea na qual Ilhéus tinha grande importância como cidade produtora e portuária de exportação. &lt;br /&gt;Com características semelhantes, Itacaré um pouco mais acima, ainda situada na denominada Costa do Cacau, é um importante pólo do turismo brasileiro. Em grandes temporadas, a pequena cidade abriga milhares de pessoas, atiçando a economia da cidade de tradição pesqueira. Porém o município carece de infra-estrutura adequada destinada a acolher os turistas. O pior: a grande fatura da rede hoteleira, das pousadas e dos produtores de eventos não auxiliam em nada nos políticas públicas destinadas às comunidades nativas. Composta por uma maioria afro-descendente, Itacaré não consegue absorver os frutos do capital e do desenvolvimento econômico oriundos do turismo, salvo a pequena elite empresarial formada por estrangeiros e investidores de outros estados.&lt;br /&gt;No clima de expropriação da cultura nativa, da exploração do turismo sexual dos jovens afro-descendentes, da exclusão social e econômica do turismo surge, em 1987, a ONG Casa do Boneco liderada por Antônio Jorge de Jesus (Jorge Rasta). A entidade é uma associação atuante no âmbito da educação, cultura e arte com o objetivo de resgatar e reafirmar a identidade negra, indígena e afro-descendente; focalizando, sobretudo, a auto-estima da juventude e a valorização sócio-cultural da matriz africana das comunidades. Ela promove espetáculo de danças folclóricas, afro-indígenas, capoeiras, teatros, oficinas de artesanatos, reciclagem e outras atividades. A ONG conta ainda com uma fazenda modelo _ Fazenda Quilombola_ na qual os integrantes cultivam hortas comunitárias e se reúnem num modo de vida próprio e eclético no intuito de fortalecer os aspectos humanos. Lá os visitantes recebidos com cortesia ouvem o discurso eloquente e crítico de Jorge a respeito do mercado do turismo do qual não se extrai benefícios às comunidades locais.&lt;br /&gt;Jorge acusa os promotores de eventos de manipular e taxar a renda e o preço dos ingressos dos shows e apresentações culturais da ONG. Segundo Jorge, esses empresários angariavam dezenas de turistas e se apropriavam da maior parte do dinheiro das entradas, prejudicando a entidade ao usurpar a maior parte os recursos financeiros. Ele conta que cortou todas as relações com os empresários e agora a entidade promove os seus próprios eventos, continuando a atrair o público. Esse é um exemplo de como a indústria do turismo age maximizando os lucros desrespeitando as culturas e os costumes locais.&lt;br /&gt;Seguindo a BR 101 rumo a São Felix, encontra-se um lucrativo agronegócio de exportação de grande valor: a fábrica de charutos refinados Dannemann vendidos a peso de ouro na Europa. Fundada pelo alemão Geraldo Dannemann em 1873, com apenas 6 funcionários, é a mais antiga fábrica de charutos do Brasil e a maior do país. Pertencente ao Grupo suíço Burger desde 1976, ela possui instalações na Indonésia e em diversos países. A herdade situada na margem da Represa Pedra do Cavalo, no rio Paraguaçu, possui milhares de hectares de fumo sob rigoroso sistema informatizado de controle de pragas. Todos os processos de monitoramento climático, pedológico e químico estão submetidos às mais sofisticadas e modernas tecnologias agrícolas. O latifúndio conta ainda com mais de 200 cabeças de gado com a função de puxar o arado e equalizar o crescimento do capim nos lotes cercados de descanso do solo; tudo isso para garantir a integridade e a qualidade unívoca das folhas de fumo. O engenheiro agrônomo da fazenda revelou que o maior desafio do conglomerado é manter a homogeneidade do charuto, pois esta é um dos elementos que garante a existência da marca perante os consumidores europeus. Inclusive a escolha do terreno foi minuciosamente planejada. De fato, o lugar é uma estreita faixa nas quais predominam condições quase únicas de solo e clima, ideal para o sucesso do negócio milionário.&lt;br /&gt;A Dannemann possui um museu cultural em São Felix dentro do qual trabalham um pequeno grupo de mulheres _ assim como no começo da fábrica_ na confecção final dos charutos que irão custar mais ou menos 800 dólares, dependendo do tipo. O serviço exige zelo, habilidade e carinho, características das quais as mulheres se sobressaem, conforme defende o gerente da linha de produção final. Outra atividade promovida pela empresa é um programa voluntário de reflorestamento da Mata Atlântica, segundo afirma o gerente geral da fazenda. Seja como for, a empresa busca responsabilidade ambiental não abrindo mão de esforços na diminuição do uso de pesticidas e agrotóxicos. Nos compartimentos da fábrica de tratamento das folhas, o processo orgânico destaca-se, bem como no manejo da adubagem do solo. Até porque os europeus são os mais exigentes nessas questões ambientais e certificados de excelência “verde” nos produtos que consumem. Essa realidade é o que importa para conquistar o mercado e alta lucratividade. Entretanto, os funcionários da fazenda, estão sujeitos às condições insalubres e nem ao menos oferecem almoço a eles. Igualmente à política da Veracel em Eunapólis, os trabalhadores foram desapropriados das terras e expostos a um regime capitalista alienante.&lt;br /&gt;O sul da Bahia se organiza impulsionado pelo capital estrangeiro, em sua maior parte. Empresas de mineração, confecção e montagem de automóveis, por exemplo, estão modificando o território e mexendo profundamente com identidade espaço-temporal no qual as tradições socioculturais das comunidades estão convivendo com um crescimento econômico excludente e indiferente às dinâmicas sociais. São poucos os que participam efetivamente dos lucros propagados pela empresas, e até mesmo os municípios dos quais originam mão-de-obra não conseguem aspirar benefícios da reorganização da atividade econômica. Muitas vezes, a política da região é dominada por uma elite que não cede às prerrogativas problemáticas dos grupos sociais. O que abre caminho para especulação imobiliária na comercialização de lotes irregulares, os únicos acessíveis à população de baixa renda que via no cacau a sua sobrevivência. Assim aconteceu com boa parte dos moradores de Itabuna. Nas outras cidades citadas neste texto não são muito diferentes.&lt;br /&gt;A Dannemann é uma empresa tradicional com centenas de funcionários. As mulheres do beneficiamento final de charutos trabalham em melhores condições dos que os demais da fazenda, na fábrica. Na Veracel o capital-trabalho apóia-se numa estrutura deprimente na qual o valor do trabalho está condicionado na responsabilidade do indivíduo com a produtividade, não com inovações no aprimoramento da empresa; o que vale é os seus braços e a sua rapidez técnica, enquanto a experiência intelectual do indivíduo está sujeita a desconsideração completa. Não há mobilidade e tampouco ascensão profissional. Aliás, na fábrica da Dannemann também consiste no mesmo quadro. Não devemos esquecer, contudo, os milhares de postos de trabalho ofertados às famílias pelas empresas e a importância delas no incremento da economia da região, bem como a manutenção da rede de comércios encadeada pelo turismo em Ilhéus e Itacaré.&lt;br /&gt;O desenvolvimento capitalista cruel e a globalização perversa_ nos termos de Milton Santos_ conquistam os territórios e poucos são os grupos que conseguem se inserir no mercado altamente competitivo e tecnicista informacional. Não há nenhum milagre acontecendo nessas localidades, como quer abarcar o discurso político eleitoreiro. O que há são comunidades feridas em suas identidades sociais e em seu orgulho em detrimento de uma realidade econômica na qual eles não fazem parte e nem ao menos recebem auxílio público a fim de viverem com uma melhor qualidade de vida e dignidade. Não se ver nesses municípios construção públicas de universidades, hospitais, áreas de lazer e outros benefícios que o capital e o lucro podem proporcionar. Afinal ninguém pode ser tratado como máquina ou um simples bem de capital utilizado ao bel prazer do empresariado. Aonde vai o dinheiro excedente que deveria servir aos investimentos públicos municipais? Milhares de hectares de eucalipto a se perder de vista são plantados; gigantescas lavouras de fumo também tomam terras que poderiam ser utilizadas para a agricultura familiar e pela reforma agrária, incentivando com isso a produção de alimentos. O discurso de desenvolvimento sustentável está baseado numa utopia capitalista onde o lucro se alia ao trabalho sem trazer prejuízos sociais. Basta observar esses municípios baianos com problemas de distribuição de renda e infra-estrutura semelhantes aos que assolam grandes metrópoles brasileiras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-3573166776553858310?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/3573166776553858310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=3573166776553858310' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/3573166776553858310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/3573166776553858310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/02/relacao-capital-trabalho-no-sul-da.html' title='Relação Capital -Trabalho no sul da Bahia'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-8020476749580884112</id><published>2010-02-15T10:51:00.000-08:00</published><updated>2010-02-15T12:58:40.904-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Poesia</title><content type='html'>DEFRONTE AO MAR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagando mirei o nascente na espera&lt;br /&gt;De enxergar além do mágico horizonte.&lt;br /&gt;Não havia lágrimas, só o mar defronte&lt;br /&gt;E uma emoção rebelde que vocifera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo gozo no qual eu não propusera&lt;br /&gt;A felonia dorida do eu fugidio e bionte.&lt;br /&gt;Pois este se passa por Belorofonte&lt;br /&gt;E assassina o último Quimera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então se torno filho de Netuno.&lt;br /&gt;Daí vem as ondas do mar gatuno&lt;br /&gt;E tomam os pingos do amor tirano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carrego um homem desfeito em areia&lt;br /&gt;Sem saber que o hoje lhe norteia&lt;br /&gt;No ecúmeno e desconhecido oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-8020476749580884112?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/8020476749580884112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=8020476749580884112' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8020476749580884112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8020476749580884112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2010/02/poesia.html' title='Poesia'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-8689832446867837010</id><published>2009-12-29T06:05:00.000-08:00</published><updated>2010-07-18T12:52:13.520-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Poesias 4ª Parte</title><content type='html'>BEIJA-FLOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde com tempo seco e quente,&lt;br /&gt;Depois de tantos dias da estação chuvosa,&lt;br /&gt;Eu era no jardim, a derradeira rosa&lt;br /&gt;Que esperava a beija-flor sempre ausente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primavera era a dilacerante dor latente.&lt;br /&gt;Eu tinha o eflúvio da flor mais cheirosa.&lt;br /&gt;Esta ave ingrata, por ser tão vaidosa,&lt;br /&gt;Roubou-me o que ganhei como presente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu as asas levando meu carinho.&lt;br /&gt;Largou-me ao acaso, para murchar sozinho,&lt;br /&gt;Neste triste, árido e desolado jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva veio; menos a beija-flor peregrina...&lt;br /&gt;Foi talvez devorada por uma ave de rapina&lt;br /&gt;Ou apenas não quer mais saber de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tempo ruim é quando esta chovendo...&lt;br /&gt;Mas os matagais adustos são tão feios!&lt;br /&gt;Deixam um deserto estéril e horrendo:&lt;br /&gt;Arroios sem murmúrio e aves sem gorjeios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belo é ver na noite pequenos pirilampos&lt;br /&gt;Ao invés das luzes laranjadas dos brasidos&lt;br /&gt;Dos fogaréus que abraçam os campos&lt;br /&gt;Deixando cinzas dos verdes consumidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As lágrimas, que a terra aproveita,&lt;br /&gt;São de alegria da frondosa colheita,&lt;br /&gt;_A chuva que aos poucos vai diminuindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fruto doce recebe a boca com gana;&lt;br /&gt;A terra fecunda ganha a mão insana,&lt;br /&gt;Por isso o homem está se extinguindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MEU MARACUJAZEIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu maracujazeiro espelha minha cela,&lt;br /&gt;Nas tardes primaveris, aonde reluto&lt;br /&gt;Nas lágrimas que resvalam pelo irresoluto&lt;br /&gt;Formando em meu jardim uma aquarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se agarra na latada de varela,&lt;br /&gt;Que eu fiz, para não tombar sem fruto.&lt;br /&gt;Sua sombra me serve como reduto,&lt;br /&gt;E para o vento sobra a folha amarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero sentir os eflúvios de suas flores.&lt;br /&gt;Talvez para recordar dos meus amores&lt;br /&gt;Ou da dúvida cruel, tirana fustigante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num último suspiro deste jovem caduco,&lt;br /&gt;Vou fazer dos maracujás, um barril de suco,&lt;br /&gt;Para ver se acalma meu ser agonizante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AUTO-ANÁLISE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me deito num imaginário divã,&lt;br /&gt;A auto-análise perfura a maciça crosta.&lt;br /&gt;Logo penetro na realidade proposta&lt;br /&gt;Por uma razão sem passado e amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas existe orgulho, a paixão e o afã&lt;br /&gt;_A sobrevivência humana imposta &lt;br /&gt;Pelo o caos pétreo da volúpia que gosta&lt;br /&gt;Da desordem onde emergiu o Leviatã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso o que importa, não é a alegria. &lt;br /&gt;Se o que me mantém vivo é essa agonia&lt;br /&gt;De apreciar a certeza que nada sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai indivíduo vontade e dê as coordenadas.&lt;br /&gt;Traga-me todo dia um milhão de estradas... &lt;br /&gt;Mas quero saber para aonde vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEGUNDA-FEIRA MALDITA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia medonho, esta segunda feira maldita.&lt;br /&gt;Pareço acordado e perdido; meio confuso.&lt;br /&gt;Alegria nefasta, sentimento intruso,&lt;br /&gt;Na incerteza que já não me excita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando num mundo onde a alma não transita.&lt;br /&gt;Não quero viver no ermo atro e profuso&lt;br /&gt;Moldado pela força volitiva que recuso&lt;br /&gt;A fim de não o ser o que não se acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu universo já não é tão mecânico,&lt;br /&gt;E sua singularidade me deixa em pânico...&lt;br /&gt;Rejeito a ilusão na qual se desfigura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A percepção que logo tem limite.&lt;br /&gt;Vejo-me desconhecido pelo infeliz palpite:&lt;br /&gt;Que sou uma simples e pequena criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEUS E HUMANIDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre olvido o deus que me reprime,&lt;br /&gt;Querendo que eu acredite em sua crença,&lt;br /&gt;Pois ele próprio é a expressão de ofensa&lt;br /&gt;Contra o seu suposto universo sublime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio em um ditador sem regime&lt;br /&gt;Que julga, maquina e impõe sentença.&lt;br /&gt;Não há uma mente onipotente infensa...&lt;br /&gt;E um ser a pagar por um ignorado crime?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse discurso não muda nada no planeta.&lt;br /&gt;Esse deus é apenas a cópia da faceta&lt;br /&gt;Da humanidade desgraçada na penúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro uma natureza sem personalidade.&lt;br /&gt;Não creio que exista qualquer entidade...&lt;br /&gt;A busca do saber é minha fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As tardes dominicais e primaveris&lt;br /&gt;São cheias de saudades e desamores.&lt;br /&gt;No meio da frondosa estação das flores,&lt;br /&gt;Os ares e as paisagens são hostis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim estabeleci uma diretriz,&lt;br /&gt;Em desacordo com o jardim sem cores&lt;br /&gt;E com perfume da morte, arcanos olores:&lt;br /&gt;Que estão nas formas que eu sempre quis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não viver o velho ao invés do novo...&lt;br /&gt;Reconheço que sou a casca do ovo&lt;br /&gt;No qual eclodiu a águia voando incréu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta águia viveu na primavera do agosto&lt;br /&gt;E morreu no verão chuvoso do rosto;&lt;br /&gt;Afogado nas lágrimas jorrando ao léu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manhã triste do inflacionário desalento;&lt;br /&gt;Entre ânsias mortas, nada não estimula.&lt;br /&gt;Se há um paradigma hermético que circula&lt;br /&gt;As ânsias insaciáveis do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a visão limitada em entorpecimento&lt;br /&gt;Que, no vago intuitivo do infinito, pulula.&lt;br /&gt;Se o universo de possibilidades se anula&lt;br /&gt;No desengano de certezas e entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o beijo é o oposto do escarro...&lt;br /&gt;Na própria condição humana eu esbarro_&lt;br /&gt;Esse é o limite do devir da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então prefiro a incógnita desconcertante &lt;br /&gt;Ao invés de beijar a realidade implicante&lt;br /&gt;Onde a paixão sempre deve obediência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O LOUCO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um louco preso em seu quarto de abandono&lt;br /&gt;Perambulando pelas urbanas paisagens.&lt;br /&gt;Entre as alamedas, pisando as folhagens&lt;br /&gt;Oriundas de seu eterno outono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua alma desconexa de seu dono.&lt;br /&gt;Seu cérebro não conecta às mensagens,&lt;br /&gt;Pois vive em psicodélicas viagens&lt;br /&gt;Perscrutando a terra onde ele era colono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos lá não havia qualquer parede.&lt;br /&gt;Hoje sofre as injurias: frio, fome e sede.&lt;br /&gt;E para piorar, ainda tem a loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não anda perambulando pela pista,&lt;br /&gt;Pois sabe que a razão com o infinito à vista&lt;br /&gt;Pode carregar uma cruel desventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CISMAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes me vejo num abrigo suspenso.&lt;br /&gt;Então busco o espaço transcendental&lt;br /&gt;Fora da curvatura espaço-temporal;&lt;br /&gt;Na incerteza a que mundo eu pertenço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então não há nenhum ponto suspenso,&lt;br /&gt;Apenas uma realidade extra-sensorial&lt;br /&gt;Que não pertence ao paradigma racional;&lt;br /&gt;Mas é a localidade dum arcano consenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-me num louco e inibitório paradoxo,&lt;br /&gt;E para não ser um cético ortodoxo,&lt;br /&gt;Creio que a natureza tem certa elegância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto rejeito o universo romântico&lt;br /&gt;Que une consciência e modelo quântico&lt;br /&gt;Sob a égide da humana arrogância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALABASTRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre feras algozes e pensamentos vis,&lt;br /&gt;Alabastro insiste em se manter vivo.&lt;br /&gt;Sobre a influência de um gene recessivo&lt;br /&gt;Renuncia a busca de ser um rapaz feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada um carrega a sua emoção motriz.&lt;br /&gt;O ódio, o vitupério ou o bem relativo&lt;br /&gt;Ou a paixão volátil, amor subversivo,&lt;br /&gt;Enfim, o eu com o mundo se contradiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai pelo subúrbio atro o pobre Alabastro.&lt;br /&gt;Esperando aparecer no horizonte um astro&lt;br /&gt;Que tenha luz própria e não a penumbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurando o motivo que traga outra ótica,&lt;br /&gt;Longe de uma ordem horrivelmente caótica&lt;br /&gt;Onde nenhuma perspectiva se vislumbra...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MEMÓRIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memórias vêm como esta chuva pesada&lt;br /&gt;Caindo granizo, essas pedrinhas de gelo.&lt;br /&gt;No céu da saudade, atendendo ao apelo,&lt;br /&gt;Dum peregrino vagando no rumo do nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem rumo certo visando alguma estrada.&lt;br /&gt;O passado... Não dar para descrevê-lo.&lt;br /&gt;Se o homem é inútil diante do modelo&lt;br /&gt;De tempo, de vida, de realidade bifurcada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memórias são desilusões de um romance&lt;br /&gt;Duma vida que nunca chega ao alcance&lt;br /&gt;Do que se espera da existência insignificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São vitórias que não merecem o pódio.&lt;br /&gt;Pois disfarça no presente o sôfrego episódio&lt;br /&gt;Dum amor para sempre perseverante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTRADIÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje vejo um deus, sinto sua presença.&lt;br /&gt;Não me reprimo, mas sim me refaço...&lt;br /&gt;Na auto-replicância subatômica do espaço,&lt;br /&gt;Pois sou este deus; sou minha crença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No multidimensionalismo, a aura densa,&lt;br /&gt;Que precipita sobre mim como um mormaço&lt;br /&gt;Das angústias que vêm passo a passo&lt;br /&gt;No intuito de aplicar a auto-sentença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero fugir sem destino, certeza ou objetivo.&lt;br /&gt;Mas quero crer nesse algo e me manter vivo;&lt;br /&gt;Mergulhar meus horizontes no desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas alusões de panoramas em confronto.&lt;br /&gt;Nego a realidade, para não cambalear tonto,&lt;br /&gt;Com o racionalismo cético perecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAUDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade traz emoções pelo caminho.&lt;br /&gt;Transformando-as numa troca constante&lt;br /&gt;De pranto e riso, de algum lugar distante&lt;br /&gt;Do ser se despedaçando, findando sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se uma ave volta sempre ao seu ninho;&lt;br /&gt;A saudade também volta de algum instante,&lt;br /&gt;Pois sabe sua origem, mesmo voando errante,&lt;br /&gt;Nas infrenes reviravoltas de um redemoinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem pelo mar da tristeza navegando&lt;br /&gt;Pelo vento alísio, ao porto chegando&lt;br /&gt;A mercê das ondas ou no barlavento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou chega pela terra da solidão no vagueio&lt;br /&gt;Duma carruagem sem destino e freio&lt;br /&gt;Dirigida por um homem em sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONHOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero levar meus sonhos para o infinito.&lt;br /&gt;Há muitos cegos pelas luzes dos esplendores.&lt;br /&gt;Neste mundo contentam-se com os horrores,&lt;br /&gt;Pois ainda há preconceito de raça e rito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns disfarçam sua face em conflito&lt;br /&gt;Ou perseguindo seus íntimos rancores.&lt;br /&gt;Enquanto bocas buscam os mesmos sabores,&lt;br /&gt;Eu busco o sabor amargo da vida no intuito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De coexistir numa nova consciência,&lt;br /&gt;Na vibração cósmica da transcendência&lt;br /&gt;Longe das razões dessa maldita era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois os sonhos são as asas da Vontade;&lt;br /&gt;Por isso devem ser fortes na eternidade,&lt;br /&gt;E não se despedaçarem na atroposfera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENTE FICTÍCIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanto tempo, eu mudei de endereço...&lt;br /&gt;Tantos meses idos... Nenhuma rosa por perto.&lt;br /&gt;Mas há um imenso e indizível deserto,&lt;br /&gt;Se a solidão, na soledade, desconheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha flor brotou e murchou sem apreço.&lt;br /&gt;O término de um ocaso é poente incerto&lt;br /&gt;No íntimo do ente real não descoberto&lt;br /&gt;Onde nenhum amor eu já não ofereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sou um grão de pólen nos jardins,&lt;br /&gt;Na boca do colibri, que me joga aos confins&lt;br /&gt;De outra terra; de outras tardes primaveris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento entender o sentido das intempéries,&lt;br /&gt;No ente fictício, na metafísica das séries&lt;br /&gt;De coisas e acontecimentos hostis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BATALHAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim de longe, vivenciando epopéias.&lt;br /&gt;Através de batalhas ganhas e perdidas.&lt;br /&gt;Às vezes mereci o castigo de Midas,&lt;br /&gt;Mas sempre enfrentei bandos e alcatéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugi de minha cidade, assim como Enéias,&lt;br /&gt;Para triunfar em outras terras esquecidas.&lt;br /&gt;Deixei o campo de batalha com feridas,&lt;br /&gt;Que talvez sejam a causa de novas idéias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, daquelas trágicas guerras púnicas,&lt;br /&gt;Restaram ruínas, e das sagradas túnicas,&lt;br /&gt;Não restaram, nem mesmo, os retalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o conhecimento de quem sou eu,&lt;br /&gt;Naufragou meu heroísmo no mar Egeu;&lt;br /&gt;Sucumbi em meio aos doze trabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano a chuva foi embora mais cedo,&lt;br /&gt;Antecipando a chegada da extrema secura.&lt;br /&gt;No meu pé já se abre a eterna rachadura&lt;br /&gt;E na terra começa secar o arvoredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou o homem-mundo, metido num enredo,&lt;br /&gt;Carrego mil peripécias, numa só aventura.&lt;br /&gt;Se o instinto livra do caminho da sepultura,&lt;br /&gt;A razão quer sempre descobrir o segredo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da vibração da realidade inconteste,&lt;br /&gt;Que trespassa a rotação da esfera celeste;&lt;br /&gt;Faz-me sorrir e chorar. Viver a vida plena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero sempre a experiência dum senil,&lt;br /&gt;Mas sempre com um espírito juvenil...&lt;br /&gt;Digladiar e sempre sobreviver na arena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÁUFRAGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é bonito o vôo suave da gaivota!&lt;br /&gt;Mas ela parece um urubu dos mares...&lt;br /&gt;Dizem que ela devora, os globos oculares,&lt;br /&gt;Dos defuntos que morrem em alguma rota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um náufrago que vive numa ilhota.&lt;br /&gt;Sozinho na praia, chorando seus pesares.&lt;br /&gt;Diante do mar temido, que já levou milhares&lt;br /&gt;De embarcações, até toda uma frota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou num furado bote salva-vidas.&lt;br /&gt;Apenas tem mapas de localizações perdidas&lt;br /&gt;Em meio ao oceano dantesco e tempestuoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avistou pedaços de outros naufrágios,&lt;br /&gt;Pois é o mar da vida, cheio de presságios&lt;br /&gt;E um saldo de mortes assombroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÂNSIAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci. De início dormitei na infância;&lt;br /&gt;Depois acordei em agonias juvenis.&lt;br /&gt;Vi-me, preso ao mundo de repugnância&lt;br /&gt;E desejos degradantes e sentimentos vis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois senti no peito estranha ânsia...&lt;br /&gt;Queria fazer alguma coisa pelo meu país.&lt;br /&gt;Mas a vida mostrou-se uma vã discrepância.&lt;br /&gt;Desde daquele dia nunca mais fui feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é jovem, nunca se sente satisfeito.&lt;br /&gt;Hoje, moldado pela dor dum amor desfeito,&lt;br /&gt;A vida é inclusa numa espécie anômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade humana é fantasmagórica;&lt;br /&gt;E a felicidade é uma lenda alegórica,&lt;br /&gt;Pois não pertencem à estrutura atômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é oriundo de catástrofes estelares,&lt;br /&gt;Para engendrar numa cadeia carbônica.&lt;br /&gt;Sua consciência na distribuição eletrônica,&lt;br /&gt;Talvez seja do mesmo principio dos quasares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrando o tempo, em dimensões bilenares;&lt;br /&gt;Da partícula germe, na matéria não-baraônica,&lt;br /&gt;A mesma que se conserva na ligação iônica;&lt;br /&gt;Nos buracos negros, radiogaláxias e pulsares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o universo inflacionário e plano,&lt;br /&gt;Explodiu a razão, possibilitando o ser humano&lt;br /&gt;A emergir na dor da existência planetária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma força que excita o magnetismo,&lt;br /&gt;É ela também que rege o antropocentrismo,&lt;br /&gt;Pois não há o um ente de criação imaginária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HOMEM&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o homem conheceu a agricultura&lt;br /&gt;Deixou a vida nômade, a pesca e a caça.&lt;br /&gt;Hoje no mundo, o homem se entrelaça,&lt;br /&gt;Depois duma sôfrega e longa aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na aurora da sociedade nasce sua figura.&lt;br /&gt;Na dor do aspecto que se despedaça&lt;br /&gt;Por pressentir o declínio de sua raça...&lt;br /&gt;É difícil abraçar apenas uma cultura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de milênios, o segredo se desvenda:&lt;br /&gt;É toda trajetória mitológica duma lenda... &lt;br /&gt;Lutando com inimigo, Ravana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre homem que ainda comete genocídio.&lt;br /&gt;Volte ao passado para ser hominídeo,&lt;br /&gt;E busque a sua identidade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CARNÍVERO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem garçom, traga com gentileza,&lt;br /&gt;O prato do dia com churrasco.&lt;br /&gt;Vejo o sangue e a gordura, sinto asco,&lt;br /&gt;Mas o estômago pede, e a mão vai à mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou com gana do instinto de defesa&lt;br /&gt;Devorando os ossos, até o último tasco.&lt;br /&gt;Minha fome igual ao do verme carrasco&lt;br /&gt;No corpo putrefato, voltando a Natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se meu antepassado tinha a atitude&lt;br /&gt;De devorar a carne e as vísceras do mamute;&lt;br /&gt;Deixou-me este ato como herança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois ainda como o porco, o frango e o gado.&lt;br /&gt;Se só há pouco tempo, eu fui civilizado...&lt;br /&gt;Por tudo isso ainda há intemperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje secamente me despedaço sozinho,&lt;br /&gt;Estou sobre o atro fúnebre do cadafalso&lt;br /&gt;Para compreender as agruras, o percalço,&lt;br /&gt;Essa penumbra do ente irreal vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo vejo outro dia; o novo caminho.&lt;br /&gt;Buscando discernir o verdadeiro e o falso.&lt;br /&gt;O tempo é um jardineiro no encalço&lt;br /&gt;Trazendo em suas mãos um ancinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é dedicado na limpeza do canteiro&lt;br /&gt;Onde nasceu um espírito aventureiro&lt;br /&gt;Desejando vigor da estética verdejante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem o ancinho que me desfragmenta,&lt;br /&gt;Num todo de partes que alimenta&lt;br /&gt;As chamas de uma coivara flamejante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RECOMPOSIÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um ano finda sem reconhecer a vida.&lt;br /&gt;É! Meu amigo, pergunte-me se teve glória...&lt;br /&gt;Um mundo nasceu na voraz volúpia sensória&lt;br /&gt;Do autor que o destruiu na dor ressequida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos lábios tiritantes na gélida despedida,&lt;br /&gt;Onde o deleite transborda na memória&lt;br /&gt;E a angústia oculta a paixão satisfatória,&lt;br /&gt;Que traz apenas a alegria inócua repelida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das trevas nas quais cada destroço remói&lt;br /&gt;Buscando a forma, que de novo se destrói&lt;br /&gt;Pra recompor o já recomposto sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho mais amargo é o da saudade.&lt;br /&gt;Serve ao velho sem anseio, sem veleidade;&lt;br /&gt;Porque a solidão sempre chega sem aviso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou seguindo o pragmatismo sensorial,&lt;br /&gt;Dependente duma contextura difusa&lt;br /&gt;No modelo humano, na visão reclusa, &lt;br /&gt;Baseada no simples ângulo setentrional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento livrar-se da condensação material,&lt;br /&gt;Mas ainda tenho a relatividade meio obtusa.&lt;br /&gt;Pois a mesma razão demonstra-se confusa&lt;br /&gt;Na indivisibilidade da energia universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria saber o segredo da energia escura&lt;br /&gt;Que pode explicar o que porventura&lt;br /&gt;Ocasionou a flutuação das partículas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria entender o vácuo pré-existente&lt;br /&gt;E até se tudo foi projetado por um ente...&lt;br /&gt;Responder a todas as teorias ridículas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IMPÉRIOS E CONQUISTAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cismas e presságios num país latino&lt;br /&gt;Subjugado por desejos duma nova conquista&lt;br /&gt;Na guerra global, que vejo agora revista&lt;br /&gt;Nas campanhas de Balduíno e Saladino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caiu o Império Romano; depois o Bizantino&lt;br /&gt;E a igreja medieval funesta e dogmatista.&lt;br /&gt;Vejo-me impulsionado pela febre egoísta&lt;br /&gt;Duma nação cumprindo o mesmo destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Alexandre, o grande da Macedônia,&lt;br /&gt;Tomou cidades, e morreu na Babilônia...&lt;br /&gt;Agora vejo as velhas cruzadas modernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma das conquistas mongóis.&lt;br /&gt;Hoje são conquistas de estúpidos heróis;&lt;br /&gt;Feitas pelos mesmos homens das cavernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUBCONSCIENTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto das exalações do subconsciente_&lt;br /&gt;A hipnose turbulenta no cerebelo_&lt;br /&gt;Sinto uma estanha vontade de comê-lo, &lt;br /&gt;Se ele é a maça de um paraíso decadente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse fruto pode me expulsar do presente&lt;br /&gt;Onde há um monstro sem pena e desvelo.&lt;br /&gt;Um dia pasmei, quando desejei sê-lo,&lt;br /&gt;Mas isso é uma emoção intermitente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O subconsciente sob sombras de pesares,&lt;br /&gt;Demonstrou-se ser regido por vagares_&lt;br /&gt;A instabilidade de natureza exótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai subconsciente, sub-grau da feiúra;&lt;br /&gt;Deixe-me só no submundo da loucura;&lt;br /&gt;Longe da imolável sensação hipnótica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEMBRANÇAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero uma coisa que revigora,&lt;br /&gt;Minha lembrança num poema bucólico.&lt;br /&gt;Não era oriundo dum torpor alcoólico,&lt;br /&gt;Mas eram versos madrigais de outrora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há alegria, mas ela não incorpora&lt;br /&gt;Na perspectiva do turbilhão eólico&lt;br /&gt;Ou simplesmente no presente simbólico&lt;br /&gt;Que breve existe, mas logo se deteriora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a humana a memória se restringe&lt;br /&gt;Ao enigma indecifrável do “ser” esfinge&lt;br /&gt;Que prega o desengano numa charada... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as cinzas da gnose se acumulam&lt;br /&gt;E esvaecem nas lembranças que ululam&lt;br /&gt;No ecúmeno da paixão devastada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O JUÍZO EMOTIVO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luto contra o horizonte no qual determina&lt;br /&gt;A noética circunferência que não alcanço. &lt;br /&gt;Espírito arcano, discordante do avanço&lt;br /&gt;Da sapiência insaciável e peregrina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em busca da cega percepção sibilina...&lt;br /&gt;Então acordo o demônio de seu descanso.&lt;br /&gt;Ele prefere as objeções, e não o remanso&lt;br /&gt;De não se saber de onde a lágrima mina &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas veredas dos olhos intransponíveis.&lt;br /&gt;Estes vêem das hierarquias aos subníveis&lt;br /&gt;Do clero emotivo, que hoje apedreja...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como foi com Giordano Bruno&lt;br /&gt;E sua obra, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;De la causa&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;principio e uno&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;Sou condenado por minha própria igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIDA DE SOSSEGO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje deixo a vida seguir o seu curso para&lt;br /&gt;Àquele lugar de sossego _lacustre cabana_&lt;br /&gt;Situado depois da colina, na transmontana&lt;br /&gt;Campina de quietude que eu buscara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor sempre enfrentada cara a cara.&lt;br /&gt;Há lágrimas que amenizam a sede insana,&lt;br /&gt;Apagam rastros duma sôfrega caravana&lt;br /&gt;Viajando igual a dos tuaregues do Saara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje há um oásis desconhecido a frente.&lt;br /&gt;Sigo queimando os pés na areia quente;&lt;br /&gt;Sinto que a tempestade de areia é a vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois as lágrimas formam a miragem.&lt;br /&gt;E cada grão é o fragmento da paisagem&lt;br /&gt;E o homem é a jornada mal sucedida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÁSSARO DE PEDRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pássaro de pedra, de vôo fortuito,&lt;br /&gt;Não deixe o seu canto ecoar na falésia.&lt;br /&gt;Se não entende a própria Geodésia&lt;br /&gt;Que originou sua estrutura de arenito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pássaro de areia; grãos ao infinito&lt;br /&gt;Forma abiótica, diferente da monésia.&lt;br /&gt;Rejeita a intuição; prefere amnésia.&lt;br /&gt;Prefere esquecer e viver circunscrito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu corpo não é de rocha magmática.&lt;br /&gt;Mesmo na orgânica da célula somática&lt;br /&gt;Não teria mais as suas asas triunfantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu canto era a força motriz sem freio. &lt;br /&gt;Voou; colidiu e se explodiu no entremeio&lt;br /&gt;De sua viagem por terras horripilantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;SAPIENS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse o Criador, ao &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sapiens&lt;/span&gt; angustiado:&lt;br /&gt;_ Vai, meu filho, viva e construa...&lt;br /&gt;Descubra um ídolo, creia e cultua&lt;br /&gt;O meu aspecto antropomorfizado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então dos vilarejos, as cidades-Estado.&lt;br /&gt;Leu as figuras estelares, o Sol e a Lua.&lt;br /&gt;Melhorou a técnica, veio a charrua.&lt;br /&gt;Deixou a subsistência e o arado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é o bem-estar dos maquinários.&lt;br /&gt;Extermínios de heróis sanguinários,&lt;br /&gt;E por fim medo, fascínio e histeria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há limites a ânsia antropogênica.&lt;br /&gt;Mas o sapiens desta raça holocênica&lt;br /&gt;Sofre com a ciência, moral e ortodoxia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TARDE DO DESTINO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixo que a tristeza ascética leve,&lt;br /&gt;O ermo hibernal que traz consolo&lt;br /&gt;Ao mitigar o remorso do simplório tolo&lt;br /&gt;Que apenas curtiu seu riso tão breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino é um errático almocreve.&lt;br /&gt;Carregando culpas ao mítico Pactolo&lt;br /&gt;Cheio de alegrias estivais indo ao solo&lt;br /&gt;Dissipando-se como flocos de neve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que o ente desconhecido pense:&lt;br /&gt;_ O futuro só ao seu dono pertence.&lt;br /&gt;Os eus vivem num sistema de castas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo que haja alguma hierarquia&lt;br /&gt;De divindades ou arcana idiossincrasia,&lt;br /&gt;Serei fiel integrante dos iconoclastas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EMBARAÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o silêncio é o alento da vida enfadada,&lt;br /&gt;É porque há um corpo gélido e sozinho.&lt;br /&gt;O sopro do qual depende o moinho&lt;br /&gt;Leva o amor longe do campo de visada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A física quântica prova que não há o Nada. &lt;br /&gt;Mas átomos se desfazem sem caminho&lt;br /&gt;Que corra ao abstrato ente daninho,&lt;br /&gt;Ou à dimensão indizível emancipada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nada finda a pergunta de Hamleto,&lt;br /&gt;Nem elucubrações, desdém ou desvelo, &lt;br /&gt;Resta embeber de tudo o que é profano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois nem a empírica intuição sensitiva&lt;br /&gt;Ou algum oceano, num barco à deriva,&lt;br /&gt;Não pode explicar o espírito humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRIATURA SOMBRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero deixar nenhum resquício&lt;br /&gt;Da paixão incognoscível na qual conduz,&lt;br /&gt;Uma criatura sombria que tem fobia a luz,&lt;br /&gt;Mas no atro devora seu corpo fictício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta criatura não impinge auspício.&lt;br /&gt;Quero matá-la, mas não tenho arcabuz&lt;br /&gt;Ou uma arma moderna. Se ela me induz&lt;br /&gt;À falsa conjectura da percepção, do vício&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De desejar assassiná-la no imaginário,&lt;br /&gt;Do rio de lágrimas que corre ao contrário&lt;br /&gt;Do seu dono _ o sorriso derradeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a deixo titubeante em pedaços,&lt;br /&gt;Pela força intempestiva de meus braços;&lt;br /&gt;No quarto escuro, agarrado ao travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando busquei a verdade inconteste&lt;br /&gt;_ Não pertencente à matemática_&lt;br /&gt;Deparei-me com outra problemática&lt;br /&gt;Cuja vida como uma sombra, reveste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando de norte a sul, de leste a oeste,&lt;br /&gt;Para não ter alguma emoção estática.&lt;br /&gt;É inútil, se não reunir frieza e tática&lt;br /&gt;A fim de ir trespassar a esfera celeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, eu sei que há perigo da loucura;&lt;br /&gt;Há perigo de viver uma vã aventura,&lt;br /&gt;Mas devo seguir e correr o risco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela noite negra_ misérias e risos em pó.&lt;br /&gt;É necessário possuir a paciência de Jó&lt;br /&gt;Na tempestade em forma de chuvisco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESILUSÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofro na desilusão, pelo falta do afago,&lt;br /&gt;Das mãos sutis de um corpo moreno&lt;br /&gt;Exalando suores como um doce veneno,&lt;br /&gt;Embriagando-me e afogando-me no lago&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torrencial de paixões, deixando estrago.&lt;br /&gt;Hoje são vãos momentos; suave sereno&lt;br /&gt;Da solidão asfixiante. Soluçante, peno&lt;br /&gt;Nos lupanares; por fim eu me embriago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desilusão foi perdida no fundo do peito;.&lt;br /&gt;Se não sou a causa mas sim o efeito&lt;br /&gt;Da tristeza abissal desta criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai insano ébrio da vida de tristezas!&lt;br /&gt;Aprenda com a dor das incertezas,&lt;br /&gt;Mas invente sempre uma nova aventura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Todos os direitos reservados a Rodrigo Azenha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-8689832446867837010?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/8689832446867837010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=8689832446867837010' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8689832446867837010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8689832446867837010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/12/poesias-4-parte.html' title='Poesias 4ª Parte'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-4812617996152129681</id><published>2009-12-18T06:22:00.000-08:00</published><updated>2010-01-08T07:04:17.702-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Crise institucional</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus! Estou horrorizado... Estarrecido. Eu estava escrevendo sobre a Conferência de Copenhague e tive que dar uma pausa na escrita do texto. Ao acordar de manhã, deparei-me com a notícia da rádio CBN, onde uma jornalista indignada _não lembro o nome dela_ comentava a respeito da decisão do STJ (Supremo Tribunal de Justiça) de proibir o Jornal Estado de São Paulo (Estadão) de publicar reportagem sobre a família do presidente do Senado e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP). Foi com muita surpresa e assombro que ouvi a jornalista criticando o veredicto dado a favor dos Sarney. Naquela hora eu senti na pele as agruras da Ditadura Militar, mesmo esta não fazendo parte de minha geração. A jornalista deve ter sentindo os mesmos calafrios... Talvez outro fato lamentável, veio contribuir a essa sensação incomum e angustiante: o episódio da repressão violenta praticada pela atroz polícia de Brasília, no qual uma multidão protestava a favor do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;impeachment&lt;/span&gt; do governador do Distrito Federal (DF) José Roberto Arruda (DEM), envolvido em escândalos, tramóias e outras lesões ao patrimônio público. Aliás, é mais um absurdo político que já exala o asco fedorento de impunidade. Ou se as evidências concretas são legitimadas pelo o poder público, somos obrigados a falar em sensação de impunidade&lt;br /&gt;Há muito tempo veio criticando a politização exacerbada da cúpula de juízes do STJ, sobretudo das atitudes de seu presidente, Gilmar Mendes. As posições do ministro, dono do voto de Minerva, foram bastante questionadas nos últimos episódios, não só por mim, mas por uma gama de juristas; inclusive alguns procuradores cogitaram um abaixo-assinado visando destituí-lo do cargo. Só que dessa vez ficou evidente a falta de imparcialidade e o comprometimento com interesses escusos, familiares e pessoais de alguns ministros no STJ. Se o caso do banqueiro Daniel Dantas, favorecido pela a corte suprema e a decisão unilateral do ministro Mendes, deixou alguma dúvida sobre o caráter idôneo da instituição, agora o quadro é bem mais grave. Necessita-se com urgência interpelar as representações jurídicas estatais a respeito da conduta dos ministros, exigindo, contudo, do poder Judiciário uma maior transparência e impessoalidade nos julgamentos que envolvem autoridades públicas. Até porque as instituições judiciais devem sempre possuir credibilidade acima dos demais poderes do Estado no intuito de preservar a democracia e a sociedade. &lt;br /&gt;O delegado da PF (Polícia Federal) Protógenes Queiroz, que dirigiu a operação de combate à corrupção, Satyagraha, a qual prendeu o banqueiro, foi o maior prejudicado pela absolvição e soltura precipitada (ou interesseira?) do acusado. Só para recordar, ele foi afastado do cargo em meio à denúncia de escuta ilegal por parte de Mendes, que acusou a PF e, indiretamente, o delegado de ter “grampeado” o telefone dele. Podemos até argumentar que Mendes apoiou-se no artigo LXVIII da Constituição: “conceder-se-á “habeas-corpus” sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder”. O suposto abuso de poder utilizado pela PF, seria, nesse contexto, um dos pontos dos quais se apoiaria a liberdade de Dantas? Mesmo que o banqueiro tenha sido pego em flagrante delito, como foi de fato? Na punição ao jornal paulista, entretanto, é bem mais explícita a gravidade; um verdadeiro descalabro onde o que está em jogo é a liberdade de expressão e de comunicação, dois fatores nos quais a imprensa deve exercer os seus direitos garantidos por lei. A Constituição foi atropelada quando os juristas violaram o artigo IX: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Além de Mendes, os ministros Cezar Peluso, Eros Grau, Ricardo Lewandowski, Ellen Gracie, Dias Toffoli votaram a favor da censura ao jornal, todos alegando critérios técnicos para isso. Um destes destaca que os advogados do jornal recorreram defesa às instâncias superiores sem ela ter sido julgada antes no tribunal regional em que o jornal foi acusado. Não caberia, portanto, a função do STJ decidir o recurso do jornal paulista, permanecendo a sentença na qual proíbe o jornal de divulgação de reportagem acerca da família mais poderosa do Maranhão que domina o estado a mais de 50 anos.&lt;br /&gt;A censura imposta ao diário impresso começou quando foram publicadas manchetes denunciando os crimes de nepotismo no Senado, tráfico de influências e irregularidades nas empresas de Fernando Sarney, filho do senador José Sarney. Esses fatos vieram à tona coincidindo com as fortes acusações contra o seu pai, nas quais abrangia atos secretos e desvios de verbas da Petrobás entre outras. De fato, o seu cargo na Presidência do Senado estava seriamente ameaçado antes dele ser salvo por um acordo político-partidário de “abafamento”, entre a base aliada do governo, que o apóia, e a oposição. Aproveitando-se do alento político, os Sarney entraram numa ação penal contra o Estadão, acusando-o de difamação e violação à honra da família. Outro personagem entra em cena contra o jornal. Amigo pessoal da poderosa família maranhense, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, determinou à censura ao veículo de comunicação paulista. Através de liminar, Vieira impede o jornal de veicular quaisquer matéria contra Fernando e de publicar as gravações telefônicas sigilosas feitas pela PF, com autorização judicial, nas quais comprometem os Sarney. Elas registram, entre outros fatos aparentemente ilegais, Fernando discutindo com o seu pai a contratação do namorado da neta do senador. Lógico que isso é uma denúncia muito forte de nepotismo. A partir de então a situação ficou complicada, mas o velho cacique Sarney parecer possuir ainda muitos amigos em todas as áreas do poder, sobretudo entre a bancada governista encabeçada pelo partido do atual presidente da República. Assim cambaleante, ele conseguiu se sustentar no comando do Senado.&lt;br /&gt;Se não bastasse o golpe baixo, vergonhoso e covarde contra o Estadão, ou seja, a sentença do STJ que não passa de um ato arcaico, despótico, ridículo e sórdido de censura à imprensa e nocivo à ordem democrática e ao direito de informação da sociedade, ainda temos que tolerar a situação aqui em Brasília que já alcançou o extremo do funesto, do horrendo e do revoltante. Ficou insustentável; não há governo no Distrito Federal. Protestos pacíficos contra a corrupção e o governador Arruda, propagados por estudantes da UnB, sindicatos e outras entidades civis, marcaram o clima político-social do DF nas últimas semanas. Ontem manifestantes tentaram invadir, ou melhor, ocupar a câmara de deputados, já que essa é a casa representante do povo e, naturalmente, aberta ao público. Semana passada o grupo permaneceu dias acampado no plenário em exigência pela apuração do pedido de impugnação do mandato do governador e da apuração das denúncias contra os deputados envolvidos no escândalo. No mesmo dia, houve a desastrosa ação militar ao surrar os trabalhadores e estudantes nas ruas, inclusive a acusação de ferir o uma adolescente de treze anos. Ficaram tristemente em destaque nos noticiários, essas agressões estúpidas sobre os grupos de manifestantes que tinham bloqueado uma via na Esplanada, perto do palácio do Buriti onde o governador comumente despacha. &lt;br /&gt;Para provocar tumulto, Arruda teve a ousadia de angariar os seus eleitores transportados em comboio de ônibus, com sigla do GDF, a fim de fazer oposição àqueles que estavam ocupando a Câmara Legislativa. Os manifestantes acabaram cedendo pressionados também pela a polícia que ameaçava expulsá-los à força. Mas os grupos antagônicos não se enfrentaram seriamente. Vários atos públicos de protestos ainda estão marcados para acontecer nesta semana, demonstrando que a população insatisfeita já não agüenta mais décadas de sensação de impunidade e denuncias de corrupção nos bastidores do Governo do Distrito Federal (GDF). Todos esses atuais acontecimentos lamentáveis surgiram após divulgação de vídeos gravados por Durval Barbosa, com conivência da PF e da Justiça, nos quais flagram autoridades públicas recebendo maços de dinheiro e colocando-os nas vestimentas. O deputado e presidente da Câmara Leonardo Prudente (DEM), por exemplo, encheu os bolsos e pôs nas meias. O outro, deputado da bancada evangélica, Júnior Brunelli (PSB), pegou o dinheiro e agradeceu ao seu deus em oração. Teve um empresário que colocou dinheiro até na cueca. O que é pior: o próprio governador foi filmado recebendo dinheiro supostamente ilegal e ainda pedindo uma cesta para guardar as notas. Para agravar a sua reputação: ele em defesa argumentou que o dinheiro, mais de 150 mil reais, era para financiar panetones de natal destinados a famílias carentes; essa desculpa do governador é motivo de chacota em todo o país. Ora se era para esse motivo, por qual razão ele teria que pegar tanto dinheiro em mãos?&lt;br /&gt;Suspeita-se que o esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas entre outras falcatruas, apurado pela PF, era chefiado pelo o próprio Arruda, que, segundo as denúncias, arrecadava dinheiro de licitações fraudulentas, de extorsões a empresários locais e outras fontes investigadas no inquérito da PF, do relatório da operação Caixa de Pandora. Aliás, o nome é bem sugestivo: na mitologia grega, Pandora possuía uma caixa, que ao ser aberta por ela, trouxe aos homens todos os males existentes no mundo... No nosso caso Durval “Pandora” e os males são as imagens do governador e dos deputados nas gravações. Entre os já citados no texto, os demais denunciados pela investigação da PF são eles: Eurides Brito (PMDB), líder do governo na Câmara, e Benício Tavares (PMDB), ambos flagrados nas filmagens, Rogério Ulysses (PSB), Rôney Neymer (PMDB), Benedito Domingos (PP), Airton Gomes (PMN) e os suplentes Pedro do Ovo (PRB) e Berinaldo Pontes. Além destes envolvidos, ainda consta no inquérito Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, réu condenado pela PF, que, através de uma delação premiada (o réu dar informações a polícia em troca de possível redução de pena), ajudou nas apurações revelando, portanto, todo o escândalo dos bastidores da alta cúpula da política do DF. &lt;br /&gt;Os fatos vergonhosos, do “mensalão” do DEM, como estão sendo chamados, acarretou na saída do governador do partido. Entretanto, não se restringiram apenas ao poder executivo do DF. No Ministério Público, o clima não é nada confortável: a crise se instalou entre os promotores com ataques pessoais e até acusação de ameaça de morte; tudo porque o procurador-geral Leonardo Bandarra e a promotora Deborah Guern são também alvo das investigações da PF. Eles são suspeitos favorecer integrantes ligados ao escândalo, segundo depoimento de Durval à PF. A credibilidade da instituição que tem um importante papel na defesa da democracia e da ordem social está sendo questionada; o que contribui ainda mais com instabilidade e a desconfiança instauradas na estrutura estatal do DF.  Outro detalhe: dos 5 deputados cogitados a julgar o pedido de impeachment de Arruda na Câmara Legislativa, 4 estão envolvidos no “mensalão” e, por sinal, são membros integrantes da bancada governista; aliados incondicionais de Arruda. Novamente vem a inquietude dolorosa para a democracia, advinda da sensação de impunidade recalcitrante no governo do DF ou da evidência dela; ou como disse um cidadão: “uma grande pizza com sabor de panetone” já está no forno e cheirando...&lt;br /&gt;Sabemos que há um histórico de denúncias de corrupção, desvio de recursos públicos, obras superfaturadas, destinação irregular de terrenos públicos _inclusive aprovado no Plano Diretor de Ordenamento Territorial _ e licitações fraudulentas desde o governo anterior de Joaquim Domingos Roriz, ex-senador que sob acusações de ilegalidades na compra de uma bezerra de 300 mil reais, renunciou o seu cargo. Vale ressaltar, que Durval trabalhou na administração de Roriz e foi exonerado por Arruda. Também, podemos nos lembrar do antecedente de Arruda na política: o caso de quebra do sigilo de votação do painel eletrônico do Senado na cassação de Luiz Estevão, outro político de Brasília repleto de processos judiciais a ser respondidos. Na ocasião Arruda, assim como o seu antecessor no governo do DF, renunciou ao cargo de senador a fim de evitar ser cassado. Agora, todo o seu plano político de reeleição se desmoronou com esse escândalo, já que Arruda sem partido não tem mais tempo de se filiar em outro e assim disputar o pleito de 2010. &lt;br /&gt;Mas, contudo, a população não se prejudicará com isso; ao contrário, na medida em que a consciência política e o poder de escolha crítica se desenvolvem entre os brasilenses, a capacidade de exercer cidadania aspira mudanças ao novo paradigma sociopolítico do DF. Ou seja, os indivíduos vão se reconhecer enquanto ser social ao adquirir a noção de cidadania e o seu papel na transformação da sociedade. Outros atores civis ou públicos podem surgir em meio à crise instalada nas instituições. Os grupos que ocuparam a Câmara e também apanharam nas ruas, representam o espírito ideológico e crítico de transformação, que é a força social mais eficiente para mitigar a corrupção e a falta de respeito das autoridades para com a responsabilidade pública. Já está na hora dessas elites “coronelistas”, que atendem apenas a seus próprios interesses, saírem para sempre do cenário político de Brasília. &lt;br /&gt;A lógica democrática é rompida quando os poderes estatais não conseguem mais exercer suas funções no dever estabelecido no pacto com a sociedade. Esses são casos onde as instituições públicas estão corrompidas, quer por associações elitistas de alguns grupos quer por opiniões pessoais acima do interesses públicos. Os estudantes, os trabalhadores, as entidades civis como a OAB-DF, enfim, aqueles que foram surrados nas ruas pelo simples motivo de cumprir a cidadania ao pedir a saída de Arruda do poder, são os autores sociais que mais merecem prestígios e palmas. Uma democracia moderna, seja ela social ou capitalista, se constrói com intensa participação dos grupos sociais, da cidadania, dos direitos privados, da liberdade de expressão, da imprensa, da ampla informação, enfim, do devido respeito aos valores sociais, culturais e individuais. Aquelas pessoas que apanharam e quase foram pisoteadas pela cavalaria da polícia, ficaram cheias de hematomas pelo o corpo que em breve irão desaparecer. Mas essas marcas da violência estão em todos os brasileiros e por isso permanecerão nas imagens do incidente o exemplo de cidadania e o comprometimento com as mudanças sociais do país daqueles cidadãos. Apesar de não ter sofrido as bordoadas do cacetetes, eu sinto profundamente o desconforto de viver em um país estigmatizado pela corrupção. Parabéns para aqueles que exercem cidadania e não se sentem confortados no sofá diante dessas denúncias na televisão e vão às ruas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-4812617996152129681?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/4812617996152129681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=4812617996152129681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4812617996152129681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4812617996152129681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/12/corrupcao-no-excecutivo-legislativo-e.html' title='Crise institucional'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-422977654272939342</id><published>2009-12-15T19:25:00.000-08:00</published><updated>2009-12-16T10:31:28.274-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Armas químicas</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A existência de armas químicas ou biológicas remonta à antiguidade. Os gregos utilizavam flechas envenenadas contra os seus inimigos. Arqueólogos ingleses, na atual Síria, por exemplo, encontraram 20 restos mortais de legionários romanos mortos pelo império persa sassanida, em 256. Os soldados foram asfixiados pela a fumaça de combustão de cristais sulforosos e betume em um túnel escavado pelos romanos em contra-ataque no cerco à cidade de Dura-Europos. Mas só a partir da 1ª Guerra Mundial (1914-1918) com a contribuição do desenvolvimento tecnológico e da industrial bio-química e das descobertas científicas, esse tipo de arma foi utilizado em grande escala nas táticas militares.&lt;br /&gt;A guerra envolveu duas políticas de alianças opostas. A Tríplice Entente (França, Inglaterra, Romênia, Grécia, e Rússia) e as potenciais centrais (Alemanha, Itália, Império Astro-Húnguro, Bulgária, Império Turco-Otomano). Em 1916, por interesses territoriais na África, a Itália mudou de lado; a Rússia em 1917, por causa da Revolução Comunista de 1917, foi substituída pelo os EUA, que já era na época a maior potência econômica do planeta. A 1ª Guerra findou a Era do Imperialismo (Neo-colonialismo) e a denominada Bella Èpoque, na qual colocou a burguesia industrial em ascensão, marcando profundamente com grandes mudanças culturais o cotidiano da sociedade. Em vários países, por exemplo, as mulheres ocupavam postos nas fábricas e o movimento feminista estava ganhando fôlego, sobretudo na Inglaterra onde elas ganharam o direito de voto. Se dentro de um clima marcado pela estabilidade política e grandes progressos técnicos e materiais, a burguesia enriquecera, o proletariado e as camadas sociais excluídas e exploradas pelo novo modo de produção industrial não participavam dessa prosperidade. Vários fatores desencadearam o conflito. A competição comercial e o choque entre a burguesia inglesa e a alemã _ a matriz industrial alemã era superior a da inglesa _; a desenfreada corrida armamentista; a disputa nacionalista por territórios na África e Ásia; o revanchismo francês _ a França queria recuperar o rico território de Alsácia-Lorena; pan-eslavismo que levou o estopim do conflito com o assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Astro-Húnguro entre outros.&lt;br /&gt;Até 1915, o conflito se caracterizava por investidas intensas dos exércitos na esperança de um rápido desfecho à guerra. Mas de 1915 a 1916 iniciou-se a chamada guerra de trincheiras. Estas eram imensas valetas escavadas no solo e protegidas por rede de arames farpados e troncos de madeira, nas quais os soldados buscavam refúgio dos canhões, dos tanques, dos aviões e das metralhadoras. Um dos artifícios para tentar forçar o inimigo a sair das trincheiras veio com o chefe de guerra química alemã Prof. Fritz Haber. Ele desenvolvera um gás venenoso e irritante a base de cloro para ser lançado em cartuchos contra as tropas inimigas, usando-o pela primeira vez no comando de um ataque maciço ao exército francês, na tentativa de avançar a Paris. A nova arma fizera milhares de vítimas fatais por asfixia e náuseas, e os combatentes do regimento franco-argelino desprevinido que impediam a investida alemã eram as primeiras. O gás que estreiou na Batalha de Ypres, na Bélgica, foi um dos grandes responsáveis para o fim da primeira fase do conflito. Esse foi o marco da confecção de uma arma de destruição em massa. Além disso, o agente mostarda produzido com arsênico, utilizado no front pela França e Inglaterra, provocava úlceração e necrose das células, matando a vítima aos poucos. Nem mesmo do uso de máscaras antigases pelos soldados eram capazes de protegê-los da contaminação e do forte cheiro da substância tóxica amarela que permanecia por um longo tempo no ambiente. A partir de então, os vapores de gases mostarda coloriam as trincheiras, e, contudo, a guerra tomara outro rumo, principalmente com a entrada dos EUA, que desequilibrou a situação a favor dos países  da Triplíce Entente. Além disso, as batalhas se tornaram cada vez mais sangrentas na medida em que aumentavam os confrontos diretos corpo a corpo após os soldados deixarem as trincheiras. Vale ressaltar que na Europa oriental as batalhas entre os exércitos alemães e russos já tinham ceifados outras milhares de pessoas.&lt;br /&gt;No fim da Grande Guerra, diante do dramático apelo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, entidade criada 1863, e da constatação do número de óbitos devidos ao gás, ocorreu o Protocolo de Genebra, em 1925, no qual limitava o uso de armas químicas ou biológicas, bem como a produção, armazenamento e a liquidação dos arsenais de reservas existentes. EUA e Japão, entretanto, não assinam o acordo; as armas químicas continuaram a ser dissiminadas em outros episódios ao longo do século XX. Na 2ª Guerra, gerada em boa parte na instabilidade política deixada pela a anterior, o Holocausto arquitetado pelo nazismo, os gases responsáveis pela aniquilação dos judeus e outras minorias nas câmaras de gás eram os gases letais Tabum, Sarim, Somam e o Zyklon-B. Os três primeiros são gases tóxicos nervosos e o último é um gás asfixiante que penetra no sangue, dirimindo o transporte de oxigênio pelo o organismo. Estas armas químicas provocaram o extermínio de 6 milhões de judeus entre outras etnias, além disso foram produzidas nos laboratórios alemães, fato que evidencia a maneira quase industrial como a matança das vítimas humanas era tratada pela a organização liderada por Adolf Hitler. Outro exemplo, veio do Japão _ que já era uma potência regional_ em 1931, 6 anos após o protocolo de 1925, quando invadiu a Manchúria, território do nordeste chinês. Ali na província de Pig Fan, uma unidade militar japonesa instalada no local, num teste de armamentos químicos, dissiminou agente e organismos patológicos entre milhares de prisioneiros, matando-os. Vendo a eficácia da técnica, o comando do exército japonês, não se dendo por satisfeito, ordenou que aviões lançassem culturas de microorganismos em vários bairros residenciais chineses, contaminando a água, o solo e os alimentos. Mas o Japão sofreria, no final da 2º Guerra, o mais horripilante resultado de um teste da mais poderosa arma química, agora, produzida com a ajuda da reação nuclear: as bombas atômicas estadunidenses que atingiram as cidades japonesas de Hiroshima e de Nagasaki, dizimando mais de 200.000 habitantes e outras milhares ao longo dos anos posteriores devido ao efeito radiotivo.&lt;br /&gt;Durante a Guerra Fria as pesquisas secretas com armas químicas e o aperfeiçoamento bélico tomavam fôlego em ambos os lados, capitalistas e comunistas, sobretudo na corrida espacial, tecnológica e armamentista propagada pela rivalidade politica-ideológica antagônica entre EUA E URSS, respectivamente. Nesse contexto, os EUA, em 1961 se aventurou na Guerra do Vietnã contra a expansão socialista do Norte, apoiando militarmente o Vietnã do Sul, sem a principio adentrar em solo comunista. Mas a partir de 1965, além de invadir terras inimigas, o exército estadunidense começou a usar duas táticas de guerra para suprimir o abastecimento de provisões dos guerrileiros do norte (exército Vietcong), bem como localizá-los no meio da floresta tropical asiática fechada. Em ambos os objetivos os “ianques” se utilizariam de armas químicas para alcançá-los. Primeiro eles bombardearam as áreas suspeitas das florestas com o agente laranja, um herbicida químico altamente tóxico cuja função era desfolhar todas árvores; assim ficaria mais fácil para localizar os escoderijos dos rebeldes comunistas. Também era lançado o produto sobre as plantações de arroz e outras culturas como forma de contaminar a produção de alimentos, os quais poderiam servir ao exército do norte. Calcula-se que milhões de galões foram lançados de 1962 até 1970. Outra arma química utilizada em grande escala é o Napalm. Este era fabricado com gasolina e substâncias tóxicas extraídas de palmeiras especiais originárias de Napoles, em Itália. O pó continha uma dioxina cuja efeito pertubava as funções hormonais e o sistema reprodutivo do organismo. Além disso, possuia uma grande capacidade de aderir ao corpo humano, o qual permanecia em chamas incinerando-se até os tecidos osséos. Foi uma guerra biológica sem precedentes na história.&lt;br /&gt;Em 1973, o contigente militar dos EUA se retiram do Vietnã, deixando um saldo de cerca de 70.000 soldados norte-americanos mortos e milhões de vietnamitas, incluindo uma boa parte de civis. Vale lembrar, o massacre, de 1968, feito por um batalhão estadunidense na vila agrícola de My Lai, onde 504 pessoas foram trucidadas, inclusive muitas mulheres e crianças. O Vietnã do Sul se rendeu, enquanto os EUA sofreram uma derrota humilhante para seus maiores inimigos, que financiavam e armavam os comunistas do norte: a URSS. Mas enquanto a guerra se passava, em 1972, acontecia a Convenção das Armas Biológicas, ratificada por 144 países, na qual passou vigorar um acordo banindo todos os procedimentos de fabricação, estocagem, transferências de agentes infecciosos e meios que possam ser utilizados para fins bélicos ou hostis. Na década de 80, a Guerra entre Irã e Iraque revelou uma disputa ferrenha pelo o domínio da região entre dois países possuidores de armas químicas. O Iraque, sob a liderança do ditador Saddan Hussein, recebia ajuda militar e financeira dos EUA na luta contra o regime dos aitólas, no Irã. EUA tinha receio da expansão do ortodoxismo islâmico e do poderio bélico do regime iraniano consolidado na Revolução Islâmica de 1979. Foi, portanto, possível que o Iraque investisse capital na construção de armamento químico para destruir o inimigo que Hussein julgava ser aliado do Irã: os curdos que compõem a maior nação sem Estado do mundo. De 1986 a 1989, 182.000 pessoas foram vitimadas, ou em campos de concentração, ou fuziladas ou mortas por bombas químicas lançadas de aviões caça. Houve uma extirpação em massa de aldeias populares e deportações de centenas de famílias. Somente num vilarejo perto da fronteira com Irã, 5 mil curdos teriam falecidos pelos efeitos químicos letais oriundos das bombas iraquianas. Ainda pesa sobre o ditador a rebelião curda, nos inícios dos anos 80, apaziguada com carnificina e ataque maciço com arsenal químico.&lt;br /&gt;Em 2001, nasceu o protocolo de verificação advindo da convenção de 1972. Os países signatários passaram a se reunir na Suíça para definir quais os mecanismos e os procedimentos que façam valer o tratado de 1972. Procurando, com isso, estabelecer um novo protocolo de verificação de quais países realizam ou não pesquisas com agentes infecciosos, e ainda formar uma comissão ligada à ONU que visite os laboratórios suspeitos. Na invasão do Iraque de 2003 pelos os EUA, o exército estadunidense foi acusado de usar bombas produzidas de metal e urânio sujo, substância que contaminou as populações civis atingidas. O índice de crianças nascidas com câncer no Iraque cresceu significativamente. Por outro lado, os EUA baseados em suposições de uso de armas químicas iraquianas na invasão no Kwait por Hussein,em 1990, julgaram razão para desferir ataques unilaterais ao Iraque, sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Vale dizer, que essas ditas armas nunca foram registradas e tampouco comprovadas pelo o próprio serviço de inteligência estadunidense. Mas o fato mais evidente de contaminação por substâncias tóxicas proibidas é o flagelo que ocorre até hoje no Vietnã: o nascimento de crianças disformes, malformação congênita, sem membros, com doenças mentais e outras anomalias nas células somáticas. Sem sombra de dúvida, ainda persistem toxinas nocivas no lençol freático e no solo, devido às investidas militares por armas químicas. A empresa Monsanto e outras multinacionais que produziram o agente laranja, receberam diversos processos de indenizações por familiares vietnamitas.&lt;br /&gt;No episódio recente de utilização de armas proibidas, aconteceu durante a série de ataques recíprocos entre Israel e o grupo Hamas em 2008. O exército de Tel-Aviv foi acusado por um comissário da ONU de ter usado fósforo branco, uma substância tóxica incendiária proibida pelas leis internacionais. O governo de Israel negou veementemente o fato. Mas há algumas evidências: os automóveis e as casas em chamas não se apagavam com equipamentos convencionais. Nesse mesmo conflito, o prédio de refugiados palestinos da ONU, teria sido alvo das bombas de fósforo branco de Israel. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon repudiou prontamente o ataque. O secretário de defesa de Israel apenas lamentou o ocorrido. A substância em contato com o oxigênio, expele fumaça branca; testemunhas confirmaram terem observados tal fumaça. Com o desenvolvimento da engenharia genética, fica mais difícil a fiscalização pelos órgãos de segurança internacional. Nas últimas décadas, esse tipo de arma caiu nas mãos de grupos terroristas. Tal afirmação se apóia no episódio onde 12 pessoas morreram no atentado com o gás Sarin provocado por um grupo fanático na capital do Japão, em 1996. Pode-se destacar também o pó de antraz, substância altamente tóxica, que estava impregnada em cartas endereçadas às autoridades norte-americanas. Se o ditador Iraque foi enforcado pelo o governo do ex-presidente George W. Bush, sem nunca ter encontrado quaisquer armamento químico, o fato é que os maiores detentores de produtos químicos ou orgânicos com capacidade de ser utilizado em guerras são países mais ricos do mundo os quais possuem grande capital e mão de obra especializada no intuito de avançar na tecnologia espacial e na ampla rede de pesquisa universitária. Os governos muitas vezes contribuem para a proliferação equipamento químico-nuclear ao não conseguirem fiscalizar os laboratórios privados. Muitos deste são grandes multinacionais que detêm poderes econômicos sobre vários recursos naturais e recebem grandes investimentos em capital humano e tecnológico, inclusive dos governos, a fim de produzir cosméticos e remédio. Os governos sempre querem evitar a transferência de tecnologia, entretanto, algumas patentes podem cair em mãos irresponsáveis. As armas químicas, portanto, se desenvolveram junto com a bio-genética e a química quântica, mas sempre aliada ao militarismo imperialista ou à transferência ilegal ou legal de tecnologia para criminosos ou grupos extremistas com interesses políticos escusos.&lt;br /&gt;A existência de armas químicas ou biológicas remonta à antiguidade. Os gregos utilizavam flechas envenenadas contra os seus inimigos. Arqueólogos ingleses, na atual Síria, por exemplo, encontraram 20 restos mortais de legionários romanos mortos pelo império persa sassanida, em 256. Os soldados foram asfixiados pela a fumaça de combustão de cristais sulforosos e betume em um túnel escavado pelos romanos em contra-ataque no cerco à cidade de Dura-Europos. Mas só a partir da 1ª Guerra Mundial (1914-1918) com a contribuição do desenvolvimento tecnológico e da industrial bio-química e das descobertas científicas, esse tipo de arma foi utilizado em grande escala nas táticas militares.&lt;br /&gt;A guerra envolveu duas políticas de alianças opostas. A Tríplice Entente (França, Inglaterra, Romênia, Grécia, e Rússia) e as potenciais centrais (Alemanha, Itália, Império Astro-Húnguro, Bulgária, Império Turco-Otomano). Em 1916, por interesses territoriais na África, a Itália mudou de lado; a Rússia em 1917, por causa da Revolução Comunista de 1917, foi substituída pelo os EUA, que já era na época a maior potência econômica do planeta. A 1ª Guerra findou a Era do Imperialismo (Neo-colonialismo) e a denominada Bella Èpoque, na qual colocou a burguesia industrial em ascensão, marcando profundamente com grandes mudanças culturais o cotidiano da sociedade. Em vários países, por exemplo, as mulheres ocupavam postos nas fábricas e o movimento feminista estava ganhando fôlego, sobretudo na Inglaterra onde elas ganharam o direito de voto. Se dentro de um clima marcado pela estabilidade política e grandes progressos técnicos e materiais, a burguesia enriquecera, o proletariado e as camadas sociais excluídas e exploradas pelo novo modo de produção industrial não participavam dessa prosperidade. Vários fatores desencadearam o conflito. A competição comercial e o choque entre a burguesia inglesa e a alemã _ a matriz industrial alemã era superior a da inglesa _; a desenfreada corrida armamentista; a disputa nacionalista por territórios na África e Ásia; o revanchismo francês _ a França queria recuperar o rico território de Alsácia-Lorena; pan-eslavismo que levou o estopim do conflito com o assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Astro-Húnguro entre outros.&lt;br /&gt;Até 1915, o conflito se caracterizava por investidas intensas dos exércitos na esperança de um rápido desfecho à guerra. Mas de 1915 a 1916 iniciou-se a chamada guerra de trincheiras. Estas eram imensas valetas escavadas no solo e protegidas por rede de arames farpados e troncos de madeira, nas quais os soldados buscavam refúgio dos canhões, dos tanques, dos aviões e das metralhadoras. Um dos artifícios para tentar forçar o inimigo a sair das trincheiras veio com o chefe de guerra química alemã Prof. Fritz Haber. Ele desenvolvera um gás venenoso e irritante a base de cloro para ser lançado em cartuchos contra as tropas inimigas, usando-o pela primeira vez no comando de um ataque maciço ao exército francês, na tentativa de avançar a Paris. A nova arma fizera milhares de vítimas fatais por asfixia e náuseas, e os combatentes do regimento franco-argelino desprevinido que impediam a investida alemã eram as primeiras. O gás que estreiou na Batalha de Ypres, na Bélgica, foi um dos grandes responsáveis para o fim da primeira fase do conflito. Esse foi o marco da confecção de uma arma de destruição em massa. Além disso, o agente mostarda produzido com arsênico, utilizado no front pela França e Inglaterra, provocava úlceração e necrose das células, matando a vítima aos poucos. Nem mesmo do uso de máscaras antigases pelos soldados eram capazes de protegê-los da contaminação e do forte cheiro da substância tóxica amarela que permanecia por um longo tempo no ambiente. A partir de então, os vapores de gases mostarda coloriam as trincheiras, e, contudo, a guerra tomara outro rumo, principalmente com a entrada dos EUA, que desequilibrou a situação a favor dos países  da Triplíce Entente. Além disso, as batalhas se tornaram cada vez mais sangrentas na medida em que aumentavam os confrontos diretos corpo a corpo após os soldados deixarem as trincheiras. Vale ressaltar que na Europa oriental as batalhas entre os exércitos alemães e russos já tinham ceifados outras milhares de pessoas.&lt;br /&gt;No fim da Grande Guerra, diante do dramático apelo do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, entidade criada 1863, e da constatação do número de óbitos devidos ao gás, ocorreu o Protocolo de Genebra, em 1925, no qual limitava o uso de armas químicas ou biológicas, bem como a produção, armazenamento e a liquidação dos arsenais de reservas existentes. EUA e Japão, entretanto, não assinam o acordo; as armas químicas continuaram a ser dissiminadas em outros episódios ao longo do século XX. Na 2ª Guerra, gerada em boa parte na instabilidade política deixada pela a anterior, o Holocausto arquitetado pelo nazismo, os gases responsáveis pela aniquilação dos judeus e outras minorias nas câmaras de gás eram os gases letais Tabum, Sarim, Somam e o Zyklon-B. Os três primeiros são gases tóxicos nervosos e o último é um gás asfixiante que penetra no sangue, dirimindo o transporte de oxigênio pelo o organismo. Estas armas químicas provocaram o extermínio de 6 milhões de judeus entre outras etnias, além disso foram produzidas nos laboratórios alemães, fato que evidencia a maneira quase industrial como a matança das vítimas humanas era tratada pela a organização liderada por Adolf Hitler. Outro exemplo, veio do Japão _ que já era uma potência regional_ em 1931, 6 anos após o protocolo de 1925, quando invadiu a Manchúria, território do nordeste chinês. Ali na província de Pig Fan, uma unidade militar japonesa instalada no local, num teste de armamentos químicos, dissiminou agente e organismos patológicos entre milhares de prisioneiros, matando-os. Vendo a eficácia da técnica, o comando do exército japonês, não se dendo por satisfeito, ordenou que aviões lançassem culturas de microorganismos em vários bairros residenciais chineses, contaminando a água, o solo e os alimentos. Mas o Japão sofreria, no final da 2º Guerra, o mais horripilante resultado de um teste da mais poderosa arma química, agora, produzida com a ajuda da reação nuclear: as bombas atômicas estadunidenses que atingiram as cidades japonesas de Hiroshima e de Nagasaki, dizimando mais de 200.000 habitantes e outras milhares ao longo dos anos posteriores devido ao efeito radiotivo.&lt;br /&gt;Durante a Guerra Fria as pesquisas secretas com armas químicas e o aperfeiçoamento bélico tomavam fôlego em ambos os lados, capitalistas e comunistas, sobretudo na corrida espacial, tecnológica e armamentista propagada pela rivalidade politica-ideológica antagônica entre EUA E URSS, respectivamente. Nesse contexto, os EUA, em 1961 se aventurou na Guerra do Vietnã contra a expansão socialista do Norte, apoiando militarmente o Vietnã do Sul, sem a principio adentrar em solo comunista. Mas a partir de 1965, além de invadir terras inimigas, o exército estadunidense começou a usar duas táticas de guerra para suprimir o abastecimento de provisões dos guerrileiros do norte (exército Vietcong), bem como localizá-los no meio da floresta tropical asiática fechada. Em ambos os objetivos os “ianques” se utilizariam de armas químicas para alcançá-los. Primeiro eles bombardearam as áreas suspeitas das florestas com o agente laranja, um herbicida químico altamente tóxico cuja função era desfolhar todas árvores; assim ficaria mais fácil para localizar os escoderijos dos rebeldes comunistas. Também era lançado o produto sobre as plantações de arroz e outras culturas como forma de contaminar a produção de alimentos, os quais poderiam servir ao exército do norte. Calcula-se que milhões de galões foram lançados de 1962 até 1970. Outra arma química utilizada em grande escala é o Napalm. Este era fabricado com gasolina e substâncias tóxicas extraídas de palmeiras especiais originárias de Napoles, em Itália. O pó continha uma dioxina cuja efeito pertubava as funções hormonais e o sistema reprodutivo do organismo. Além disso, possuia uma grande capacidade de aderir ao corpo humano, o qual permanecia em chamas incinerando-se até os tecidos osséos. Foi uma guerra biológica sem precedentes na história.&lt;br /&gt;Em 1973, o contigente militar dos EUA se retiram do Vietnã, deixando um saldo de cerca de 70.000 soldados norte-americanos mortos e milhões de vietnamitas, incluindo uma boa parte de civis. Vale lembrar, o massacre, de 1968, feito por um batalhão estadunidense na vila agrícola de My Lai, onde 504 pessoas foram trucidadas, inclusive muitas mulheres e crianças. O Vietnã do Sul se rendeu, enquanto os EUA sofreram uma derrota humilhante para seus maiores inimigos, que financiavam e armavam os comunistas do norte: a URSS. Mas enquanto a guerra se passava, em 1972, acontecia a Convenção das Armas Biológicas, ratificada por 144 países, na qual passou vigorar um acordo banindo todos os procedimentos de fabricação, estocagem, transferências de agentes infecciosos e meios que possam ser utilizados para fins bélicos ou hostis. Na década de 80, a Guerra entre Irã e Iraque revelou uma disputa ferrenha pelo o domínio da região entre dois países possuidores de armas químicas. O Iraque, sob a liderança do ditador Saddan Hussein, recebia ajuda militar e financeira dos EUA na luta contra o regime dos aitólas, no Irã. EUA tinha receio da expansão do ortodoxismo islâmico e do poderio bélico do regime iraniano consolidado na Revolução Islâmica de 1979. Foi, portanto, possível que o Iraque investisse capital na construção de armamento químico para destruir o inimigo que Hussein julgava ser aliado do Irã: os curdos que compõem a maior nação sem Estado do mundo. De 1986 a 1989, 182.000 pessoas foram vitimadas, ou em campos de concentração, ou fuziladas ou mortas por bombas químicas lançadas de aviões caça. Houve uma extirpação em massa de aldeias populares e deportações de centenas de famílias. Somente num vilarejo perto da fronteira com Irã, 5 mil curdos teriam falecidos pelos efeitos químicos letais oriundos das bombas iraquianas. Ainda pesa sobre o ditador a rebelião curda, nos inícios dos anos 80, apaziguada com carnificina e ataque maciço com arsenal químico.&lt;br /&gt;Em 2001, nasceu o protocolo de verificação advindo da convenção de 1972. Os países signatários passaram a se reunir na Suíça para definir quais os mecanismos e os procedimentos que façam valer o tratado de 1972. Procurando, com isso, estabelecer um novo protocolo de verificação de quais países realizam ou não pesquisas com agentes infecciosos, e ainda formar uma comissão ligada à ONU que visite os laboratórios suspeitos. Na invasão do Iraque de 2003 pelos os EUA, o exército estadunidense foi acusado de usar bombas produzidas de metal e urânio sujo, substância que contaminou as populações civis atingidas. O índice de crianças nascidas com câncer no Iraque cresceu significativamente. Por outro lado, os EUA baseados em suposições de uso de armas químicas iraquianas na invasão no Kwait por Hussein,em 1990, julgaram razão para desferir ataques unilaterais ao Iraque, sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU. Vale dizer, que essas ditas armas nunca foram registradas e tampouco comprovadas pelo o próprio serviço de inteligência estadunidense. Mas o fato mais evidente de contaminação por substâncias tóxicas proibidas é o flagelo que ocorre até hoje no Vietnã: o nascimento de crianças disformes, malformação congênita, sem membros, com doenças mentais e outras anomalias nas células somáticas. Sem sombra de dúvida, ainda persistem toxinas nocivas no lençol freático e no solo, devido às investidas militares por armas químicas. A empresa Monsanto e outras multinacionais que produziram o agente laranja, receberam diversos processos de indenizações por familiares vietnamitas.&lt;br /&gt;No episódio recente de utilização de armas proibidas, aconteceu durante a série de ataques recíprocos entre Israel e o grupo Hamas em 2008. O exército de Tel-Aviv foi acusado por um comissário da ONU de ter usado fósforo branco, uma substância tóxica incendiária proibida pelas leis internacionais. O governo de Israel negou veementemente o fato. Mas há algumas evidências: os automóveis e as casas em chamas não se apagavam com equipamentos convencionais. Nesse mesmo conflito, o prédio de refugiados palestinos da ONU, teria sido alvo das bombas de fósforo branco de Israel. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon repudiou prontamente o ataque. O secretário de defesa de Israel apenas lamentou o ocorrido. A substância em contato com o oxigênio, expele fumaça branca; testemunhas confirmaram terem observados tal fumaça. Com o desenvolvimento da engenharia genética, fica mais difícil a fiscalização pelos órgãos de segurança internacional. Nas últimas décadas, esse tipo de arma caiu nas mãos de grupos terroristas. Tal afirmação se apóia no episódio onde 12 pessoas morreram no atentado com o gás Sarin provocado por um grupo fanático na capital do Japão, em 1996. Pode-se destacar também o pó de antraz, substância altamente tóxica, que estava impregnada em cartas endereçadas às autoridades norte-americanas. Se o ditador Iraque foi enforcado pelo o governo do ex-presidente George W. Bush, sem nunca ter encontrado quaisquer armamento químico, o fato é que os maiores detentores de produtos químicos ou orgânicos com capacidade de ser utilizado em guerras são países mais ricos do mundo os quais possuem grande capital e mão de obra especializada no intuito de avançar na tecnologia espacial e na ampla rede de pesquisa universitária. Os governos muitas vezes contribuem para a proliferação equipamento químico-nuclear ao não conseguirem fiscalizar os laboratórios privados. Muitos deste são grandes multinacionais que detêm poderes econômicos sobre vários recursos naturais e recebem grandes investimentos em capital humano e tecnológico, inclusive dos governos, a fim de produzir cosméticos e remédio. Os governos sempre querem evitar a transferência de tecnologia, entretanto, algumas patentes podem cair em mãos irresponsáveis. As armas químicas, portanto, se desenvolveram junto com a bio-genética e a química quântica, mas sempre aliada ao militarismo imperialista ou à transferência ilegal ou legal de tecnologia para criminosos ou grupos extremistas com interesses políticos escusos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dados importantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARMAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS&lt;br /&gt;RELATOS HISTÓRICOS SOBRE O USO DE ARMAS QUÍMICAS E BIOLÓGICAS&lt;br /&gt;2000 a.C. - Na Índia, eram utilizadas cortinas de fumaça que liberavam vapores tóxicos contra os inimigos; 431 a 404 a.C. – Na Guerra do Peloponeso, Esparta usou madeira impregnada de enxofre e piche, que liberava vapores sufocantes, contra Atenas.&lt;br /&gt;Século XIV - O primeiro registro do uso de armas biológicas foi o combate em que os tártaros tentaram conquistar parte da Ucrânia. Eles catapultavam cadáveres com o vírus da Peste Negra para dentro dos muros da cidade inimiga.&lt;br /&gt;Século XVIII - Tropas inglesas infectaram índios norte-americanos ao presenteá-los com roupas contaminadas com o vírus da varíola.&lt;br /&gt;1914-1918 - Na I Guerra Mundial, aproximadamente cem mil pessoas foram mortas ou feridas por armas químicas. O gás mostarda (que queima e causa bolhas na pele) foi usado pela primeira vez na batalha de Ypres, na Bélgica. Em 15 minutos, cinco mil pessoas morreram.&lt;br /&gt;1925 - A Espanha reprimiu uma revolta em Marrocos (sua possessão à época) com o uso de gás mostarda&lt;br /&gt;1931 - Japoneses utilizaram armas químicas na invasão da Manchúria, costa leste da China. Uma unidade militar também desenvolveu e testou armas biológicas na província de Pig Fan, o que causou a morte de milhares de prisioneiros de guerra por peste bubônica, cólera e antraz.&lt;br /&gt;Década de 40 - Os alemães desenvolveram os gases letais Tabum, Sarim e Somam. Um outro, o Zyklon-B, foi usado para aniquilar milhões de judeus em campos de concentração. Os britânicos aperfeiçoaram o poder letal desses gases e criaram a família V – gases VE e VX, muitas vezes mais tóxicos.&lt;br /&gt;1962 a 1969 – Egípcios utilizaram armas químicas vindas da ex-União Soviética contra o Iêmen do Norte&lt;br /&gt;1972 - Durante a Guerra do Vietnã, os Estados Unidos usaram o agente laranja. Trata-se de uma substândia desfolhante que devastava florestas que serviam de refúgio para os vietcongs. Nesse combate, também foram utilizadas toneladas de gás lacrimogênio.&lt;br /&gt;1979 - Na cidade de Sverdlovsk (na antiga União Soviética), mais de cem pessoas morreram de forma repentina. Em 1992, os russos reconheceram que as mortes foram causadas por uma dispersão involuntária de microorganismos a partir de uma instalação militar.&lt;br /&gt;1980/1988 - Na guerra Irã x Iraque, as forças iraquianas usaram armas químicas, como os gases Sarim e mostarda.&lt;br /&gt;1991 - Na Guerra do Golfo, surgiram denúncias pelo uso de armas químicas por Saddam Hussein. O Kuwait também afirmou ter sofrido ataques biológicos.&lt;br /&gt;1995 - Militares do Equador acusaram o Peru de ataques com armas químicas em combates pela definição de fronteira.&lt;br /&gt;1996 - A seita terrorista Aum Shinrikyo (do guru Shoko Asahara) utilizou o gás Sarim para atentados no metrô de Tóquio – 12 pessoas morreram e outras cinco mil foram intoxicadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fonte: Site do CORREIO BRASILIENSE)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-422977654272939342?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/422977654272939342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=422977654272939342' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/422977654272939342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/422977654272939342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/12/armas-quimicas.html' title='Armas químicas'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-6822197800693152336</id><published>2009-11-28T03:28:00.001-08:00</published><updated>2009-12-09T07:48:35.028-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Artigo 1ª Página</title><content type='html'>Mais uma vez eu sou obrigado a fazer algumas objeções aos fatos expostos na matéria que passou no programa Fantástico da Rede Globo. Antes devemos analisar outro jogo em questão. É evidente a perda de audiência da emissora diante da concorrência na luta para conquistar a patética programação dominical de televisão. Com o crescimento da TV RECORD, patrocinado pelos autos valores do dízimo arrecadado pela Igreja Universal, a Globo viu o seu império ameaçado e decaindo nos índices do IPOBE. A famigerada figura de Edir Macedo, líder da Universal e proprietário da emissora rival, é bem conhecida nas matérias de jornais. Não vou comentar mais nada sobre o bispo... A Justiça cuida dele. A Rede Globo, a fim de readquirir o prestígio perdido, apóia-se em reportagens chocantes a respeito de temas discutidos no mundo; expondo-os, descomprometida com a realidade, no decante programa Fantástico e na cobertura jornalística matinal. Dessa vez, de novo, o tema foi o aquecimento global. O suposto fenômeno mundialmente discutido será o foco principal da próxima Conferência Mundial sobre o Clima na capital da Dinamarca.&lt;br /&gt;Há contestações e dúvidas no meio acadêmico sobre o aquecimento global da maneira como é divulgada na imprensa do mundo inteiro. Os cientistas do NIPCC - Painel Não-Governamental sobre Mudanças Climáticas-, criado no intuito de contestar o IPCC - Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas - pertencente à ONU - Organização das Nações Unidas - refutam o tom de alarmismo e histeria em relação às ações antropogênicas como causa das mudanças climáticas. Estes defendem que o planeta possui ciclos climáticos naturais de aquecimento e resfriamento relacionados com atividade solar. Ou seja: o aquecimento global seria um fenômeno natural da Terra, e não advindo das emissões de gás carbônico produzido pelas ações humanas. Outros especialistas, aqui mesmo no Brasil, também discordam de algumas conclusões do IPCC. Só para citar uma voz dissidente entre alguns especialistas brasileiros, o respeitado professor Luiz Carlos Molion, da Universidade de Alagoas, defende que o atual cenário de mudanças climáticas está inserido no contexto do período interglacial comum, no qual o planeta passa naturalmente pelo o ciclo climático de resfriamento e aquecimento da Terra. Ele ainda vai mais longe ao dizer que o planeta esta saindo de uma fase de aquecimento e entrando numa outra de resfriamento. A Terra, portanto, começará a se resfriar diminuindo a temperatura média global. Na opinião do professor Molion, a variação da temperatura do Pacífico seria o fator no qual se apóia o equilíbrio da Terra. Quando as águas da região se tornam mais quentes, haveria uma subida nos termômetros de várias outras regiões do mundo, isso devido à mudança das correntes marítimas e a maior evaporação. Outros cientistas argumentam que os efeitos dos raios solares sobre a superfície da Terra são bem mais significantes do que a presença do gás carbônico na atmosfera. Ao contrário do argumento do IPCC, a quantidade de carbono na atmosfera não teria relação com o aumento de temperatura global. O assunto é controverso.&lt;br /&gt;A propaganda midiática transmite sempre uma imagem apocalíptica das conseqüências do aquecimento global sobre o mundo. Desastres ambientais de grandes proporções, catástrofes, fomes em grandes escalas por causa de secas sucessivas, furacões e ciclones em lugares nunca ocorridos, tempestades tropicais e cheias, aumento do nível do mar afundando países insulares, expansão das áreas desérticas, perca total das geleiras do topo das cordilheiras de montanhas e das calotas polares, insurgência de doenças conforme a mudança de temperatura, buraco (afinamento) na camada de ozônio, eventos climáticos extremos e até &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tsunamis&lt;/span&gt;. Exemplos de tais relações de fenômenos ligados à causa do aquecimento global, foram as chuvas que atingiram o sul do Brasil, cujo saldo deixou dezenas de mortes e centenas de famílias desabrigadas. Em 2005, os jornais cogitaram que a estiagem na Amazônia era o sinal claro do qual a ordem do clima no mundo estava sendo duramente afetada pelas atividades nocivas do homem. Outro caso, que soa pura falta de instrução, é o do município piauiense de Gilbués, cuja localização se encontra numa extensa área assolada pelas grandes voçorocas surgidas da degradação do solo, o que provoca desertificação e abandono das propriedades da região. O programa Fantástico&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-6822197800693152336?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/6822197800693152336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=6822197800693152336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6822197800693152336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6822197800693152336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/11/artigo-1-pagina_4513.html' title='Artigo 1ª Página'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-4149121441495817335</id><published>2009-11-28T03:25:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T03:26:19.738-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Artigo 2ª Página</title><content type='html'>chegou ao absurdo de relacionar os graves problemas sofridos pelo uso indevido do solo ao aquecimento global. É no mínimo ridículo!&lt;br /&gt;É comum matérias jornalísticas passarem a idéia de que nunca teve furacão no Brasil; e agora, segundo os sensacionalistas, devido ao aquecimento global causado pelo homem, ocorreu a formação do Catarina no sul, no ano de 2004. De fato, essa foi a primeira vez na qual se registrou um fenômeno natural desse tipo no Brasil, entretanto, nas décadas anteriores não existiam tecnologia e equipamentos para angariar informações seguras sobre a dinâmica do clima. Não podemos, portanto, confirmar se o evento é inédito, já que deve ter acontecido em algum outro tempo no qual não poderíamos ter registrado. Sobre a seca severa que acometeu a Amazônia, em 2005, a mídia deu pouca importância aos sistemas de baixa pressão no Atlântico Norte, que influenciam o movimento dos ventos, e ao fenômeno &lt;span style="font-style:italic;"&gt;El Niño&lt;/span&gt; de ocorrência cíclica no Pacífico, na costa do Peru. Estes imputam os regimes de chuvas e os períodos de estiagem das regiões norte e nordeste do Brasil. Uma intensificação natural de algum dos fenômenos pode acarretar um distúrbio na constância climática, ou seja, a severidade ou o prolongamento de uma seca fora do normal da média dos outros anos, por exemplo. Já na questão da região norte do estado do Piauí, não tem nada a ver com o clima ou com alguma mudança na distribuição das precipitações. Gilbués é uma localidade que sofreu com a proliferação de garimpos irregulares de fundo de quintal, dos quais restaram grandes crateras no solo. Além disso, práticas agrícolas sem conhecimento técnico, como a queimada e o desmatamento de encostas, deixou o solo desprotegido sem a vegetação natural, contribuindo para a intensa lixiviação da superfície (lavagem do solo pela a água da chuva), os sulcos na paisagem, a infertilidade do solo e o alto grau do processo de desertificação. Sem dizer um fator importante: a porosidade ou a fragilidade natural do terreno nas cercanias do município, faz parte do prolongamento da região do Jalapão, no Tocantins, cujo solo é típico argiloso mais propenso à erosão. Mas o fato mais grave de toda a patética campanha de desinformação exposto pela a mídia é relacionar um movimento de placas tectônicas ao impacto antrópico sobre o ambiente. Isso é muito triste porque pode afetar o conhecimento das futuras gerações ao atribuir às forças telúricas da natureza como um “ente” que se vinga do homem... É no mínimo senso moralista que se aproxima da crença religiosa, e se distancia em muito da ciência a qual deve sempre se preocupar usando responsabilidade nos estudos das relações fenomênicas de equilíbrio e dos processos naturais, que estruturam o universo do qual faz parte o planeta Terra.&lt;br /&gt;Sabemos que o clima é um sistema dinâmico e em constante mudança desde a formação da atmosfera terrestre há milhões de anos. O clima é composto por fatores endógenos e exógenos ao planeta. Os primeiros são as massas de ar, as correntes marítimas e os ventos planetários que recebem influência do Movimento de Coriolis₁, as células de circulação atmosférica, o albedo da superfície entre outros. Os segundos, são as atividades solares, os movimentos de rotação e translação, a variação da distância da Terra em relação ao Sol, as influências gravitacionais, os deslocamentos cíclicos do eixo &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;₁Um corpo em um referencial em rotação, portanto não-inercial, estará sujeito à ação de dois tipos de força de inércia, a Força Centrífuga que atuará na direção do raio para fora da curva e uma outra força que tenderá a desviar lateralmente o movimento do corpo, essa última conhecida como Força de Coriolis. Tal força foi batizada em homenagem ao engenheiro e matemático francês, Gaspard Gustave de Coriolis, que em 1835 descreveu as leis da mecânica para um sistema de referência em rotação. Em seus estudos Coriolis verificou que em um sistema em rotação (como é o caso da Terra) há uma força que afeta o movimento de um corpo de maneira diferente no hemisfério sul e no hemisfério norte. Devido à forma esférica da Terra, a Força de Coriolis possui um sentido no hemisfério sul e sentido oposto no hemisfério norte, sendo de intensidade nula no Equador. É por causa da força de Coriolis que grandes camadas de ar entram em movimento de rotação originando os ciclones; ciclones que giram no sentido anti-horário no hemisfério norte e no sentido horário no hemisfério sul. Os movimentos das correntes oceânicas também são resultado da ação da Força de Coriolis, bem como os desvios sofridos por projéteis em trajetórias de longo alcance. http://www.algosobre.com.br/fisica/a-forca-de-coriolis-determina-o-sentido-de-rotacao-da-agua-em-uma-pia.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-4149121441495817335?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/4149121441495817335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=4149121441495817335' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4149121441495817335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4149121441495817335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/11/artigo-2-pagina_3278.html' title='Artigo 2ª Página'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-8956772199982221160</id><published>2009-11-28T03:23:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T03:25:02.718-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Artigo 3ª Página</title><content type='html'>imaginário do planeta. Nesse contexto, os modelos estatísticos e matemáticos não conseguem definir com exatidão a realidade futura do clima, bem como não podem prever, apoiados em bases de dados confiáveis, o comportamento dos fatores climáticos, como por exemplo, a temperatura daqui a algumas décadas. Isso porque o clima é composto por uma série de variantes fenomenais de extrema complexidade. Modelos quantitativos, nos quais os estudos IPCC se baseiam, não servem para extrair valores percentuais de processos naturais cuja estrutura é constituída de uma ampla rede de fatores que estão em constantes mudanças. As grandes massas de ar são exemplos disso. Não podemos esquecer da importância dos oceanos ao clima. Eles são gigantescas fontes de absorção, dispersão e acumulação do calor solar. Em outras palavras, a variação de temperatura das águas dos oceanos é responsável pelo índice de evaporação e acúmulo de nuvens, conseqüentemente, pela a condensação de vapor d’água e a quantidade de calor aprisionado, o que também ocasiona o aumento da temperatura. Ou seja: os oceanos conservam calor de milhões de anos absorvido; durante certo período esse calor é necessário ser expelido, quer aumentando a temperatura da água, quer em forma de condensação de vapor. Isso é importante para a formação de ciclones, as mudanças nas correntes marítimas, a maior evaporação, as direções dos ventos, o maior acúmulo de nuvens e, por fim, o aquecimento da Terra. A função dos oceanos, além de regular o clima, é de emitir a mais expressiva e também mais abundante fonte gasosa do efeito estufa: o vapor d’água. Este papel do oceano de absorver, “reciclar” e reservar calor em suas águas deve ser considerado em quaisquer estudos sobre o clima. Contudo, esses processos físicos ocorridos nos oceanos alicerçam os argumentos dos especialistas do NIPCC, mas são deixados de lado ou pouco comentados pelo IPPC.&lt;br /&gt;Os integrantes do IPCC discordam totalmente da pouca importância do gás carbônico derivado da queima dos combustíveis fosseis como elemento impactante à atmosfera e causa do aquecimento global. Por outro lado, os cientistas que se aventuram a contrariar o IPCC parecem não tirar conclusões definitivas, o que é mais preferível na ciência. Olvidar a fragilidade do ecossistema terrestre, no entanto, significa se fechar numa opinião na qual não admite objeções; isso não é nada bom no discurso científico. Porém não devemos esquecer que as conclusões advindas do relatório do IPCC tomaram corpo político e moralista, cujos interesses da imprensa e dos governos dos países mais ricos se transformaram na matéria-prima da qual a opinião pública constrói o alarmismo e sensacionalismo moral. Pois agora preservar as florestas, evitar a emissão carbono, economizar energia elétrica, enfim, é “obrigação” histérica de todos a fim de salvar o planeta do aquecimento global. A responsabilidade de cidadania de cada indivíduo virou um objeto de mercado cobiçado por discursos eleitoreiros e de defesa ao anti-desenvolvimento econômico das nações mais pobres.&lt;br /&gt;A ciência estar sendo descartada em detrimento de reuniões e conferências internacionais que não se questionam os impactos das atividades humanas no solo em conjunto com a produção de alimentos, por exemplo. Ao invés disso, põem em pauta as inócuas reduções de emissões de gases de efeito estufa e créditos de carbono, que tem mais valor de capital financeiro do que valor realmente humano em benefício da sociedade. A maioria do carbono lançado à atmosfera é oriunda dos microorganismos dos mares e da biota terrestre; a parte emitida pelo o homem é quase insignificante. Mas em contrapartida, não podemos negligenciar a fragilidade dos ecossistemas que compõem a biosfera, os fluxos de energia, os serviços ecossistêmicos (água, as florestas, a biota, etc.), a erosão natural do solo, os cíclicos do carbono e do nitrogênio entre outros. Todos esses processos estão sujeitos ao impacto das atividades humanas, e são extremamente vulneráveis ao poder industrial do modo de produção, no qual a devastação e as queimadas de florestas e a falta de conservação dos recursos hídricos estão comprometendo as gerações futuras. Portanto, quaisquer alterações químicas ou físicas no ambiente, por mínimas que sejam, tem que ser levadas em conta ao analisar o sistema bioquímico que estrutura as relações entre os fenômenos naturais climáticos e os processos da litosfera, cujo homem é o único&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-8956772199982221160?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/8956772199982221160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=8956772199982221160' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8956772199982221160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8956772199982221160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/11/artigo-3-pagina_4660.html' title='Artigo 3ª Página'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-8918436758527024680</id><published>2009-11-28T03:22:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T03:23:30.984-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Artigo 4ª Página</title><content type='html'>elemento vivo pensante, possuindo a maior capacidade de transformar e manipular os recursos naturais do ambiente.&lt;br /&gt;De qualquer maneira, o caminho de um consenso ou uma verdade _não absoluta, é claro_ é o da ciência através de estudos mais consistentes, sempre privilegiando opiniões contrárias e se aprofundando na perscrutação dos fenômenos, sem se deixar levar pelo emocional. Descobrimos todos continentes e desbravamos os fundos dos mares com as nossas máquinas sofisticadas; avançamos no conhecimento dos processos biológicos e descortinamos a última fronteira do espaço, o cosmo. No entanto, existem diversos processos naturais que ocorrem no dia a dia de nosso planeta dos quais ainda não conseguimos extrair uma explicação satisfatória. A Climatologia e a Meteorologia são ramos da ciência que estão tomando importância devido ao incremento da tecnologia do sensoriamento remoto, das imagens satélites de alta resolução e das modernas estações de monitoramento. Há poucas décadas, não tínhamos como detectar o movimento das massas de ar, tampouco a formação de ciclones extratropicais no oceano. Hoje podemos prever o tempo com antecedência de várias semanas, com o mínimo de erro. Além disso, as máquinas fotográficas digitais estão espalhadas e comumente registram fenômenos climáticos adversos, sobretudo no Brasil onde se divulgam fotos de formações de funis de nuvens no litoral e até no continente. A função da ciência não é o de se entregar à histeria e às previsões exacerbadas contidas em discurso moralista de salvar o planeta, mas sim poder investigar e coletar evidências da realidade sobre as mudanças climáticas, que se sucedem diferentemente em certos intervalos de tempos geológicos. Não temos ainda a certeza de que o homem é a causa dessas mudanças atuais. Aliás, o clima da Terra, como eu disse, está num inconstante esquema de transformações naturais desde os primórdios da evolução do planeta. Ele está ligado às grandes crises de alimento ocorridas em épocas remotas, aos desaparecimentos de civilizações e às grandes imigrações de povos. As mudanças climáticas sempre influenciaram a existência humana independentemente dela ou dos efeitos produzidos pelo o homem. Por isso, não podemos se precipitar em confirmações grosseiras não depuradas por um diagnóstico sem evasão. &lt;br /&gt;O mais agravante é a questão política-econômica. Os países pobres não podem investir nas chamadas energias limpas pois acarretam um custo altíssimo em aparelhagem, e esse gasto as nações ricas não se mostram dispostas a bancar ou pelo ao menos ceder tecnologia à implantação de tais formas de energia. São discursos hipócritas de que a Revolução Industrial e seu desenvolvimento ao longo dos tempos, ajudaram a enriquecer as potências mundiais e, em contraposição, a “destruir” o planeta. Então quem deve pagar pelos impactos ao ambiente, são as nações subdesenvolvidas que agora não podem crescer? Nesse caso, concordo com aqueles especialistas do filme “&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A Grande Farsa do Aquecimento Global&lt;/span&gt;”₂... Conforme a ideologia ambientalista moralista, o desenvolvimento econômico dessas nações está comprometido, o que coloca em riscos milhões de pessoas nos grandes bolsões de pobreza do mundo. As fontes de energia mais acessíveis a esses países são o petróleo ou carvão mineral. Países africanos, por exemplo, estão nessa situação. Enquanto isso, os líderes mundiais não se comprometem com afinco num acordo de investimentos e pesquisas em fontes alternativas que substituam ou diminuam o consumo de combustíveis fósseis, bem como evitam a transferência de tecnologia para as nações mais pobres. Mas com muitos interesses escusos em jogo, como as grandes corporações petrolíferas e automobilísticas, a polarização entre nações ricas e pobres entre outros anseios capitalistas, a utopia de uma integração energética fica a cada dia mais distante. De fato, todas as conferências sobre o clima ou ambiente até agora não indicaram nenhum rumo para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;₂ O Canal 4 britânico produziu o devastador documentário intitulado "A Grande Farsa do Aquecimento Global". Ele não foi, ao que parece, exibido por nenhuma das redes de televisão nos EUA, mas está disponível na internet e agora legendado em português. Ilhas de calor é o nome que se dá a um fenômeno climático que ocorre principalmente nas cidades com elevado grau de urbanização.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-8918436758527024680?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/8918436758527024680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=8918436758527024680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8918436758527024680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8918436758527024680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/11/artigo-4-pagina_28.html' title='Artigo 4ª Página'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-1412839567490297246</id><published>2009-11-28T03:18:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T03:20:24.440-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Artigo 5ª Página</title><content type='html'>Não devemos confundir conservação ou proteção ambiental e cidadania com o aquecimento global ou mudanças climáticas. Em outras palavras: a implantação de áreas de reservas florestais, a necessidade do zoneamento ecológico-econômico (ZEE) nas cidades, visando a proteção dos mananciais hídricos, o bom uso do solo, a coleta seletiva e reciclagem de lixo sintético ou orgânico, o não desperdício de água e energia, que são práticas de cidadania, a diminuição das emissões de gás carbônico (CO²), principalmente nas grandes cidades, a fim de amenizar as “ilhas de calor” que acometem o bem-estar da população, tudo isso deve ser tarefas diárias cumpridas por cada cidadão e por toda a sociedade, independentemente de a temperatura da Terra estiver aumentando ou diminuindo, enfim, se o aquecimento global é um processo natural ou ocasionado pelo homem. Porém isso implica numa mudança radical de costumes. Atos não precisam ser impostos mas promovidos. Essas noções devem ser transmitidas nas salas de aula, na disciplina de educação ambiental. Usando como exemplos dados científicos descomprometidos com qualquer posição moralista na qual põe o homem como “vilão” e natureza reagindo por ser “vítima”. Também devemos evitar o discurso profético e quase religioso de “juízo final” causado pela “destruição” da natureza e a “poluição” do planeta, sob a égide do aquecimento global que dissemina alucinação tanto no ensino primário quanto no meio acadêmico. Um cenário apocalíptico está nas entre as linhas de muitas redações de estudantes... Um dos diversos itens contribuintes dessa falta de conhecimento é o abobado Relatório Stern₄ no qual não há nenhuma noção da realidade e do modo de produção da história humana, não nenhuma base cientifica, enfim, é um mundo de mais de 700 páginas que representam apenas uma série de falácias num universo do inconcebível₅...&lt;br /&gt;Não é certo tirar conclusões precipitadas. A ciência trabalha com múltiplas evidências para &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;₃Nestas cidades, a temperatura média costuma ser mais elevada do que nas regiões rurais próximas. Para entendermos melhor este fenômeno climático, podemos usar como exemplo a cidade de São Paulo que é considerada uma ilha de calor. Como esta cidade tem grande concentração de asfalto (ruas, avenidas) e concreto (prédios, casas e outras construções), ela concentra mais calor, fazendo com que a temperatura fique acima da média dos municípios da região. A umidade relativa do ar também fica baixa nestas áreas. Outros fatores que favorecem o aquecimento da temperatura em São Paulo são: pouca quantidade de verde (árvores e plantas) e alto índice de poluição atmosférica, que favorece a elevação da temperatura. A formação e presença de ilhas de calor no mundo são negativas para o meio ambiente, pois favorecem a intensificação do fenômeno do aquecimento global. http://www.suapesquisa.com/o_que_e/ilha_de_calor.htm&lt;br /&gt;₄O Relatório Stern (do nome do seu coordenador, Sir Nicholas Stern, economista britânico do Banco Mundial) é um estudo encomendado pelo governo Britânico sobre os efeitos na economia mundial das alterações climáticas nos próximos 50 anos. O relatório resultante esse estudo foi apresentado ao público no dia 30 de Outubro de 2006 e contem mais de 700 páginas e é um dos primeiros estudos encomendados por um governo sobre o assunto a um Economista e não a um cientista da área. Uma das principais conclusões a que se chega no relatório é que com um investimento de apenas 1% do PIB Mundial se pode evitar a perda de 20% do mesmo PIB num prazo de simulação de 50 anos. http://pt.wikipedia.org/wiki/Relat%C3%B3rio_Stern&lt;br /&gt;₅As bases de cálculo do impacto no PIB mundial dos efeitos do aquecimento global têm implícito os seguintes pressupostos altamente duvidosos ou mesmo factualmente errados: a) custo social por tonelada de CO2 de 85 US$ quando o mais reputado especialista da matéria (William Nordhaus da Universidade de Yale) o calcula em 2,5 US$; b) o relatório pressupõe que o mundo continuará a emitir CO2 até ao final do século XXII (sim até quase 2200, onde termina a sua projeção explicita), pondo de lado que, necessariamente até lá, a inovação tecnológica terá conduzido à substituição do atual papel dos combustíveis de origem fóssil. Nessa base Stern estima que em 2180 as temperaturas terão aumentado 8 graus custando entre 11% e 14% do PIB mundial; c) o relatório calcula uma anuidade do custo total previsto do efeito do aumento da temperatura utilizando uma taxa de desconto muito baixa. O efeito é que não só é tido em conta o fator tempo na diluição do peso do custo das emissões de CO2 - Nicholas Stern admite que entre hoje e 2100 o custo varie entre 0% e 3%, só atingindo 11% a 14% em 2180!) como a baixa taxa de desconto manipula grosseiramente o valor atual do impacto do aquecimento global; d) o relatório Stern "inventa" um cenário pior que o cenário mais catástrofista das Nações Unidas; depois da manipulação financeira anterior este novo ajustamento aumenta os 11% para 15%; e) finalmente, uma vez que, o Sr. Stern considera que as populações pobres estão subestimadas pelo cálculo econômico, faz mais uma correção que atira o valor para 20% do PIB. 2006 Alves, Franquelim http://www.aguaonline.net/opinionarticle/content.php?id=9&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-1412839567490297246?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/1412839567490297246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=1412839567490297246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/1412839567490297246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/1412839567490297246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/11/artigo-5-pagina_28.html' title='Artigo 5ª Página'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-5968739160315893185</id><published>2009-11-28T03:17:00.000-08:00</published><updated>2009-11-28T03:18:39.642-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Artigo 6ª Página</title><content type='html'>um conceito, que, por sua vez, pode ser superado. É justamente dessa maneira que as mudanças climáticas estão sendo tratadas. E o pior: o pessoal do IPCC está qualificando uma teoria como verdade absoluta. Mas seria também imprudente se nós omitíssemos os fatos de que os ecossistemas são frágeis e a mínima alteração na quantidade de um elemento químico num fluxo geoquímico ou bioquímico, irá acarretar algum comprometimento ao ambiente natural. O homem tem grande capacidade se envolver com o espaço e modificá-lo, dentro dos limites, a favor dele. Cabe agora, estudar com mais seriedade e compromisso os diversos fatores que modificam o clima cujo resultado depende de nossa própria sobrevivência. Muitas civilizações desapareceram por cataclismos ambientais ligado ao clima; os maias talvez sejam exemplo disso. Por isso devemos ter responsabilidade com os recursos naturais e utilizá-los de maneira sustentável. O petróleo e o carvão mineral não são somente vilões produtores de CO², eles são as fontes de energia mais usuais no mundo devido principalmente ao custo. Investir em outras tecnologias é fundamental, já que o petróleo utilizado para diversas confecções de materiais e combustíveis está se esgotando. O seu fim é iminente.&lt;br /&gt;Um fato curioso que devemos analisar é a ascensão da teoria do aquecimento global. Ela surgiu nos anos 70 no auge da crise do petróleo. Por quê? A primeira Conferência sobre Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, na Suécia, alertava a respeito da degradação ambiental e defendia que os recursos eram esgotáveis, sepultando a antiga noção de “recursos naturais infinitos” de Bretton Woods₆. A discussão sobre o clima veio logo em seguida na medida em que o consumo dos hidrocarbonetos exorbitava, ocasionando uma grande demanda de gasolina (derivado do petróleo), conforme a população adquiria automóveis e as cidades industriais cresciam. Então, no contexto da poluição atmosférica oriunda das fumaças dos veículos, o clima do planeta começou a ser debatido mais freqüência. Talvez os próprios governos incentivavam o assunto, até para tentar conscientizar a população no intuito de conter a grande procura por combustíveis. É nesse cenário que a teoria do aquecimento global surgiu. O petróleo ficando cada vez mais escasso, e, além do fabrico de combustíveis, servindo ainda de matéria-prima à produção de uma série de objetos utilizados no dia a dia, como por exemplo, os plásticos e os pneus.&lt;br /&gt;A grande dependência do petróleo é uma problemática, mas também é uma oportunidade ao crescimento de pesquisas acadêmicas objetivando a projeção de outras energias viáveis. Mais uma vez necessita de investimento em educação e tecnologia na formação de profissionais e pesquisadores. Também precisamos ser mais diversificados com novas fontes energia. O Brasil, por exemplo, é muito dependente das hidrelétricas, que, apesar de serem fontes de energia limpa, requer imensos impactos ambientais no momento de represar os cursos de água. O apagão neste mês demonstra o tanto que o país precisa de outras fontes, seja a nuclear ou outra fonte alternativa viável. Aliás, essa espécie de fonte é uma opção na luta política e ideológica para mitigar a emissões de CO². A desvantagem é a de não saber aonde destinar o lixo nuclear, ainda o investimento em tecnologia e segurança a fim de evitar algum acidente ou vazamento de radiação é muito substancial. Não podemos pensar o desenvolvimento econômico com uma ameaça ao ambiente, ao clima ou à sociedade. Antes de tudo, não devemos esquecer que do modo de produção moderno podemos extrair riquezas conservado o ambiente e distribuí-las de maneira mais equitativa, apesar da segregação perversa do capitalismo onde o indivíduo é avaliado pelo o valor de mercado. Essa é a lógica do desenvolvimento sustentável na qual o bem estar social deve coexistir com os serviços ecossistêmicos fundamentais à vida humana. O aquecimento global sendo verdadeiro ou não, trouxe uma oportunidade para a gente refletir a respeito do futuro do homem, se ele irá sucumbir pelo a sua própria vontade. A reflexão nos dar uma visão mais ampla sobre a nossa única e derradeira morada no universo: o pequeno ponto azul que chamamos de planeta Terra.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;₆Com o objetivo de discutir o funcionamento da economia no pós-guerra, 44 países enviaram 700 representantes para uma grande reunião, iniciada em 1º de junho de 1944 na cidade de Bretton Woods, situada no estado de New Hampshire, Estados Unidos. Na abertura da Conferência o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Morgenthau, falou da “criação de uma economia mundial dinâmica, na qual os povos de cada nação terão possibilidade de realizar suas potencialidades em paz e de gozar mais dos frutos do progresso material, numa Terra benzida por riquezas naturais infinitas”. Nota-se aí, a noção de recursos naturais infinitos que vai dominar o pensamento dos líderes mundiais até a revolução cultural no final da década de 70.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-5968739160315893185?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/5968739160315893185/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=5968739160315893185' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5968739160315893185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5968739160315893185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/11/artigo-6-pagina_28.html' title='Artigo 6ª Página'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-7502686514530589125</id><published>2009-11-26T10:44:00.000-08:00</published><updated>2010-01-15T13:41:52.139-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Poesias 3ª Parte</title><content type='html'>AGÔNIA DE FILÓSOFO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabendo que só o tempo preexiste&lt;br /&gt;Logo renunciei a certeza humana.&lt;br /&gt;Junto com ela, a Razão espinosiana &lt;br /&gt;E o amor pestilento dessa espécie triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a ciência na ignorância, insiste.&lt;br /&gt;Busco matar as dúvidas numa purana.&lt;br /&gt;Mesmo libertando-se da dor cotidiana,&lt;br /&gt;A percepção pessoal que ainda assiste&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A existência da não existência&lt;br /&gt;Trespassando os níveis de consciência&lt;br /&gt;No dualismo duma força inimaginável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro da ordem lógica que pressinto,&lt;br /&gt;Posso entender através do instinto&lt;br /&gt;Ao invés da razão pouco confiável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORAÇÃO REBELDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração rebelde cheio de juventude&lt;br /&gt;É tão medonho; tão patético e sem cor.&lt;br /&gt;Pois chama o prazer da paixão de virtude&lt;br /&gt;E a fragilidade de sublime amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração no auge dos vinte anos,&lt;br /&gt;Cultua a dor, por ser tão inocente.&lt;br /&gt;Luta numa guerra entre gregos e troianos&lt;br /&gt;Em busca duma Helena inconseqüente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração sagaz é sempre insatisfeito.&lt;br /&gt;Desfragmenta-se em pedaços no peito&lt;br /&gt;Para não sentir uma dor trágico-cômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu coração é fraco por não ter Cupido.&lt;br /&gt;Brigado com a Razão, vaga perdido.&lt;br /&gt;Sem poesia é uma válvula anatômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IDENTIDADE HUMANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde era o Império de Monomotapa&lt;br /&gt;_O mesmo rico solo da mãe africana_&lt;br /&gt;Um dia concebeu a identidade humana&lt;br /&gt;Que hoje vaga pelo globo sem mapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Suméria; de Majapahit ou de Harappa&lt;br /&gt;Veio a miscigenação e a busca insana.&lt;br /&gt;O herói macaco, no mito de Ramayana,&lt;br /&gt;Ou um dos sete sábios de Eridu: Adapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da dualidade de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Shiva-Shakti&lt;/span&gt; conflitante.&lt;br /&gt;Se de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Swásthya Yôga&lt;/span&gt;, ela era praticante,&lt;br /&gt;Hoje sua ciência reluta na relatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caracterizada na arcana cultura olmeca &lt;br /&gt;Ou na sagrada Caaba, na grandiosa Meca,&lt;br /&gt;Sempre buscando uma singularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DORES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dores são como nuvens carregadas&lt;br /&gt;Que desabam num chuvisco cristalino.&lt;br /&gt;São fontes de rios ou lagoas transbordadas&lt;br /&gt;Ou são enxurradas que correm sem destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as dores serão sempre águas passadas&lt;br /&gt;Que apagam as chamas dum amor ferino;&lt;br /&gt;Ou pegadas iguais a errantes pegadas&lt;br /&gt;Deixadas por um cambaleante peregrino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dores e lágrimas vêm em forma de enchente&lt;br /&gt;Trazendo o remédio que cura eternamente,&lt;br /&gt;Mas, às vezes, apenas ameniza e acalma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as dores que perseguem o ser humano&lt;br /&gt;São iguais as dores de Pompéia e Herculano;&lt;br /&gt;São as dores das profundezas da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÁGUIA PRESA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Águia presa_ essa inexistente liberdade_&lt;br /&gt;Pode voar mesmo com asas quebradas.&lt;br /&gt;Deve ser o preço de vidas despedaçadas&lt;br /&gt;Sempre buscando uma efêmera felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Águia do desejo morre na enfermidade.&lt;br /&gt;Por nascer das paixões não vingadas,&lt;br /&gt;Restos de amores em ânsias desgraçadas&lt;br /&gt;Que fugiram da enclausurada realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se na vida humana há tantas discrepâncias;&lt;br /&gt;Ninguém é constante nas inconstâncias&lt;br /&gt;Dúbias do resistente complexo irresoluto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada no mundo dos desejos é eterno.&lt;br /&gt;Todo ser humano tem esse mal moderno:&lt;br /&gt;Sentimento estranho de perda e luto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UMBANDISTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz oferenda à minha mãe Iemanjá,&lt;br /&gt;Depois saí com a jangada bem de manhã&lt;br /&gt;Navegando pelo o sopro de Iansã,&lt;br /&gt;Pois tenho fé e devoção em meu orixá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também tenho a proteção de Oxalá.&lt;br /&gt;Meu lar vibra, na linha da Cabocla Nanã.&lt;br /&gt;O Preto-velho com sua caridade cristã&lt;br /&gt;Tem a mesma força de Xangô Djacutá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho em mim, a força do povo de Luanda,&lt;br /&gt;Vibrando nas sete linhas de Umbanda;&lt;br /&gt;Buscando a universal essência anímica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo, montado a cavalo, o guerreiro Ogum.&lt;br /&gt;Sinto, na calmaria, o pulsar de Olurum,&lt;br /&gt;E nos chakras, a energia etéreo-química.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRENTE SEM CRENÇA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida vista no panorama retrospecto&lt;br /&gt;Expõe a labuta que findou o ócio.&lt;br /&gt;É o crente sem crença ou sacerdócio&lt;br /&gt;Buscando uma divindade sem aspecto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pela ignorância o ser é infecto&lt;br /&gt;O juízo dogmático é o único sócio.&lt;br /&gt;O horizonte não trespassa o equinócio,&lt;br /&gt;Pois é a menor afecção do intelecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O milagre já não existe. O azar é agouro.&lt;br /&gt;Nenhum credo irá para século vindouro...&lt;br /&gt;O ser humano vive de sua façanha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os antagônicos horizontes em conflito:&lt;br /&gt;A certeza cientifica tornou-se um mito;&lt;br /&gt;Enquanto a fé já não remove montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HISTÓRIA HUMANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas gotas de lágrimas sobre a fronha&lt;br /&gt;Do meu travesseiro de espuma.&lt;br /&gt;Vejo toda história humana em suma&lt;br /&gt;Nesta noite negra de nostalgia tardonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cama de espinhos enfadonha&lt;br /&gt;É toda tristeza humana que se avoluma.&lt;br /&gt;São guerras que vou sentindo uma a uma...&lt;br /&gt;Essa trajetória começou tão medonha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o mais antigo ancestral humano,&lt;br /&gt;Talvez dum extinto homenídeo africano,&lt;br /&gt;Que já se desenvolvia em sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caiu, Cartago e Roma; Tiro e Babilônia.&lt;br /&gt;Cai agora a desgraça desta insônia...&lt;br /&gt;Vou dormir com pena da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MENINA DE FOICE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louca armada de foice, sinistra menina,&lt;br /&gt;Vestindo seu negro e funesto capuz;&lt;br /&gt;Espreitando-me à noite ou à plena luz&lt;br /&gt;Do dia aziago, que sua ceifa determina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu selaste a vida, deixando a doutrina,&lt;br /&gt;Da vítima do destino agourento da cruz.&lt;br /&gt;Enquanto diante da tua face já me expus&lt;br /&gt;Pedindo o fim da dor que ainda germina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que carregas o dom de selar a sorte.&lt;br /&gt;Tu és a menina da certeza _ negra morte&lt;br /&gt;Ou negro fim que pode trazer a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu que olvidas e deixas ao mundo o ouro;&lt;br /&gt;Tu que põe medo pelo teu simples agouro...&lt;br /&gt;Oh! Menina do vai-e-vem da eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO AO AMOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me fale de amor, pois só conheço&lt;br /&gt;O amor humano que é fingimento.&lt;br /&gt;Não me fale de felicidade... Eu não esqueço&lt;br /&gt;Que sorri infeliz num único momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria amar sem exigir apreço;&lt;br /&gt;Amar com renúncia e desprendimento;&lt;br /&gt;Amar sem nome sem endereço &lt;br /&gt;Pra nunca querer reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria enxugar lágrimas como Cristo,&lt;br /&gt;Mas olho para sociedade, e desisto...&lt;br /&gt;No mundo, acho que isso é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É difícil lidar com o bicho gente.&lt;br /&gt;Eu queria poder pensar diferente,&lt;br /&gt;Pois é bem mais fácil ser insensível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARTÍCULAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elementos universais trazem no zigoto.&lt;br /&gt;Essa idéia traz uma meiga plenitude.&lt;br /&gt;Mesmo que acabe esse protótipo rude&lt;br /&gt;Algo existirá persistindo no ignoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hidrogênio, partículas e energia escura&lt;br /&gt;Formam a maior porção do universo.&lt;br /&gt;O homem é um evento casual adverso,&lt;br /&gt;Por depender de átomos numa estrutura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o universo está contido numa bolha,&lt;br /&gt;Então ao ser humano não há escolha...&lt;br /&gt;Senão a sensação de estar insatisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um buraco negro acelerando partículas:&lt;br /&gt;Assim ele suga todas as gotículas&lt;br /&gt;Do pranto arraigado no fim do sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRISTE PALHAÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No circo do destino, no picadeiro da vida,&lt;br /&gt;Entrou um triste palhaço sem fantasia.&lt;br /&gt;Saltimbanco do drama; artista da ironia&lt;br /&gt;Desta realidade bizarra tão temida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então deixou a platéia rindo estarrecida.  &lt;br /&gt;Escrava de seu riso; da dor de sua euforia&lt;br /&gt;Na peripécia duma insana acrobacia&lt;br /&gt;Em busca de si, numa aventura suicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de repente fugiu de sua personagem,&lt;br /&gt;Lavando com lágrimas, a maquiagem;&lt;br /&gt;Desertando de vez do espetáculo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou à condição de homem solitário&lt;br /&gt;Viu que o mundo é o verdadeiro cenário &lt;br /&gt;Duma paixão sem arte e sem vocábulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dor, rainha tirana do ser humano.&lt;br /&gt;Tu obrigas a implorar por uma breve morte&lt;br /&gt;Com os saldados e vassalos de tua corte,&lt;br /&gt;Derruba as muralhas de meu ego ufano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrateira, infiltra no meu coração libriano&lt;br /&gt;Surrupiando-o com seu espião consorte.&lt;br /&gt;Enfraquecendo-me atacando o forte,&lt;br /&gt;Que protege o palácio do eu soberano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tu minas as forças de meu império&lt;br /&gt;Saqueando-o como um bárbaro deletério.&lt;br /&gt;Obriga-me a sair em fuga no abandono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo teu exército sanguinário, sou deposto.&lt;br /&gt;Quando sinto as lágrimas descerem no rosto:&lt;br /&gt;Sou o rei perdido sem coroa e sem trono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESCREVENDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É noite. São dezenove horas exatamente.&lt;br /&gt;A lua minguante, o quarto meio frio.&lt;br /&gt;Sinto um tenebroso e imenso vazio.&lt;br /&gt;Preciso conquistar a alegria ausente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então cada palavra é um combatente.&lt;br /&gt;O papel branco é um território bravio.&lt;br /&gt;Nele os versos correm como um rio&lt;br /&gt;Que deságua no oceano do subconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevendo, esqueço tudo que esta lá fora.&lt;br /&gt;Não existe o anoitecer e nem a aurora,&lt;br /&gt;Se a noite negra brava tão breve abrevia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As letras são como soldados numa guerra&lt;br /&gt;Contra tudo que me faz infeliz nesta terra.&lt;br /&gt;Nessa hora sou um general da poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOJE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei distante de minha verdadeira cara.&lt;br /&gt;A existência fatídica, eu contradigo.&lt;br /&gt;O meu pesar era meu próprio inimigo.&lt;br /&gt;Hoje a metralhadora de paixões dispara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra as desilusões da noite clara&lt;br /&gt;Onde a felicidade nunca esteve comigo.&lt;br /&gt;Procuro outro colo, um novo abrigo &lt;br /&gt;Um campo fértil para minha seara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim cultivar meus amores e delírios,&lt;br /&gt;Pois no meu campo nunca houve lírios&lt;br /&gt;A não ser roseiras cheias de espinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto ao horizonte, além das expectativas.&lt;br /&gt;Desejo um milhão de alternativas&lt;br /&gt;E mais um milhão de caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse ar maléfico que o pulmão respira&lt;br /&gt;Quando atendemos ao apelo da vida&lt;br /&gt;É a própria voracidade homicida_&lt;br /&gt;A propagação infecunda da infame ira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É hora de chorar. A Terra ainda gira.&lt;br /&gt;Rode e reclame a liberdade esquecida.&lt;br /&gt;Os braços cruzados; a Razão dividida.&lt;br /&gt;A cabeça no alvo da arma que atira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a maldade; é tempo de violência.&lt;br /&gt;Proteja tua individualidade e existência.&lt;br /&gt;Fuja dessa ira corrupta e sanguinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fisicamente não pode fugir da bala;&lt;br /&gt;Abre a tua boca que agora se cala...&lt;br /&gt;Grite com tua paixão imaginária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VELHA JUVENTUDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na lira fúnebre de minha juventude,&lt;br /&gt;A dos vinte anos é igual a dos oitenta...&lt;br /&gt;O tempo tem fome cruel e sedenta:&lt;br /&gt;Devora o menino; deixa a senectude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria, lar de ilusões, que amiúde&lt;br /&gt;Cai por terra sem deixar a tormenta.&lt;br /&gt;Nessa hora nenhuma fé se sustenta;&lt;br /&gt;Nem a ciência; nem Deus de Talmude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que depois da morte o ser dispersa,&lt;br /&gt;Pois o RNA na transcriptase reversa&lt;br /&gt;Pode ser a desilusão de um velho sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há uma Utopia num lugar terreno,&lt;br /&gt;Mas creio num mundo mais ameno...&lt;br /&gt;Talvez o mesmo do sagrado alfarrábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SOLIDÃO DE UM SEM-TERRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debaixo de lona no ignoto acampamento,&lt;br /&gt;Um jovem com mil e um sonhos na sacola.&lt;br /&gt;Era sem-terra num medonho sofrimento,&lt;br /&gt;Onde a fome é o fantasma que assola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pesava planos desfeitos no pensamento,&lt;br /&gt;Enquanto sua boca implorava por esmola.&lt;br /&gt;Sem água na terra, não se colhe alimento,&lt;br /&gt;Mas numa lama de miséria, o sonho atola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas passou a década agônica de solidão.&lt;br /&gt;Será que de novo numa estranha ocasião&lt;br /&gt;Vai ser guiado por sua cega perseverança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois assim é a vida insana e traiçoeira,&lt;br /&gt;Deixa a vida esfacelada entre a poeira&lt;br /&gt;Duma terra que engoliu sua esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando este mundo medonho me pasma,&lt;br /&gt;Diante de um desconhecido abismo.&lt;br /&gt;Desfaço os opostos pelo o silogismo&lt;br /&gt;Da dimensão dentro duma bolha de plasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Persigo a figura desse arcano fantasma&lt;br /&gt;Que assusta meu crente mundo de niilismo&lt;br /&gt;Nas barreiras do real orlando o surrealismo,&lt;br /&gt;Mas no fim, nada de novo, entusiasma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe ânsia mais inquieta e eufórica&lt;br /&gt;Que a ânsia humana, na vida meteórica,&lt;br /&gt;Dentro da realidade que auto-transforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade absoluta pertence à matemática,&lt;br /&gt;Por isso não sigo nenhuma idéia dogmática&lt;br /&gt;Com a cisma severa da íntima reforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESEJOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo dia de manhã vejo espessa bruma.&lt;br /&gt;No horizonte são paixões indomáveis&lt;br /&gt;Pelos vales escarpados incomensuráveis;&lt;br /&gt;Pelas montanhas de tristezas em suma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou o mundo. Algo no peito se avoluma&lt;br /&gt;Em insanas tempestades indesejáveis:&lt;br /&gt;São certezas em lágrimas indecifráveis&lt;br /&gt;Que ferem em gotas; caem uma por uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no turbilhão de amores não vividos,&lt;br /&gt;Onde findaram todos os meus sentidos &lt;br /&gt;Na viagem que transcende a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o individuo não expressa o “sujeito”;&lt;br /&gt;Nem quando quebra algum conceito,&lt;br /&gt;Então não reconhece a sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NATUREZA MALDITA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite negra, força telúrica severa,&lt;br /&gt;Desaba na revolução do cenário&lt;br /&gt;Quando o homem, no ideal libertário,&lt;br /&gt;Rompe com as leis da antroposfera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Natureza maldita indomável impera&lt;br /&gt;As incertezas do espírito temerário.&lt;br /&gt;Lágrimas desembocam em estuário.&lt;br /&gt;Nada de empírico, apenas quimera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade tem seu tempo, mas é imputa. &lt;br /&gt;O absurdo é a realidade absoluta&lt;br /&gt;Observado ao juízo racional decadente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A árida ânsia humana insana infrene,&lt;br /&gt;Ao invés de correr num rio perene&lt;br /&gt;Corre a esmo num rio intermitente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ELUCIDAÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observando a visão universal evoluindo&lt;br /&gt;Diante da “visão imediatista” presente&lt;br /&gt;Debatendo-se na una dimensão ausente&lt;br /&gt;De arcanas nolições subjetivas persistindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram o eu humano e o cósmico coexistindo&lt;br /&gt;Na dimensão paralela indetectável, inerente&lt;br /&gt;Ao espírito em si, que é independente,&lt;br /&gt;De qualquer nucleossíntese eclodindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No “ser do não ser” ou no sujeito abstrato&lt;br /&gt;Ou no cálculo elementar, do modelo exato&lt;br /&gt;Da consciência que forma o “ente de razão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Big Bang e o Big Crush são o eu pulsante;&lt;br /&gt;Também são fases iguais ao do eu errante&lt;br /&gt;Do “homem universo” ou “espaço-relação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VAGO EXISTENCIAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite triste aliviada pela chuva fina&lt;br /&gt;É o mais desgraçado e aziago presságio.&lt;br /&gt;O amor imita o desdém num perfeito plágio&lt;br /&gt;Dentro do egocentrismo que alucina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, o amor humano, o ser abomina.&lt;br /&gt;Pois ele não é eterno, é apenas um estágio.&lt;br /&gt;O sentimento tem papel de sufrágio:&lt;br /&gt;Elege a paixão, pois o amor termina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se neste mundo, amar é uma dura labuta.&lt;br /&gt;O amor por si não vinga, não desfruta.&lt;br /&gt;O amor precisa de correspondência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a paixão é desejo e libertário,&lt;br /&gt;O amor é compromisso e itinerário&lt;br /&gt;No vagueio inexorável da existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERCEPÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Razão humana é percepção infiel.&lt;br /&gt;Governa o Coração desprezado que dói.&lt;br /&gt;Hoje sou Fênix de meu pseudo-herói,&lt;br /&gt;Que eu apelidei de infeliz ego incréu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó, Deus, não quero monotonia do céu!&lt;br /&gt;Nem o fim de Ivan Ilitch, de Tolstoy.&lt;br /&gt;Tampouco o inferno ardente que destrói...&lt;br /&gt;A liberdade são asas frágeis de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero transpor o senso moral, os opostos,&lt;br /&gt;As afecções, os entes metafísicos justapostos.&lt;br /&gt;Não feixe as portas deixando apenas uma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero vários caminhos e encruzilhadas&lt;br /&gt;Debandando em teorias complicadas...&lt;br /&gt;Elimine as certezas e não deixe nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MEMÓRIAS ALADAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã deixo a janela da memória aberta&lt;br /&gt;Pra que o sol da vida entre com raios suaves...&lt;br /&gt;Vejo da janela acortinada e entreaberta,&lt;br /&gt;Os tempos idos alados de lembranças graves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegam; apenas, uma coisa é certa:&lt;br /&gt;Trancar as portas lacrimais e sumir as chaves&lt;br /&gt;Do coração. Se eu tenho que ficar em alerta&lt;br /&gt;Quando voam no meu céu essas aves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Famintas que ficam em posição de ataque&lt;br /&gt;Esperando algum gemido, choro ou baque&lt;br /&gt;De meu corpo caído no chão por dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Busco desesperado na escuridão um reduto_&lt;br /&gt;A caverna de meus sonhos_ onde escuto&lt;br /&gt;Só o canto funesto desses predadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida já não é uma existência palpável.&lt;br /&gt;Por isso me conforto num ente sublime,&lt;br /&gt;Pra que nunca a tirana Razão domine&lt;br /&gt;Todas as amplidões do mundo imaginável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ilusão de crê na Verdade inabalável&lt;br /&gt;A Vontade dita seu teocrático regime.&lt;br /&gt;Então já não é a paixão que se exprime&lt;br /&gt;Nos desígnios do enigma indecifrável;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se para mim essa Tristeza é simbionte.&lt;br /&gt;Mas não quero apenas um horizonte,&lt;br /&gt;Muito menos ser escravo do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A liberdade é ilusão; a vida é medonha. &lt;br /&gt;Minha paixão é uma doce peçonha&lt;br /&gt;Composta por esse mundo viperino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DUALIDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva veio em pleno céu estrelado&lt;br /&gt;Com pingos suaves que se tornam enchente&lt;br /&gt;Levando a solidão das ruas. De repente,&lt;br /&gt;Eu já era outro ser transmudado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro ser que se deixou ser dominado&lt;br /&gt;Por lágrimas que saciaram o desejo ardente.&lt;br /&gt;Fiquei desvairado pela dor contingente&lt;br /&gt;Que trouxe o medo de sofrer emancipado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse mesmo ser que num dilema antigo&lt;br /&gt;_Na aventura de conhecer um novo Rodrigo_&lt;br /&gt;Na metamorfose transmitida pela dualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na busca de sua verdadeira tendência&lt;br /&gt;Sem entendimento de si, pela conseqüência&lt;br /&gt;Dos maiores sofrimentos da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENTENDIMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se procura com o olhar perspicaz,&lt;br /&gt;Argumentos pra entender o processo&lt;br /&gt;De construção do elemento ingresso&lt;br /&gt;No ambiente da partícula primaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontra-se a razão desse método eficaz&lt;br /&gt;Construindo os gases sem falta ou excesso;&lt;br /&gt;Pra que as coisas seguissem com sucesso&lt;br /&gt;E a nossa realidade fosse capaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há alguma forma de essência indivisível;&lt;br /&gt;A vida tende pra o mais simples possível,&lt;br /&gt;Discordando da origem absurda do tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos filhos das poeiras estelares.&lt;br /&gt;Silicatos, grafites dos Cúmulos globulares...&lt;br /&gt;Essa é a imagem de nosso eu desnudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VOZ DO EGO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma voz tocante que eu escuto &lt;br /&gt;Oriundo da arruinada jactância.&lt;br /&gt;É a voz do ego; é sua ressonância.&lt;br /&gt;Ele é discreto, persuasivo e arguto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a voz do sentimento mais bruto&lt;br /&gt;Emanado da mundana ignorância.&lt;br /&gt;Confesso que ela tem importância, &lt;br /&gt;Por isso nem sempre eu a refuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa voz é a brisa suave e fascinante &lt;br /&gt;É a súplica do ego sôfrego e replicante&lt;br /&gt;Pra sofrer a desilusão da vida plena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a voz maliciosa que emana&lt;br /&gt;Que causa toda desgraça humana;&lt;br /&gt;Predadora voraz da existência terrena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM LOBO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem livre, mas sofre ameaça.&lt;br /&gt;Renunciou a razão pra viver o instinto,&lt;br /&gt;Hoje é lobo errante, na selva, faminto,&lt;br /&gt;Sem poder comer por ter mordaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes era predador; agora é caça.&lt;br /&gt;Se a alma humana é um eterno labirinto.&lt;br /&gt;Então buscar a porta é não ser extinto;&lt;br /&gt;E ainda conseguir alguma graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já não sabe se é gente ou lobo.&lt;br /&gt;A sobrevivência é manter-se probo&lt;br /&gt;E não pertencer à mundana selvageria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta se adaptar ao ambiente.&lt;br /&gt;O forte não vence; nem lobo ou gente...&lt;br /&gt;Quem acaba vencendo é a hipocrisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO AO MEU PAI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velho, meu caráter, eu inspirei na tua vida.&lt;br /&gt;E em tuas aventuras e glórias também.&lt;br /&gt;É triste saber que tu hoje moras no além,&lt;br /&gt;Deixando-me nessa existência dorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velho, guardei tua canção preferida,&lt;br /&gt;Que falava do boiadeiro sem ninguém&lt;br /&gt;Num sertão: “Carreiro vai, carreiro vem...”&lt;br /&gt;Ó, tua imagem nunca mais será esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velho, recordo do senhor a todo instante:&lt;br /&gt;A estrada de poeira entre a mata verdejante...&lt;br /&gt;Ó, não tenho mais lágrimas pra chorar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velho, meu pai, meu amigo, meu herói;&lt;br /&gt;A saudade é o que mais me corrói...&lt;br /&gt;Mas sei que um dia iremos nos encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhei que eu era um pássaro voando.&lt;br /&gt;Não como uma águia, gaivota ou pelicano;&lt;br /&gt;Mas, simplesmente, como um ser humano&lt;br /&gt;Que voa sem fronteiras, mas voa chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo preso à dor, voei conquistando,&lt;br /&gt;Por estar livre pra voar além do altiplano.&lt;br /&gt;No horizonte de angústias, mundano,&lt;br /&gt;Que cerca os entes do meio transformando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho em realidade através da nitidez.&lt;br /&gt;Mas de repente, acordei, e tudo se desfez&lt;br /&gt;Em irreais imagens nefastas e fatos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei trespassar as cores do subjetivo,&lt;br /&gt;Mas não sabia se era o eu fugitivo;&lt;br /&gt;Ou os ocultos e imaginários retratos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DECEPÇÃO DE POETA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, pra bem longe, irei embora;&lt;br /&gt;Da inter-relação de corrupção de valores.&lt;br /&gt;Onde os escravos buscam os seus senhores;&lt;br /&gt;Onde toda sociedade se deteriora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viverei outra vida, numa outra aurora&lt;br /&gt;Do autoconhecimento dos meus rancores.&lt;br /&gt;Buscarei outros pensamentos superiores,&lt;br /&gt;Pois, hoje, a juventude me apavora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da violência e miséria urbana,&lt;br /&gt;Mas no campo a alma, nada não afana,&lt;br /&gt;E na cidade, nada se glorifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, me tornarei um monge tibetano&lt;br /&gt;Em busca do maior ensinamento humano&lt;br /&gt;Que demonstre algo que me identifica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TEMPO-ESPAÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o tempo é a percepção irreal da mente&lt;br /&gt;No modo de ver na visão refratária.&lt;br /&gt;Enquanto na síntese cósmica inflacionária,&lt;br /&gt;O tempo é, como um todo, inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O observador é parte de seu meio ambiente&lt;br /&gt;Influenciado pela estrutura planetária.&lt;br /&gt;Que se impõe numa maneira involuntária,&lt;br /&gt;Nas convicções e reações do “espaço ente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dimensão é a reação de contingência.&lt;br /&gt;É relativamente parte da existência.&lt;br /&gt;Dentro do intransponível tempo singular. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se conhece o diminuto azimute&lt;br /&gt;Do horizonte limitado que repercute&lt;br /&gt;Apenas no mais comum sistema solar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas dimensões sensíveis da experiência&lt;br /&gt;Duma vida contestada diante da aventura&lt;br /&gt;Na ânsia dorida coexistindo com a ruptura&lt;br /&gt;Das coisas reais, da triste sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi no meu rosto, as lágrimas de resistência,&lt;br /&gt;Ao miscigenar numa estranha cultura.&lt;br /&gt;O amor tornou-se uma suposta conjectura,&lt;br /&gt;A morte tornou-se instintiva tendência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a virtude humana uma simples falácia.&lt;br /&gt;Mas hoje quero investigar com perspicácia;&lt;br /&gt;Descobrindo-me na intimidade subatômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem se perde num mundo de aporia,&lt;br /&gt;Mas acaba exaltando a sua sabedoria&lt;br /&gt;Viajando na distância astronômica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROSA DA MORTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noites úmidas da estação chuvosa&lt;br /&gt;Corpos, mortes, despejos e urnas.&lt;br /&gt;Ofuscam o baile das borboletas noturnas,&lt;br /&gt;Mas ainda resta uma fúnebre rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa da vida, da morte prazerosa,&lt;br /&gt;Desabrocha entre as flores diurnas.&lt;br /&gt;Se à noite suas pétalas errantes e soturnas&lt;br /&gt;Fogem exalando a fragrância venenosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosa da morte, do desfecho lendário.&lt;br /&gt;Só consegue viver no solo de um cenário&lt;br /&gt;_ O subjetivo de um poeta decadente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não adianta, o fim da existência é o nada.&lt;br /&gt;Ou, por sorte, a matéria desorganizada...&lt;br /&gt;Ao final deste solo infértil e doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Competições, combates e selvagerias.&lt;br /&gt;Verdades mortas; a existência extinguida.&lt;br /&gt;A substância pensante esvaecida.&lt;br /&gt;Os urubus são as dúvidas, as aporias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violências, fúrias e enterros e histerias.&lt;br /&gt;A massa corpórea da realidade apodrecida.&lt;br /&gt;É carniça mórbida, lânguida e fedida.&lt;br /&gt;Morrem as elucidações; nascem as teorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento busca um consolo, um afeto.&lt;br /&gt;E a intuição as virtudes e não o objeto.&lt;br /&gt;A razão, por ser imortal, não tem sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não resiste às forças externas.&lt;br /&gt;Procura voltar, agora, às cavernas&lt;br /&gt;E se esconder como um morcego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTRASTES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do universo respirado que coaduna&lt;br /&gt;Com esse aspirado universo denso,&lt;br /&gt;Há indizíveis dimensões em contra-senso.&lt;br /&gt;Há uma pergunta, uma gigantesca lacuna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas concepções buscando a entidade una.&lt;br /&gt;A vida é um ermo enormemente extenso.&lt;br /&gt;Disperso na vida o homem é propenso&lt;br /&gt;A glória, a dor do acaso e da fortuna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da razão que se propaga em circunferência&lt;br /&gt;Limitando o mundo e a existência...&lt;br /&gt;As percepções são feitas de contrastes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é feito de grãos em um ente só.  &lt;br /&gt;Pois se faz e desfaz sempre do pó&lt;br /&gt;Assim como está escrito no Eclesiastes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DESTINOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo. Não conheço. Não conquisto.&lt;br /&gt;Meu coração sofreu todo intemperismo.&lt;br /&gt;Líquido: lágrimas. Vento: pessimismo&lt;br /&gt;Dentro do horizonte humano malquisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inconcebível seguir algum Cristo.&lt;br /&gt;A alma não se salva, mas há o exorcismo&lt;br /&gt;De saberes, angústias, idéias e niilismo.&lt;br /&gt;Cada pontada é um incomensurável sismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor é consciente. Nada é maravilha.&lt;br /&gt;Mas a garra que no meu sangue fervilha&lt;br /&gt;É a ânsia pelo estado quântico incomum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero meu peito expondo fissuras;&lt;br /&gt;Nem ser levado pelas sensações puras...&lt;br /&gt;Prefiro mil destinos e não apenas um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DÚVIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém me disse que a vida é uma sentença.&lt;br /&gt;Prefiro dizer que ela é um breve sorriso.&lt;br /&gt;Duvidar de todas as objeções é preciso&lt;br /&gt;Pois agora desconfio de qualquer crença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há alívio; a dúvida é sempre presença.&lt;br /&gt;Já não sei se sou o meu pensamento indeciso.&lt;br /&gt;Depois que Prometeu entregou-me o siso,&lt;br /&gt;Refuto o ego real, antes que o falso vença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um anjo maligno que sempre engana;&lt;br /&gt;Ao contrário da hiperbólica dúvida cartesiana&lt;br /&gt;Desconstruindo opiniões em busca da certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta a capa dúbia de resistente blindagem&lt;br /&gt;Revestindo a dor humana_ essa visagem&lt;br /&gt;Que incorpora nas chamas da paixão acesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONQUISTAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai, conquiste o mundo, e morra&lt;br /&gt;Nas fantasias de um único amor fugaz.&lt;br /&gt;É mórbido sentir-se triste e incapaz&lt;br /&gt;E ainda não ter direito a alguma desforra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixe que a existência perdida percorra&lt;br /&gt;Por todo o ecúmeno de um selvagem rapaz.&lt;br /&gt;Confiar na experiência nunca é eficaz&lt;br /&gt;Quando seus eus estão numa gangorra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um é o alterego, o outro a máscara coesa.&lt;br /&gt;O ser humano é funesto por natureza.&lt;br /&gt;Há tantos caminhos imbricados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É terrível! O mundo é feito de dores.&lt;br /&gt;Não adianta buscar conflitos desertores;&lt;br /&gt;Na Terra há tantos horizontes inexplorados.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manhã cinzenta de agosto&lt;br /&gt;_Em plena seca na região do altiplano_&lt;br /&gt;Toda inspiração pode molhar o rosto&lt;br /&gt;Tornando-se pranto, o sofrimento insano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o único jeito de sentir-se recomposto&lt;br /&gt;Dessa selva cruel do bicho humano&lt;br /&gt;Já não há nada para servir de encosto;&lt;br /&gt;Abandonei o juízo analítico kantiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus ao último resquício de crença.&lt;br /&gt;Mas há o fardo pesado da sentença:&lt;br /&gt;_ Não há essência, só probabilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo num constante tempo encoberto.&lt;br /&gt;E se Schopenhauer estiver certo,&lt;br /&gt;Quero existir por um milhão de vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM PÁSSARO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem saltou do cume da montanha&lt;br /&gt;Pensando que seus braços eram asas.&lt;br /&gt;Começou voando alto, por cima das casas,&lt;br /&gt;Dominando o céu com destreza e artimanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voou com entusiasmo ganhando altitude,&lt;br /&gt;E sentiu as nuvens, como brancas espumas.&lt;br /&gt;Mas de repente, foi perdendo suas plumas;&lt;br /&gt;Transformando-se num ser mais rude...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu corpo ficou mais lânguido e gosmento.&lt;br /&gt;Foi perdendo altitude, neste momento,&lt;br /&gt;Suas asas desapareceram por si mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, depois da metamorfose tão brusca,&lt;br /&gt;Pertence a uma espécie do filo mollusca&lt;br /&gt;Por ter a herança genética das lesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PEDREIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho árduo pra ocupar espaço.&lt;br /&gt;Estico a linha... Tijolo por tijolo, assento.&lt;br /&gt;Remexo areia lavada, brita e cimento;&lt;br /&gt;Depois jogo água pra finalizar o traço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajeitando as tábuas e as ferragens de aço;&lt;br /&gt;Com a trena calculo... Revejo o alinhamento:&lt;br /&gt;São as colunas que servem de sustento&lt;br /&gt;Pra paredes de tijolos que eu mesmo faço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda falta concluir a piso e o teto...&lt;br /&gt;Quando consulto o engenheiro arquiteto:&lt;br /&gt;_ Ele disse que obra é para profissionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo estou no acabamento e pintura.&lt;br /&gt;Como disse o mestre da arquitetura:&lt;br /&gt;_ Sou pedreiro de meus próprios ideais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VOZ DE DOR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordando a dor, duma andança errante,&lt;br /&gt;Nesta tarde fria, agora eu confesso:&lt;br /&gt;Que estou sem destino desde o regresso,&lt;br /&gt;Em que vim do sertão isolado e agonizante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela caravana, o mais triste viajante&lt;br /&gt;Era eu, estranho ao meio com excesso&lt;br /&gt;De ilusões fatídicas do natimorto sucesso.&lt;br /&gt;De mim, fora do hábitat, tornei retirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o coração com sua voz tão maliciosa;&lt;br /&gt;Como se fosse duma criança dengosa&lt;br /&gt;Pedindo pra brincar de mestre-aprendiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi a voz que me fez duvidar da certeza:&lt;br /&gt;De “ser o que sou” na profunda tristeza&lt;br /&gt;Na impossibilidade de algum dia ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOITE NEGRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta cama álgida não uso cobertores,&lt;br /&gt;Pois são retalhos duma paixão que vaga&lt;br /&gt;Pela noite negra, temida, medonha e aziaga.&lt;br /&gt;Pesa no peito um coração cheio de dores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arco-íris é opaco ou é um luto sem cores;&lt;br /&gt;A lua sem brilho... Mas seu frio afaga&lt;br /&gt;Ao pressagiar a morte, o fim duma saga&lt;br /&gt;Do homem perecido pelos seus dissabores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo às vezes é um mal necessário,&lt;br /&gt;Pois o amor dorido desfolhou o calendário,&lt;br /&gt;No entanto, meu ser em outro ser se redime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na limitação do espaço contido no abrigo&lt;br /&gt;De certezas. Se a vida for um castigo;&lt;br /&gt;Então sou um réu incerto de seu crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TORMENTAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tormentas circulando o ermo aquoso&lt;br /&gt;Duma dor volumetricamente imensa.&lt;br /&gt;Navegá-lo sobre ele já não compensa;&lt;br /&gt;Mergulhar nele talvez seja mais proveitoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ganhar asas e ter um vôo caprichoso&lt;br /&gt;Não molhar-se nessa tristeza salgada e densa&lt;br /&gt;Onde não há brisa, e toda nuvem é propensa&lt;br /&gt;À compor um tempo instável e tempestuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nenhum continente ou ilhota.&lt;br /&gt;O que teve origem numa simples grota&lt;br /&gt;Hoje é um oceano vazio sem horizontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma única gota de pranto escorrido&lt;br /&gt;Do rosto de um ser, de seu sonho, rompido.&lt;br /&gt;Agora resta se entregar aos procariontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEUSA SOLIDÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a solidão me esgota&lt;br /&gt;Beijo loucamente o travesseiro.&lt;br /&gt;É triste ter que morrer solteiro&lt;br /&gt;E nunca ter nos braços uma garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pranto que cai de gota a gota.&lt;br /&gt;É fruto do único amor não verdadeiro&lt;br /&gt;Agora prefiro viver sem paradeiro,&lt;br /&gt;Do que conviver com a deusa devota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da carência na qual minha alma eclode&lt;br /&gt;Dentro de meu corpo que não pode&lt;br /&gt;Conviver com tantos malqueres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, da minha cara, ainda debocha...&lt;br /&gt;Então tornei o meu coração, uma rocha&lt;br /&gt;Mas continuarei amando as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ILUSÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um sentimento que não reponde;&lt;br /&gt;Fugidio, quebra a nossa irmandade.&lt;br /&gt;Busca sozinho e sagaz, a felicidade,&lt;br /&gt;Se a sapiência não tem por onde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contento-me em ser James Bond.&lt;br /&gt;Vestir-se com a ilusão que persuade&lt;br /&gt;A ir contra Newton e as lei da gravidade.&lt;br /&gt;Mas minha alma recua e se esconde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na penumbra densa da mundana tristeza.&lt;br /&gt;Se sua superfície é cheia de aspereza,&lt;br /&gt;Resta deitá-la na mesa fúnebre e fria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim dissecar essa ilusão no necrotério.&lt;br /&gt;Pois se não há mais nenhum mistério.&lt;br /&gt;Adeus às superstições e à magia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SONETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscando ser um homem cheio de virtudes,&lt;br /&gt;Um menino foi atrás do doce mel do favo.&lt;br /&gt;Não se via num jovem violento e ignavo.&lt;br /&gt;Queria mudar as suas atitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrar um mestre cheio de beatitudes&lt;br /&gt;Que explicasse o seu tempo tão bravo&lt;br /&gt;Onde o sistema impõe a situação de escravo,&lt;br /&gt;E não lhe deixa curtir a suas vicissitudes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O monge se auto-flagelando no monastério,&lt;br /&gt;Era seu mestre que perdeu o critério...&lt;br /&gt;Viu-se picado por um bilhão de abelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não suportando o som angustiante do açoite&lt;br /&gt;Que não o deixara dormir à noite...&lt;br /&gt;Desesperado, decepou as orelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÍNTIMO ACASO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O íntimo acaso do ser é o maior desafio&lt;br /&gt;Na visão dialética de preconceito.&lt;br /&gt;Há um pesar incógnito sem pleito&lt;br /&gt;Na decomposição subjetiva do eu fugidio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então se disfarça em um peregrino arredio&lt;br /&gt;_ A inerência intemperante do sujeito_&lt;br /&gt;Nos vagos vagares num ermo estreito,&lt;br /&gt;Onde só ha solidão no sorriso frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é a metamorfose de Narciso.&lt;br /&gt;O orgulho é vital; o amor é sempre preciso.&lt;br /&gt;A volúpia da vida não tolera o mormaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que esconde os raios da paixão imutável&lt;br /&gt;Nascida no horizonte inexorável&lt;br /&gt;Na vastidão humana do eterno acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOSÉ, O LOUCO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José tentou implantar ricas fazendas&lt;br /&gt;No solo ermo que surge quando sossega&lt;br /&gt;As volúpias dilacerantes da razão cega&lt;br /&gt;Que se enreda pressionada entre as fendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São paixões mecânicas; fantasias horrendas&lt;br /&gt;Produzidas numa região que relega&lt;br /&gt;Qualquer pessoa sonhadora que se entrega&lt;br /&gt;À existência alimentada por lendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só encontrou seca, areia e escolhos.&lt;br /&gt;As lágrimas jorraram pelos os olhos,&lt;br /&gt;Fecundando a alma estéril de José.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o ímpeto de toda a sua dor terrena&lt;br /&gt;Que não coube numa esfera tão pequena...&lt;br /&gt;Abnegou-se da razão; renunciou a sua fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGOURO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo, no poente do destino, o negrume&lt;br /&gt;Das nuvens negras no céu nublado.&lt;br /&gt;Enquanto estou completamente debruado&lt;br /&gt;Dentro do estanho olor de um perfume...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela noite negra, sou solitário vaga-lume,&lt;br /&gt;Carregando a dor do amor desdenhado.&lt;br /&gt;Sou um homem-árvore desfolhado&lt;br /&gt;Sofrendo um eterno outono que resume&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as mudanças e circunstâncias&lt;br /&gt;_Terrível complexo de discrepâncias,&lt;br /&gt;Desafiando a pseudo-liberdade humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sensações são sentimentos instintivos.&lt;br /&gt;Para se tornarem percepções e objetivos&lt;br /&gt;Precisam apreciar a realidade mundana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HOMEM-QUIMERA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilusões volitivas em forma voluta,&lt;br /&gt;Estrutura ciclonal na antroposfera&lt;br /&gt;Que rege o clima hostil de uma esfera&lt;br /&gt;Onde não há leis, normas ou conduta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a paixão voluptuária irresoluta.&lt;br /&gt;Alimenta a espiral do homem-quimera,&lt;br /&gt;Que muitos crêem nele numa nova era&lt;br /&gt;Se regenerar por expiações e labuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incalculável o trajeto desse agonizante,&lt;br /&gt;Que não se encontra em nenhum quadrante&lt;br /&gt;De seu próprio incognoscível geóide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois ninguém sabe por que ele existe&lt;br /&gt;Se é estigmatizado a ser errante e triste&lt;br /&gt;Desde que era apenas uma célula diplóide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BARCO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No balanço enfadonho dum barco&lt;br /&gt;Que navegava cortando águas sem sossego.&lt;br /&gt;Seu capitão tinha um sorriso meio parco&lt;br /&gt;E de cansaço, soltava um bafo ofego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Navegando nos mares tenebrosos e revoltos,&lt;br /&gt;O leme parecia lutar com seus braços.&lt;br /&gt;Seus olhos ficaram, por lágrimas, envoltos&lt;br /&gt;Ao ver o convés destruído aos pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi-o nadando desesperado e meio-morto.&lt;br /&gt;Seu barco, sem pátria, sem rota, sem porto,&lt;br /&gt;Sem GPS, sem bússola e sem astrolábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ondas o engoliram numa voraz procela;&lt;br /&gt;O barco não tinha motor, remo ou vela,&lt;br /&gt;Pois era o meu coração pseudo-sábio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESISTÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Cumulunimbus&lt;/span&gt; desabam tremendo aguaceiro&lt;br /&gt;Sobre as perspectivas do sorriso hilariante,&lt;br /&gt;Aquele que também prefere ficar distante&lt;br /&gt;Daquilo que possa ser verdadeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é fugaz! O amor é o óbolo traiçoeiro.&lt;br /&gt;Desordem; energia-matéria incessante.&lt;br /&gt;Mas a rigidez protege e deixa mais relutante&lt;br /&gt;A percepção sensível sobre o impacto primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há resistência à mudança de paradigma:&lt;br /&gt;Não se lançar voluntariamente no origma&lt;br /&gt;Com as poucas vãs vorazes verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para conservar a paixão pura e ilesa,&lt;br /&gt;Contudo, já não é preferível a Certeza&lt;br /&gt;Se ela se fecha e finda as possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTÉTICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero Deus para que me responda&lt;br /&gt;Onde está a bem-aventurada felicidade.&lt;br /&gt;Se a natureza tem atributos: a não-localidade,&lt;br /&gt;A relatividade e o colapso da função de onda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estética antropomórfica hedionda,&lt;br /&gt;Não compete com a sua noção de entidade.&lt;br /&gt;A dinâmica subatômica da interconectividade&lt;br /&gt;Talvez seja por isso que Deus se esconda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que eu não sou assim tão cético.&lt;br /&gt;Observo além do caráter estético&lt;br /&gt;Longe das fantasias da visão homérica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro acabar com a noção de opostos&lt;br /&gt;Que causa os mais nefastos desgostos...&lt;br /&gt;O saber confinado na estrutura esférica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Todos os direitos cedidos a Rodrigo Azenha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-7502686514530589125?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/7502686514530589125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=7502686514530589125' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7502686514530589125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/7502686514530589125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/11/poesias-3-parte_4528.html' title='Poesias 3ª Parte'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-8491780684908805900</id><published>2009-10-29T11:52:00.000-07:00</published><updated>2009-11-08T16:48:35.371-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>As faces da violência</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma longa ausência de meu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;blog&lt;/span&gt;, por causa de problemas existenciais, vários acontecimentos importantes sucederam no Brasil e no mundo. A violência urbana no Rio de Janeiro mostrou o inédito ataque dos bandidos ao helicóptero da polícia, matando 4 tripulantes. A imagem da aeronave pegando fogo em pleno o ar ficou estampada nos principais jornais do mundo. No outro lado do globo, a rotina de ataques terroristas no Iraque, incluindo as explosões que mataram mais de 130 civis, e a reorganização do grupo Talibã no Afeganistão, querendo tentar boicotar o segundo turno das eleições daquele país. Eleições estas com suspeitas de fraude. No Paquistão o clima de instabilidade constante também se manifesta num governo não-democrático apoiado pelo a Casa Branca _ sede do governo norte-americano. Lá ocorreu um atentado à bomba que vitimou mais de 100 pessoas, muitas delas eram crianças que estavam numa creche. Essas últimas manchetes propõem análises diferentes sobre as faces da violência. Entretanto, em ambos os casos, ou seja, o terrorismo político-religioso no Oriente Médio e os traficantes de drogas que enfrentam a polícia cotidianamente no Rio, existe um paralelo: a violenta investida ao uso legítimo da força coerciva do Estado, que, de qualquer maneira, podemos denominá-la de terrorismo.&lt;br /&gt;A catastrófica e desastrada Era Bush deixou um rastro de instabilidade política, insegurança e medo tanto no Iraque quanto no Afeganistão. O governo de Barack Obama não demonstrou forças suficientes para resolver o grande problema dos grupos radicais islâmicos que estão dominando os dois países. Estes estão cada vez mais retomando as bases políticas e militares de antes. Eleito como promessa de solução e apaziguamento da situação de caos da região, o novo governo de Obama ainda não tomou atitudes convincentes em favor da reconstrução dos países invadidos pelo o governo anterior ao seu. Por outro lado, outros assuntos tomaram a pauta de discursões no cenário internacional: a crise econômica e o combate à recessão que atingiu os países mais ricos do mundo. Também não podemos esquecer que os países emergentes do grupo dos BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia), se aproveitando da situação menos desconfortável perante a crise internacional, conquistaram posições importantes na economia mundial. Isso provou que o grupo dos G7 (os 7 países mais ricos dos mundo) perderam um pouco do poder de decisão nas reuniões e conferências internacionais. Consecutivamente com isso, a situação do Oriente Médio só veio se agravando nos últimos meses. A desocupação total das tropas norte-americanas no Iraque está prevista para o próximo ano. Poucos analistas se arriscam a dar palpite sobre o que acontecerá depois com o país e com o frágil governo iraquiano que não tem forças policiais e aparatos estatais para conter o avanço político-militar das milícias dissidentes ligados a Sadam Hussein _ditador deposto e executado pelos EUA (Estados Unidos da América)_, bem como não tem serviço de inteligência equipado a fim de proteger as importantes cidades dos atentados terroristas que já ocasionaram milhares de mortes de civis e de militares norte-americanos.&lt;br /&gt;No Afeganistão a situação não é diferente. Nesta semana, funcionários da ONU (Organização das Nações Unidas) morreram num atentado à bomba. A intervenção militar dos EUA no país parece não ter surgido o efeito esperado. Os grupos terroristas e o ressurgimento do partido ultra-radical dos talibãs atuam não só para impedir as eleições do Afeganistão, mas agora começam a se alastrar por países vizinhos, no caso, o Paquistão. A violência oriunda de grupos organizados é comumente surgida como forma para contestar o uso legítimo da força do Estado. Então podemos chamar de terrorismo qualquer tipo dessa violência? Sim. No caso brasileiro, não são os grupos “radicais religiosos” que atentam contra o Estado, mas sim os traficantes que se organizam objetivando o lucro das drogas e poder central do controle do trafico o qual necessita de segurança armada de grosso calibre. De fato, as armas servem para equipar também milícias _ formadas por ex-policiais e policiais corruptos_ e jovens desamparados pelos governos; estes se transformam em mão-de-obra a serviço dos comandantes do tráfico de drogas. Os “morros” não são controlados pelas armas do exército ou da polícia militar; são fortificações de guerra capaz de derrubar até aeronaves. Tudo para proteger os cartéis dos narcotraficantes das investidas súbitas e provisórias produzidas pela força do Estado, ou seja, a polícia. E o que é pior: os traficantes estão ocultos entre a população civil inocente sempre sob fogo cruzado entre polícia e bandido.&lt;br /&gt;Nesta semana três jovens foram mortos nessa guerra na qual o Estado está perdendo o controle da situação. A desarticulação do poder público e do serviço de inteligência, a falta de integração entre as policias civis, militares e federal, inclusive do exército na fiscalização das armas ilegais que entram no país, e a não ocupação constante das entradas da “favelas” são evidentes no cenário atual de combate ao crime organizado. Suspeitam que os jovens foram mortos pelos os próprios traficantes... A polícia está lutando contra um inimigo sem face, assim como os governos orientais estão lutando contra a face oculta dos terroristas escondidos até mesmo do serviço de inteligência norte-americano_ FBI. A polícia invade o “morro” e muitas vezes alvejam um trabalhador inocente. Os terroristas e os homens bombas também se disfarçam entre a população comum, e chega até a matá-la. Os traficantes também não têm compaixão pelo o seu “escudo humano”: eles cobram pela segurança que deveria ser dever do Estado. O lucro e a venda de drogas são a base do capitalismo do crime organizado pelos traficantes, e com apoio logístico e político. Caso contrário, não teria tanto poder para enfrentar o Estado. Não há como impedir o avanço do tráfico se sempre há consumidores, ou seja, os usuários de intorpecentes. No exemplo brasileiro, a comercialização das drogas é o suporte do poder dos terroristas urbanos, quer dizer, os traficantes que dominam bairros munidos de armas de guerra. Já no Oriente Médio, uns dos principais fatores que alimentam o terrorismo no Oriente, em relação aos países citados neste texto, são: o fanatismo religioso e o controle pelo o poder entre clãs formados por famílias rivais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-8491780684908805900?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/8491780684908805900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=8491780684908805900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8491780684908805900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8491780684908805900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/10/as-faces-da-violencia_29.html' title='As faces da violência'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-8578036343393186059</id><published>2009-07-18T11:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T13:06:17.796-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Imagem do mês</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SmIbD3gKNRI/AAAAAAAAAbM/JyjkvpcO2oY/s1600-h/Desmatamento+na+Amaz%C3%B4nia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 260px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SmIbD3gKNRI/AAAAAAAAAbM/JyjkvpcO2oY/s400/Desmatamento+na+Amaz%C3%B4nia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359876259776705810" /&gt;&lt;/a&gt;Desmatamento gigantesco na Amazônia, no Pará, no município de Itaituba. Repare que existem verdadeiras trilhas ao lado da Transamazônica e extensas áreas degradadas adjacentes aos rios. Isso demonstra que os  madeireiros utilizam estratégias mais práticas para escoar os troncos cortados pela estrada e pelo rio; visando provavelmente uma melhor forma de trazer a madeira para os portos mais próximos, e assim destiná-la a exportação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-8578036343393186059?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/8578036343393186059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=8578036343393186059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8578036343393186059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/8578036343393186059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/07/imagem-do-mes.html' title='Imagem do mês'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SmIbD3gKNRI/AAAAAAAAAbM/JyjkvpcO2oY/s72-c/Desmatamento+na+Amaz%C3%B4nia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-5921764766533896593</id><published>2009-07-10T12:52:00.000-07:00</published><updated>2009-07-16T06:44:16.830-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Imagem do mês</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SlecFYWgQRI/AAAAAAAAAbE/_0zdin7WNB0/s1600-h/Cumulunimbus+eletricamente+carregada+sobre+bairros+de+Manus.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 261px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SlecFYWgQRI/AAAAAAAAAbE/_0zdin7WNB0/s400/Cumulunimbus+eletricamente+carregada+sobre+bairros+de+Manus.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356921898030612754" /&gt;&lt;/a&gt;Condensação de vapor d'água eletricamente carregada sobre um bairro de Manaus; fato comum na região amazônica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-5921764766533896593?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/5921764766533896593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=5921764766533896593' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5921764766533896593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/5921764766533896593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/07/condesacao-de-vapor-de-agua.html' title='Imagem do mês'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SlecFYWgQRI/AAAAAAAAAbE/_0zdin7WNB0/s72-c/Cumulunimbus+eletricamente+carregada+sobre+bairros+de+Manus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-2720534841111059443</id><published>2009-07-02T16:33:00.001-07:00</published><updated>2009-07-18T05:48:46.372-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Uma análise cartográfica sobre a região de Brasília</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste relatório usamos um modelo de documento cartográfico como premissa para desenvolver as nossas conclusões a cerca da Cartografia e suas diversas utilidades em nossas vidas. Almejando atingir nossos objetivos, usamos uma carta, a princípio, desprovida de cor e legenda, na qual representa a região de Brasília, em 1983. As quadrículas delimitam um espaço geográfico que inclui, ao leste, alguns tributários do Rio São Bartolomeu e uma porção da rede de drenagem deste ao longo da região de Sobradinho até a saída de Luziânia; e ao oeste, num extremo, uma parte do Parque Nacional de Brasília e, em outro, a Área Alfa do CINDACTA. O documento, na verdade, é um extrato da Carta Brasília Escala 1:100.000, folha SD. 23–Y-C-IV, produzido pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Coordenação da Presidência da República, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trabalhamos em três exemplares desse documento para elaborar a Carta Temática de Hipsometria e a de Hidrografia, a Carta do Uso da Terra de 1983 e a de 2005, bem como outros produtos oriundos de nossas pesquisas. Por fim, para produzir a atualização dos dados e elementos cartográficos consultamos pela &lt;span style="font-style:italic;"&gt;internet&lt;/span&gt; a Carta Brasília de 2005 elaborada pelo Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica – CIGA da Universidade de Brasília.&lt;br /&gt;A carta temática vai tratar de um elemento específico destacado. Assim cada um vai se integrar no final, compondo uma carta sistemática da qual emergirão argumentos para as devidas conclusões. Mas antes teremos que percorrer um longo caminho que vai da mesa e dos lápis de cor até a pesquisa de campo. Conforme já estava previsto no programa, as pinturas, as legendas, os perfis topográficos, os perfis da paisagem foram elaborados a mão com fins didáticos e também com o intuito de demonstrar os aspectos físicos de Brasília e a dinâmica territorial ao longo dos anos de 1983 a 2005. Achamos indispensáveis as explicações das cartas confeccionadas e os comentários em relação a cada assunto abordado, sempre incluindo a importância da Cartografia como ciência e como instrumento da administração pública. Em nossa opinião, o relatório ficaria vago se em certas ocasiões nos esquecêssemos da problemática da periferia do Distrito Federal, na qual Brasília de alguma maneira está incluída. Quando o assunto convier, portanto, falaremos um pouco a respeito das áreas urbanas periféricas muitas vezes esquecidas pelo o poder público.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1inPNgCXI/AAAAAAAAAZk/C47hJr43SXE/s1600-h/DSC02844.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1inPNgCXI/AAAAAAAAAZk/C47hJr43SXE/s400/DSC02844.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354043958250965362" /&gt;&lt;/a&gt; Modelo utilizado.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1pNZKhs1I/AAAAAAAAAZ0/L5U8nG4Ibw0/s1600-h/imagemusodf2005.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 236px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1pNZKhs1I/AAAAAAAAAZ0/L5U8nG4Ibw0/s400/imagemusodf2005.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354051210827641682" /&gt;&lt;/a&gt;Imagem de satélite. Fonte: CiGA UnB&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que a Cartografia é a ciência e a arte de representar e transportar uma extensão da superfície terrestre para as dimensões de um plano. Mas será que essa frase poderia dar uma definição teórica consistente a esta disciplina? A ciência cartográfica e os seus produtos, ou seja, os mapas e as cartas possuem diversas utilidades nas áreas da gestão territorial, do zoneamento ecológico-econômico, do planejamento urbano e rural, enfim, das políticas públicas espaciais. Estas dimensões ultrapassam a definição clássica que restringe a Cartografia ao objetivo de conhecer e representar a litosfera. Os nautas do infante Dom Henrique no século XVI, em Portugal, tinham outros propósitos para os mapas, muitos deles confeccionados pelos árabes. Mas antes, os chineses e os egípcios já usavam a Cartografia com fins estratégicos além desse simples objetivo.&lt;br /&gt;Os mapas vieram juntos com os primeiros registros de civilização. Arqueólogos encontraram em fragmentos de tábuas de argila, alguns desenhos representando os rios Tigre e Eufrates, na antiga Suméria. As viagens comerciais e militares por mares desconhecidos exigiam dos navegadores aventureiros, o desenvolvimento de métodos para representar os trajetos dos lugares continentais, as costas e os mares recentemente desbravados. Nesse contexto, os fenícios produziram as primeiras cartas náuticas. Já em Roma, utilizavam-se pequenos mapas para localizar as redes de comunicação do império e de suas províncias administrativas. Na Idade Média os mapas eram confeccionados expondo a ideologia e as lendas circulantes na época. Nesses documentos medievais existiam figuras de monstros e de serpentes marinhas; talvez para intimidar aqueles mais ousados que tentassem empreender viagens além-mar. Mas a Idade Moderna veio, e com ela o restabelecimento das rotas comerciais e a necessidade de conquistar novas terras, sobretudo ouro e outras riquezas naturais a fim de consolidar o capitalismo nascente. Nessa época, em 1569, Mercator publica o seu mapa-múndi e o sistema de coordenadas geográficas cuja função era encontrar quaisquer localidades na crosta terrestre usando uma rede de linhas imaginárias (paralelos e meridianos) num planisfério. Isso fora a primeira representação do globo terrestre numa superfície bidimensional.&lt;br /&gt;Sem dúvida foi um feito incrível a descoberta do eminente geógrafo. O deus Atlas não precisaria mais pagar a sua sentença de segurar o mundo... O sistema de Mercator é até hoje utilizado nos nossos aparatos tecnológicos modernos, como no Sistema de Posicionamento Global - GPS. A Cartografia tomou impulso e se firmou como ciência da qual é possível extrair dados e instrumentos na ordenação estratégica no uso do território, superando o mero objetivo de reconhecer e representar a paisagem.  Hoje a ocupação irregular das redes de drenagem e os impactos no ambiente natural pela mancha urbana são apenas dois exemplos de dilemas e desafios no campo em que a Cartografia trabalha. Ela serve de instrumento ao professor, ao técnico, ao topógrafo, ao engenheiro, sobretudo ao geógrafo que tem como objeto de estudo o homem e os aspectos naturais da paisagem. Mas não se restringe a esses serviços. Através do mapeamento, a Cartografia pode propor inovações, intervir na gestão do território e auxiliar as instituições no que diz respeito às políticas públicas empregadas no desenvolvimento da infra-estrutura das cidades, na fiscalização contra os loteamentos ilegais e ao zoneamento ambiental.&lt;br /&gt;Nem sempre é o que ocorre. Existe uma falta de amparo técnico-instrumental de documentos cartográficos no ordenamento do território, fato que prejudica a ação de controle do governo e a divulgação de informações sobre a real ocupação do solo. Nesse sentido, a cidade de Brasília e sua zona metropolitana são um exemplo de crescimento desordenado onde os governos muitas vezes permanecem ausentes; eles pouco agiram a fim de conter esse processo que já comprometeu o abastecimento de água potável para a população futura. De 1983 a 2005, o perímetro urbano se desenvolveu sobre importantes mananciais hídricos, bem como degradou áreas de proteção nos arredores do Parque Nacional. A periferia de Brasília é o maior reflexo, em número, da omissão do poder público e da especulação imobiliária, fatores de grande relevância a considerar na problemática da capital. Mas não podemos esquecer as habitações irregulares ao longo da margem da represa do Lago Paranoá. Em sua orla bastante valorizada pelo mercado, ao longo desses 23 anos, o solo e a cobertura vegetal sofreram pelo constante parcelamento criminoso de terreno a fim de erguer construções luxuosas.&lt;br /&gt;A nossa meta maior neste trabalho é propor soluções à séria realidade da capital e à sua periferia carente e excluída. Excetuando a elite e seus palácios lacustres, não existe mais o bem-estar social tão sonhado pelos planejadores de Brasília, dos quais podemos destacar o arquiteto e intelectual Oscar Niemeyer. Talvez nem ele, e tampouco Juscelino Kubitschek podiam imaginar os dilemas urbanos que afetam a cidade inserida no capitalismo globalizante, sem uma estrutura administrativa e um padrão sócio-econômico adequados à maioria de sua população. Os problemas mais graves que desafiam antigas metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro, já fazem parte do cotidiano da jovem Brasília metropolitana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1O8zcaEGI/AAAAAAAAAX0/4vk5amtIs9I/s1600-h/DSC02813.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1O8zcaEGI/AAAAAAAAAX0/4vk5amtIs9I/s400/DSC02813.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354022338521862242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1O8R8IJoI/AAAAAAAAAXs/sVUyk5AyXoY/s1600-h/DSC02812.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1O8R8IJoI/AAAAAAAAAXs/sVUyk5AyXoY/s400/DSC02812.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354022329528100482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1O8K3BUPI/AAAAAAAAAXk/KjwQ2HreM8s/s1600-h/Cartografia.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1O8K3BUPI/AAAAAAAAAXk/KjwQ2HreM8s/s400/Cartografia.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354022327627632882" /&gt;&lt;/a&gt;Cartas de Divisores de Águas, Relevo e Hidrografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relevo, divisores de águas e hidrografia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relevo de Brasília foi simbolizado pelas cores representando a altimetria diferenciada em cada região. Assim como é característico de um planalto, em geral as partes não demonstram muita elevação acentuada. Há suaves variações do relevo ao longo da superfície registrada na carta. As duas regiões mais altas estão indicadas em marrom; ambas podem alcançar 1.250m, em relação ao nível do mar. Nessa altimetria de relevo, onde morros se destacam, existem pontos panorâmicos e locais que podem servir de pontos estratégicos; o que explicaria a ocupação militar e a instalação de torres de comunicação, inclusive na área do CINDACTA. Podemos observar também que as áreas em vermelho, com 1.200m, formam longos divisores de águas. Ao norte do mapa existe a região do Sobradinho produzindo uma barreira natural entre o fluxo da rede de drenagem do Ribeirão Sobradinho e os córregos que deságuam no lago artificial. Em outras palavras: eles descem para abastecer o Lago Paranoá que está localizado no flanco esquerdo, rodeado pelo o amarelo, o que indica o perímetro no qual o relevo é mais baixo, com cerca de 1050m. &lt;br /&gt;Outro divisor de águas é a extensa região que possui zonas em vermelho claro e escuro ao sul da carta, onde se localiza o Roncador e a Área Alfa. Tal divisor possui em média 1.100m a 1.200m de altitude. Ela guarda nascentes importantes dos córregos que tem como destino o Lago Paranoá, bem como os diversos mananciais dos quais o Rio São Bartolomeu depende para manter a sua carga hídrica. Os divisores de água, além de escoar as precipitações atmosféricas, distribuem as águas para as superfícies mais baixas ao lado, depositando-as nos córregos e nos solos captadores. São responsáveis, portanto, pela manutenção do ciclo hídrico, do reabastecimento dos lençóis freáticos, sobretudo dos hidrossistemas responsáveis pela existência dos rios. As deformações e as estruturas do relevo influenciam na constituição das bacias hidrográficas. Boa parte do Parque Nacional de Brasília faz parte de outro divisor de águas, daí a importância para conhecer o relevo e o fluxo natural das bacias hidrográficas, visando uma melhor gestão territorial e ambiental do solo. Assim podemos usar as representações nos documentos cartográficos para planejar o ordenamento de áreas, buscando, com isso, garantir às futuras gerações as zonas de conservação dos mananciais hídricos, que se encontram nas bases desses divisores. Na carta elas estão nas bordas das partes em alaranjado, onde a maioria dos córregos nasce.&lt;br /&gt;Outro elemento importante para a nossa compreensão é a rede de curvas de níveis. Elas são linhas simbólicas que informam sobre as particularidades do relevo, limitando-as por meio de um domínio de uma cor pintada na carta. Isso representa no mundo real a faixa de relevo que possui um padrão de altitude diferente, característico da formação geológica regional. Na carta, os rios e o sistema hidrológico estão representados nas tonalidades de azul; o azul escuro indica o represamento artificial de cursos de água. Os rios sempre seguem acompanhando um parâmetro de relevo nas três tonalidades de verde. Isso evidencia a ação da gravidade sobre o fluxo dos rios. Esta força da natureza sempre leva a água de áreas altas em direção as mais baixas do relevo. &lt;br /&gt;O trabalho dos rios modela a paisagem através dos processos naturais interdependentes de erosão, de transporte, de deposição ao longo do tempo. Essa lógica traz características peculiares à rede hidrográfica. Com isso pode existir, como na carta demonstra, cadeias de canais diversas, separadas por pequenos divisores de águas, que são denominados de divisores secundários. Eles podem aparecer representados em amarelo, o que evidencia uma estrutura com altimetria média de 1.100m. Ou seja: mesmo os relevos mais baixos podem dividir córregos e rios, depositando, portanto, sedimentos e a água da chuva nos canais de drenagem. É nessas zonas que costuma ocorrer nascentes que alimentam uma gama de cursos fluviais. Tal fato acontece com os tributários do Bartolomeu, representados no lado direito da carta.&lt;br /&gt;Com a carta em mãos e essas informações, podemos constatar que a região de Brasília não é seca, como é comum se pensar. Vários rios percorrem as zonas ao redor de Brasília, inclusive alguns alimentam importantes bacias hidrográficas fora dos limites do Distrito Federal. O que precisa ser feito é conservar as minas que abastecem eles, bem como o solo e as matas ciliares adjacentes. Esse empreendimento pode ser concebido por meio das bases de pesquisas cartográficas e seus produtos. Produzindo, com isso, o planejamento territorial e indicando as melhores propostas viáveis para o poder público atuar. O mapeamento técnico-instrumental das áreas nos indica as regiões onde devem ser implantadas as zonas de contenção urbana. Além disso, a Cartografia pode auxiliar na criação de novos perímetros urbanos sobre um relevo mais apropriado, no qual não prejudique o fluxo natural dos rios; o que consequentemente pode evitar maiores transtornos advindos de desmoronamentos de encostas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é perfil topográfico e sua utilidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perfil topográfico é um instrumento de apoio no levantamento do padrão e da variação do relevo no estudo da morfologia do terreno. Ele permite transcrever as curvas de níveis para uma análise gráfica do comportamento das elevações do relevo, em busca de parâmetros de altitude em uma distância de determinada área. Por exemplo: depois de analisar altimetria no mundo real e a representação das curvas de nível num mapa, podemos calcular o padrão do relevo através dum gráfico, como vemos nas figuras abaixo. Assim obtemos um paradigma quantitativo e mais uma fonte de apoio para corrigir as distorções do mapa, já que este nunca nos traz uma interpretação perfeita da realidade.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1SUlIvyNI/AAAAAAAAAYM/FI7Rpf5e1j8/s1600-h/topo2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 377px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1SUlIvyNI/AAAAAAAAAYM/FI7Rpf5e1j8/s400/topo2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354026045533046994" /&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 213px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1SUb-auXI/AAAAAAAAAYE/6dg8yLrB_cA/s400/perfil_topografico.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354026043073804658" /&gt;&lt;/a&gt; Fonte: http://geographicae.wordpress.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As curvas de nível tendem a ser paralelas e são desenhadas no plano de maneira como se estivem sendo vistas de cima. Colocando-as num gráfico e calculando as áreas mais elevadas, podemos elaborar dados estatísticos da porcentagem de morros e escarpas entre dois pontos longitudinais. Tais dados podem ser destinados a implantação de condomínios e loteamentos cujos riscos de ocupação podem ser amenizados através do conhecimento prévio das deformações do terreno e sua vulnerabilidade à erosão. Com base nessas pesquisas, no estudo da composição e da resistência do solo teremos o diagnóstico bem mais preciso das áreas destinadas a urbanização.&lt;br /&gt;A compreensão das diferentes declividades do terreno podem nos auxiliar também no reconhecimento das paisagens naturais e no cálculo das redes de drenagem, bem como saber com mais fidelidade sobre quais áreas que não podem sofrer impacto antrópico, sobretudo localizar possíveis áreas nas bases das elevações destinadas à construção de barragens a fim de explorar os recursos hídricos e o potencial energético. O represamento de fluxos fluviais precisa de vários estudos desse tipo. &lt;br /&gt;Das interpretações dos perfis topográficos também surgem informações relevantes para amparar os poderes públicos no ordenamento do território, denunciando as áreas de risco localizadas em faixa íngremes do relevo. No entanto, esse é apenas mais um exemplo de como as técnicas da Cartografia pode alcançar múltiplas dimensões, englobando vários perspectivas da vida humana. Ainda mais quando se uni às novas tecnologias de informação, ao sensoriamento remoto e à ciência computacional. As imagens de satélite estão aí para demonstrar o grande êxito da Cartografia aliada a esse conjunto no monitoramento do território. O resultado de séculos, desde Mercator até a Cartografia Digital, é um rico aparato técnico-científico e instrumental nos quais os governos deviam se apoiar para combater a urbanização informal; mas falta vontade política e o incentivo a educação no intuito de engendrar conhecimento.&lt;br /&gt;Baseando-se nos perfis topográficos abaixo, podemos entender melhor os dados que surgem quando são transportados os valores altimétricos do relevo para o gráfico. Vários tipos de informações podem ser trabalhados dessa maneira. Escolhemos um exemplo extraído entre os perfis pintados.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1UajEYLJI/AAAAAAAAAYc/kbU0UjVScOg/s1600-h/DSC02814.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1UajEYLJI/AAAAAAAAAYc/kbU0UjVScOg/s400/DSC02814.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354028347080322194" /&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1UafMZ-kI/AAAAAAAAAYU/6nNZ7lM_HEY/s400/DSC02830.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354028346040252994" /&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1mshiFwTI/AAAAAAAAAZs/MpSRhribRFg/s400/DSC02832.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354048447115018546" /&gt;&lt;/a&gt;Detalhes da legenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1983 o governador era Souza Filho, indicado pelo presidente. Nessa época não havia legislação própria no Distrito Federal-DF. O processo de ocupação já demonstrava algumas tendências aos riscos que afetam a metrópole distrital de hoje. Na carta de 1983, se observa uma considerável concentração de residências na região do Park Way. Tais coordenadas ficam exatamente na borda de um divisor de águas, onde naturalmente se encontra uma rede de drenagem que se dirige ao Lago Paranoá. Na outra parte da carta, as grandes manchas em vermelho escuro representam parte das fazendas e as extensas áreas de reflorestamento que foi empreendido pela uma empresa agrícola, apoiada pelo o governo e associada ao grande capital. O curioso deste fato e que essa vegetação não é nativa do bioma cerrado. Espécies estrangeiras, pinheiro e eucalipto, por exemplo, foram importantes para os governos DF, os quais visavam obter a “estética” da paisagem das regiões circunvizinhas de Brasília. Isso porque, segundo se pensava na época, as árvores do cerrado são tortuosas e sem exuberância, o que pode deixar a cidade com um aspecto não muito desagradável. Na frente da entrada do Itapuã, ao lado do Paranoá, existe um vestígio desse passado no qual o governo empreendeu um projeto que substituiu áreas do cerrado pelas as árvores de faunas não brasileiras, prejudicando o ecossistema local. Esse tipo de vegetação exige mais nutrientes do que as espécies do bioma cerrado, competindo com as plantas nativas; empobrecendo o solo.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1cFkh8n4I/AAAAAAAAAY0/ZltJZErpmIc/s1600-h/2005.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1cFkh8n4I/AAAAAAAAAY0/ZltJZErpmIc/s400/2005.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354036782788550530" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1cFDqlTpI/AAAAAAAAAYs/ewcpjeJEyGQ/s1600-h/1983.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1cFDqlTpI/AAAAAAAAAYs/ewcpjeJEyGQ/s400/1983.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354036773966401170" /&gt;&lt;/a&gt;Carta do Uso da Terra 1983, em cima, e a de 2005, logo embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe possível de interpretar na carta é a zona de cascalheira ou de solo exposto, representada na cor cinza. O cinza, isolado na carta, pode indicar supostas faixas que estão cedendo terreno, no ano de 1983, à expansão urbana. No entanto, existe uma parte cinza dentro do Parque Nacional que supõe ser uma área degradada. Mas na carta de 2005, esse cinza não aparece. Isso aponta para uma recuperação do cerrado dentro da reserva ambiental. A faixa que se localiza a Barragem do Paranoá, desprezando o perímetro não representado nas quadrículas do extrato da Carta Brasília, demonstra as pequenas zonas em amarelo e uma maior em alaranjado. Isso evidencia, conforme as cores da legenda, que nesse momento da ocupação territorial, a parte ainda não tinha atingindo patamares superiores de aglomeração urbana.  A cidade de Paranoá, por exemplo, era um punhado de lotes, uma vila considera invasão pelas autoridades; habitada pelos grupos obrigados a se retirarem das redondezas da barragem, e que tinham direito a um espaço digno.&lt;br /&gt;O espaço urbano é uma rede complexa auto-organizada produzindo forma e conteúdo. É a concretude das relações sociais que possui segregação e centralização. Nessa lógica, observamos o crescimento da região do Rio Paranoá e, no lado esquerdo da carta, abaixo do Parque Nacional, a intensa urbanização das margens do Córrego Vicente Pires. Hoje é uma cidade que abriga parte da classe média baixa e alta de Taguatinga e Brasília. No Paranoá, Itapuã e Varjão, perto das zonas situadas em vermelho, no alto a direita da carta, são áreas de espaços segregados; cidades que abrigam boa parte da população oriunda das primeiras gerações que vieram trabalhar na construção da Nova Capital. O Varjão, por exemplo, fica do outro lado do lago, em frente à Península Norte entre os dois braços ao norte da represa. Tal região é intensamente urbanizada e de infra-estrutura sofisticada, fato que explica a ocupação local pela elite de Brasília. Nesse contexto, o lago forma uma barreira entre a baixa renda e alta concentração de capital. Repare que na carta de 2005 a Península Norte aparece completamente pintada de cor amarela, indicando a intensa mancha urbana produzida pelo espaço concreto elitizado, do qual emergiram grandes habitações luxuosas na orla do lago, muitas delas irregulares.&lt;br /&gt;Comparando-se as áreas amarelas dos dois extratos da Carta Brasília e seus respectivos anos, é possível calcular a evolução dos três elementos da legenda: a mancha urbana, o campo cerrado e a área agrícola.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1W7VZFBnI/AAAAAAAAAYk/r4M1qc0o3gM/s1600-h/DSC02833.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1W7VZFBnI/AAAAAAAAAYk/r4M1qc0o3gM/s400/DSC02833.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354031109367989874" /&gt;&lt;/a&gt;Gráfico do Cálculo da Área.&lt;br /&gt;Nota-se que o primeiro elemento somou mais de 5.000 hectares além dos que já ocupava 1983. Isso deixa evidente o avanço intenso da cidade sobre as paisagens naturais e a zona rural. Excetuando as áreas de proteção ambiental do cerrado e as outras paisagens naturais não representadas na carta, o primeiro elemento sofreu uma queda drástica, o que supõe uma forte metropolização do espaço de Brasília em vista da demanda por moradias oriunda do aumento natural da população durante esse o período. No entanto, os impactos ambientais são evidentes nas margens do lago e na ocupação dos canais fluviais quando a gente observa os perfis da paisagem elaborados da carta.&lt;br /&gt;Esses perfis da paisagem são produzidos da mesma forma que os perfis topográficos. A diferença é que os primeiros demonstram as transformações sofridas na superfície do relevo pela ação antrópica. Tal técnica empregada na paisagem é importante no intuito de compreender a dimensão com que os elementos evoluem ao longo dos anos em pontos longitudinais.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1d2tM6GBI/AAAAAAAAAY8/DP3h66CHKV4/s1600-h/DSC02837.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1d2tM6GBI/AAAAAAAAAY8/DP3h66CHKV4/s400/DSC02837.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354038726441441298" /&gt;&lt;/a&gt;Perfis da Paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se restringindo, contudo, as interpretações cogitadas pela simbologia da carta. Mas traz uma relação padronizada para as tendências que tomam forma na ocupação do território. Nesse sentido, as seções do perfil cartográfico auxiliam o profissional para compor o seu trabalho com mais eficiência e legitimidade, o que garante a promoção de soluções ao ordenamento territorial das zonas urbanas e rurais, bem como se integra na base do esboço metodológico das políticas espaciais.&lt;br /&gt;Por motivos de um maior aproveitamento da água para irrigação, a zona agrícola costuma ser estabelecida em áreas margeadas por rios e córregos. Quando colonos agricultores fundam uma pequena vila, como é comum na dinâmica da valorização do espaço, essa vila acaba se transformando em uma cidade. De fato, isso ocorreu em boa parte das cidades nos arredores de Brasília. A grilagem de terras e a especulação imobiliária no parcelamento ilegal de chácaras também podem ocasionar a origem de uma extensa mancha urbana ou semi-urbana informal _ barracos de madeiras, invasões, falta de infra-estrutura etc._ sobre áreas agrícolas produtivas ou propriedades ecoturísticas. Muitas cidades satélites de Brasília e expansões destas nasceram assim. O Sol Nascente em Ceilândia, Vicente Pires e Águas Claras são exemplos desse processo. A área agrícola acabou perdendo terreno para o espaço urbano. As chácaras sobre redes de drenagem as quais antes serviam à lavoura se transformam em residências. Assim mais áreas de mananciais hídricos são impactadas intensamente pelo homem.&lt;br /&gt;Infere-se da carta, a grande problemática do alto custo da água que será uma realidade próxima em Brasília. Isso se observarmos os detalhes da ocupação sobre as redes de drenagem. Os serviços ecossistêmicos precisarão ser onerados pela sociedade, o que na lógica capitalista a população mais pobre não poderá pagar pelo o bem essencial à sobrevivência humana. Os recursos hídricos e o solo sofrem pela falta de planejamento territorial no DF. A poluição das águas, o assoreamento dos cursos fluviais, os loteamentos que crescem descontroladamente; tudo isso não é a Brasília Arquitetônica e Elitista (política e simbólica) que vai pagar, mas sim a população de baixa renda e as demais classes sociais que compõe a Brasília Periférica Metropolitana. O custo de vida será sentido cada vez mais na renda dos brasilienses.&lt;br /&gt;A Cartografia tem um importante papel no auxílio para sanar o déficit de moradias no DF, concomitantemente, aliando-se aos saberes científicos sobre o desenvolvimento sustentável por meio do levantamento de informações a cerca da paisagem e o ordenamento de áreas. Muitos condomínios e cidades satélites nasceram ao longo destes anos, cabe ao governo legalizar as faixas urbanas pré-definidas e ocupadas historicamente pelo movimento organizacional do mercado e do fluxo de agentes sociais. O Plano Diretor da Cidade necessita de uma base de dados cartográficos eficientes para regularizar as pendentes situações burocráticas, dando devida importância às áreas de preservação ambiental, bem como às zonas de contenção urbana que podem advir da criação de parques e áreas de lazer.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Relatório de Campo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coordenadas Geográficas&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ponto “0”, UnB&lt;br /&gt;Latitude Sul 15° 45’ 36’’&lt;br /&gt;Longitude Oeste 47° 52’ 15’’&lt;br /&gt;UTM Leste 192368&lt;br /&gt;UTM Norte 8255462&lt;br /&gt;Altitude 1.037m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º Ponto: Granja do Torto&lt;br /&gt;Latitude Sul 15° 42’ 06’’&lt;br /&gt;Longitude Oeste 47° 54’ 42’’&lt;br /&gt;UTM Leste 187881&lt;br /&gt;UTM Norte 8261908&lt;br /&gt;Altitude 1.054m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2º Ponto: Posto Policial&lt;br /&gt;Latitude Sul 15° 41’ 38’’&lt;br /&gt;Longitude Oeste 47° 52’ 10’’&lt;br /&gt;UTM Leste 192419&lt;br /&gt;UTM Norte 8262846&lt;br /&gt;Altitude 1.148m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3º Ponto: Santuário Mãe Três Vezes Admirável&lt;br /&gt;Latitude Sul 15° 42’ 15’’&lt;br /&gt;Longitude Oeste 47° 49’ 28’’&lt;br /&gt;UTM Leste 197242&lt;br /&gt;UTM Norte 8261763&lt;br /&gt;Altitude 1.204m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4º Ponto: Vale do Paranoá&lt;br /&gt;Latitude Sul 15° 47’ 32’’&lt;br /&gt;Longitude Oeste 47° 46’ 45’’&lt;br /&gt;UTM Leste 202245&lt;br /&gt;UTM Norte 8252077&lt;br /&gt;Altitude 1.045m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5º Ponto: Barragem do Paranoá&lt;br /&gt;Latitude Sul 15° 47’ 24’’&lt;br /&gt;Longitude Oeste 47° 46’ 57’’&lt;br /&gt;UTM Leste 201839&lt;br /&gt;UTM Norte 8252287&lt;br /&gt;Altitude 1.052m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6º Ponto: Ermida Dom Bosco&lt;br /&gt;Latitude Sul 15° 47’ 50’’&lt;br /&gt;Longitude Oeste 47° 48’ 42’’&lt;br /&gt;UTM Leste 198700&lt;br /&gt;UTM Norte 8251420&lt;br /&gt;Altitude 1.000m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descrição do Relatório de Campo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saída de campo é sempre importante para exercitar os conhecimentos teóricos e práticos no mundo real. O roteiro escolhido foi o contorno dos dois braços ao norte do lago, entrando na estrada que passa pela a Academia de Polícia até a ponta onde o Rio Paranoá foi represado. A prática de campo foi importante para compreender quais foram as transformações espaciais durante o período de 1983 até 2005. Assim conseguimos engendrar um arcabouço teórico dos processos e a dinâmica da ocupação humana que estão se sucedendo na atualidade. Dessa maneira, vários ângulos surgem a fim de observar a questão do uso da terra e suas várias implicações para o nosso cotidiano. &lt;br /&gt;O ponto 0 de onde saímos é a Universidade de Brasília. Fundada em 1962, é uma construção que guarda o seu patrimônio histórico e ideológico. Seus prédios com estilo de “concreto exposto” contrasta com a paisagem arborizada com plantas nativas do cerrado, bem diferente da cidade do Sol Nascente na periferia de Ceilândia, onde há poeira e paredes mal rebocadas por causa da falta do capital. Esses contrastes se verificam em várias quadrículas além destas que estão servindo de esboço na confecção deste trabalho e a também ao longo de nosso campo.&lt;br /&gt;O 1º Ponto é uma localidade que gera preocupações e exige mais atenção das autoridades públicas por estar situado entre dois ribeirões importantes advindos do Parque Nacional de Brasília. A área fica bem nos limites do parque e até conseguiu invadir uma parte dele. Além disso, existe nas cercanias da Granja do Torto, o Setor Residencial Zoobotânico. Ambos exercem forte pressão sobre a cobertura vegetal e os recursos hídricos preservados. Alias o parque é cercado por situações desse tipo: a Estrutural e o depósito de lixo nos arredores são mais exemplos. A Granja é um setor bastante valorizado pela especulação imobiliária; visado pela as classes sociais que podem bancar uma segurança melhor nos condomínios, cercados e afastados da violência urbana e da agitação cotidiana das cidades. Tal expectativa ligada à falta de fiscalização governamental, já ocasionaram impactos ambientais irreversíveis nas mediações da reserva ambiental. Tais zonas deviam ser regulamentadas para ampliar a área do parque ou criar barreiras de segurança contra a ocupação antrópica.&lt;br /&gt;Residências fechadas por grandes muros demonstram a tendência nas grandes metrópoles brasileiras cuja periferia às vezes se torna um alvo em busca do bem-estar social ou refúgio alternativo contra as agonias da atemorizante pressão central da cidade. A elite procurou nos últimos anos buscar qualidade de vida fora do centro intenso, que também pressionou a cidade para os lados, obrigando as famílias de baixa renda a procurar os espaços segregados ao redor da capital. &lt;br /&gt;O 2º ponto é outra situação de loteamento irregular habitado pela classe social média de Brasília. No caminho, passamos pelo Posto Policial Rodoviário, ponto estratégico para fiscalizar os produtos e os veículos que vem de fora do DF. Observa-se nesse setor áreas cercadas que supostamente, em breve, servirão para erguer novas habitações e ruas. Há uma declividade no terreno, o que evidência cursos fluviais descendo em direção ao Lago Paranoá. O bairro onde estão essas moradias fechadas e bem construídas margeia uma estrada federal, o que pode trazer um valor considerável no uso comercial do terreno.&lt;br /&gt;Em direção ao Itapuã, fizemos uma paragem num santuário religioso em local numa área estratégica. Esse ponto possui uma visão panorâmica que compreende boa parte de Brasília. Os edifícios públicos mais altos e importantes são visto do local. Isso deixa em evidência a técnica estratégica militar de segurança nacional que produziu a ocupação do solo na área. De fato, ao lado do Santuário existe o Centro Integrado de Guerra Eletrônica do Exército - CIGE. Por isso é importante a observação prática do espaço geográfico para entender a valorização que ganha a áreas conforme a morfologia do relevo e a característica natural da paisagem, que podem servir para interesses políticos diversos.&lt;br /&gt;Quando chegamos ao 4º ponto, prestamos atenção na declividade do Vale do Paranoá invadido por um condomínio de classe média alta que foi erguido provavelmente através do parcelamento ilegal de lotes, já que a Lei Ambiental proíbe esse tipo de ocupação. No 5º ponto, no outro local desse divisor de águas, existe a rede fluvial do Rio Paranoá, onde houve, em 1959, o seu represamento para formar a Barragem. Bem em frente, numa área cercada se localiza o parque, no qual antes abrigava a antiga invasão do Paranoá. Notam-se ainda, as mangueiras plantadas pelos antigos candangos, mas nenhum registro histórico ou monumento erguido para memória da cidade. Esse espaço se transformou numa área de lazer, apagando o conjunto de moradias da história da Capital Federal. Hoje a barragem fornece água e energia para parte de Brasília. Margeando essa parte mais profunda do lago, há áreas preservadas de vegetal nativa, o que demonstra um resultado positivo da retirada das famílias de candangos, as quais foram obrigadas a constituir a vila (invasão) do Paranoá, dando origem, mais tarde, a cidade satélite de mesmo nome.&lt;br /&gt;Para finalizar, chegamos a Ermida Dom Bosco. Esse é o local onde reza a lenda que o sacerdote católico italiano do século XIX sonhou com uma cidade cheia de riquezas e um grande lago. Além do monumento em seu nome, a Ermida é um importante ponto turístico de Brasília. Ao lado do gramado nas cercanias do morro onde Dom Bosco sonhou, há uma área de lazer contracenando com mansões supervalorizadas à margem do lago. Essa é outra evidência da invasão da elite sobre uma zona que não podia ser urbanizada, pois é uma área ambiental vulnerável que protege a Barragem do Paranoá. &lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1hlFWh1uI/AAAAAAAAAZc/wkIso9cTSi0/s1600-h/DSC02841.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1hlFWh1uI/AAAAAAAAAZc/wkIso9cTSi0/s400/DSC02841.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354042821733111522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1hk5e0KZI/AAAAAAAAAZU/ZAE5RtuPZ2w/s1600-h/DSC02838.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1hk5e0KZI/AAAAAAAAAZU/ZAE5RtuPZ2w/s400/DSC02838.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354042818546641298" /&gt;&lt;/a&gt;Extratos de Imagens do Google Earth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleMxVAuiVI/AAAAAAAAAak/iCYs3uHMk1M/s1600-h/Granja+do+Torto.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 261px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleMxVAuiVI/AAAAAAAAAak/iCYs3uHMk1M/s400/Granja+do+Torto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356905060862167378" /&gt;&lt;/a&gt;Imagem da Granja do Torto nos limites do Parque Nacional de Braísília. Condomínios sobre a rede de drenagem ameaçam os recursos hídricos.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleO_5G1C1I/AAAAAAAAAas/QIx8lm4CvlM/s1600-h/Pen%C3%ADnsula+Norte.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 261px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleO_5G1C1I/AAAAAAAAAas/QIx8lm4CvlM/s400/Pen%C3%ADnsula+Norte.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356907510092860242" /&gt;&lt;/a&gt;Península Norte, um dos lugares mais elitizados de Brasília, onde abriga parte das famílias mais ricas do Distrito Federal.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleSXYh2w-I/AAAAAAAAAa8/kg_GYXlnIRs/s1600-h/Barragem+do+Parano%C3%A1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 261px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleSXYh2w-I/AAAAAAAAAa8/kg_GYXlnIRs/s400/Barragem+do+Parano%C3%A1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356911212199592930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleSXAW_svI/AAAAAAAAAa0/-l3b5wgwk1A/s1600-h/Bacia+do+Bartolomeu.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 261px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/SleSXAW_svI/AAAAAAAAAa0/-l3b5wgwk1A/s400/Bacia+do+Bartolomeu.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356911205711590130" /&gt;&lt;/a&gt;Ocupações irregulares na orla da barragem do Paranoá. Rede de drenagem do rio Paranoá, que é tributário do rio São Bartolomeu, representado á direita no último extrato de foto a cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cartografia é uma ciência que possui um grande arcabouço técnico-instrumental importante no planejamento das cidades. Esta disciplina deve estar presente nas bases metodológicas dos Planos Diretores e na prestação de serviços ao ordenamento urbano e ambiental. Não podemos resumi-la a uma ferramenta puramente descritiva da paisagem, servindo de representação das localidades do mundo real. Antes de tudo, devemos entender que a Cartografia é um elemento importante na análise dos fatores sociais e naturais que compõe o cotidiano, a história e o desenvolvimento das interações humanas com o meio no qual inclui a dinâmica conjunta da paisagem transformada e da natural.&lt;br /&gt;Ter a cidade de Brasília como modelo ajudou a compreender os desafios que surgem no caminho da gestão territorial dentro da lógica do capitalismo e da globalização. A técnica e os produtos cartográficos podem clarear os dilemas urbanos, bem como indicar novos rumos ao crescimento estrutural das cidades. Muitas vezes, o poder público é omisso diante da ameaça aos recursos hídricos, da expansão dos loteamentos e o da invasão dos condomínios irregulares. O período de 1983 a 2005 é importante para construir nossas reflexões e percepções. Ele começa no final da Ditadura Militar e se processa até hoje na dinâmica do território na qual habitamos. A sociedade urbana consolidava-se. Brasília não ficaria fora dessa lógica.  &lt;br /&gt;A maioria dos loteamentos e muitas cidades que surgiram vieram da transformação da zona rural em urbana, demonstrando uma tendência geral do país e da globalização. Por isso, a capital reflete várias situações que podem ser projetadas para a Cartografia nacional. As metrópoles costumam ter duplas identidades que refletem diferentes brasis: o periférico onde existem os espaços segregados e o espaço elitista que usa o território para manutenção do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;status-quo&lt;/span&gt; de democracia de mercado e do consumo capitalista.&lt;br /&gt;As cartas e os mapas devem representar a realidade. Mas a Cartografia não é neutra, ela pode propor novas formas de mudanças. Ela também é fruto do interpretador. Ideologias podem confeccionar símbolos, e a ciência cartográfica trabalha com símbolos também. No entanto uma coisa é certa: a disciplina é um instrumento através do qual se trabalha as paisagens sobre vários ângulos, detalhes e perspectivas. Com a disciplina podemos observar o espaço geográfico ampliado em várias dimensões possíveis, o que facilita a percepção da Geografia e as demais ciências sociais. Assim, através dessas cartas, vimos uma Brasília moderna não preparada para o futuro. Moderna não apenas pela sua arquitetura, mas pelo seu contexto político e estratégico. As futuras gerações estão comprometidas pelo risco de desabastecimento de água, pela a falta de planejamento da malha urbana e pelo alto índice de violência que se interliga aos fatos sociais do crescimento da cidade.&lt;br /&gt;Este trabalho serviu para demonstrar a importância da análise territorial sem esquecer, contudo, os processos que estão por trás das transformações da paisagem. Por meio da produção de documentos cartográficos identificamos as zonas que sofreram pela ação humana com a expansão desordenada das cidades. A produção do espaço depende dos serviços ecossistêmicos e dos recursos fundamentais para a sobrevivência humana. A Cartografia tem o papel de denunciar este modelo imprudente de crescimento econômico, no qual coloca o capital presente acima do valor humano. A economia não é rival dos ecossistemas. Pelo contrário, através da economia podemos otimizar os recursos em benefício da sociedade, reduzindo ao máximo os impactos ambientais. A Cartografia também pode auxiliar os poderes públicos nessa direção.&lt;br /&gt;Brasília, portanto, não pode ser refém de políticas que não desenvolvam os territórios visando o futuro. A capital federal deve ser conhecida e representada em toda a extensão de sua zona de influência. Não adianta, no entanto, apenas reconhecer e representar esses espaços. Devemos propor novas medidas que garantam às populações, sem distinção de classe, um setor urbano regularizado e infra-estruturado, que ofereça o mínimo de bem-estar social sem deixar de lado a preocupação com os serviços ambientais necessários e os recursos escassos, como a água. Esse também é o maior objetivo da Cartografia. Assim conseguimos, portanto, definir a disciplina como a ciência das propostas e da promoção de soluções para o desenvolvimento sustentável do território.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-2720534841111059443?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/2720534841111059443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=2720534841111059443' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2720534841111059443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/2720534841111059443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/07/relatorio-de-cartografia_02.html' title='Uma análise cartográfica sobre a região de Brasília'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_5v3dECO9JCQ/Sk1inPNgCXI/AAAAAAAAAZk/C47hJr43SXE/s72-c/DSC02844.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-4560095160241921846</id><published>2009-06-30T11:02:00.001-07:00</published><updated>2009-06-30T11:02:49.624-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>O consumo sob a ótica da imaginação sociológica</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comum utilizar em um artigo analítico e crítico qualquer, a expressão “sociedade de consumo”. Por que tal termo se tornou tão usual? A sociedade é um complexo de redes auto-organizadas e determinadas pelas interações dos diversos agentes e das instituições que dão sentido a realidade concreta, fazendo com que cada momento histórico possua uma característica. O capitalismo transformou esse complexo de redes, desenvolvendo-o e manipulando-o a sua maneira. Uma das forças mais significativas desse processo é a capacidade do ser humano de produzir. Mas este verbo comumente esta relacionado à necessidade constante de adquirir bens, e consequentemente incentivar o consumo para circular o capital.&lt;br /&gt; O homem é um ser produtor de possibilidades, e os grupos sociais se engendram nelas. Observando a dinâmica da sociedade, percebe-se que ela em si sobrevive em um espaço geográfico do qual se extraí recursos naturais e valores básicos pré-estabelecidos pelo o processo histórico. Os primeiros agregam valor individual de consumo quando são transformados em mercadoria, mesmo que isso não inclua o reconhecido custo do impacto à natureza. Esses últimos são impostos sobre indivíduo no processo de socialização como uma categoria de fato social cuja coerção exercida sobre o indivíduo é aplicada ainda na infância, no ambiente família. A mídia, as instituições sociais de poder, o comércio, as ideologias tem papéis fundamentais nesse sentido, o que garante ao Estado e às elites políticas uma sociedade organizada, mas carente de exigências e forças produtoras de história. Em outras palavras, a história não é produzida pelo indivíduo, este simplesmente confunde história com sua própria biografia e com a realidade subjetiva dos mitos da sociedade e dos bens de consumo. Eleva isso, como criação de status social, exibição de poder ou como máscara da realidade.&lt;br /&gt;Em nossa época contemporânea a sociedade desenvolveu novas formas de relações econômicas e um novo modelo de produção baseado em conquistas importantes, nas quais o movimento cíclico e constante do capital estava sempre presente. De fato, o comércio de trocas e compra de produtos sempre foi empreendido pelos vários tipos de consumo oriundos da demanda das classes sociais concomitantemente à crescente sociedade urbana. As cidades ganharam vários centros de consumo onde as ideologias ultrapassaram a simples relação de trocas comerciais. Essa dinâmica estava e está por trás dos diversos investimentos feitos na ampliação dos setores industriais, na busca de lucros, bem como na reprodução constante para expandir o mercado consumidor e especulativo que atinge todas as classes sociais.&lt;br /&gt;O capitalismo financeiro-técnico-informacional e as constantes novidades tecnológicas, o modismo ditando regras, a influência do markenting, da propaganda da mídia televisiva são indícios de que os agentes sociais podem estar sendo conduzidos por forças subjetivas produzidas pelas as novas formas e conteúdos oriundos das cidades agroindustriais, das metrópoles e da concretude dos fatores humanos, como os valores sociais empregados nas embalagens, nas utilidades e nas formas dos produtos. Ou seja: toda a produção social e econômica está intimamente unida ao aperfeiçoamento do mercado para o consumo e não para especificidade do indivíduo. Muitas vezes, os valores do trabalho intelectual e da profissão do proletário não estão inclusos no preço de tal produto, tampouco na função que esse representa para o consumidor ávido por uma novidade de mercado como formar de demonstrar e preservar o seu staus-quo.&lt;br /&gt;O consumismo geralmente é entendido como o ato de adquirir produtos e serviços por vezes de maneira inconsciente e sem controle. Então para onde vai o poder de escolha, a categoria maior de nossa liberdade? O consumismo é o resultado de estratégias naturais ou volitivas de mercado que visam atingir determinadas características ou desejos de grupos sociais. Mas ele não se reproduz de maneira aleatória sobre o indivíduo, este o recebe inconsciente de sua realidade de mundo; consciente da estética e do prazer que pode acatar o produto ao seu bem-estar social informal. Mas ele segue certos padrões de fenômenos sociais que alienam e restringem a oportunidade de escolher, de formular, de discernir pelos quais a razão costuma atuar. O indivíduo confunde a biografia com as pressões externas advindas do comando sistemático do capital, onde o valor do capital supera as suas expectativas, as emoções e suas referências perceptivas pessoais. O consumo, portanto, prende o indivíduo num campo de forças, construindo neste uma nova forma de bem-estar social que seguramente não pode ser real para ele se não tem nenhuma relação com a própria biografia do indivíduo. Então a sua biografia é cativa dos valores virtuais externos de objetos e bens de consumo.&lt;br /&gt;A sociedade moderna se acomodou em seus avanços científicos. Os diversos frutos deste progresso não são apenas aparelhos eletrônicos, computadores e telefones portáteis, por exemplo, mas toda uma gama de invenções em várias áreas da ciência que desafiam a capacidade de imaginar da mente humana. Mas por outro lado, atiçam o poder de compra da elite no mesmo tempo em que segrega as classes baixas em espaços excluídos, afastados do mercado de consumo. Isso acontece porque o consumo se instala onde o capital se acumula e tem o maior poder de circulação e compra.  O capital em conjunto com o consumo de grupos, portanto, é a única força cinética que movimenta a valorização dos objetos circulantes no mercado. Mas a busca de ascensão social, contudo, sempre será um fator que, integrado aos desejos subjetivos, se aliena aos benefícios da produção econômica vigente, promovendo a dinâmica do consumismo entre a sociedade. Nesse contexto, o consumismo é, sobretudo, produzido pela elite, a qual usa determinados símbolos a fim de expor o poder sobre o território onde o mercado está instalado. Enfim, o consumismo é erigido de cima para baixo.&lt;br /&gt;Então agora dar para entender o poder alienante do consumismo sobre as diversas camadas sociais. Se por um lado o consumo é um elemento em que elite se sustenta como padrão de vida.  Por outro, a classe baixa busca apoio numa realidade na qual há diferentes expectativas de comodidade e conhecimento, já que os objetos almejados pelo o consumo quase sempre oferecem benefícios importantes que auxiliam o trabalho e o cotidiano. Nesse contexto, o consumo esta relacionado com interesses de classe e desejos diversos, contudo, sem deixar de ser um fato social. Na sociedade moderna sob as perspectivas da nova ordem mundial da globalização, o consumo é também uma ferramenta de dominação e de alienação de grupos sociais, debilitando o poder de autocrítica do indivíduo. Entretanto é mais uma forma das massas populares desejarem se integrar ao mercado.&lt;br /&gt;Não podemos falar de sociedade de consumo se o poder de compra não possui nenhuma simbologia ou linguagem própria dentro da sociedade. Além disso, não podemos definir uma sociedade de consumo onde o valor de seus indivíduos se expande além da realidade externa; e eles se sintam livres exercendo o seu poder de escolha. Essa definição, portanto, é bem apropriada pela nossa sociedade moderna na qual emergiu uma democracia de mercado onde o valor do capital e o valor de compra deste capital possuem mais significância do que as próprias perspectivas individuais e a capacidade de produzir a história.&lt;br /&gt;O ser humano só pode usar a sua própria biografia se interagindo com todo o contexto histórico, o modo de produção e o modelo econômico vigentes. A alienação causada pelo os costumes, o modismo e o consumo exacerbado suprime a liberdade e restringe horizontes os quais a percepção humana compreende. Se na antiguidade, na época da opulência dos reis na antiga Pérsia, o consumo de jóias de ouro era um símbolo de garantia de poder político sobre a população, hoje ele está associado à compra excessiva de coisas inúteis. Ou seja, o indivíduo se apóia no supérfluo no qual pode ser um refúgio da realidade. Também é possível que esse apoio seja uma invasão de outras realidades sobre o eu íntimo ou o eu social (biografia e história se interagindo) do indivíduo; mas com certeza o consumo é uma forma de domínio e controle social, sobretudo é uma estratégia que inibe as possibilidades de escolha das massas que inspiram mudanças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-4560095160241921846?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/4560095160241921846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=4560095160241921846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4560095160241921846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/4560095160241921846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/06/o-consumo-sob-otica-da-imaginacao.html' title='O consumo sob a ótica da imaginação sociológica'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-6034003626273739721</id><published>2009-06-08T17:03:00.000-07:00</published><updated>2009-06-08T17:04:46.433-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Comentários</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acordo internacional ortográfico entre os países lusófonos veio com objetivo de integrá-los nas relações culturais e econômicas, bem como na cooperação política. Esse processo, segundo os governos defendem, tornaria a língua mais unívoca e universal, adjetivos, que aplicados, facilitariam as relações internacionais e valorizaria a nossa língua. Existem diversos países espalhados pela a América, Ásia e África que utilizam oficialmente o idioma português. Mas será que esse projeto garante maior integração entre Portugal e suas antigas colônias? A verdadeira necessidade desse acordo também é bastante questionável. A valorização da língua em cada país é outro ponto dessa polêmica.&lt;br /&gt;Na época das grandes navegações Portugal era um Estado; uma monarquia centralizada. Essa posição garantiu vantagens para os lusitanos empreender aventuras arriscadas e muito onerosas em busca de novas terras. Nelas os ibéricos almejavam especiarias e ouro, o qual era fonte para o acúmulo de riquezas em benefício da metrópole.  Muitas colônias o país conquistara durante o século XVI e o seguinte. A mão-de-obra de sociedades africanas inferiores, segundo os europeus da época acreditavam, usada nas relações de trabalho na produção de cana-açúcar, na mineração e, mais tarde, no café, trouxe à colônia grande miscigenação de etnias cujas linguagens originais eram trazidas de seus grupos deixados do outro lado do oceano. Várias dessas sociedades desembarcaram no Brasil. O constante tráfico de escravos africanos abastecera a colônia, onde portugueses e grupos indígenas já se interagiam entre si através do principal meio de socialização: a linguagem. &lt;br /&gt;Com isso, à língua portuguesa se incorporava dialetos e expressões de variados grupos sociais. O fluxo de imigrantes de diversos países europeus, nos séculos XVII e XVIII, intensificou ainda mais a diversidade cultural e lingüística do país; inclusive algumas de suas tradições foram incorporadas a nossa cultura. O idioma utilizado pelo Brasil emergiu, portanto, de uma gama de dialetos e expressões que fogem dessa lógica defendida pelo o acordo internacional. Ou seja: o Brasil é um país continental onde a imigração de diversos povos ao longo de sua história marcou a nossa linguagem e a própria escrita. Esse processo acontece até hoje com o estrangeirismo tanto na linguagem técnica quanto na comum. O português aqui no Brasil adquire patrimônios culturais e características únicas diferentes dos demais lusófonos.&lt;br /&gt;As barreiras geográficas precisam ser desbravadas antes de tentar superá-las. O caminho não é a integração do idioma ou o combate ao estrangeirismo como argumento de valorização da língua luso-brasileira. A valorização, nesse caso, não vale para universalizar e tampouco regionalizar, sobretudo se essa espécie de regionalismo está mais ligada aos interesses estratégicos do comercial mundial do que à aproximação cultural dos povos lusófonos. Ela quer dizer o valor da língua como fato social, o que é coercivo e objetivo sobre a realidade dos indivíduos. O espaço geográfico possui valor como fato social do qual a linguagem dos grupos e dos indivíduos também é uma expressão desse valor. É importante, nesse sentido, garantir o mecanismo dinâmico e a liberdade natural de nossa cultura, os quais também tomam corpo através do idioma. Assim parte da história e própria identidade cultural do povo permanecem protegidas.&lt;br /&gt;A política não deve criar identidades culturais onde elas não estão; essas nascem de maneira natural e espontânea. Alterar a ortografia por decisão de governo caminha nesse sentido. Se a ortografia também está se relaciona com a nossa linguagem produzida pelo processo histórico e cultural dos povos que compõe a nação, então ela não pode sofrer mudanças de cima para baixo sem consentimento da sociedade e dos grupos locais que podem adquirir identidades particulares próprias. É dessa maneira que vemos a ortografia ser mudada sem ao menos buscar universalizar o espaço. Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste precisam ser integrados ao contexto da globalização e ao mercado técnico-informacional-financeiro. Porém, não podemos começar com a imposição técnica e normativa da língua. Pelo contrário, precisa reconhecer primeiramente as diversas características sociais e culturais dos povos e etnias, que muitas vezes são excluídos nos seus próprios países. A cooperação dos governos visando uma globalização menos perversa, onde esses países tenham mais identidade cultural com Brasil e Portugal_ os países mais ricos_ só poderá ser feita através da ajuda financeira e da maior integração político-econômica. Essa realidade ainda está longe de acontecer. No Brasil as pessoas que falam gírias e preservam a sua cultura nas periferias das grandes metrópoles são excluídas dessa globalização, na qual as exportações do país ganham destaque, exigindo uma linguagem econômica própria longe da comunicação cotidiana dos excluídos Linguagem essa defendida principalmente pelos governos de Portugal e Brasil participantes de blocos econômicos fortes, União Européia e MERCOSUL, respectivamente. Eles visam maior importância no cenário internacional.&lt;br /&gt;São poucas mudanças significativas a ponto de dificultar o nosso entendimento da ortografia já repleta de regras. No entanto, o que está em discurso é a posição política tomada sobre um elemento da cultura de um povo, ou seja, a sua língua. Não há como diminuir os espaços geográficos atingindo a dinâmica da cultura, já que ela é um processo de constantes trocas de experiências e interações sociais que fogem do domínio político. A intenção é louvável no sentido de integração política e cultural entre os povos lusófonos. Porém a linguagem também pertence ao indivíduo. O reconhecimento e o respeito dessas formas culturais de linguagem de grupos e indivíduos é o caminho para superar as barreiras geográficas, onde estão o horizonte social e todas as formas de símbolos utilizados para definir as várias maneiras de ocupar o espaço e integrá-lo à linguagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-6034003626273739721?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/6034003626273739721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=6034003626273739721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6034003626273739721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6034003626273739721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/06/comentarios.html' title='Comentários'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-3700005958446672805</id><published>2009-06-01T16:02:00.000-07:00</published><updated>2009-06-01T16:45:57.410-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Entrevista de Milton Santos no Programa Roda Viva/ TV  Cultura</title><content type='html'>Milton Santos&lt;br /&gt;31/3/1997 &lt;br /&gt;Doutor pela universidade francesa de Estrasburgo, o geógrafo fala sobre uma globalização diferente, possível e na contramão da existente&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Boa noite. O Roda Viva de hoje recebe um convidado muito especial, o premiado professor brasileiro Milton Santos, titular de Geografia da Universidade de São Paulo. Consagrado, em 1994, com o Prêmio Nobel da Geografia [refere-se ao Vautin Pud, considerado como o Nobel da Geografia], o professor Milton Santos é colecionador de títulos, doutor em Geografia pela Universidade Francesa de Estrasburgo, é também doutor em honoris causa por outras onze universidades de sete países. Aos 71 anos, com mais de 40 livros publicados, em sete línguas, Milton Santos nasceu na cidadezinha de Brotas de Macaúba, no interior da Bahia. Alfabetizado pelos próprios pais, professores primários, cursou direito em Salvador. Em 1964 foi destituído do cargo de secretário do estado da Bahia e de professor da Universidade Federal pelos militares. Exilou-se na Europa e lecionou durante treze anos nas mais importantes universidades do mundo. Avesso às teorias que exaltam a globalização, Milton Santos chama atenção para a importância dos intelectuais na discussão da sociedade moderna, contesta o modelo de reforma agrária brasileira e quer a Geografia pensada como filosofia e arte. Para entrevistar esta noite o professor Milton Santos, nós convidamos o jornalista Ulisses Capozzoli, repórter do Jornal O Estado de S.Paulo, o professor István Jancsó, do Departamento de História da Universidade de São Paulo, a socióloga Maria Irene Szmrecsanyi, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Vinícius Torres Freire, editorialista da Folha de S. Paulo, Daniel Hessel Teich, repórter do jornal O Globo, e o professor Renato Ortiz do Departamento de Sociologia da Unicamp. Boa noite, professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Professor, o senhor que é um homem, um brasileiro tão conhecido no mundo, com seu trabalho tão reconhecido no mundo, é também hoje um dos brasileiros que tem elaborado um pensamento crítico sobre o processo de globalização. Eu imagino que não deva ser fácil essa tarefa porque a globalização é quase que um consenso na mídia, quase que um consenso nos jornais, nas revistas, na televisão, todo dia a gente houve falar do processo de globalização como sendo um processo que trará grandes vantagens para o Brasil. Quais são as principais críticas que o senhor faz a esse processo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: O atual processo de globalização é uma forma, uma única forma de utilizarmos recursos que a humanidade pôde gerar neste fim de século, mas utilizá-los de forma que me parece perversa. Então, a crítica essencial é esta, a humanidade durante dois séculos sonhou com a possibilidade de uma ciência a serviço do homem, e quando isso se obtém exatamente, esses objetivos são, digamos assim, deixados de lado, para que essa globalização que nós estamos presenciando sirva um número extremamente limitado, não só de pessoas, mas também um número limitado de empresas, e a um número limitado de instituições. Quem sabe esta é a crítica essencial que eu certamente vou desdobrar com outras perguntas que sejam eventualmente feitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Professor, ainda sobre esse assunto: mas o que se apresenta, que como se a globalização fosse um processo cerrado, que não houvesse alternativas fora da globalização, quer dizer, ou o país se integra na dinâmica da economia do mundo internacional, ou seja, na dinâmica dos mecanismos internacionais, no ritmo do mercado financeiro internacional, ou ele se prepara, se integra ou ele não tem alternativa fora desses sistema. Como o senhor vê este tipo de posição? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Acho que esse é um raciocínio anti-histórico. Se a gente olha para trás e observa tudo o que o mundo se tornou através do tempo, a gente vê que as possibilidades de uso daquilo que é criado são numerosas, e por que neste fim de século seria assim, uma só senda, um só caminho, um só resultado? Eu creio que isso que a gente tem que começar a discutir, entender porque é assim, e buscar através da análise as formas de sugerir outras maneiras de combinar o que aí está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Hessel Teich: Professor, eu gostaria de saber se no caso do Brasil quais seriam esses caminhos, o que seria alternativa à globalização? O senhor fala muito da questão de um projeto nacional para o país, o que seria este projeto nacional para o país? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu creio que em primeiro lugar, no caso do Brasil e no caso de qualquer país, o que seria a meu ver, o que seria e o que está se dando, e os países europeus, por exemplo, o que está ocorrendo são países que escolhem o que realizar da globalização. É evidente que há uma expressão muito grande por causa dessa enorme força que é atribuída a quem dispõe dos meios de comando, mas o Brasil parece que está deixando a globalização entrar nele, acho que esta é acusação especial, nós estamos deixando a globalização tal como ela é perversa, entrar, em lugar de, ao contrário, o país encontrar ele próprio as formas de sua integração. Que terá que ser sempre negativa, hoje ou amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius Torres Freire: Professor, agora, quando o senhor fala desse problema da falta de projeto nacional, evidentemente o senhor não acredita que ele possa surgir a partir da vontade geral, quem iria apoiar um projeto nacional? Politicamente, isso vai depender da boa consciência dessas elites que hoje estão no poder ou de um projeto popular? De onde vai sair um apoio político para um projeto nacional?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Duas coisas, uma coisa é a minha posição como intelectual. Como intelectual tenho que me habituar a estar sozinho, não tenho que me preocupar com quem me acompanha, porque não é próprio do intelectual se preocupar se tem apoio ou não, é posição das idéias, a coragem de defendê-las até o fim. Creio que esta que é, neste caso, a elaboração, digamos, de um quadro que permita depois a utilização pelas forças políticas e quando eu falo forças políticas estamos falando dos sindicatos patronais, das igrejas, dos partidos também, é uma outra coisa. E isso não vai depender dessas forças, como também vai depender desse turbilhão que o Brasil é hoje do qual a gente não se dá conta. Há um turbilhão, há uma efervescência de baixo que a gente não está captando completa e nem integralmente, mas vai confluir com a produção de idéias para forçar um outro caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius Torres Freire: Mas eu perguntei isso para o senhor pelo seguinte: na França, a adoção da esquerda à direita não fascista de valores republicanos que inclui a solidariedade social, que o senhor defende muito, demorou tantos anos, de sangue. Então, eu não perguntei o que o senhor faria para esse projeto nacional, mas de onde o senhor avaliaria que sairia porque, na França, demorou 150 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Não creio que tenha demorado tantos anos, houve vários projetos nacionais na França desembocando em fórmulas políticas, a partir quase sempre de fórmulas intelectuais. Quer dizer, uma produção de idéias que permitiram uma produção de um ideário político que permitiu uma ação política, conduzindo-a a diferentes formas de, como eu diria, de acordo nacional a partir de projetos, porque na realidade não há um só projeto nacional, essa unanimidade é impossível, como foi dito na primeira pergunta. Eu creio que isso vai se dar no Brasil também com um pouco mais de dificuldade em função da história do próprio Brasil. Quer dizer, um país que nunca pode construir uma idéia de cidadania, que nunca teve uma cidadania. Então, essa ausência de cidadania tem uma implicação na produção de um projeto nacional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Professor Renato... Antes do professor Renato fazer a pergunta, eu queria dizer que está também na bancada de entrevistadores com a gente o jornalista Fernando Conceição que é professor na Bahia, que veio a São Paulo especialmente para nosso programa. Professor Renato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Milton, nós temos participando de vários debates sobre globalização, e é um tema que você sabe que é polêmico, e eu vou deixar de lado a questão do Brasil porque eu acho que tem questões que poderiam ser mais discutidas, se tiver oportunidade eu volto. O tema da globalização, ele se faz em vários níveis; econômico, tecnológico, que você escreveu bastante sobre a problemática da técnica no nível cultural. Agora, tem um nível que é gargalo, que é polêmico, que a discussão já começou com ele que é o nível da política, porque a política pressupõe o Estado-Nação como referência, ao passo que a economia, a cultura, a tecnologia podem escapar um pouco desses... Então, queria perguntar para você, como é que você vê a questão da política hoje num mundo que é globalizado, onde o Estado-Nação, não que ele desapareça, já não possui a mesma força que possuía anteriormente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Olha, a primeira coisa talvez, talvez... a dizer, como resposta à sua pergunta, é que nota-se em toda parte uma degradação dos costumes políticos, práticas políticas, em certos países mais do que em outros, mas em toda parte há degradação da política. A partir do fato de que para realização da globalização foi preciso inventar a democracia de mercado, que era uma negação da política, na medida em que a política supõe uma universalidade de objetivos, a política é sempre totalizante, enquanto que a democracia de mercado quer substituiu hoje, num mundo quase todo, a realização prática do exercício da política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Milton, não quero monopolizar a palavra, mas vou engatar com a pergunta que se segue. Você acha que a globalização só tem elementos perversos? E conheço os elementos perversos. Ou você acha possível, em termos de política, imaginar uma sociedade civil mundial? Ou você acha isso impossível de ser imaginado? Não tem futuro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szmrecsanyi: Deixa eu por uma pergunta também sobre aspectos perversos? Queria perguntar se o tema globalização, de fato, não é o que a gente chamaria de uma dispersão de foco? Será que o velho termo imperialismo não poderia substituir o termo globalização? Se não, por que razões? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu não faria... Eu estou consciente de que o termo globalização resulta exatamente da necessidade do sistema, de sua situação atual, de impor uma forma ideológica. Inclusive, há quem diga que foram os japoneses que inventaram essa expressão. Não importa quem inventou, é uma expressão baseada no velho ideal da humanidade da comunhão universal, mas que é feita exatamente para eliminar, reduzir a possibilidade dessa comunhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szmrecsanyi: E acabar com a política! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Mas o que eu creio, e imagino que essa questão vai aparecer daqui a pouco, é que o grande problema nosso não é tanto com nomes, mas com análise das situações. Quer dizer, eu creio que se nós conseguíssemos elaborar uma análise correta, tanto quanto possível, a partir de cada um dos nossos campos, dessa história de globalização, a palavra não mete medo. A globalização é o estágio pleno do imperialismo, ela não é imperialismo. Se eu analisar a situação atual a partir dos elementos que constituíram o imperialismo, eu vou ter dificuldade para fazer essa análise. Eu conseguiria ter dificuldade para ajudar na produção de soluções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Tinha uma resposta, está devendo uma resposta para o professor Renato, desculpe Ulisses, depois você.&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Você acha que a globalização só tem elementos perversos e eu acho que tem muitos. Agora, você acha que é possível imaginar outros elementos não perversos num sistema “planetarizado”? Por exemplo, de numa sociedade civil mundial? Ou você acha que isso não tem futuro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu acho que é possível para a sociedade civil mundial, mas numa outra globalização. O quê, e aí eu, já que você ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[interrompido]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Que característica, por exemplo, você põe dessa outra globalização que o senhor disse, por exemplo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Para chegar até lá que já é um estágio pleno da solução, eu creio que nós teríamos que enfrentar a questão da análise. Por que chegamos à globalização? Qual é, quais são os elementos históricos do presente que permitem que a globalização se dê? Então, a gente pega esses elementos históricos, e a história contemporânea nossa, e tentar outras formas de combinação viáveis ou não viáveis, porque nós estamos obrigados a pensar o que é aparentemente viável. Hoje, isso seria muito pouco, seria muito pobre. A partir daí, eu creio que a gente estará em condição de pensar também nessa comunidade universal, que por enquanto tem um voto, um voto quase vazio, e que continua sendo um desejo mais do que realização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: O senhor tem uma preocupação, acho que mais ou menos sistemática, com essa nossa dificuldade, nossa impotência de analisar, de fazer análises. No caso brasileiro, o que explica isso em última instância, essa nossa dificuldade de fazer, digamos, um mergulho mais profundo nas coisas e sair com coisas mais ricas na mão? Em última instância me parece que a universidade hoje, a principal universidade brasileira, a USP, passa por uma crise nesse sentido. Quer dizer, me parece que tem uma impotência enorme, se faz à crítica, como o senhor disse, num dos seus escritos, mas não se faz acompanhada à análise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu creio que as veracidades, elas abrigam muita gente boa, talvez como a comunidade científica, a intelectualidade brasileira seja algo absolutamente impermeável. Eu creio que há uma enorme dificuldade aos jovens, e mesmo aos não jovens...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ ]:  O que o senhor chama de impermeabilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Impermeabilidade é que a vida intelectual brasileira é hoje, o nosso presidente na entrevista que ele deu, ele sugere que desde o tempo que era estudante havia grupos fechados, ele próprio depois cria o seu grupo fechado. Essa é uma característica da intelectualidade brasileira, que é também um elemento de mediocrização que haveria de romper rapidamente, se a gente quer rapidamente encontrar as interpretações. Eu estou seguro que nas universidades, e na USP, há uma enorme quantidade de gente pensando, pensando bem, mas que não tem como...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ ]: Como seria a maneira de exprimir isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu tenho dificuldade em resistir à provocação quando se começa a falar de universidade, mas eu vou me policiar... [Risos] porque eu acho que é questão, eu ainda volto a isso, porque eu não vou fugir dessa questão. [risos] Mas, o que me incomoda nessa discussão na globalização é o seguinte, é que a globalização é ao mesmo tempo, traz, é sua própria negação. O que eu quero dizer é que a dialética do particular e do universal existe desde que o mundo é mundo. Toma formas diferentes. Falou-se do imperialismo, o imperialismo na verdade era uma proposta de mundialização, vale dizer, de globalização de determinadas relações. O que eu pergunto é o seguinte, até para poder pensar a questão do Brasil: o que é específico na dialética nesse conflito permanentemente do particular e o universal no interior desse processo que na nossa perplexidade nós chamamos de globalização? Que não é exatamente uma categoria de análise é o reconhecimento quase empírico de que existem processos mundiais, vale dizer mercado financeiro, planetarizado e assim por adiante. Ao mesmo tempo em que nós temos conflitos tribais que são desdobramentos dessa coisa que também sempre existiu em uma época que a informação não era planetarizada. Quer dizer, o que é particular para que a gente possa aprofundar essa questão da globalização, portanto, vamos procurar precisar, e acho que ninguém melhor do que você para precisar o que é específico desse processo de globalização que é um tema do qual muita gente fala e pouca gente precisa efetivamente e vai muito mais pelas aparências do processo do que na busca da compreensão. Acho que vou complicar mais sua pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ ]: Que maravilha! [risos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: ... Se falando no tempo e no espaço, o que é específico neste momento da história ou o que é específico em lugares? &lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: O que é específico da história... É o viés de quem trabalha com história, distorção profissional. O que é específico, da atualmente vivida dialética vivida do universal e do particular, que nós genericamente designamos como um processo de contradição. Telespectadores certamente vão achar que vai ser complicado, mas o que é que tem a ver a matança de tutsís [refere-se ao conflito entre tustsís e hútus em Ruanda, em 1994] com a, enfim, com a ampliação da circulação de capitais no mundo inteiro, massas fantásticas, trilhões de dólares, através de computadores? Quer dizer, isso tem uma relação, isso tem que ser entendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: O que é internacionalização de hoje comparada de 50, 100, 200 anos? É isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: É isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: É isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: O que é específico desse processo, ou seja, processos similares de conflito entre tendências gerais e processo particulares, que é inegável, sempre existiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[ ]: Teria sido a pulverização do espaço, Milton?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Estou buscando a resposta que seja simples.&lt;br /&gt;[Risos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Que não roube meu filé mignone que eu vou deixar para mais tarde, como todo prático de resistência né? Eu creio que o que caracteriza a globalização é exatamente essa instantaneidade da concepção do que está ocorrendo. Ao mesmo tempo em que é possível haver um centro frouxo que realiza esse comando ao seu proveito e desorganiza tudo o mais. Eu acho que nunca houve isso na história, essa força de desorganização, de desmantelo, de desordem que esta globalização perversa está fazendo... Então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Desculpe professor, quando o senhor fala em desordem, o senhor incluiu desordem jurídica, desordem política, desestrutura da sociedade, esse tipo de coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: A desordem do uso do território, a desordem moral...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Mas Milton, você tocou num tema que é importante, a idéia de centro, por isso que eu acho que conceito imperialismo não serve mais, porque a idéia de imperialismo partia da idéia que uma nação central dominava as outras, então, existiam centro e periferia muito claros. Eu acho que hoje o processo de globalização questiona a idéia de centralidade, mas ele redefine essa centralidade em outros temas ao seu favor. Não é um país mais que é central, nós não temos um centro. A pergunta hoje seria um pouco o seguinte: neste mundo que nós vivemos, neste planeta, as relações de força não se organizam mais de forma centralizada como era antes, em minha opinião, porém, com vantagens dadas - como o senhor chamou de mercado - que é isso mesmo. Portanto, é um mundo que desorganiza centros, mas organiza a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Então, a partir de centros frouxos, não é? Que são essas enormes empresas que têm um papel de centralidade, mas que são poderosas e cegas. Quer dizer, essas empresas, essas grandes empresas, e as instituições super nacionais que as perseguem direta e indiretamente, são cegas na medida em que não há uma meta clara, não há um objetivo, digamos assim moral. E eu creio que daí que vem essa desordem. Quer dizer, não como o mundo, os seus condutores principais abandonaram a idéia de finalidade, de moralidade, de solidariedade, então, tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Professor, e a situação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Deixar o Fernando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: Esse processo, o senhor considera este processo irreversível? Em outros termos também o Brasil hoje é governado por um intelectual conhecido internacionalmente, e o seu projeto de governo tem por trás de si uma série de outros intelectuais que apresentam esse projeto como um projeto irreversível, e chamam os críticos desse projeto de ressentidos. O presidente até tem usado alguns termos, bobos e etc.. O senhor não se sente dessa forma como uma ave rara em todo este processo na intelectualidade brasileira? Na medida em que grande parte dessa intelectualidade tem aderido ao projeto de governo, que me parece, tem sido, haja vista, a vitória que o atual governo teve na votação da reeleição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Se aderem é porque são menos intelectuais. O intelectual se caracteriza pela sua força crítica. Quem, dotado de força crítica for, jamais vai imaginar que é uma só perspectiva, uma só alternativa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Ao que o senhor atribuiu esta grande participação de intelectuais como quadros, ou diretamente na administração do executivo? Isso é fenômeno interessante não é? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Acho que está ligado também à intelectualidade brasileira que é em grande parte formada por pessoas que preferem ser statement, que ser intelectuais, não posso ser simplesmente intelectual e statement... E quando os intelectuais decidem ser statement, eles abandonam sua capacidade política, sua vontade crítica. E traem, traem a sua missão. Isso que está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Hessel Teich: Professor, o que lhe custa na organicidade, ter uma postura crítica no sentido do papel intelectual? Certamente que suas críticas não são vistas com conforto pelos seus colegas na universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Mas é próprio do intelectual. O intelectual existe para criar um desconforto, é o seu papel, e ele tem que ser forte o bastante para continuar exercendo esse papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: O senhor tem feito a crítica, por exemplo, entre distanciamento dos intelectuais que produzem, os acadêmicos que produzem, produzem e refletem e os acadêmicos que se tornaram buro-professores ou [buro-]intelectuais, que seriam aqueles que assumem o poder na universidade e fazem do poder seu meio e seu fim. Eu queria que o senhor aprofundasse isso e falasse do custo político e custo material que o senhor tem que arcar com essa postura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Custo material não tem nenhum, porque eu aceitei viver com salário que tenho, e isso fiz a vida inteira como professor. Sempre me satisfiz com os meus salários. Então, não há custo. Não há custo político, é um equívoco imaginar que vantagens imediatas seja uma vantagem política. A vantagem política é ter idéia, manter as idéias, esperar que elas floresçam, que é nosso trabalho. Quer dizer, e aí, há um ganho político, produção das idéias corretas, resulta no tempo de ganho político. Quer dizer, há uma perda, haveria uma perda se a preocupação fosse participar do statement... Como não é, não é a normalmente uma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szmrecsanyi: Como isso... Eu acho que gostaria de tocar na universidade também, eu acho que própria presença do professor Milton, antes na universidade, mostra que ela não é apenas burocrática, ela abriga hoje no estado de São Paulo, abriga professor Milton Santos desde a sua, dos primeiros momentos que ele chegou no Brasil, primeiro informalmente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Mais ou menos, mais ou menos! &lt;br /&gt;[Risos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Não foi tão fácil assim! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szmrecsanyi: Não, esteve muito tempo longe da universidade, na própria faculdade onde trabalha, na Arquitetura, sua presença foi disputada muitas vezes. Agora, a sua inserção oficial na universidade que demorou mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Foi laboriosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szmrecsanyi: Nesse sentido, eu acho que, como todas as instituições, a universidade tem essas duas perspectivas, ela tem muita burocracia mesmo, ela se senta em cima de louros que construiu no passado, mas ao mesmo tempo, a universidade brasileira é uma conquista muito grande, ela tem apenas 60 anos no Estado brasileiro e nós temos é que valorizar! Nós passamos a colônia toda, a América toda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Mas a valorização da universidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Por favor, por favor, vamos fazer perguntas em vez de debates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szmrecsanyi: Nesse sentido, eu gostaria que o professor Milton Santos comentasse mais tarde talvez, não neste momento, o papel da universidade na formação de um quadro que pensa o Brasil, não apenas de ser burocrática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Hessel Teich: Eu queria perguntar para o professor também, ele disse agora a pouco que na universidade há forças que impedem até que setores mais criativos enfim, questionem. Enfim, se exprimam com totalidade. Como agem essas forças e como fazer para que isso seja driblado. Enfim, como se pode passar por essa situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Posso acrescentar uma terceira questão, professor? Me parece que a questão universidade, como qualquer – digamos - outra instituição, já sai do absolutista, e me parece pouco interessante, né? Mas me parece que a forma mais produtiva de se pensar a universidade seja exatamente enxergar a universidade crítica e analiticamente, né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Vamos deixar ele responder, acumulou muita pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Com a difusão do sabor produzido, não é só tarefa da universidade, eu creio que a mídia também tem uma porção de culpa nessa dificuldade, porque a mídia profere aqueles chamados intelectuais que são os especialistas do falar, do dizer, e não do pensar. Há uma, como eu diria, estou procurando uma palavra simpática! [Risos] Mas há uma associação que dura entre pseudo-intelectuais e a mídia. A mídia nos apóia, prestigia de forma bastante clara, e isso constituiu num dado da compreensão dessa dificuldade que tem aqueles que são jovens, ou que tem pudor. Às vezes, a aproximação da mídia supõe uma redução dessa qualidade de pudor. Eu fui jornalista e me lembro quando a gente se referia aos chatos da redação, deve ter isso ainda agora né? Mas os chatos, que vão contar notícia, se tornam os intelectuais da [do Jornal da] Tarde, o intelectual do Globo, o intelectual da Folha, intelectual do Estadão! Que se tornaram intelectuais porque esses jornais decidem que eles vão ser assim. Eu creio que haveria de mudar estes comportamentos e caçar estes talentos e caçar essas pessoas, até a própria universidade não tem como fazer. E outra coisa, dentro da universidade, que são os grupos fechados, e o presidente da República falou nisso, que certamente é o mais fechado do grupo de intelectual no Brasil, e isso explica a dificuldade que eles têm de pensar. Pelo fato de haverem feito a carreira dentro de uma redoma, sempre protegido. Inclusive, durante o regime militar. E isso tem que ser dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Protegido em que sentido professor? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Hessel Teich: O senhor está falando do Cebrap [ Centro Brasileiro de Análise e Planejamento é uma instituição de pesquisa na área de ciências humanas, onde sociólogos, cientistas políticos, filósofos, economistas, antropólogos, demógrafos, advogados e historiadores desenvolvem estudos sobre a realidade brasileira]?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Estou falando no Cebrap exatamente.&lt;br /&gt;Daniel Hessel Teich: Que o Cebrap foi um problema para a evolução intelectual no Brasil? Foi isso que o senhor disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Sim, sim, à medida que um grupo monopoliza a produção a difusão do conhecimento, ainda que durante a ditadura, e, na verdade também no fim da ditadura esse mesmo organismo não deixou de receber recursos da União para trabalhar. Então, me parece que esse processo tem que ser estudado. Evidente que não há coragem para dizer isso devido ao peso que esses institutos fechados têm na vida intelectual brasileira, mas o que é aqui conversado tem que partir para a origem nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Hessel Teich: Milton, você não acha que eles deveriam fazer uma diferença entre a universidade e os intelectuais? Apesar das coisas se cruzarem, são coisas mais ou menos distintas, porque a universidade abriga um conjunto de coisas. Agora, eu compartilho com você, como é um programa de televisão é bom deixar isso claro. Eu partilho com você que nós temos muita pouca vontade de fazer uma crítica ao trabalho intelectual do Brasil por vários motivos que você mencionou aí, e por outros que poderiam ser destacados. Nós temos uma dificuldade, por exemplo, temos um presidente da República que foi intelectual, não é mais intelectual, é bom dizer isso, foi. E temos um conjunto de intelectuais que fazem parte de um projeto governamental e isso não é discutido, e isso é um problema. A mídia nos cobra e nos cobra com razão. Nós temos que nos posicionar em relação não ao governo, isso é outra coisa, mas em relação ao papel do intelectual dentro desse processo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinicius Torres Freire: Posso emendar uma pergunta, em termos mais concretos em cima do que o senhor já disse uma vez, o senhor disse no que tempo de JK [Juscelino Kubitschek; 1902-1976; presidente do Brasil entre 1956 a 1961. Foi o responsável pela construção da nova capital federal, Brasília, executando assim o antigo projeto da mudança da capital para promover o desenvolvimento do interior e a integração do país. Na área econômica, estabeleceu o plano de metas com o objetivo de promover a industrialização do país] havia um projeto nacional da industrialização. Agora, hoje em dia os intelectuais que estão junto à elite que domina o país, pode se dizer que têm um projeto semelhante, só que agora não é mais a industrialização, mas sim a capacidade competitiva para o Brasil se inserir na ordem internacional. O senhor acha que existe muita diferença entre o que se fazia nos tempos de JK do que se faz hoje? Quer dizer, o que estava se fazendo era modernização conservadora para inserir o Brasil na ordem internacional no esquema de dependência, o senhor acha que tem uma coisa diferente? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Se você me permite, voltamos àquela minha questão das globalizações sucessivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Por favor, não quero ser chato, mas é importante o que professor Milton responda as perguntas, está bom? Senão vamos ficar um debate muito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu acho que a sua questão, sobre universidade intelectual, sempre existia, e hoje ela existe mais ainda porque a tradição dos intelectuais é título famoso, quase meio século, de qualquer maneira, o trabalho do professor não é obrigatoriamente o trabalho de intelectual. São duas coisas que se separam. E essa separação faz com que os intelectuais das universidades sejam sempre em número menor. E isso não significa que a repercussão do que eles produzem sejam menos importante, ou melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Professor Milton... O senhor quer continuar a resposta? Pode continuar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Então, a outra questão, para diferença entre esses intelectuais que se organizam como...&lt;br /&gt;Vinicius Torres Freire: E aquele projeto de hoje...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: ... Aparelho de Estado né? Naquela época havia a busca de um projeto nacional, essa busca não era unívoca, em torno do próprio poder, havia diferenças, divergências, discussões e os avanços se davam a partir dessas diferenças e desses acordos, e haviam os partidos que tinham a credibilidade, e o fato que eles também ostentavam projetos nacionais; Partido Comunista, o Partido Social Democrata, a União Democrática Nacional, tinham projetos explícitos. No mundo atual não há projetos explícitos! Esses intelectuais que gravitam em torno do poder não apresentam projetos explícitos e por isso não há discussão possível. Só é possível discutir se há um projeto tornado explícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: O senhor acha que a oposição tem um projeto? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Fernando, vou te interromper, desculpe, mas estamos indo para o nosso intervalo e antes o senhor poderia responder rapidamente a três perguntas de telespectadores que não tive chance ainda de passar para o senhor. Primeiro de Ricardo de Santos, que diz o seguinte: “O senhor acha que Área de Livre Comércio das Américas [Alca] trará benefício para o Brasil?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Que Brasil? Ela traz benefício para um certo número de empresas exatamente, não se trata de Brasil nessa Área de Livre Comércio, acho que é um seqüestro da palavra. Isso por enquanto é feito para facilitar o comércio. Pode ter algum, alguma sobra para uma parte da população, mas não está dentro de uma preocupação geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Certo, o Emiliano, do Jardim América pergunta o seguinte: O senhor defende o sistema de cotas para os negros nas universidades e no mercado de trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Olha aqui, essa questão tinha que aparecer, naturalmente, porque se está querendo polarizar a discussão da questão negra é porque o negro no Brasil não é mais um problema, é uma questão. Coisa de cotas é uma grande tolice. A minha experiência de vida sugere que eu me refira a três dados, pelo menos. Primeiro dado é a corporeidade, que aumenta com enorme importância da globalização, a segunda é a individualidade, e a terceira é cidadania. A corporeidade é a minha expressão como pessoa, é a forma como eu me comunico com os outros, comigo mesmo e com meu lugar-comum. E essa forma de comunicação é limitada ou facilitada pela maneira como eu participo da sociabilidade e como eu sou, mais ou menos cidadão. O problema é que no Brasil a cidadania não se completou, então, o meu corpo, o meu corpo aparece como uma diferença central. Central! Quer dizer, não importa que eu consiga fazer da minha individualidade um grau de consciência, porque eu, através de minha individualidade, eu amplio o meu conhecimento. Na medida em que o país ainda não descobriu a cidadania, o negro é alguém inferior na sociedade brasileira, tratado como inferior. E, mais do que isso, não há notícia clara de que a sociedade brasileira deseja mudar esta situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: E por último...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: O seguinte, a questão das cotas tem que ser tratado de outra forma, o que é que o Brasil deseja fazer com seus negros? Quer que eles continuem assim ou quer que eles participem de maneira igualitária da vida nacional? Essa que é a questão, porque a questão de cota é a solução, e eu não posso discutir a solução enquanto eu não discuto a problemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: E o Jaime de Souza do Jardim Bonfliglioli, aqui de São Paulo, que é funcionário da USP, pergunta o seguinte: Como o senhor vê os problemas que está passando o prefeito Pitta [Celso Roberto Pitta do Nascimento. 1946. Economista. Foi o primeiro negro a ser prefeito de São Paulo pelo partdio progressista brasilieiro (PPB). Foi acusado de corrupção no escândalo dos precatórios em 2000] que é o primeiro prefeito eleito negro de São Paulo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Olha, eu vejo como o Cardeal Dom Paulo, isto é, ninguém sabe exatamente o que ele fez ou que deixou de fazer, o que a gente sabe é que está havendo um massacre. Então, minha posição como negro, não há porque não dizer isso, é aquela do Cardeal Dom Paulo, não há porque massacrar um cidadão antes da prova ser feita. E, se há um massacre, há uma razão específica que pode ser o fato de ser negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Bom, nós voltamos daqui a pouquinho com segunda parte da entrevista com o professor de Geografia da Universidade de São Paulo, Milton Santos. Até já.&lt;br /&gt;[intervalo]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Bem, nós voltamos com Roda Viva que entrevista esta noite o professor Milton Santos, titular de geografia da Universidade São Paulo. Antes de intervalo, Fernando estava fazendo uma pergunta, eu te interrompi, Fernando, a palavra é sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: O professor falava que os partidos no governo não têm um projeto nacional, se não me engano. E eu acredito que a oposição, os partidos de oposição, eles têm esse projeto. O Partido dos Trabalhadores e toda esta gama aí de partidos têm um projeto nacional com o qual o senhor poderia se afinar ou que lembraria o tempo dos partidos a que o senhor se referiu na década de 50, início de década de 60?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: A questão central é que próprio aparelho de Estado não tem um projeto explícito, então, em um país onde o aparelho de Estado não tem um projeto, os partidos dificilmente podem ter como discutir. Acho que este contraste é indispensável. A produção desse aparelho, desse projeto, incumbe primariamente ao aparelho de Estado. Recentemente, o Ministro Sardenberg [Ronaldo Sardenberg foi ministro da Ciência e Tecnologia da gestão de Fernando Henrique Cardoso] escreveu um artigo sobre a possibilidade de um projeto. Mas ele termina pelo vácuo, porque mesmo o que ele sugere, o Sardenberg, que deve ser uma pessoa simpática pela maneira que escreve, um homem culto, mas ele se refere à reunião de todos os brasileiros para fazer um projeto. E isso não é possível num país normal como é o caso do Brasil. Ao contrário, há vários projetos e a política é exatamente o exercício da escolha desses projetos, da apresentação desses projetos para a opinião pública, da conquista da opinião pública em função desses projetos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: Por que as oposições? Por que por exemplo um Partido dos Trabalhadores, que têm um projeto, pelo menos anuncia que tem esse projeto de construção da nacionalidade, eles não conseguem conquistar votos suficientes para assumir o poder? A que o senhor atribui isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Acho que essa confusão entre eleitoral e político, infelizmente, domina toda vida nacional e até mesmo o partido dos trabalhadores. Quer dizer, o eleitoral, ele é o imediato, ele é o circunstancial. O político não, o político sugere uma visão de país a longo prazo com a realização de etapas possíveis. E isso provoca posturas diferentes. As esquerdas têm sido compelidas a ter quase que sempre posições eleitorais. O que reduz a sua força dentro da nação porque ela passa a ter um papel de mobilização que às vezes é muito importante, mas não na produção da consciência, e o que vai precisar, no caso brasileiro, é produzir uma consciência nacional, seja ela de direita, de esquerda, de centro-esquerda, o que for, mas uma consciência que permita um debate sério. Enquanto os partidos ficarem preocupados apenas na mobilização para ganhar votos, nós estaremos longe disso. E aí entra o papel dos intelectuais outra vez, mas não vou prosseguir por enquanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Milton, se me permite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Renato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Eu vou complicar um pouco mais, espero não deixar você numa sinuca de bico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Espero que deixe.&lt;br /&gt;[Risos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Nós podemos pegar essa discussão e interpretar de duas formas, uma forma mais tradicional e outra vinculado ao debate inicial que é sobre a globalização. A forma tradicional, poderíamos dizer assim, é falar que os partidos atuais não têm mais projetos nacionais devido a uma série de deficiências, tanto entre os partidos de esquerda, seja ele o governo, como entre os partidos mais à direita. Essa é uma forma de encaminhar a coisa. A outra forma, e que complica, é o seguinte; se existe um processo de globalização e se existe um projeto de debilitação do Estado-Nação, a pergunta é: é possível hoje conceber, como há 40 anos atrás, a idéia de projeto nacional? Ou é possível hoje haver outro tipo de idéia programática, que não a de projeto nacional? Porque a idéia de projeto nacional pressupunha que eu tinha a soberania de um país na minha mão, para pensá-lo e atuar sobre ele. Ora, essa margem de pensar já é mais difícil por causa do intrincamento e globalização. E atuar também já é mais difícil. Como fica a idéia de projeto nacional - se é que ela fica - nos tempos de mundialização da cultura e globalização da sociedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Porque ela fica e aí tem que explicar porque eu penso, vou fazê-lo rapidamente. Eu sou um geógrafo, então, eu creio que o território nacional - e todos países têm um território, salvo decisão em contrário - cria essa comunidade, e nenhum país funciona sem esse território, e esse território é a área na qual o Estado exerce, digamos assim, a sua força, o seu poder, sobretudo hoje, porque o chamado mundo não têm como se impor sobre os territórios. Não existe esta capacidade do chamado mundo de dizer o que se vai fazer dentro de cada país. Ao contrário, os Estados é que são, quando quererem, fiéis coadjuvantes do chamado mundo. É a razão pela qual os presidentes se tornaram caixeiros viajantes de empresas, e com freqüência caixeiros viajante de empresas não nacionais. Mas, a realidade do Estado é muito mais forte hoje do que antes, e a nação existe para tudo que está relacionado ao território. E o que tem a ver com o território é a maior parte das empresas, é a maior parte da população, é a maior parte das instituições. As grandes empresas não necessitam de território na medida em que trabalham com pontos particulares, que são as alavancas da realização da sua riqueza, pontos escolhidos por elas antes e pegam os Estados para aparelhar, como é o caso do Brasil hoje, que está cada dia mais investindo para melhorar a situação de tal ou qual região, de tal ou qual cidade para que tal ou [qual] grande empresa possa se instalar. Então, dizer que o Estado nacional acabou não é possível dentro de um projeto nacional, eu creio, inclusive, que é um pouco arriscado. Eu poderia desenvolver mais essa idéia, mas não creio que aqui seja o lugar para um desenvolvimento mais demorado, para possibilitar outras perguntas, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Professor, desculpa. É possível pensar a globalização como uma etapa de um processo de planetarização? Que é espécie de subproduto da área espacial, eu digo área espacial no sentido do confinamento da Era Espacial, coisa que aconteceu a partir de 1961 com o vôo de Gagarin [1934-1968; cosmonauta soviético. Foi o primeiro homem a viajar pelo espaço em 1961, período de Guerra Fria em que URSS e EUA disputavam a tecnologia espacial] e, nesse sentido, esse processo de globalização, ele desenha uma perspectiva do século XXI de conquistas de outros mundos. Parece científico isso, mas ocupação de outros mundos, de ocupação da Lua e tudo mais. Essa libertação do confinamento gravitacional que durou milhares, milhões de anos na verdade, esse processo de globalização não faz parte, não é de certa forma a parte visível desse iceberg ou não faz sentido esta consideração?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Agradeço a pergunta porque está se encaminhando para as possibilidades do futuro que estão na comunicação, mas não na comunicação pela Internet, se comunicar com alguém a dez mil quilômetros. E que quando nós não refletimos sobre as possibilidades enormes de comunicação dos homens na proximidade. Então, essa planetarização assim como você definiu, me parece que ela tem um obstáculo. Não há ainda idéia da possibilidade de comunicação entre seres eventualmente vivendo em outras galáxias ou outros planetas e seres que vivam na Terra. Então, destrói essa possibilidade por enquanto, ao mesmo tempo, que aumenta a consciência de que a Terra que é nossa morada, nós vamos cuidar da Terra, nós devemos encontrar soluções para a nossa comunidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Produto da era espacial neste sentido, ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Pode dizer que é uma metáfora, como assim Darcy Ribeiro [1922-1997; antropólogo. Escreveu obras importantes relacionadas a etnologia tais como Culturas e línguas indígenas do Brasil (1957) ou ainda O processo civilizatório: etapas da evolução sócio-cultural (1978). Também trabalhou no planejamento educacional da Universidade de Brasília (1962).]  inventou uma outra metáfora para significar nosso tempo, né? Falava na coisa tecnotrônica, essa idéia já entra no valor do sujeito. Mas tudo são metáforas, entenda. Eu creio que o grande problema hoje é descobrir como acelerar a comunicação entre os homens, e aí seria talvez a solução, que ninguém me perguntou ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Mas, acelerar comunicação em que sentido? Porque o que não falta hoje é comunicação momentânea!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Não, o que não falta hoje é informação lá em cima. A comunicação está entre os pobres do mundo, sobretudo nas grandes cidades, eles é que se comunicam, eles é que criam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Nas grandes cidades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Sobretudo nas grandes cidades, em toda área onde haja uma solidariedade de preocupação, quando eu falo solidariedade não tem nenhuma conotação ética, mas sim o fato de viver juntos e depender disso para continuar vivendo. Então, eu creio que aí que está o caminho para uma outra globalização. Mas só que nós estamos preocupados em ter Internet, a gente se gaba de haver falado com um em Tóquio, quando para a realização dessa comunicação a gente nem sequer precisa dessa sofisticação toda da tecnologia moderna, ultra moderna, a gente pode se contentar com meios menos modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Eu acho que vou ceder a palavra para o Itsvan que várias vezes tentou falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Istsvan Jancso: Às vezes você é mais disciplinado do que deveria. Mas enfim, tudo isso é muito complicado [risos]. Você quando equacionou, apresentou a questão da globalização, você disse: a desorganização dos sistemas anteriores gerando as novas formas de organização. Eu diria até, avançaria, diria: nós vivemos um momento de subversão generalizada de certezas e valores. Agora, ainda assim se impõe a preservação das condições de vida organizada; de normatização da vida social. Vale dizer que o Estado continua se fazendo necessário, porque é o instrumento até hoje descoberto para manter a organização da vida social, de normatização da vida social. E, eu acho que o grande problema, porque todo mundo concorda que o Estado nacional burguês de século XIX está condenado, faliu, mas ao mesmo tempo, vemos a falência de um certo tipo de Estado, o Estado socialismo real, o uni-partidário e autoritário. Esses é que faliram. Agora, qual é a nova forma de Estado que está em processo de gestação e que aparece como alternativa para o futuro? E esse Estado necessariamente é limitado? O Estado planetário é uma fantasia, no nível atual de previsão possível? Nós não falamos em organismos planetários, nós falamos em organismos internacionais, vale dizer organismo de regra entre nações? Como você vê esse novo tipo de Estado emergente, se é que nós já podemos perceber o seu esboço? Que tipo de Estado está em processo de gestação, na esteira da falência das formas de Estado que a gente viu? O Estado nacional burguês modelo século XIX, ou Estado socialista, ou enfim, são esses que estão perdendo a sua vigência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu não tenho competência para dar uma resposta técnica, cabal. Eu apenas diria que nós estamos deixando a era tecnológica e entrando na era democrática ou popular. Nós estamos já entrando nessa época, que é a mudança de qualidade, digamos, nas relações humanas. Quer dizer, essas massas todas que entram em movimento, esse uso da comunicação e da informação a partir dos pobres deste mundo reunidos num determinado território e que apontam para outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Istsvan Jancso: Milton, me permita, só para entender melhor, o que é este sistema de comunicação entre os pobres que você já falou algumas vezes? Eu gostaria de sentir isso mais palpável, porque eu não percebo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Você quase me emudece com esta afirmação. [Risos] Mas como foi “quase” eu vou tentar lhe responder. Nós temos o mundo da informação que é verticalizada. A informação tende a suprir preocupações pragmáticas, ela tem alguns centros frouxos que são o grande comando do mundo hoje, na medida em que o mundo é movido pela violência da informação, juntamente com a violência do dinheiro. Mas os homens juntos criaram outra coisa, através da emoção. Quer dizer, a informação se dá como um produto da razão, da chamada razão, da racionalidade que é racionalidade do mais forte, enquanto que a emoção permite a comunicação, e ela gera emprego e atividade. Só que nós não trabalhamos isso no nosso cotidiano universitário. E outra coisa, nós trabalhamos com o que a mídia nos manda trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: E gera massacres sociais também a emoção, né professor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: A emoção que foi colocada dessa forma abstrata, gera até massacre raciais, éticos, Iugoslávia, Uganda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Também, mas isso é próprio da história. Eu creio, eu prefiro olhar para o futuro. Os massacres, o que nunca houve foi, digamos, um mundo governado pela informação e contrariado pela comunicação. Eu acho que o que é extraordinário neste mundo, deste fim de século, sobretudo o que faz a importância da vida urbana, é essa produção a partir de baixo, de algo que é revolucionário, no sentido de que os pobres acabam por ver mais o que o mundo está sendo. Nós não temos muita forma de ver o mundo porque nós estamos contentes com o nosso conforto, com os nossos diversos confortos: o conforto do nosso bairro, o conforto do nosso consumo, o conforto das idéias estabelecidas, que tudo isso é um entrave à produção do conhecimento e um entrave à produção do futuro, o futuro está lá embaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: O pobre é naturalmente sábio assim? Esta determinação abstrata, ele é sábio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Por que o pobre é abstrato e eu não sou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Mas o pobre, em abstrato, ele sempre é sábio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Ele sempre é sábio porque ele conhece a experiência da escassez, que agora, só agora a classe média começa a conhecer. A experiência da escassez é o caminho da descoberta do eu valho realmente. Esse caminho da escassez que todos os dias renova, porque aparentemente eu deixo de ser pobre, amanhã eu volto a ser pobre outra vez, porque no Brasil essa redução da pobreza não é estrutural. Então, o que nós temos é essa capacidade do pobre, mas, sobretudo do migrante. Ele é ainda mais forte do que o pobre na visão do real e do futuro, e que faz com que a América Latina e o Brasil sejam países afortunados, urbanos, porque são cheios de pobres e tem a cidade cheia de migrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szrecsanyi: Milton, a cidade é a civilização ou é barbárie?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Você é muito católica.&lt;br /&gt;[risos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szrecsanyi: A cidade brasileira já foi promessa para os pobres. Na cidade, o imigrante construiu a sua vida nova e hoje a cidade é o desemprego. A gente vê na cidade uma semente de aglutinação daqueles que sofrem o lado pior da globalização, que é a carência crescente, a perda exclusiva das esperanças de melhoria. Nesse sentido, a cidade aparece, aos nossos olhos, como uma barbárie, em vez de nós termos avançado para uma cidade melhor, nós estamos vendo, por São Paulo, a cidade destruída e as pessoas com suas esperanças, trancadas. Ao mesmo tempo, e eu concordo com você, que nunca o Brasil teve tanta possibilidade de ver a suas massas populares organizadas. E nesse sentido, o pobre deixa de ser um tanto abstração como colocou nosso colega ali. Existe nessa organização popular uma esperança para as cidades e uma esperança para a nação brasileira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu não estou falando de organização, há duas coisas diferentes como também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Irena Szrecsanyi: Pela emoção, o que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: No movimento negro, você tem o movimento negro e tem os negros que reagem diferentemente nos seus movimentos. Quer dizer, seria preciso que, digamos, essas organizações aceitassem idéias como essa, não tem que ser só as minhas, pode ser a de outros, e passassem a trabalhar em torno disso. Eu creio, por exemplo, que numa cidade como São Paulo, um prefeito que leve em conta esse fato, vai ter resultados importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: Professor, eu queria somente fazer um breve comentário, e também uma pergunta. Quando o senhor fala isso, o senhor fala até por ter vivido na carne e na pele algumas experiências concretas que não têm nada a ver com o abstrato que aqui se tentou imputar ao seu discurso sobre a presença dos homens lentos que vivem nas áreas opacas, segundo própria definição do senhor, que são essas áreas onde vivem os pobres e onde está a esperança um projeto de emancipação da sociedade como um todo. O senhor, quando assumiu o cargo no governo da Bahia, no início de década de 60...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Nem lembro mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição:  Comissão de planejamento econômico, uma das idéias que o senhor levou foi a da taxação progressiva da riqueza, ou do lucro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Acabei na prisão.&lt;br /&gt;[Risos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: É, um dos motivos que teria levado o senhor à prisão seria esse. O senhor está afastado da Bahia, digamos fisicamente durante algum tempo, eu estou lá de volta e a situação de distribuição de renda na Bahia é como no Brasil, uma das mais perversas em todo o conjunto nacional. Entretanto, hoje lá no nosso estado nós temos toda uma mídia, um discurso da positividade de que um governo está dando certo, inclusive levando novos projetos, fábricas de automóveis, montadoras e etc. Há todo um discurso da positividade do projeto que este governo está implantando que é um dos mais influentes, porque faz parte de um dos grupos mais influentes na República. Quer dizer, hoje o senhor, se assumisse um cargo executivo, o senhor teria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Essa hipótese está excluída né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Conceição: Está excluída esta hipótese. Então, vamos colocar em outros termos. Apesar de estar afastado da Bahia, o senhor deve acompanhar o que acontece por lá, qual é a análise que o senhor faz da situação econômica? O senhor, que trabalhou nesta área há 30 anos atrás? Uma proposta de taxação de imposto progressivo da riqueza na Bahia, como foi feito, como o senhor propôs anteriormente, ainda seria válida para dias atuais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Acho que é válida para o país inteiro. Nós estamos apenas esperando que o presidente da República, que havia feito esta proposta há alguns anos atrás, retome esta proposta que poderá ajudar, digamos assim, na redução da melhoria, esta palavra mágica do comportamento, do orçamento público etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Professor, só um minutinho. O seu colega, o professor Walter &lt;br /&gt;Colli, diretor de instituto de química da USP, manda um fax dizendo o seguinte: “Pela conversa de vocês, parece que trabalho de biólogos, físicos, químicos, não é um trabalho intelectual. Gostaria de ouvir um comentário do Milton sobre isso”. Acho que a gente levou muito para o campo das...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Não posso falar daquilo que eu não sei, quer dizer, o que eu sei é o que biólogo, físico, químico, podem ser intelectuais, freqüentemente são cientistas, ser cientista não é obrigatoriamente ser intelectual, pode ser até o contrário, se o cientista não tiver um objetivo finalístico, mas sim social e moral. Não sei se respondi ao meu amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Eu vou aproveitar que consegui a palavra aqui, nós recebemos aqui no nosso e-mail a seguinte pergunta do Amauri. A Internet, o senhor acha que Internet modifica o conceito de nação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Internet é um conjunto de objetos utilizados até agora, digamos, livremente, a partir de agora menos livremente, as ameaças que pairam sobre a Internet no ponto de vista da sua utilização pelo mercado são claras né? Ainda há poucas semanas, o presidente da própria Procter &amp; Glambe - que é o maior anunciante do mundo, gasta em anúncios um trilhão por ano - este senhor declarou que vai, como os colegas dele, investir na Internet, ele pretende transformar a Internet num instrumento do mercado. E nós sabemos que, quando o mercado penetra na mídia ele conforma de alguma maneira o comportamento dela, ou melhor, ele deforma o comportamento da mídia. Então, eu creio que o momento é bom para chamar a atenção para os perigos que estão rondando a Internet, que aparecia como uma salvação. Do outro lado, o momento é bom - e aí não vai nenhum “puxa-saquismo” para louvar a decisão da direção desta casa de recusar a idéia de pôr anúncios, de aceitar publicidade na televisão Cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Istvan Jancso: Eu quero voltar àquela questão anterior, porque realmente eu ainda acho que não entendi. A sua perspectiva em relação ao futuro, especialmente em relação ao Brasil, é que paralelamente ao avanço da barbárie, paralelamente ao esgarçamento do tecido social, frase minha, não foi sua, existe, subjacente a tudo isso, um processo ancorado na emoção no interior das classes esfoliadas deste país que vai possibilitar a reconstrução e superação de tudo isso? Eu queria entender bem, porque eu acho que isso é crucial, porque se essa resposta, a depender da sua natureza, eu posso entender a sua compreensão da integração do processo brasileiro no tema inicial que era globalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses Capozzoli: Eu posso acrescentar uma coisinha nesta sua fala? Nesse sentido, professor, se eu entendi bem o que ele disse, por exemplo, os sem-terra, longe de ser a ameaça como tem sido apresentada, seria uma esperança para o Brasil no sentido de reciclagem e transformação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu creio que uma primeira observação a fazer é quanto à questão da emoção. Nós aprendemos todos que: ou eu pensou, ou eu sinto, excluindo a emoção como fábrica da produção do conhecimento. Então, a gente teria que abandonar esse lado da epistemologia do Iluminismo que já trouxe conseqüências muito importantes na produção do conhecimento da América Latina. Mas isso é matéria para outro debate. O que eu sustento, e comigo estão outras pessoas que são pouco numerosas ainda, mas isso não importa (o fato de ser pouco numeroso) é que a emoção me permite obter a liberação dos quadros, quaisquer que sejam os quadros estabelecidos, inclusive os quadros do pensar... Nesse sentido, o sentimento e a emoção têm um papel motor na produção do conhecimento. As classes médias, sobretudo as brasileiras, essas que se criaram no clima do consumo, que é um redutor do pensamento, que se criaram no clima de regime autoritário... Vocês, que agora, de novo, estão vivendo um regime autoritário a partir da violência da informação que torna difícil aos pobres e a todas as pessoas entender o que se passa, porque a informação está malgrada nos jogos da mídia e a culpa não se pode atribuir somente a ela. Isso porque a informação é centralizada, o jornal brasileiro dispõe de meios para indicar o que o mundo está sendo hoje, o que ele foi ontem, o que ele é amanhã. Eles se valem de informações que lhe são dadas por grandes agências que também são grandes agências desses grandes monstros que comandam este mundo perverso. Então, as classes médias estão desamparadas, na medida em que elas são naturalmente enquadradas, e desse enquadramento que vem esta prosperidade, e daí a sua dificuldade para pensar, daí as dificultados das universidades de encontrar o novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Istvan Jancso: Quer dizer, se eu bem entendo, a universidade deve deixar de se preocupar somente em ser mais produtiva conforme o sistema impõe e deve ser capaz de restaurar a sua capacidade de gerar subversão e indignação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Exato. Acho que como Maxwell [referência ao físico James Clerk Maxwell; 1831-1879; que demonstrou em 1864 que as forças elétricas e magnéticas têm sua natureza dependente do referencial: uma força elétrica em determinado referencial pode tornar-se magnética se analisada de outro, e vice-versa, revolucionando as leis da física na medida em que o ponto de referência passava a ser variável] sugeriu que ele iria pôr a teoria de cabeça para baixo. Acho que nós devemos fazer as mesmas coisas com idéias vigentes da globalização. É um equívoco discutir a globalização aceitando as premissas que nos foram dadas. Aí não há avanço. Eu creio que nós devemos, partir do mundo tal como ele se dá hoje, tentar entender como é que isso se constrói, e passar a produzir teorias indígenas, e não continuar copiando teoria do Norte, que é uma grande bobagem, um grande erro, um grande equívoco, uma grande subserviência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Milton, em cima disso que você está falando, você acha hoje que os intelectuais têm mais ou menos capacidade de pensar de forma autônoma do que relação aos anos 50?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Acho que todo mundo tem mais ou menos capacidade. Mas acho que se a intelectualidade quer realmente contribuir para construção de um ente de entendimento que permita mudanças... Então, eu creio que a maior parte dos temas que nós trabalhamos parte de uma idéia de que a classe média é o centro de tudo, e os próprios partidos de esquerda produzem discurso de classe média, os pobres andam como enfeite. Mas a interpretação do Brasil, dos nossos partidos de esquerda é a interpretação da classe média, como se o central fosse imitar as classes médias naquilo que elas são em vez de partir para uma outra forma de interpretação da realidade brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Como o Ulisses perguntou ali professor, o movimento sem-terra estaria fazendo esta nova elaboração? Quem estaria fazendo? Existe alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Creio que há duas coisas, esse contato bruto com a chamada realidade para o qual nós somos menos capazes por ser de classe média, para o qual os pobres são mais capazes por serem pobres, que necessita da codificação que alguns intelectuais já estão fazendo. Este livro [aparece o livro Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal. São Paulo: Editora Record, 2000.] é um pequeno esforço de codificação, uma pequena ambição generalizante, universalizante a partir da minha própria disciplina. Eu creio que outras disciplinas, algumas já estão fazendo, é o caso do seu próprio trabalho Renato, fazem estas análises e se levantam outros intelectuais em outras partes do universo acadêmico e produzem este tipo de análise. Nós estamos cada vez mais perto, digamos, dessa construção, reconstrução intelectual de um mundo que historicamente é concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Vou traduzir um pouco o que você está dizendo do debate. A minha impressão é que no tema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Será que estou tão complicado assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Ortiz: Não, a mim para explicitar. [Risos] A minha impressão é o que tema da globalização, o que nós assistimos quando lemos os jornais, vemos televisão, compramos os livros em aeroportos escritos por executivos é que aí nós temos uma versão da globalização que se está se transformando em senso comum. Senso comum quer dizer algo que não se questiona, que é dado quase que naturalmente. O grande problema que se tem para nós é pensar em algo que seja diferente desse senso comum, desse senso comum que não é fabricado. Eu não gosto da idéia de fabricação, parece que tem alguém lá em cima fabricando, ele permeia um conjunto de interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Peço desculpas, é um pouco fabricado, porque quando a gente sabe como se produzem os best-sellers, eles são produzidos antes de serem escritos, as grandes empresas editoriais decidem o que vai ser best-seller, como é gratuito que um livro seja lançado ao público universal, há uma escolha do que vai ser publicado. Basta estudar. E os jornalistas aqui presentes sabem disso, como funciona a indústria editorial hoje no mundo que é uma enorme máquina que deliberadamente produz uma idéia, se não quer se falar de ideologias - porque é uma palavra que está praticamente proibida hoje né? Mas acho que faz parte da globalização isso, e a universidade não avançará no seu trabalho enquanto ela não souber que há, de um lado, uma produção intelectual importante, do outro lado uma produção intelectual poderosa. Uma coisa é o mercado das idéias, outra coisa é produção teórica correta produzem artigos e como é que funcionam as revistas, como é que a humanidade é intoxicada a partir daqueles que têm a função de analisar. Neste caso, eu acho que a gente não precisa ter medo de se referir ao que outrora era esse bicho-papão. A globalização permite falar de construções antecipadas de violências deliberadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Infelizmente nós estamos caminhando aqui para nosso final de programa. Eu gostaria de fazer algumas perguntas que ficaram aqui, que eu separei porque fugiu um pouco diretamente do assunto que estava sendo tratado, mas que são... Apareceram várias perguntas sobre o que o senhor acha da privatização da Vale do Rio Doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu francamente não entendi exatamente porque querem privatizar essa empresa. Então, eu não consigo sair da minha condição de homem atônito. O que eu leio me parece uma pobreza total, como muitas outras coisas que estão sendo feitas, tem que ser não é, essa lei do inelutável, e há uma recusa ao debate nacional, mais uma vez. Então, acho isso, é um exemplo gritante desse desprezo pela noção de debate nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Professor Milton, a Ingrid Atan Rodrigues, pergunta qual seria a mais correta classificação do relevo brasileiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: [risos] Olha, eu vou responder como o meu professor de geografia no ginásio. Um dia, perguntaram quais eram os rios da Europa e ele respondeu: “hoje a aula é sobre montanhas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: E o Luiz Belangero Júnior, advogado e professor de geografia do Brás aqui de São Paulo, pergunta o que o senhor considera como básico para melhoria do ensino Geografia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu creio que o ensino da Geografia tem como função central explicar o país e produzir cidadãos a partir desse conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Professor, eu recebi aqui vários fax, telefonemas e mensagens parabenizando o senhor pelo seu trabalho, pela participação neste programa. O Eduardo Spagnolo, de São Paulo, o Carlos Eduardo Chagas, aluno do curso de Geografia da Universidade Federal Fluminense, João Mello do Jabaquara, Leda Orsi, aqui de São Paulo, Adausija da Costa daqui de São Paulo, o Lucas Gomes lá de Porto Alegre, e o professor Antônio de Camargo diz o seguinte: “Como professor titular da USP gostaria de congratular o professor Milton pela sua coragem e lucidez e dizer que concordo com suas críticas sobre os intelectuais brasileiros, sobre a universidade e sobre a culpa da mídia em buscar os pseudo intelectuais para promovê-los. Parabéns também à TV Cultura por trazer o professor Milton Santos ao Roda Viva. E a professora Maria da Freguesia do Ó: “quero agradecer a TV Cultura pela presente que deu à comunidade negra ao receber o professor Milton Santos no programa Roda Viva”. E eu gostaria de agradecer imensamente a presença do senhor em nome da produção do programa. Acho que tivemos, fomos honrados com a sua presença, tivemos uma lição de pensamento livre hoje aqui, o que é muito importante fazer esse exercício. E espero poder contar com o senhor em programas futuros, professor, o senhor que apesar das críticas que o senhor fez aos intelectuais falantes... [Risos] Eu acho que a sua participação é muito importante para a sociedade brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milton Santos: Eu sou muito sensível ao convite, sou muito sensível às perguntas que me permitiram dar respostas que dei e espero que essa área, essa superfície, já que sou geógrafo, de liberdade, possa continuar se exercitando e ampliando os seus limites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matinas Suzuki Júnior: Muito obrigado, eu agradeço também à nossa bancada de entrevistadores, bancada bastante especial hoje também, agradeço à sua atenção, e à sua participação, e eu recebi bastante fax, bastante correspondências e as que eu não consegui ler durante o programa as encaminharei ao professor Milton Santos. Gostaria de lembrar que o Roda Viva voltará na próxima segunda-feira às dez e meia da noite. Até lá, uma boa semana para todos, e boa noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-3700005958446672805?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/3700005958446672805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=3700005958446672805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/3700005958446672805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/3700005958446672805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/06/entrevista-de-milton-santos-no-programa.html' title='Entrevista de Milton Santos no Programa Roda Viva/ TV  Cultura'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-6961666236458956390</id><published>2009-05-16T16:49:00.000-07:00</published><updated>2009-05-16T17:02:17.489-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>Comentários sobre Deus</title><content type='html'>Texto de autoria de Hortência Sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloco isso diretamente aos que se consideram ateus.&lt;br /&gt;Saindo do pressuposto que a ciências é nosso caminho para considerar “verdades”, próximas da realidade ou não: na ciência, sempre que há uma idéia, através da análise dos fatos, essa é prorrogada (mantida) ou refutada (descartada). A idéia de deus, pela nossa ciência, ainda não é possível nem prorrogar, nem refutar, pois as análises dos fatos a deixa incompreensível. O ponto é: então, podemos negá-la simplesmente porque ainda é incompreensível? O que seria da ciência? Já que poderíamos negar tudo que é incompreensível, é simples, morra a ciência e negaremos a existência de tudo o que ainda não se explica.&lt;br /&gt;Os cientistas sempre têm idéias (hipóteses) sobre algo inexplicável e vão tentar refutá-las se não conseguem são prorrogadas (em tempos de prorrogações, são consideradas teorias válidas de onde surgem outras). Como TEÍSTA (o que é diferente de cristã, ou qualquer coisa “sucumbida” por dogmas) DECIDO acreditar em um Deus. Porém, tenho meus porquês racionais e meus porquês emocionais.&lt;br /&gt;Acredito em Deus pelo fato de o sentimento de uma inteligência suprema/várias delas ocorrer em várias tribos, em vários lugares, e essa idéia (seja como modo de dominação ou não) ter existido até hoje. Acredito em Deus pelo fato, já estudado, que o cérebro de uma pessoa em oração “manda o corpo liberar” vários hormônios do bem-estar e da felicidade (pode ser Placebo? Sim, mas só nosso corpo é capaz de tanta proeza? Porque só ao orar?). Acredito em Deus por senti-lo quando medito, quando ouço uma musica ótima e etc.&lt;br /&gt;A partir daí eu JUSTIFICO a minha crença em uma inteligência suprema, Deus, energia cósmica, o nome que quiser! JUSTIFICO porque sou TEISTA (lembrando que justificar é diferente de provar, já que Deus é distante de nossa compreensão cientifica, apenas cientifica). Mas e vocês ATEUS? Por qual fato se justificariam? Afinal têm o porquê de serem ateus?&lt;br /&gt;O fato de que a ciência ainda não provou nada serviria como justificativa de um AGNÓSTICO, não de um ateu, já que vocês DECIDIRAM simplesmente NEGAR uma idéia ainda nem cogitada de explicação pela ciência. Não podem refutar, assim como um teísta não pode prorrogar, mas podemos nos justificar através de nossas “realidades”. O que é mais válido do que negar por negar ou acreditar por acreditar.&lt;br /&gt;Ficar sempre engolindo e não questionar nada é simples. Eu posso dizer que acredito em Deus simplesmente porque minha avó ou o padre disse. Assim como posso dizer que não acredito porque Nietzsche matou Deus! Qual a graça? Negar por negar é matar a ciência e também fechar a cabeça, assim como acreditar por acreditar. Gostaria muito de ver justificativas contundentes dos ateus.&lt;br /&gt;PS.: Cada um pense, discuta, reflita o que e sobre o que quiser, mas senso crítico é bom de vez em quando. Se caso minhas justificativas foram fracas e de algum modo a realidade me vier contradizendo minhas crenças, é lógico que tentarei mudar, pois viver em um mundo fechado... não pretendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler o texto acima de minha querida amiga Hortência, que tanto admiro, não poderia deixar de fazer alguns comentários. Talvez discordantes do ponto de vista dela, mas com certeza estamos de acordo na mesma opinião na qual o meu texto estará defendendo. É a crítica contra aquela pessoa sem argumentos sólidos que simplesmente nega cegamente a existência de Deus ou de algo transcendente, na certeza que a ciência é a rainha da razão humana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É comum ouvimos a história de que o homem ocidental só foi perceber outras terras além mar depois que saiu da Idade Média, época das “trevas” na qual a Igreja dominava a Europa. É comum também dizer que depois do esfacelamento da Igreja veio a razão para clarear a humanidade. Daí o nome Iluminismo, fonte filosófica na qual bebeu a ciência moderna. Mas com um pouco de bom senso, sabemos que o homem nunca deixou de produzir e desenvolver o seu saber. A sua crença em algo transcendental nem sempre foi um empecilho para construir a ciência. O homem europeu, antes do Renascimento, o árabe, o asiático e o africano muitas vezes olhavam para o mar cogitando a existência de terras do outro lado. Quem sabe até mesmo chegaram antes de Cristovam Colombo nas Américas? Colombo sabia dessas novas terras. As notícias sobre elas eram segredos governamentais e estratégicos. O homem ocidental tem mania de achar que sua cultura é a mais apropriada e evoluída para receber sozinha os créditos pelos os descobrimentos de novos continentes e de inventos importantes. Muitos fatos históricos deixam grandes lacunas cheias de dúvidas; essas são as proteínas das células da ciência. Talvez a ciência possua várias discordâncias que necessitam de reajustes urgentes para se entender o próprio homem na Terra, auxiliando, sobretudo, na melhor observação do território cósmico circundante, recentemente explorado por nossas sondas e telescópicos, sempre mudando conforme o planeta movimenta-se. Deixo tal tarefa de consertar os fatos das Grandes Navegações aos historiadores, enquanto aos outros cientistas, convido a embarcar nas fronteiras que trespassam as dimensões concretas.&lt;br /&gt;As sociedades antigas usavam o conhecimento pré-científico em conjunto com a crença religiosa. Os maias, por exemplo, baseava o seu calendário sofisticado no movimento da estrela Alcione. Faziam isso, ao que se sabe, sem auxílio de nenhuma espécie de telescópio. Ao mesmo tempo, acreditavam que no fim do mundo o deus Pacal Votan iria voltar. Muitas pirâmides foram erguidas em honra dos deuses. Isso aconteceu também no esplendoroso Egito antigo e no Camboja, em Angkor Vat. Quais são as relações que podemos extrair dessas civilizações? E vou mais além: por que quase todas as sociedades antigas acreditavam num dilúvio? As crenças religiosas sempre fizeram parte do cotidiano das sociedades e sempre com certas características semelhantes entre as diferentes civilizações espalhadas pelos os continentes. Fato que soa estranho. No entanto, as sociedades, por mais diferentes que sejam, seguem determinados parâmetros na configuração de suas crenças: construir a imagem de deuses confeccionada com traços de semelhanças aos indivíduos e aos elementos da paisagem ao redor. Elas se desenvolveram através de guerras e lutas por territórios e muitas vezes usavam a religião como arma de dominação, poder e controle das populações das quais dependiam para o trabalho e a construção de cidades. Não é raro, portanto, encontrarmos os seus deuses representados em símbolos que lembram os aspectos comuns ao ambiente de origem, objetivando não distanciar os fiéis do mundo real. Por isso, Deus, em diversos aspectos, ganhou ao longo da história muitas características humanas, paixões e conjecturas dos grupos que os idolatravam.&lt;br /&gt;Sacrifícios humanos foram praticados para agradar algum deus. Os fenômenos naturais tentavam ser interpretados no ponto de vista místico. Depois civilizações já consolidadas no território buscavam uma nova compreensão da realidade; os mais ousados foram os gregos, chineses, hindus e persas. No Renascimento a cultura e a filosofia grego-romano, foram resgatadas e o saber humano começou a ganhar uma epistemologia mais apurada, o que garantiu o desenvolvimento mais depressa da ciência como prática e teoria. Vários avanços surgiram nesse período, e a Igreja já não tinha o valor e o poder que exercera no sistema feudal, onde era fechado para as trocas comerciais intensas. Nele o servo e a sua força braçal sobrevivia na base; a Igreja e os senhores feudais, donos de grandes extensões de terras, enriqueciam no topo. Depois que essa economia de subsistência ruiu pela entrada de produtos e capitais, houve uma reorganização da ordem política e social na Europa, dando um impulso a novas forças ideológicas reacionárias, antes subjugadas pelo sistema de poder da Igreja.&lt;br /&gt;Conforme se propagava o desenvolvimento vertiginoso da ciência, que culminou com 1ª Revolução Industrial e, conseqüentemente, chegando a nossa época técnico-informacional, os movimentos ideológicos de resistência aos dogmas religiosos medievais e cristãos precedentes seguiram tomando conta de todas as áreas do conhecimento. De fato, foi uma escolha promissora e importante para todas as conquistas tecnológicas e sociais de nossa civilização. Grandes pensadores e filósofos como Nietzsche, Schopenhauer, Descartes e Kant _ esses últimos um pouco mais crentes_ fizeram parte do processo de construção da teoria científica, cada um de maneira particular sob as influências de seu tempo. Newton fundamentou a física clássica, superada mais tarde _ na lógica das leis do cosmos_ por Einstein e sua teoria da Relatividade Geral, no início do século passado. Hoje não me surpreende os cientistas colocando em cheque a relatividade na medida em que se aprimoram a tecnologia espacial e os modelos quânticos da física.&lt;br /&gt;Fazer ciência é assim: nunca há uma certeza estática inabalável. Há apenas um vórtice de realidades e de hipóteses mais ou menos aceitas por experimentos e deduções. Essas últimas também eram métodos utilizados pelos antigos em busca de explicar os fenômenos naturais. As dúvidas alimentam a ciência bem como o universo de possibilidades que podem surgir ao seu redor, segundo cada descobrimento e elucidação da dinâmica da natureza, tanto a sideral quanto a telúrica de nosso planeta. As possibilidades, refutações e argumentações, portanto, existem nos modelos nos quais são baseados os nossos métodos de pesquisa e análise. O que seria da ciência se houvesse um consenso numa certeza geral? Teríamos que sepultá-la junto com a última religião desse mundo, o que seria uma lastimável derrota para a nossa pobre razão limitada pelos eternos horizontes em conflitos. As mudanças de paradigmas são importantes no intuito de estabelecer novas relações de objeto e observador, de impressão e impacto entre homem e natureza, bem como são extremamente essenciais para a construção de novos modelos teóricos. Os paradigmas dão novos sentidos ao avanço das técnicas e trazem novas funções ao saber científico humano; este está condicionado ao risco constante de ser destituído de seu trono.&lt;br /&gt;Não há nenhuma objeção que possa questionar a existência de Deus ou de qualquer forma suprema consciente ordenando o universo. Por outro lado, não há nenhuma verdade da qual se possa extrair uma certeza de uma consciência criadora, ou seja, deuses ou entidades absolutas. Eu de minha parte, discordando da querida amiga, sou ateu por não acreditar em quaisquer entidades. Creio que o universo e as sua leis são a organização do que os crentes chamam de Deus. Há possibilidades de ele existir? É lógico que essa hipótese não pode ser de toda descartada, tampouco podemos negá-la cegamente. Mesmo que os nossos argumentos nos convençam do contrário, não podemos olvidar as possibilidades externas e independentes de nossa razão, senão, de outra maneira, acabamos caindo no dogmatismo semelhante em muitos aspectos ao da Igreja Medieval. Nesse contexto, o ateísmo embasado no niilismo e apoiado nas idéias de Dawkins e Ofray é hoje, em certos aspectos, a tendência ideológica radical de negar as crenças religiosas ou místicas no qual guarda um pouco de ortodoxismo ateísta. Mas reconheço o porquê desse novo movimento ideológico: ele veio como reação à reorganização dos grupos religiosos, inclusive na esfera do poder político-econômico, em vários países do mundo. Esse fato revelou o forte aumento nos índices de fiéis, principalmente entre as religiões cristãs. Com exceção da Igreja Católica que perdeu seus confrades por causa da pedofilia praticada pelos padres e das posições infelizes tomadas pelo seu líder maior, o Papa, as seitas protestantes se multiplicaram pelos recantos do mundo, se aproveitando, entre outros fatores sociais e psicológicos, da depressão e da baixa estima que atingem as pessoas, males trazidos pela modernidade capitalista.&lt;br /&gt;Muitos ateus não vêem a teoria do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Bang &lt;/span&gt;com bons olhos. Para esse grupo a teoria implica um início, o que seria uma espécie de criação e, portanto, um criador para fazê-la. Na minha opinião, eles talvez tenham medo de aceitar um início para o universo, fator no qual levaria a deduzir a existência de um final, como, aliás, é normal nos processos da natureza. Galáxias têm períodos de existência limitados. Estrelas não brilham para sempre, elas possui um tempo de vida útil; condenando no seu fim os planetas ao redor a vagar gélidos e sem vida no universo. O mesmo fim trágico terá o nosso Sistema Solar e outros planetas, abrigos de seres, e suas estrelas. Pois seria absurdo e muita petulância pensar que a Terra é a única a guardar formas de vida. Todo a racionalista cético que se preze não deve acreditar em vida em outros planetas, pois  essa confirmação pode servir de mais uma evidência para tentar argumentar a favor da presença de um deus no universo.&lt;br /&gt;Pensar num universo mecânico e infinito, onde o tempo e as forças elementares _ gravidade, magnetismo, por exemplo_ são preexistentes e nunca tiveram origem é um modo de encontrar algum consolo de se sentir imortal e imbatível. Mas às vezes a arrogância traz esse tipo de sentimento sem necessidades hipotéticas. Se o universo é infinito desde sempre com processo mecânicos, o que alimentaria a sua dinâmica e os fenômenos complexos? Uma coisa é certa: o universo não é absoluto e só pode existir enquanto estiver combustível, que nesse caso é matéria, gás e energia. Naturalmente são elementos finitos que são pouco a pouco consumidos na construção de galáxias, estrelas e nebulosas. Um dia tudo terá um fim. Logo eu acredito que um dia esse “deus” universo morrerá ou pelo menos começará a se retrair acumulando o resto de sua energia em um ponto. Nesse contexto, começaria de novo tudo num ponto diminuto. Não quero com isso argumentar a favor de que tudo começou numa simples “flutuação quântica de vácuo” totalmente ao acaso. Mas mesmo se isso fosse verdade não inibiria a existência de uma criação e um criador. Há outras maneiras de se encontrar propósitos nos fenômenos universais da natureza, o que abre caminhos às crenças individuais de cada indivíduo. Não preciso buscar objetivos reais para sobreviver e jamais iria fazer esforço desse tipo para acreditar em algo transcendente. No entanto, a busca, nesse caso, se focaliza nas possibilidades; elas não me convencem da existência de algo no comando do universo e não me trazem respostas convincentes da impossibilidade de algo existir. O que elas oferecem é a confiança na dúvida que, por sua vez, demonstra o quanto posso estar errado. Assim o prazer de viver vem da busca de minhas repostas com mais segurança diante das distorções angulares da dimensão humana.&lt;br /&gt;Quando observo o universo, exalto a ciência por todas as conquistas da humanidade. Através dela tenho algumas noções de quem eu sou nessa imensidão cósmica. Talvez uma conseqüência das leis da natureza, na estrutura de ordem e desordem; matéria e energia atuando em conjunto. Ou quem sabe sou apenas fruto do acaso; da aleatoriedade do complexo gênico produzido por elementos espalhados no universo... Qualquer alternativa me confortaria na medida em que penso na insignificância de nossa primitiva razão tão recente na história do universo. Traz conforto porque mesmo que o universo e eu terminemos num fim unívoco, já que somos feitos dos mesmos elementos, o papel da vida orgânica seria aprender sobre si mesmo, durante o breve momento da minha biografia. Entender que ser imortal é uma coisa muito monótona, nessa situação nada podia trazer ganâncias e paixões para viver se há certeza no amanhã... Essas meditações ultrapassam as fronteiras da ciência, e vejo-a limitada. Recorro, então, aos antigos hindus: aos vedas e a idéia do deus Brama na qual absorvo um modelo mais didático e profundo para se entender o universo, superando em alguns aspectos, ao da própria astrofísica. Nota-se que os antigos sacerdotes fizeram um modelo de universo muito desenvolvido para época, para sociedades ditas primitivas. O “dia e a noite de Brama” em que formava um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Manvantara&lt;/span&gt;, a respiração do Deus Brama. Esse mito se assemelha bem aos modelos atuais de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Bang&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Big Crush&lt;/span&gt;, os quais podem explicar a expansão e retração do universo numa espécie de ciclo infinito.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, desconfio das emoções humanas. Prefiro continuar cético em relação a existência de um criador ou de uma entidade controlando tudo. Mesmo se fosse o caso, Deus estaria pouco se importando com seres que se digladiam no dia a dia em um bocado de rochas; em um, no dizer de Carl Sagan, “pálido ponto azul” sem endereço fixo importante. No entanto, estou aberto a hipóteses e às dúvidas ou aporias que possam desmoronar a minha razão. Gosto de desafios. As ciências precisam disso, seja a História, a Geografia, a Matemática ou a Física. Continuo olhando para o espaço sideral, procurando motivos para me sentir equivocado, objetivando questionar a vida depois da morte e a origem do universo, enfim, todas as perguntas que inquietam os céticos. Sem misturar as coisas; sem esquecer o prisma particular da análise geográfica aqui no mundo, totalmente desvinculado de crenças religiosas e liberto de metafísicas. A ciência nunca deve se envolver com a religião; são coisas distantes e tomam caminhos bastante diferentes; são ângulos de pesquisas em que cada um possui o seu determinado valor, seja ele individual ou coletivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-6961666236458956390?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/6961666236458956390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=6961666236458956390' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6961666236458956390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/6961666236458956390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/05/cometarios-sobre-deus.html' title='Comentários sobre Deus'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5038661844721298741.post-775893988372428747</id><published>2009-04-14T20:44:00.000-07:00</published><updated>2009-05-16T17:01:34.538-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='geografiarodrigoazenha.blogspot.com/'/><title type='text'>A lei ambiental do governador de Santa Catarina</title><content type='html'>Por Rodrigo Azenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje um dos maiores desafios para a sociedade capitalista é a relação auto-sustentável entre o crescimento global dinamizado da estrutura produtiva e a configuração natural da paisagem. O espaço, como um fato social, é promotor e resultado da produção da sociedade ao longo da história; é uma instância subordinada e subordinante da dinâmica sócio-econômica e das interações sociais. Os impactos que o ambiente sofre, portanto, são conseqüências inevitáveis e casuais da relação de contato, na qual o homem se desenvolve através dos recursos oferecidos pelo ambiente, manipulando-o. Mas como amenizar esses impactos?&lt;br /&gt;A sociedade possui valores os quais entre eles estão os costumes e as leis. Baseado nesse princípio, podemos se apoiar nesses valores visando amenizar esses impactos, seja através da educação, promovendo a conservação do ambiente, seja utilizando-se das leis para regulamentar a exploração dos recursos naturais do ambiente. Dessa maneira, o Estado tem que se adequar as novas ideologias que defendem o desenvolvimento econômico em harmonia com a natureza; conceito comumente relacionamento ao desenvolvimento sustentável. Assim nasceu a lei federal que determina a área de proteção permanente (APP) de no mínimo 30 metros das encostas dos cursos de água, o que oferece uma base legal na conservação das matas ciliares dos lagos, rios e córregos. Desmatar ao longo dessa faixa é crime. O fato é que ganhou destaque, foi do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Ela conseguiu aprovar uma lei na Câmara Legislativa que garante aos produtores agrícolas a autorização para cultivar nessa área de proteção. Luiz com o apoio dos proprietários de terra garantiu através de um projeto de lei estatal, a diminuição de 30 metros para 5 metros da margem dos rios. Essa absurda redução na metragem da área vai contra todos os parâmetros legais assegurado pela União. Não só isso, esse despautério compromete o solo e pode causar o assoreamento dos rios catarinenses, porque com a diminuição da APP as matas ciliares propostas em lei são derrubadas; desprotegendo o solo das margens dos rios. Sem as raízes da cobertura vegetal, o processo erosivo se intensifica com as chuvas, levando aos leitos dos rios os detritos do solo degradado, prejudicando o curso natural do rio, o que no futuro ameaça o fornecimento de água para a própria produção agrária da região.&lt;br /&gt;Isso veio provar mais uma vez que o Brasil ainda é um país com sua base política pertencente aos grandes latifundiários. Mesmo se o governador não for dessa base, ele agiu claramente por escusos interesses dos grandes capitalistas do agronegócio. Apoiando-se no argumento de que os fazendeiros precisam de mais terras para plantar, o governador atropelou com arrogância a legislação ambiental; ameaçando “reagir” com força policial a qualquer interferência da fiscalização dos órgãos institucionais. Desafiou, com isso, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que prometeu entrar com pedido de inconstitucionalidade contra a lei catarinense no Tribunal Superior de Justiça.&lt;br /&gt;A lei não garante a preservação da vegetação nas margens dos rios. O desmatamento das encostas é uma ameaça constante aos rios brasileiros, sobretudo quando a fiscalização ambiental é deficiente. Mas a lei federal torna crime o desmatamento na margem dos rios, impedindo que pessoas de boa fé transgridam a lei. Sem a zona verde ciliar as encostas ficam vulneráveis a erosão e a lixiviação do solo, deixando os barrancos desprotegidos do desgaste da chuva, o que, por conseguinte, causa o assoreamento dos rios. Portanto a mata nas margens é um fator extremamente importante para que o rio corra sem degradação e se mantenha ativo servindo de irrigação para agricultura e fornecimento de água potável. Além disso, as terras cultivadas muito próximas da margem poderão facilitar a contaminação das águas por agrotóxicos.&lt;br /&gt;O que estão fazendo em Santa Catarina aprovando uma lei desse tipo é a regularização do crime ambiental e social, que, em última análise, poderá ser a causa de uma verdadeira tragédia ao ambiente, a população e a economia agrícola cuja necessita do uso constante da água. Ao contrário do que disse Joelmir Beting _ ele me decepcionou novamente _, os 30 metros de área mínima intocável da lei federal não é apenas mais um obstáculo burocrático ao progresso ou ao desenvolvimento econômico que deve ser superado. É, sobretudo, o estabelecimento de um limite de segurança para a proteção dos nossos recursos hídricos. Estes garantem boa parte da energia e da irrigação na produção de alimentos, fatores essenciais para o desenvolvimento econômico e da sociedade. &lt;br /&gt;Não devemos reduzir essa metragem em nenhum lugar do país. É costume falar de proteção as matas só em relação à Amazônia. No entanto, todos os rios e os biomas dos quais eles fazem parte devem ser considerados. O cerrado e seus rios cristalinos não devem ser esquecidos, nem os recursos hídricos e os biomas das demais regiões. Toda atividade econômica deve ser organizada sobre a perspectiva do futuro e da segurança dos recursos naturais utilizados. O planejamento territorial no arranjo espacial é uma necessidade para o homem e o seu ecúmeno. Por fim, a lei é uma forma de regular os agentes sociais, e não podem ser simplesmente manipuladas para interesses de determinados grupos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5038661844721298741-775893988372428747?l=geografiarodrigoazenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/feeds/775893988372428747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5038661844721298741&amp;postID=775893988372428747' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/775893988372428747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5038661844721298741/posts/default/775893988372428747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://geografiarodrigoazenha.blogspot.com/2009/04/lei-criminosa-do-governador-de-santa.html' title='A lei ambiental do governador de Santa Catarina'/><author><name>Rodrigo Azenha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00889873640915812391</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp3.blogger.com/_5v3dECO9JCQ/SI4Xzm4FPoI/AAAAAAAAAQM/s53--CXEmIs/S220/Z1b41iut.jpg'/></author><thr:total>0<
